Meditação para 05 de Outubro: O Rosário nossa salvação

Maria, Nossa Esperança

Sim, nossa esperança! Ninguém se salvará a não ser com Ela e sob a sua materna proteção. Com fervor seráfico bradava tantas vezes Santo Afonso de Ligório:

“Jesus meu amor! Maria minha esperança!”

“Ó Senhora, diz São Germano, sois minha única consolação, guia da minha peregrinação na terra, fortaleza de minha fraqueza, riqueza de minha miséria, liberdade de minha prisão, esperança de minha eterna salvação”.

São Boaventura ousou dizer:

“Ó Maria, vós sois a esperança até dos desesperados!”

Trememos ao pensar na sorte que nos está reservada depois de tantos pecados e gravíssimas ofensas, abusos da graça e ingratidões sem número para com Deus.

Porém, levantemos os olhos para o céu e invoquemos Aquela que Deus Nosso Senhor constituiu a última esperança e o refúgio dos pecadores. O Servo de Maria não perece. O que há de fazer o pecador? Recorrer à Maria, bater à porta da sua misericórdia, e bater muitas vezes.

O Rosário tem a vantagem de ser uma oração insistentemente repetida, a implorar a misericórdia de Maria, refúgio dos pecadores.

Cento e cinquenta vezes repete:

Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte!

É o pedido da perseverança final, o recurso à misericórdia da Mãe de Deus e nossa Mãe. Que outra oração fala tanto à nossa alma e nos excita à confiança como o Saltério da Virgem, este Rosário bendito? O Rosário é nossa esperança. As promessas de Maria não podem falhar. Disse Ela a São Domingos:

“A devoção ao Rosário é sinal de predestinação…”

E ao bem-aventurado Alano da Rocha:

“Quem reza o meu Rosário se converterá se for pecador, e na vida e na morte serei o seu conforto e a sua luz. Quem se recomenda a mim pelo Rosário não perecerá. Aos que rezarem meu Rosário prometo uma especial proteção”

Ora, a experiência de alguns séculos não tem provado mil vezes que nunca falham as promessas de Nossa Senhora do Rosário? Que consolação! Em meio de tantos perigos e incertezas de salvação, nosso Rosário querido nos dá certeza de que se formos fiéis em rezá-lo e meditá-lo, alcançaremos seguramente a eterna glória!

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O Rosário, Sinal de Predestinação

Sinal é de vida quando se respira. Pois, diz São Germano, “se quereis saber se numa alma há esperança de salvação eterna, há sinal de vida, vede se tem alguma devoção à Santíssima Virgem Maria”. Nem tudo está perdido para quem invoca, ama e serve à Maria. É um sinal certíssimo de predestinação, diz e o prova Santo Afonso, com aquela riqueza de erudição com que escreve sobre a Mãe de Deus.

Servus Mariae non potest perire — o servo de Maria não pode perecer, diz São Bernardo. Ao invés, é mau sintoma, é sinal perigoso o não se encontrar verdadeira devoção à Maria numa alma, tenha ela os dons e as qualidades aparentemente mais edificantes e belas.

Salvar-se sem Maria é impossível. Deus assim o quis. Não veio o Salvador ao mundo sem Maria para nos remir. Sem Maria também não iremos a Deus. Graças a Deus, não há verdade hoje mais pregada e universalmente aceita pela cristandade.

A mediação universal de Maria, agora encontra apóstolos decididos em todo mundo.

O Rosário é a grande oração, a oração universal, a oração católica à Santíssima Virgem. Nenhuma outra nos fala com maior eloquência do poder mediador de Maria.

— Rogai por nós pecadores!
— Cheia de graças!

Pois bem. Rezar o Rosário, ter nas mãos este bendito Terço de Maria, é sinal certíssimo e seguro de salvação eterna.

O verdadeiro servo e devoto de Maria não pode se condenar. Provam-nos, Santo Afonso e São Bernardo, com a eloquência e a autoridade de dois grandes doutores da Igreja.

Ora, sinal de verdadeira e sincera devoção à Maria é o Rosário.

Provam-no testemunhos de centenas de impressionantes documentos da Igreja e dos Santos, Encíclicas de Sumos Pontífices, e a voz do povo cristão. Logo, sinal certíssimo e seguro de predestinação é recitar devotamente o Rosário de Maria!

