Comunhão dos Santos, Tesouros de Cornélio à Lápide

O que é a Comunhão dos Santos

A Comunhão dos Santos é a união entre a igreja triunfante, a igreja militante e a igreja purgante, isto é, a união entre os Santos que estão no Céu, os justos que vivem na terra, e as almas que sofrem no Purgatório. Estas três partes de uma só e mesma Igreja formam um Corpo, do qual Jesus Cristo é a Cabeça. Os membros deste Corpo estão unidos entre si pelos laços da caridade e por uma comunicação mútua de obras boas.

Daí vem a invocação dos Santos, os auxílios e graças que eles nos alcançam, as orações para os defuntos, a confiança no poder dos bem-aventurados próximos do trono de Deus.

Tudo está em comunhão na Igreja: orações, boas obras, graças, méritos etc.

A Comunhão dos Santos com Jesus Cristo é semelhante à que existe entre o amo e o criado, entre pai e filho, entre aquele que ilumina e aquele que é iluminado, aquele que justifica e aquele que é justificado, o governador e o governado, entre aquele que doa e aquele que recebe, quem invoca e quem ouve, o que beatifica e o beatificado. Esta comunhão é um afeto, uma união com Deus, para não formar mais que um mesmo espírito com Ele, para andar em sua Luz, participar dos méritos de Jesus Cristo e dos méritos dos Santos.

A Comunhão dos Santos está figurada na parábola do Pastor e das ovelhas, pela união de membros, pela assimilação do alimento com o corpo daquele que o toma, pelas relações que existem entre a videira e seus sarmentos. Porém, é preciso que aqueles que participam dos consolos, participem também das provações.

Todo fiel que se conheça a si mesmo e faça-se justiça não tem em si mesmo motivos para contar com suas virtudes e suas obras boas; porém descansa nos méritos de Jesus Cristo, na intercessão dos Santos, nas orações e méritos da Igreja, que recebem de Jesus Cristo todo o seu valor. Isto é o que sustenta a esperança cristã e nos excita a obrar bem. Uma das maiores desgraças para um cristão é o achar-se fora da Comunhão dos Santos pela excomunhão, pelo cisma. O pecado mortal impede que se produzam muitos dos felizes efeitos desta comunhão.

A Comunhão dos Santos deveria contribuir para unir os corações, a afogar ódios gerais e particulares, a inspirar a todos os cristãos sentimentos de fraternidade.

Diz São Paulo: Já não há distinção de judeu nem grego, nem de servo nem livre, nem tampouco de homem nem mulher, porque todos vós sois uma só coisa em Jesus Cristo (Gl 3, 28).

Tal foi a intenção de nosso Divino Mestre; se correspondemos muitas vezes mal a ela, por certo, não tem a culpa nossa Santa Religião.

A Comunhão dos Santos é um Dogma de Fé

A Comunhão dos Santos é um Dogma de Fé, um dos artigos do Símbolo dos Apóstolos constantemente reconhecido pela Tradição e fundado na Sagrada Escritura.

Nós, ainda que sejamos muitos, diz São Paulo aos Romanos, formamos em Cristo um só Corpo, sendo todos reciprocamente membros uns dos outros: Ita multi unum corpus sumus in Christo, singuli autem alter alterius membra (Rm 12, 5).

Deus pôs tal ordem em todo o corpo, que se honra mais ao que, de si, é menos digno de honra, a fim de que não haja cisma ou divisão no corpo, antes tenham os membros a mesma solicitude uns pelos outros: Ut non sit schisma in corpore, sed idipsum pro invincem sollicita sint membra (1 Cor 12, 24-25).

Seguindo a verdade do Evangelho com caridade, em tudo vamos crescendo em Cristo, que é nossa Cabeça, e de quem todo o Corpo místico dos fiéis, unido e conexo entre si com a fé e a caridade, recebe por todos os vasos e condutos de comunicação, segundo a medida correspondente a cada membro, o aumento próprio do corpo para sua perfeição, mediante a caridade: Veritatem autem facientes in caritate, crescamus in illo per omnia, qui est caput Christus (Ad Ephes. IV, 15-16).