Meditação para a Quarta Quinta-feira depois de Pentecostes. Preparação para a Comunhão

Meditação para a Quarta Quinta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Consideraremos, em um primeiro ponto, quão importante é, que nos preparemos bem para a comunhão, e no segundo ponto a maneira de nos prepararmos para ela.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De nos prepararmos melhor para as nossas comunhões do que o temos feito até ao presente;

2.° De nos animarmos todos os dias a ter uma vida mais santa, para poder melhor comungar.

Conservaremos como ramalhete espiritual as palavras do profeta Amós:

“Preparai-vos para sair ao encontro do vosso Deus” – Praeparare in occursum Dei tui (Am 4, 12)

Meditação para o Dia

Adoremos Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, advertindo-nos pelo Seu profeta, que nos preparemos para a Sua vinda. Que bondade neste divino Jesus querer não só vir a nós, mas ainda advertir-nos a obrigação que temos de nos prepararmos para o receber bem! Desfaçam-se os nossos corações em louvores e ações de graças por uma conduta tão cheia de amor!

PRIMEIRO PONTO

Quão importante é que nos preparemos para a Comunhão

E um dever nosso:

1.° Para com Jesus Cristo: quem tivesse de receber em sua casa um grande monarca prepararia com cuidado os aposentos, em que ela houvesse de habitar; os alimparia com esmero, e os adornaria o melhor possível. Que preparação não devemos, pois, fazer para receber um Deus em nós! (1)

2.° Para conosco: porque a comunhão sem preparação só serviria para a nossa perdição; e a medida das graças que recebe aquele, que comunga, é maior ou menor segundo a medida das disposições em que está. Não se pode ler sem terror, no sagrado Evangelho, a historia desse desgraçado que, por se ter apresentado no banquete das bodas, sem o vestido nupcial, foi atado de pés e mãos e lançado nas trevas exteriores (Mt 22, 13): é a imagem daqueles, que ousam chegar-se à sagrada mesa sem serem dignos disso. Ó meu Deus, afastai de mim essa desgraça! Não permitais que eu me apresente jamais à comunhão sem me ter preparado com todo o cuidado, que requer tão santo ato.

SEGUNDO PONTO

Maneira de nos prepararmos bem para a Comunhão

Em primeiro lugar, é necessário limpar a nossa alma de tudo o que poderia ofender a santidade das vistas de Deus. Ora, duas coisas ofendem as Suas divinas vistas:

1.° O pecado, não só o pecado mortal, que Deus abomina, mas também o pecado venial, que é para a alma, diante de Deus, o que são as manchas e as ulceras ao rosto;

2.º O apego às criaturas, porque esse apego divide o coração, desagrada, por isso mesmo, ao Esposo celestial, que quer possuir o coração todo inteiro.

Em segundo lugar, nos dias que precedem a comunhão, devemos imprimir na nossa imaginação este pensamento: Preparo-me para comungar, e por conseguinte fazer santamente cada uma das nossas ações; por espírito de preparação, multiplicar as santas aspirações para com Jesus Cristo, e perguntar muitas vezes a nós mesmos: Quem é o que vem a mim? (3). É o Senhor (4). Quem sou eu para o receber? (5). Ó Senhor, eu não sou digno disso. Que quer ele fazer de mim? (6). Quer fazer de mim um santo. Quem me obtém tão grande felicidade? É o seu puro amor; é, da Sua parte, uma bondade gratuita. Não a mereço por forma alguma (7). — Finalmente, durante todo o dia, devemos formar muitas vezes grandes desejos de receber Nosso Senhor; e se não os sentimos, devemos ao menos apetecê-los vivamente, e oferecer em seu lugar as disposições da Santíssima Virgem e de todos os santos.

— Em terceiro lugar, na véspera da comunhão, devemos estar mais recolhidos, mais separados das coisas mundanas, menos ocupados. nos negócios, dar menos largas aos sentidos, principalmente ao da vista, como esse santo, de que São Jerônimo disse:

“Os seus olhos desejavam Jesus Cristo tão vivamente, que não se dignavam olhar para outra coisa” – Oculis Christum desiderantibus nihil aliud dignatus est espicere (São Jerônimo, de Nepot.)

De tarde e durante a noite quando acordarmos, devemos pensar na comunhão, que vamos fazer; e de manhã, desde que nos levantarmos até ao momento de nos chegarmos à sagrada mesa, perseverar na oração e nos santos desejos.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Opus namque grande est: neque enim homini praeparatur habitatio sed Deo (1 Cr 29, 1)

(2) Quis venite?

(3) Dominus est

(4) Ad quem venit?… Domine, non sum dignus

(5) Cur venit?

(6) Unde hoc mihi

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo III, p. 223-226)