Meditação para 14 de Outubro: O Rosário e a Família
A Oração da Família

O Rosário é a oração da família. Recorda os mais tocantes exemplos da Família santa de Nazaré. Leão XIII o recomenda às famílias na Encíclica Fidentem piumque de 20 de Setembro de 1896:

“É preciso conservar ou estabelecer o costume piedoso que vigorava entre os nossos antepassados. Nas famílias cristãs tanto nas da cidade como nas do campo era costume sagrado, ao cair da tarde, quando todos deixavam o duro trabalho, reunirem-se diante da imagem da Virgem para Lhe dirigir em louvores alternados a prece do Rosário. E Ela, a Virgem Maria, por esta homenagem fiel e unânime que Lhe prestavam, lá estava no meio deles como uma boa Mãe cercada de uma coroa de filhos. E lhes concedia os benefícios da paz doméstica, presságio da paz celestial”

Sim, é mister restaurar onde já existe o costume piedoso do Terço em família. Era a vontade de Leão XIII que em nenhuma família cristã faltasse esse hábito salutar.

O Congresso Mariano de Friburgo de 1902, atendendo aos desejos do Papa, tomou esta resolução muito prática: — que em todas as famílias se recite cada dia o Terço ou, se não for possível, pelo menos duas dezenas do Rosário, à noite em comum, de maneira que durante a semana a família recite todo o Rosário. Ora, que família pelo menos, desta maneira, poderá deixar de atender aos desejos do Papa?

Pio XI, ao distribuir Rosários pelos recém-casados que recebia sempre em audiências, recomendava-lhes inúmeras vezes a recitação do Terço em família. Na Encíclica Ingravescentibus Malis escreve:

“Desejamos vivamente que seja recitado o Santo Rosário de uma maneira especial e com maior piedade, quer nas Igrejas quer nas residências particulares”

E o atual Pontífice, nosso querido e grande Pio XII, continua a tradição gloriosa dos Papas devotos do Rosário. Distribui Rosários como Pio XI em audiências aos jovens recém-casados, recomendando-lhes o Terço em família!

Numa destas audiências fez uma bela e tocante exortação na qual analisa as orações e mistérios do Rosário, mostrando como em toda a nossa vida desde o berço vivemos sob o exemplo e num simbolismo impressionante das orações e dos mistérios do Rosário. Prova as relações íntimas entre o Rosário e a família e fala no Rosário da vida dos casados cheio de mistérios gozosos e dolorosos até a posse no céu da felicidade que se contempla nos Mistérios Gloriosos. Pio XII continua a insistir sobre a utilidade do Rosário em família. Vê no Rosário a salvação das famílias.

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O Terço em Família

A devoção a Nossa Senhora é a arca segura em que se pode refugiar a família cristã, contra este dilúvio de pecados e de escândalos que avassala o mundo.

Restabeleçamos o Terço em família, o velho e querido Terço, diante do oratório! Quantas bênçãos não atrai do céu sobre pais e filhos! Que hora doce e cheia de consolações e de recordações tão belas, mais tarde para os filhos, a hora do Terço diante do oratório! O Terço na intimidade do lar, unindo os corações e atraindo a benção da Mãe de Deus sobre a família!

Santa Terezinha escreve nas páginas da “História de uma Alma” que jamais pôde se esquecer do seu pai querido a orar fervorosamente com os filhos ante o oratório da família. O Terço, a oração em família, atraiu sobre aquele abençoado lar, a graça de dar à Igreja a maior santa dos últimos tempos, na expressão de Pio X.

Muitos santos e santas se formaram na escola do Terço em família. O Cura d’Ars, São João Bosco, O’Connell, Bossuet, aprenderam a recitar o Terço… em família, nos joelhos de mães piedosas . É uma escola de educação e um ótimo e vivo catecismo.

O Rosário é um compêndio de doutrina, é a Suma Teológica dos pequeninos e dos humildes, e encerra também as mais sublimes lições para os sábios e os teólogos.

A educação cristã pelo Rosário, julgo, daria um belo, utilíssimo e prático estudo de pedagogia catequética.

Vede, pois, mães cristãs, o que é o que vale um Rosário na educação dos filhos, e quanta coisa bela se aprende e se pode ensinar na contemplação dos mistérios do Rosário!

O Terço em família é, pois:

— Um laço de união.
— Uma fonte de benção.
— Um catecismo vivo.
— Uma arca de salvação neste dilúvio de pecados e escândalos.
— O mais eficaz e poderoso meio de alcançar a proteção de Nossa Senhora para a família.

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EXEMPLO

A Bem-aventurada Branca de Castela e o Rosário

Um dos modelos admiráveis de Mãe foi a Bem-aventurada Branca de Castela, mãe de São Luiz, rei da França. Dizia ela aos filhos:

“Bem sabeis quanto vos amo, mas prefiro ver um filho meu morto aos meus pés do que culpado de um só pecado mortal”

A oração predileta desta mãe santa era o Rosário. Ela o aprendeu do próprio São Domingos. Antes de nascer São Luiz, pedira a Deus que lhe desse um filho e que fosse digno do trono da França.

O Santo Patriarca aconselhou-a que recitasse com fervor o Rosário a fim de obter esta graça. E ela o fez pedindo a toda corte e às almas piedosas que formassem um coro de Rosário pedindo à Virgem Santíssima um herdeiro virtuoso e digno para o trono da pátria. Em 25 de Abril de 1215 no Palácio de Poissy veio à luz do mundo o filho desejado de Branca. Todos sabemos quanta glória deu ele à Igreja e à França! Modelo dos reis, guardou a inocência do Batismo e durante toda a vida assinou: Luiz de Poissy, em homenagem à cidade onde recebera o Santo Batismo que o fizera mais do que herdeiro do trono de França, um herdeiro do céu.

Aprendeu com sua santa Mãe a rezar com fervor o Rosário. Todos os sábados reunia no seu palácio grande número de pobres, lavava-lhes os pés com toda humildade e lhes curava as chagas. Depois rezava com eles o Rosário de Maria.

O Rosário andava em suas mãos e o trazia muitas vezes à cintura.

Veio ao mundo pelas súplicas do Rosário, fora educado por sua Mãe na meditação dos mistérios do Rosário; viveu nos dias em que o fervor das pregações de São Domingos ainda se sentia em toda parte, como não seria ele um ardoroso apóstolo e devoto do Saltério da Virgem? Eis o fruto da virtude e das orações de uma santa Mae devota do Rosário de Nossa Senhora.

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(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. O Mês do Rosário, Edições do “Mensageiro do Santíssimo Rosário”, 1943, p. 113-118)