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Todas as criaturas nos convidam a servir a Deus

Meditação para a Quarta-feira da Septuagésima. Todas as criaturas nos convidam a servir a Deus

Meditação para a Quarta-feira da Septuagésima

SUMARIO

Prosseguiremos as nossas meditações no Serviço de Deus, e veremos:

1.° Que todas as criaturas nos convidam a servir a Deus;

2.° Que elas nos oferecem os meios para isso.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De não nos comprazermos nas criaturas, mas só em Deus, que devemos ver em tudo;

2.° De nos servirmos de todas as coisas e de todos os acontecimentos terra como de outros tantos degraus para nos elevarmos a Deus, pela adoração e pelo amor da Sua Providência, da Sua sabedoria, da Sua paciência, da Sua bondade.

O nosso ramalhete espiritual será estas duas palavras dos santos:

“De que me servirá isto para Deus, para a eternidade?” – Quid hoc ad Deum? Quid hoc ad aeternitatem?

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Do amor de Deus

Santa Inês

Confira as importantes advertências de Santo Afonso para bem aproveitar esta obra!

CONSIDERAÇÃO XXXIII

Nos ergo diligamus Deum, quoniam Deus prior dilexit nos – “Amemos nós a Deus, porque Deus nos amou primeiro” (1 Jo 4, 19)

PONTO I

Considera, antes de tudo, que Deus merece o teu amor, porque ele te amou antes de ser amado por ti, e, de todos quantos te hão amado, é o primeiro (Jr 31,3). Os primeiros que te amaram neste mundo foram teus pais, mas só te amaram depois que te conheceram. Mas Deus já te amava antes de existires. Mesmo antes da criação do mundo, Deus já te amava. E quanto tempo antes de ter criado o mundo começou a te amar?… Talvez mil anos, mil séculos?… Mas não computemos anos nem séculos. Deus te amou desde toda a eternidade (Jr 31,3). Enfim: desde que Deus é Deus, sempre te tem amado; desde que se amou a si mesmo, também amou a ti. Com razão, dizia a virgem Santa Inês:

“Outro amante me cativou primeiro”

Quando o mundo e as criaturas requestaram o seu amor, ela respondia: Não, não vos posso amar. Meu Deus foi o primeiro a amar-me, e é justo, portanto, que só a ele consagre todo o meu amor.
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Ele em tudo, Ele é tudo!

São Paulino de Nola

Das Cartas de São Paulino de Nola (355-431), bispo

Desde a origem do mundo que Cristo sofre em todos os Seus.
Ele é «o princípio e o fim» (Ap 1,8); escondido na lei, revelado no Evangelho,
Ele é o Senhor «sempre admirável», que sofre e triunfa «nos Seus santos» (2Ts 1,10; Sl 67,36).

Em Abel foi assassinado pelo irmão;
em Noé foi ridicularizado pelo filho;
em Abraão conheceu o exílio;
em Isaac foi oferecido em sacrifício;
em Jacó foi reduzido a servo;
em José foi vendido; em Moisés foi abandonado e rejeitado;
nos profetas foi lapidado e dilacerado;
nos apóstolos foi perseguido em terra e no mar;
nos Seus inúmeros mártires foi torturado e assassinado.
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É possível conhecer algo da existência de Deus?

Santíssima Trindade

Por Dom Henrique Soares da Costa

Sei que o título desde texto é instigante. Ele se inspira no Catecismo da Igreja (nn. 31-43):

II. Os caminhos de acesso ao conhecimento de Deus

31. Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, c homem que procura Deus descobre certos «caminhos» de acesso ao conhecimento de Deus. Também se lhes chama «provas da existência de Deus» – não no sentido das provas que as ciências naturais indagam mas no de «argumentos convergentes e convincentes» que permitem chegar a verdadeiras certezas.

Estes «caminhos» para atingir Deus têm como ponto de partida criação: o mundo material e a pessoa humana.

32. O mundo: A partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode chegar-se ao conhecimento de Deu: como origem e fim do universo.

São Paulo afirma a respeito dos pagãos: «O que se pode conhecer de Deus manifesto para eles, porque Deus lho manifestou. Desde a criação do mundo, a perfeições invisíveis de Deus, o seu poder eterno e a sua divindade tornam-se pelas suas obras, visíveis à inteligência» (Rm 1, 19-20) (8).

E Santo Agostinho: «Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar interroga a beleza do ar que se dilata e difunde, interroga a beleza do céu […] interroga todas estas realidades. Todas te respondem: Estás a ver como somo belas. A beleza delas é o seu testemunho de louvor [«confessio»]. Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo [«Ptdcher»], que não está sujeite à mudança?» (9).

