Meditação para a Nona Sexta-feira depois de Pentecostes. Regras que devemos observar nas Visitas

Meditação para a Nona Sexta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Continuaremos a meditar sobre as visitas, e estudaremos as regras que devem observar-se antes delas, durante elas e depois delas.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De fazermos todas as nossas visitas com um espírito cristão, com o fim de agradar só a Deus;

2.° De nelas nos guardarmos de dizer ou fazer coisa alguma que cheire a espírito do mundo.

Conservaremos como ramalhete espiritual a palavra, com que Nosso Senhor nos diz o objeto de sua visita a este mundo:

“Vim para terem vida, e para a terem em maior abundância” – Veni ut vitam habeant, et abundantius habeant (Jo 10, 10)

Meditação para o Dia

Adoremos Nosso Senhor nas diferentes visitas que fez aos homens: visitou-os a todos em geral, descendo do céu à terra pela encarnação (1); visitou-os em particular durante a sua vida, como quando visitou Zaqueu (2); visita-os todos os dias em geral e em particular no Sacramento do altar (3). Amemos e bendigamos este divino Salvador pela grande bondade que nos mostra com esta conduta.

PRIMEIRO PONTO

Regras que devem observar-se antes da visita

Devemos, primeiro que tudo, examinar perante Deus se é permitido, conveniente, útil fazer esta visita (4); ou se não é a repugnância à vida retirada, o amor do mundo, a leviandade, o espírito de distração e curiosidade, que nos induz a fazê-la, e não uma razão sólida de dever e decoro. Resolvida a visita segundo este exame, cumpre-nos determinar as intenções com de ser feita. Devem ser as mesmas intenções que Jesus Cristo no nosso lugar. Se as pessoas que visitamos estão aflitas, convém que nos propomos honrar o Salvador padecendo nos seus membros e imitá-lO levando a consolação aos que alivia na aflição, por exemplo, a Marta e Maria, depois na morte de Lázaro; aos Apóstolos e a Santa Madalena depois da sua ressurreição.

Se são pobres, cumpre que nos proponhamos honrar neles a Jesus Cristo pobre, e que os tratemos com bondade, amor e respeito, como os melhores amigos do Salvador, que abraçou a sua condição e os escolheu para serem os fundamentos da sua Igreja e os Apóstolos do universo.

Se são pecadores afastados de Deus, convém que nos proponhamos tirá-los desse desgraçado estado, que diligenciemos convertê-los com toda a ternura que inspira a caridade. Finalmente, quaisquer que sejam as pessoas que visitamos, devemos formar tenção de induzi-las a estimar as verdades cristãs, a amar as máximas evangélicas, a praticar as sólidas virtudes; condenando francamente o espírito e as máximas do mundo; procurando firmar e aperfeiçoar nas almas o reino de Jesus Cristo, seguindo o exemplo da Santíssima Virgem, que só visitou sua prima Isabel, para que todos os do casa conhecessem e amassem a Deus. O meio de possuir a graça de fazer bem todas estas santas coisas, é pedi-la a Deus com fervor, antes de sair de casa (5).

Cumprimos nós estas regras?

SEGUNDO PONTO

Regras que devem observar-se durante a visita

Chegados ao pé dos que visitamos, devemos:

1.º Saudar o seu anjo da guarda, como o principal hospede a quem fazemos a visita; lembramo-nos de que vamos conversar na sua presença, e de que convém que não digamos uma só palavra indigna de tão ilustre ouvinte. Será melhor ainda lembrarmo-nos de que as três pessoas da Santíssima Trindade estão presentes à conversação, que nos ouvem e registram todas as nossas palavras, para nos pedir conta delas no dia de juízo (6);

2.º Reparar muito nas nossas palavras e maneiras, para que tudo em nós seja não só irrepreensível, mas edificante, mas próprio para atrair os corações a Deus, para fazer amar a religião e praticar a virtude;

3.º Terminar a visita, logo que a caridade e o decoro o permitiam, a fim de evitar a perda do tempo.

Temos nós seguido estas regras?

TERCEIRO PONTO

Regras que devem observar-se depois da visita

Regressando a casa, devemos:

1.° Prosseguir os nossos exercícios espirituaes e ocupações com o mesmo zelo que se não tivéssemos saído, e observar o nosso regulamento de vida com a mesma exatidão;

2.° Esquecer-nos de todas as novidades sabidas, que possam distrair-nos do espírito de piedade e de meditação; não perder o tempo em recordar e representar na nossa imaginação o que vimos e ouvimos; mas concentrar-nos em nós mesmos com Deus, e aplicar-nos com toda a liberdade de espírito somente ao que deve ocupar-nos então.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Visitavit nos oriens ex alto (Lc 1, 78)

(2) Zachaee…, hodie in domo tua oportet me manere (Lc 19, 5)

(3) Quid est homo, quod memor es ejus? aut filius hominis, quoniam visitas eum? (Sl 8, 5)

(4) Au liceat, an deceat, an expediat?

(5) Egredientes de hospitio, armet oratio (Hier., ep. 22)

(6) Omne verbum otiosum quod locuti fuerint homines, reddent rationem de eo in die judicii (Mt 12, 36)

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo VI, p. 57-60)