Desconfiai muito de certo pedantismo que por aí hoje se vê, a menosprezar o Terço, a considerá-lo uma devoçãozinha de beatas, a ridicularizar a rainha das devoções Marianas, enquanto apela para o Cristo, um Cristo que nenhum coração verdadeiramente bem formado, entende, porque O querem sem Maria, sem a doce presença de Maria. E no entanto, do estábulo de Belém ao Calvário, e do Calvário à Montanha da Ascensão, jamais encontramos nas horas mais sublimes do Evangelho, Jesus sem… Maria!

E o Rosário que medita todos os principais mistérios da nossa Redenção, que nos mostra sempre Maria ao lado de Jesus, não há de ser a mais querida e bela prece de um cristão, um sinal seguro de predestinação eterna? Ai dos que menosprezarem o Rosário de Maria!

Tremei pela salvação dos que deixam o Terço de Nossa Senhora!

Mau sintoma! Nem de Cristo nem de Maria serão eles.

É impossível que se salve, disse São Germano, quem se apartou de Maria. E ao invés, diz Santo Anselmo:

“Quem pensa muitas vezes em Maria e tem o cuidado de sempre a invocar, tem um sinal seguro de salvação

Ora, o Santo Rosário não é a oração que nos faz sempre pensar em Maria, e invocar a Maria? Que outra prece existe mais agradável à Mãe de Deus e Refúgio dos pecadores? Que doce e certíssimo sinal de predestinação é o Rosário!

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EXEMPLO

Minha joia!

Grande pecadora convertida e que se tornara uma devota fervorosa de Maria e do seu Rosário, foi Eva Lavallière, a grande artista que deixando as glórias, o luxo e o teatro se recolhera na humildade e no silêncio para fazer penitência dos seus pecados, o Terço foi a sua joia querida.

Nossa Senhora de Lourdes a arrebatava. Que doces colóquios de amor com a Mãe e refúgio dos pecadores, junto à gruta de Massabielle! — Dizia ela a Maria:

“Sede minha Mãe, ó Mãe de Deus, sede a Mãe da mais miserável criatura! Vós sois ó Maria, a obra prima de Deus, e eu a vergonha e o rebotalho. Aqui está o infinitamente baixo que se dirige a vós, ó Rainha de toda pureza e de toda beleza”

Eva Lavalliére, a grande e genial artista que deixando o teatro se fez humilde e pobre terceira Franciscana, vivendo na oração e na penitência, era uma devota fervorosa do Terço de Nossa Senhora.

No retiro em que vivia traçou estas linhas sobre as coisas mais belas e queridas da sua vida:

Meu nome preferido: — Jesus
Minha flor predileta: — o espinho da coroa
Meu perfume querido: — o incenso
Meu “esporte” preferido: — a genuflexão
Minha pátria: — o Céu
Meu diretor: — o Espírito Santo
Meu livro: — o Evangelho
Minha joia querida: — o Terço!

E até a sua morte edificante a feliz pecadora arrependida jamais deixara a sua joia.

Sim, o Terço é nossa joia, nossa riqueza. Como devemos amá-lo! Joia do Céu, riqueza do cristão.

— O Rosário, diz o Beato Alano da Rocha, é uma coroa de glórias e diamantes que são os méritos, e de ouro da caridade. “Cada vez que o rezo coroo a Virgem.”

Tocante pensamento!

Eis a riqueza do cristão! Se soubéssemos o que o Rosário nos pode alcançar do Céu, não seriamos tão descuidados em passar tantos dias sem o rezar. Para nos dar a entender o tesouro do Rosário, Nossa Senhora, em Lourdes e em Fátima, nas maravilhosas aparições, o traz sempre nas mãos. E o Rosário da Virgem, dizia Bernadete, era brilhante e belo.

Rico e belo Rosário trazia a Virgem em Fátima. Ela nos quer dizer: o Rosário é uma joia, um tesouro!
Façamos como Eva Lavallière: seja o Terço nossa mais querida e bela joia!

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(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. O Mês do Rosário, Edições do “Mensageiro do Santíssimo Rosário”, 1943, p. 38-45)