33. O homem: Com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu sentido do bem moral, com a sua liberdade e a voz da sua consciência, com a sua ânsia de infinito e de felicidade, o homem interroga-se sobre a existência de Deus. Nestas aberturas, ele detecta sinais da sua alma espiritual. «Gérmen de eternidade que traz em si mesmo, irredutível à simples matéria» (10), a sua alma só em Deus pode ter origem.

34. O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos, nem o seu primeiro princípio, nem o seu fim último, mas que participam do Ser-em-si, sem princípio nem fim. Assim, por estes diversos «caminhos», o homem pode ter acesso ao conhecimento da existência duma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, «e a que todos chamam Deus» (11).

35. As faculdades do homem tornam-no capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar na sua intimidade, Deus quis revelar-Se ao homem e dar-lhe a graça de poder receber com fé esta revelação. Todavia, as provas da existência de Deus podem dispor para a fé e ajudar a perceber que a fé não se opõe à razão humana.

III. O conhecimento de Deus segundo a Igreja

36. «A Santa Igreja, nossa Mãe, atesta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas» (12). Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade porque foi criado «à imagem de Deus» (Gn 1, 27).

37. Nas condições históricas em que se encontra, o homem experimenta, no entanto, muitas dificuldades para chegar ao conhecimento de Deus só com as luzes da razão:

«Com efeito, para falar com simplicidade, apesar de a razão humana poder verdadeiramente, pelas suas forças e luz naturais, chegar a um conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que protege e governa o mundo pela sua providência, bem como de uma lei natural inscrita pelo Criador nas nossas almas, há, contudo, bastantes obstáculos que impedem esta mesma razão de usar eficazmente e com fruto o seu poder natural, porque as verdades que dizem respeito a Deus e aos homens ultrapassam absolutamente a ordem das coisas sensíveis; e quando devem traduzir-se em actos e informar a vida, exigem que nos dêmos e renunciemos a nós próprios. O espírito humano, para adquirir semelhantes verdades, sofre dificuldade da parte dos sentidos e da imaginação, bem como dos maus desejos nascidos do pecado original. Daí deriva que, em tais matérias, os homens se persuadem facilmente da falsidade ou, pelo menos, da incerteza das coisas que não desejariam fossem verdadeiras» (13).

38. É por isso que o homem tem necessidade de ser esclarecido pela Revelação de Deus, não somente no que diz respeito ao que excede o seu entendimento, mas também sobre «as verdades religiosas e morais que, de si, não são inacessíveis à razão, para que possam ser, no estado actual do género humano, conhecidas por todos sem dificuldade, com uma certeza firme e sem mistura de erro» (14).

IV. Como falar de Deus?

39. Ao defender a capacidade da razão humana para conhecer Deus, a Igreja exprime a sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. Esta convicção está na base do seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e as ciências, e também com os descrentes e os ateus.

40. Mas dado que o nosso conhecimento de Deus é limitado, a nossa linguagem, ao falar de Deus, também o é. Não podemos falar de Deus senão a partir das criaturas e segundo o nosso modo humano limitado de conhecer e de pensar.

41. Todas as criaturas são portadoras duma certa semelhança de Deus, muito especialmente o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As múltiplas perfeições das criaturas (a sua verdade, a sua bondade, a sua beleza) reflectem, pois, a perfeição infinita de Deus. Daí que possamos falar de Deus a partir das perfeições das suas criaturas: «porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5).

42. Deus transcende toda a criatura. Devemos, portanto, purificar incessantemente a nossa linguagem no que ela tem de limitado, de ilusório, de imperfeito, para não confundir o Deus «inefável, incompreensível, invisível, impalpável» (15) com as nossas representações humanas. As nossas palavras humanas ficam sempre aquém do mistério de Deus.

43. Ao falar assim de Deus, a nossa linguagem exprime-se, evidentemente, de modo humano. Mas atinge realmente o próprio Deus, sem todavia poder exprimi-Lo na sua infinita simplicidade. Devemos lembrar-nos de que, «entre o Criador e a criatura, não é possível notar uma semelhança sem que a dissemelhança seja ainda maior» (16), e de que «não nos é possível apreender de Deus o que Ele é, senão apenas o que Ele não é, e como se situam os outros seres em relação a Ele»(17).

A Igreja é convicta – e penso que com toda razão – de que o homem, precisamente por ter sido criado por Deus e para Deus, traz no seu íntimo o chamado irrefreável a conhecer e amar o seu Criador. Se de antemão o ser humano não se fechar preconceituosamente, descobre “certas vias” para chegar a um conhecimento da existência de Deus através de argumentos convergentes e convincentes. Para isto há, fundamentalmente, dois pontos de partida: o mundo e o próprio ser humano. Continue reading

Como ter presença de Deus?

