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Da imitação de Cristo e desprezo de todas as vaidades do mundo

Livro I. AVISOS ÚTEIS PARA A VIDA ESPIRITUAL

Capítulo I

1. Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.

2. A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida. Continue reading

Desprendimento

Desprendimento, Tesouros de Cornélio à Lápide

É preciso que sejamos desprendidos

A fim de que o espírito, ocupado tão somente com os bens temporais, não ponha menos cuidado em possuir os eternos, o cristão deve ter tanta confiança na divina Providência, diz São Gregório, que, ainda quando não se possa procurar o necessário para a vida, deve estar bem convencido de que o necessário nunca este haverá de lhe faltar: Tanta debet esse in Deum fidúcia, utpraesentis vitae sumptibus quamvis non provideat, tamem sibi hos non desse certissimar sciat; ne dum mens ejus occupatur ad temporalia, minusprovideat aeterna (Pastor.).

Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro algum em vossos bolsos, disse Jesus Cristo a seus discípulos: Nolite possidere aurum, neque argentum, neque pecuniam in zonis vestris (Mt 10, 9). Quando viajares, não leveis nem alforje, nem duas túnicas, nem duas sandálias, nem tampouco cajado: Non meram in via, meque duas tunicas, neque calceamenta, neque virgam (Mt 10, 10)[1]. Continue reading

O Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo

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Circunstâncias do nascimento de Jesus

Entramos em espírito no pobre presépio de Belém, e consideremos com os olhos da fé as circunstância do nascimento do nosso adorável Salvador. Neste mesquinho albergue é que a divina Maria, arrebatada em sublime contemplação e abrasada em ardente amor de Deus e em desejo extremo de ver o seu Filho, sem sofrer a menor dor e sem deixar de ser a mais pura das virgens, deu à luz o rei do céu e da terra, o Messias prometido e esperado, havia quatro mil anos. Prostremo-nos profundamente aos pés deste divino Infante, adoremo-lO como nosso Criador, Redentor, soberano Mestre e Deus. Depois de Lhe termos tributado vassalagem com todos os afetos que à fé, a religião, o amor e a gratidão podem inspirar-nos, rendamos obséquios a Sua terna Mãe; felicitemo-la pela ventura inefável de ser Mãe de Deus; honremo-la nesta qualidade e ponhamos nela a nossa confiança. Continue reading

Vida dos primeiros Cristãos

Meditação para a Terça-feira de Pentecostes. Vida dos primeiros Cristãos

Meditação para a Terça-feira de Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos a ação admirável do Espírito Santo sobre os primeiros Cristãos de Jerusalém, e veremos que fez deles modelos:

1.° De abnegação;

2.° De piedade;

3.° De caridade.

—Tomaremos depois a resolução:

1.° De praticarmos durante o dia algum ato de mortificação ou de abnegação;

2.° De guardarmos em todo o nosso porte uma grande modéstia, como meio de nos acostumarmos ao recolhimento de espírito;

3.° De darmos provas da mais perfeita caridade a todos aqueles, com quem tivermos relações.

O nosso ramalhete espiritual será o belo elogio, que o Espírito Santo fez dos primeiros cristãos:

“Da multidão dos crentes o coração era um e a alma uma” – Multitudinis credentium erat cor unum et anima una (At 4, 32)

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A Virtude da Pobreza de Espírito ou do Desapego

Mês de Maio: A Virtude da Pobreza de Espírito ou do Desapego

Mês de Maio

Breve introdução sobre a Pobreza de Espírito e o Apóstolo Patrono

Há pessoas que querem santificar-se, mas a seu modo; querem amar a Jesus Cristo, mas seguindo as suas inclinações, isto é, sem renunciar aos seus divertimentos, à vaidade dos trajes, às delícias da mesa; amam a Deus, mas se não conseguem tal emprego, vivem inquietas; se lhes tocam na reputação, irritam-se; se não saram de tal doença, perdem a paciência; amam a Deus, mas não se desapegam das riquezas, honras do mundo, vaidade de passar por nobres, sábias, melhores do que as outras. Essas pessoas fazem oração, frequentam os Sacramentos, mas, como têm o coração cheio de afeições terrenas, logram pouco fruto das suas devoções. O Senhor nem sequer lhes fala, porque vê que seria em vão.

Não invejes os grandes do mundo, suas riquezas e honras. Feliz de quem nada mais deseja senão Deus só, podendo dizer, com São Paulino:

“Tenham os ricos suas riquezas, os reis os seus reinos: para mim toda a minha riqueza, todo o meu reino é Cristo”

Podes estar certo de que ninguém vive no mundo mais contente do que aquele que menospreza todas as coisas terrenas e só cuida em cumprir com a vontade de Deus.

Não poucos ricos, não poucos príncipes não encontram a paz no meio da abundância dos bens terrenos, enquanto que muitos irmãos leigos, que vivem recolhidos, pobres e escondidos em sua cela, gozam de uma indescritível satisfação.

