Na linda natureza de Deus

“Vocês sabem que a função da folha é ainda muito mais assombrosa do que, a da raiz? A folha é o pulmão da árvore, com o qual respira; á também a boca, porque, assim como a raiz, ela deve ingerir parte do alimento, é ainda o estômago, visto como lhe cabe digerir e assimilar o alimento absorvido.”

“Ah, sim”, observou Paulo. “Nós aprendemos que a árvore morre se a despojarmos de sua folhagem.”

“Não é para menos. Prive a alguém de seus pulmões, boca e estômago!… Entretanto, as folhas podem corresponder a essa função complica da e múltipla, somente quando existem em número suficiente, têm uma forma adequada e estão expostas ao ar e à luz do sol na proporção exigida”.

“E se as folhas fossem todas bem grandes, não seriam mais apropriadas para esse fim?”

“De modo algum! O vento havia de despedaçá-las, a chuva as abateria, elas impediriam o acesso da luz à árvore. Por isso crescem essas pequenas folhas, cada qual na forma que mais convém à respectiva planta. Assim há folhas redondas, ovais, cordiformes, sagitadas, dentadas ou não, de superfície lisa ou áspera. Quem é que escolhe essas várias formas, sempre adequadas às determinadas plantas? Quem dirige os bilhões de células da floresta para o alto, para as inúmeras folhas? Celso, apanhe uma folha! Que vê aí você, a olho nu?”

“Uma nervura mais grossa corre pelo centro, e, partindo dela, para ambos os lados, nervuras menores. É o esqueleto, que está recoberto, em cima e em baixo, por uma parte carnuda.”

“Exato. Examine agora bem as nervuras. Saiba que não servem apenas para dar consistência à folha, mas que são canais de alimentação e de irrigação. Por cima delas se estende a pele. A parte superior desta, a epiderme, apresenta interessantes qualidades. Nos trópicos é brilhante como um espelho, a fim de refletir o demasiado calor. Em outras latitudes ela é fosca; por que, Paulo?”

“Para concentrar melhor os minguados raios solares.”

“Certas folhas possuem espinhos; nas estepes áridas estão providas de pelos que recolhem a umidade. Horas a fio poderíamos falar sobre o complicado processo de assimilação do alimento e armazenamento de luz solar nas folhas, bem como da formação da clorofila, que nelas produz a cor verde! Num único. milímetro quadrado da folha de rícino (Ricinus communis) contaram-se 4O2.2OO vasos de clorofila!”

“Que trabalho deve ter sido!”, admirou-se Carlos.

“Quero contar-lhes agora alguma coisa da atividade das folhas. O alimento deve chegar ao protoplasma das células. Como se dá isso? A raiz suga a umidade e outros elementos que se elevam até as folhas. Aqui, encontram-se com o carbono vindo do exterior, e que a planta extraiu do gás carbônico do ar. O excesso de água, e oxigênio é expelido para a atmosfera. Agora a clorofila transforma os diferentes elementos nutritivos, entrados na folha, em alimento vegetal, que corre então, por outras veias, pelo corpo todo, tronco, raízes, casca, flores, frutos.

Sabemos com toda a certeza que acontece assim. Ano a ano, o fato se renova a todo momento, em cada folha. Mas, por que é assim, que força dirige essa complicada operação para o êxito infalível? — A única explicação é a sabedoria da Providência.

Por isso, amigos, aprendam a olhar de olhos abertos a natureza ambiente.

Saibamos observar a menor folhinha, de tal maneira que ela nos recordes o misterioso carinho dum Pai Amoroso, presente em toda parte e que de tudo cuida carinhosamente.

Carlos ficou pasmado ante o trabalho de contar 4O2.2OO vasos clorofilianos. Com que sublimidade deve, pois, brilhar a imagem de Deus que, desde incontáveis séculos, não conta, mas cria e dá à maravilha da mata virgem!”

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(TOTH, Monsenhor Tihamer. Na linda natureza de Deus. Editora S. C. J., 1945, p. 54-57)