Por Pe. Francisco Faus

O Poço e o Túnel

O teólogo belga Jacques Leclecq usa uma comparação su­gestiva. Diz que muitos são como um homem que vive agachado no fundo de um poço, estreito, escuro e cheio de lama. Não é um poço alto. Bastaria que fizesse o esforço de ficar em pé, de apoiar as mãos na borda do poço, retesar os músculos e erguer-se até colocar a cabeça para fora. Veria, então, um panorama maravilhoso: cam­pos verdejantes, caminhos, riachos, montanhas ao longe, cidades… Uma paisagem que poderia ser para ele um mundo novo, um mun­do maravilhoso, se se decidisse a sair do poço.

Quando alguém começa a ter presença de Deus, sai do poço; ou então, sai de dentro de um túnel, como dizia São Josemaria, mostrando, além disso, em que consiste este “mundo novo”:

“Alguns passam pela vida como por um túnel, e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé” (Cami­nho, n. 575).

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Várias ocupações, um único fim

Por Dom Henrique Soares da Costa

“As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo nos advertem que, em meio à multiplicidade das ocupações deste mundo, devemos aspirar a um único fim. Aspiramos porque estamos a caminho e não em morada permanente; ainda em viagem e não na Pátria definitiva; ainda no tempo do desejo e não na posse plena. Mas devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de podermos um dia chegar ao fim” (Do Sermão 103, de Santo Agostinho).

Meu caro Amigo, pense um pouco nestas belíssimas palavras do Doutor da Graça.

Ele fala em multiplicidade das ocupações deste mundo e afirma que, no meio delas, somos movidos por aspirações. Aspiramos o tempo todo, a vida toda. No fundo, aspirar quer dizer desejar, ter saudade, sentir necessidade… Aspiramos… Continue reading

Deus é o bem que faz o paraíso

São Felipe Neri

Ego ero merces tua magna nimis – “Eu serei tua recompensa infinitamente grande” (Gn 15, 1)

Sumário. A formosura dos Santos, as harmonias celestiais e todas as outras delícias do céu, são os menores bens desse reino bem-aventurado. O bem que faz a alma plenamente feliz e faz propriamente o céu é o Bem supremo, é Deus, é vê-lo face a face e amá-lo. Ânimo, pois, meu irmão, visto que tão grande recompensa nos aguarda também. Mas, para o conseguirmos, mister é que abracemos de boa vontade as cruzes e tribulações da vida presente, mormente se no passado houvéssemos tido a desgraça de merecer o inferno. Continue reading

Ele vem ao nosso encontro…

Por Dom Henrique Soares da Costa

“Ao cair da tarde, os discípulos desceram ao mar. Entraram na barca e foram em direção a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha vindo ao encontro deles.
Soprava um vento forte e o mar estava agitado. Os discípulos tinham remado mais ou menos cinco quilômetros, quando enxergaram Jesus, andando sobre as águas e aproximando-Se da barca. E ficaram com medo.
Mas Jesus disse: “Sou eu. Não tenhais medo”. Quiseram, então, recolher Jesus na barca, mas imediatamente a barca chegou à margem para onde estavam indo” (Jo 6,16-21).

A tarde cai; a noite chega.
O mar é profundo, o vento é forte, o mar está agitado.
E lá vai a barca dos apóstolos, a barca da Igreja…
Como hoje, nestes dias de noite e agitação… Continue reading

A Santa, Indivisa e Consubstancial Trindade – Parte 3

Santíssima Trindade. The Holy Trinity (Nicoletto Semitecolo)

Santíssima Trindade. The Holy Trinity (Nicoletto Semitecolo)


Por Dom Henrique Soares da Costa
Vimos, nos tópicos passados desta série de meditações, que Javé (Adonai) é o Deus eterno, o Deus de Israel; mas Ele, o Deus Único, o Indivisível, o Imultiplicável, o Simples, o Infinito fora do Qual nada há nem pode haver, Ele não é um Deus solitário: Ele é o Pai eterno do eterno Filho, que é Deus com Ele e como Ele! E mais: com o Pai e o Filho existe, ou melhor, é eternamente o Santo Espírito, Deus como o Pai, Deus como o Filho!

Na Páscoa, o Pai ressuscitou o Filho, divinizando-O, glorificando-O, na potência divina que é o Santo Espírito! Continue reading

A questão de Deus

Deus
Por Dom Henrique Soares da Costa

Apesar do ateísmo prático que vemos presente em tantos níveis e ambientes de nossa sociedade ocidental, apesar da enganosa sensação difusa de emancipação e euforia, o problema da fé em Deus não pode ser tranquila e pacificamente descartado pelo homem; trata-se, ao invés, de uma questão que coloca em questão o próprio homem, a existência de cada um de nós! Continue reading

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