“Experimentai e vede quão doce é o Senhor” (SI 33, 9)

Quando, pois, quiserem as criaturas entrar em teu coração para participar daquele amor que deves inteirinho a Deus, repele-as imediatamente, fecha-lhes a porta e exclama:

“Afastai-vos de mim e procurai aqueles que vos desejam: eu entreguei meu coração inteiro e sem reserva a Jesus Cristo, de forma que não há nele mais lugar para vós”

Desapega-te de toda a afeição às coisas terrenas; toda a tua riqueza consiste na virtude, que te protegerá aqui na terra contra os inimigos de tua salvação e além constituirá tua glória no céu. Dize, por isso, muitas vezes ao divino Salvador:

Ó Deus de minha alma: Sois um bem infinitamente maior do que todos os outros bens; Sois o único objeto de todo o meu amor. Nada desejo aqui na terra; mas se me fosse permitido desejar alguma coisa, quereria possuir todos os tesouros deste mundo para renunciá-los imediatamente por amor de Vós. Destruí em mim toda a inclinação que não tiver a Vós por objeto e fazei que eu viva unicamente para Vos agradar

Sumário
I. A sua natureza
II. Do Desapego dos Bens da Terra
III. Do Desapego das Honras do Mundo
IV. Do Desapego dos Homens
V. Do Desapego de Si Mesmo
VI. A Pobreza do Redentor
VII. A Prática da Pobreza e do Desapego
VIII. Orações para alcançar a Virtude do Mês

Mês de Maio: A Virtude da Pobreza de Espírito ou do Desapego. Apóstolo Patrono: São Tomé

Mês de Maio: A Virtude da Pobreza de Espírito ou do Desapego. Apóstolo Patrono: São Tomé

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Lições de Humildade e de Abnegação no Tabor

Meditação para o Sábado da Segunda Semana da Quaresma. Lições de Humildade e de Abnegação no Tabor

Meditação para o Sábado da Segunda Semana da Quaresma

SUMARIO

Terminaremos as nossas meditações sobre a Transfiguração, considerando:

1.° A profunda humildade que este mistério faz sobressair em Jesus Cristo;

2.° O desapego universal que este mesmo mistério revela nos Apóstolos.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De nos afeiçoarmos só a Deus, sem nada mais desejarmos;

2.° De nunca dizermos nem fazermos coisa alguma por amor-próprio ou em atenção à criatura.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São Paulo:

“Jesus Cristo é tudo” – Omnia… Christus (Col 3, 11)

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Como usar das criaturas para o serviço de Deus

Meditação para a Quinta-feira da Septuagésima. Como usar das criaturas para o serviço de Deus

Meditação para a Quinta-feira da Septuagésima

SUMARIO

Consideraremos na nossa oração como se deve servir a Deus pelo uso das criaturas; e veremos como, para isto, convêm usar:

1.º Das coisas necessárias à vida;

2.° Das coisas não necessárias.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De não olharmos tudo o que nos acontece, e tudo o que temos a fazer, senão como meios de nos santificarmos;

2.° De nada desejarmos na terra senão a vontade de Deus e de preferirmos em todas as coisas o que melhor nos conduz ao nosso fim, que é a salvação.

O nosso ramalhete espiritual será, como ontem:

“De que me servirá isto para Deus, para a eternidade?” – Quid hoc ad Deum? Quid hoc ad aeternitatem?

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Da Humilde Submissão

Meditação para o Dia 08 de Agosto

Segundo a Imitação de Cristo, Cap. II – L. II

“Não te importe muito saber quem é por ti ou contra ti; mas só deseja e procura que Deus te ajude em tudo o que fizeres. Tem boa consciência e Deus te defenderá, porque, a quem Deus quiser ajudar, nenhum mal lhe fará a malícia dos homens. Se souberes calar e sofrer, sem dúvida verás o auxílio de Deus. Ele sabe o tempo e o modo de te aliviar; entrega-te, pois, em suas Mãos. Continue reading

Santo Afonso, modelo de Pobreza Evangélica

Santo Afonso Maria de Ligório, modelo das Virtudes Fundamentais

Santo Afonso Maria de Ligório, modelo das Virtudes Fundamentais

Devoção a Santo Afonso como modelo das Virtudes Fundamentais.
Mês de Maio

Beati pauperes spiritu; quoniam ipsorum est regnum coelorum – “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5, 3)

Sumário. A fim de se tornar mais semelhante a Jesus Cristo, tão amante da pobreza, Santo Afonso começou a praticar a pobreza voluntária desde que entrou no estado eclesiástico. Quando depois se consagrou inteiramente a Deus pelos santos votos, o seu amor à pobreza não conhecia mais limites, praticando-a no vestido, na alimentação, na mobilia e em tudo o mais. Examinemos depois se nós também estamos desapegados das coisas da terra, e lembremo-nos de que nunca será santo quem ama as comodidades e riquezas.
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Modo de praticar a Pobreza Real, permanecendo na posse das Riquezas

Parte III
Capítulo XV

O célebre pintor Parrásio desenhou um retrato do povo ateniense, que foi tido em conta de muito engenhoso; porque, para pintá-lo com todos os traços do seu caráter leviano, variável e inconstante, ele representou em diversas figuras do mesmo quadro os caracteres opostos da virtude e do vício, da cólera e da brandura, da clemencia e da severidade, do orgulho e da humildade, da coragem e da covardia, da civilidade e da rusticidade. Dum modo semelhante, Filotéia, eu queria que teu coração unisse a riqueza com a pobreza, um grande cuidado com um grande desprezo dos bens temporais.

Esforça-te ainda mais que os filhos do mundo por conservar e aumentar os teus bens; pois, não é verdade que aqueles a quem um príncipe incumbiu de cuidar de seus parques, os cultivarão c procurarão tudo o que os possa embelezar, com muito maior diligencia do que se fossem seus próprios? E por que isso? É porque os consideram como propriedade de seu príncipe, de seu rei, a quem querem agradar. Continue reading

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