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Do grande mal que fazem os que ocultam os Pecados na Confissão

Pro anima tua ne confundaris dicere verum —“Não te envergonhes de falar a verdade, quando se trata da tua alma” (Eclo 4, 24)

Sumário. O demônio, depois de obcecar tantas pobres ovelhas de Jesus Cristo, induzindo-as a pecar, faz como o lobo; apanha-as pelo pescoço, a fim de que não gritem por socorro, confessando-se sinceramente. E deste modo fazendo que cometam novo pecado, de ordinário mais grave que o primeiro, como é o sacrilégio, leva-as com segurança ao inferno. Oxalá que aquelas almas desgraçadas compreendessem o grande mal que causam a si mesmas, e o grande bem de que se privam pela maldita vergonha na confissão! Continue reading

Festa do Arcanjo São Miguel

Michael, unus de principibus primis, venit in adiutorium meum — “Miguel, um dos primeiros príncipes, veio em meu socorro” (Dn 10, 13)

Sumário. Entre os anjos do paraíso não há um só que seja superior, nem quiçá igual a São Miguel, que foi escolhido por Deus para rebater o orgulho de Lúcifer e para o expulsar do céu. É, pois, com razão que ele foi colocado como protetor da Igreja católica e de todos os fiéis. Alegremo-nos com o gloriosíssimo Arcanjo, recomendemo-nos a ele e dediquemos-lhe particular devoção, porque tem o honroso ofício de, na hora da morte, defender as almas contra os assaltos dos demônios e apresentá-las ao tribunal divino. Continue reading

Formosura de Maria Santíssima

Quam pulchra es, amica mea, quam pulchra es! — “Ó, como és formosa, amiga minha, como és formosa” (Ct 4, 1)

Sumário. Quando a Santíssima Virgem estava ainda na terra, a graça imensa de sua alma comunicava a seu corpo uma formosura tão grande, que abrasava em amor todos aqueles que tinham a ventura de a contemplar, e inspirava-lhes no coração o desejo das coisas celestiais. Quanto mais formosa não deverá ser agora no céu, onde foi glorificada à mão direita de seu divino Filho! Regozijemo-nos com a nossa querida Mãe, recorramos a ela com confiança, e não tenhamos a loucura de renunciar ao gozo de a contemplarmos um dia no paraíso, para amarmos com amor pecaminoso umas vis criaturas feitas de lodo. Continue reading

Continuação da explicação da Oração Dominical

Panem nostrum quotidianum da nobis hodie — “O pão nosso de cada dia nos dai hoje” (Lc 11, 3)

Sumário. O divino Redentor, depois de nos ter feito cumprir as obrigações de bons filhos para com nosso Pai celestial, pela petição do que se refere à sua glória, faz-nos em seguida pedir as graças que dizem respeito a nós mesmos. Quer que peçamos ao Senhor, que nos dê cada dia o sustento do corpo e da alma, força para não sucumbirmos às tentações, e nos livre de toda a sorte de males. Ó sublimidade da Oração Dominical! Rezemo-la frequente e devotamente. Continue reading

Da Oração Dominical

Sic ergo vos orabitis : Pater noster, qui es in coelis, sanctificetur nomen tuum — “Assim, pois, é que haveis de orar: Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome” (Mt 6, 9)

Sumário. Nós somos tão ignorantes e curtos de juízo, que nem sabemos quais as graças que devemos pedir a Deus para nossa salvação. Jesus Cristo, vendo a nossa insuficiência, compôs a súplica que havemos de dirigir a nosso Pai celestial. Rezemos, pois, com frequência a oração sublime qual é o Pai nosso,e, como bons filhos, peçamos principalmente ao Senhor, que faça seu nome conhecido em toda a parte, que reine em nós pela sua graça e nos faça cumprir perfeitamente a sua santíssima vontade. Continue reading

Da vida oculta de Jesus no Santíssimo Sacramento

Vere tu es Deus absconditus, Deus Israel Salvator —“Vós sois em verdade um Deus oculto, Deus de Israel, Salvador” (Is 45, 15)

Sumário. Encarnando-se, o Verbo divino ocultou sua divindade, e manifestou-se como homem na terra; mas morando entre nós na Eucaristia, esconde também a sua humanidade, e só deixa ver as aparências de pão, para mostrar o amor que tem aos homens. E, todavia, os homens se atrevem a ultrajá-lo, exatamente porque se ocultou assim! Se amamos deveras a Jesus, desagravemo-lo com as nossas homenagens, e esforcemo-nos por imitá-lo, ocultando à vista dos homens a nossa própria pessoa e as nossas ações. Continue reading

Jesus nasce Menino

Invenietis infantem pannis involutum, et positum in praesepio — “Achareis um menino envolto em panos e colocado numa manjedoura” (Lc 2, 12)

Sumário. A pequenez das crianças é um grande atrativo de amor, por causa da inocência. Mas atrativo muito mais poderoso nos deve ser a pequenez do Menino Jesus, que, sendo Deus imenso, se fez pequeno para atrair com mais força os nossos corações. Ah! Como será possível contemplar com fé um Deus feito Menino, chorando e gemendo numa gruta, sobre um pouco de palha, e não amá-lo e não convidar todos a seu amor, como fazia São Francisco de Assis? Amemus puerum de Bethlehem —“Amemos o Menino de Belém”. Continue reading

Do grande Meio para Vencer as Tentações

Vigilate et orate, ut non intretis in tentationem — “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mc 14, 38)

Sumário. Meu irmão, começaste a servir a Deus, mas não penses que tenham acabado as tentações. Agora, mais do que nunca, deves preparar-te para o combate, porque o mundo, o demônio e a carne, mais do que nunca, se aprestarão para te combater, a fim de te fazer perder o que ganhaste. A arma principal que deves empregar para alcançar a vitória, deve ser um perpétuo recurso a Deus pela santa oração; e lembra-te sempre desta grande máxima: Quem reza, certamente se salva; quem não reza, certamente se condena. Continue reading

Festa de São Mateus, Apóstolo

Vidit hominem sedentem in telonio, Matthaeum nomine, et ait illi: Sequere me — “Jesus viu sentado no telônio um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me” (Mt 9, 9)

Sumário. Consideremos como este santo respondeu admiravelmente ao convite divino; pois, mal o convidou Jesus Cristo para o seguir, logo se levantou do telônio e o foi seguindo. E quantas dificuldades teve que vencer! Somos nós igualmente solícitos em obedecer ao convite de Deus? Há quanto tempo nos convida ele para sairmos da nossa tibieza, e lhe resistimos obstinadamente? Ah! Cuidemos que a nossa demora não nos leve finalmente a um sofrimento longo no purgatório, e quiçá, à perdição eterna, como sucedeu a tantos outros. Continue reading

A Misericórdia de Deus e as Ilusões do Pecador

Ne dixeris: Peccavi, et quid mihi accidit triste? Altissimus enim est patiens redditor — “Não digas: Pequei, e que mal me veio daí porque o Altíssimo, ainda que sofrido, é justiceiro” (Eclo 5, 4)

Sumário. Eis aí uma ilusão comum aos pecadores, a qual fez e ainda faz com que muitos se condenem. Os miseráveis dizem: Deus é misericordioso, e assim como no passado tem sido tão indulgente para conosco, sê-lo-á também no futuro. Consideremos, porém, que o Senhor não é só misericordioso, mas também justo. Por isso, quando estiver cheia a medida dos pecados que ele quer perdoar, faz descer os mais formidáveis castigos. Ah! Quantos daqueles que sempre adiavam a sua conversão, confiados na bondade divina, estão agora queimando no inferno! Continue reading

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