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Meditação para a Solenidade de Corpus Christi

Dom Henrique Soares da Costa

Por Dom Henrique Soares da Costa

“Hoje a Igreja te convida:/ o Pão vivo que dá Vida/ vem com ela celebrar”.

Eis, caríssimos Irmãos, o sentido desta hodierna Solenidade: celebrar com a Igreja, celebrar como Igreja o Cristo, Pão vivo, Pão vivente, que nos dá a Vida divina, Vida que é o próprio Santo Espírito!

Nunca esqueçamos: no santíssimo Sacramento da Eucaristia, o próprio Senhor Jesus Cristo, imolado e ressuscitado, está realmente presente nas aparências do pão e do vinho, cheio de Espírito Santo, Espírito de Ressurreição, a ponto de a Escritura exclamar:

“O Senhor é o Espírito!” (2Cor 3,17)

Pois bem: quem comunga com o Corpo e Sangue do Senhor, recebe a Vida Eterna, isto é, o Espírito Santo, que nos cristifica, nos preparando para a Vida imperecível na Glória! Continue reading

Como se deve Comungar

Parte II
Capítulo XXI

Começa já na véspera do dia da comunhão a te preparar com repetidas aspirações do amor divino e deita-te mais cedo que de costume, para te levantares também mais cedo. Se acordas durante a noite, santifica esses momentos por algumas palavras devotas ou por um sentimento que impregne tua alma da felicidade de receber o divino Esposo; enquanto dormes, Ele está velando sobre o teu coração e preparando as graças que te quer dar em abundância, se te achar devidamente preparada. Levanta-te de manhã com este fervor e alegria que uma tal esperança te deve inspirar, e depois da confissão aproxima-te com uma grande confiança e profunda humildade da mesa sagrada, para receber este alimento celeste, que te comunicará a imortalidade. Depois de pronunciares as palavras: Senhor, eu não sou digno, etc., já não deves mover a cabeça ou os lábios para rezar ou suspirar; mas, abrindo um pouco a boca e elevando a cabeça de modo que o padre possa ver o que faz, estende um pouco a língua e recebe com fé, esperança e caridade aquele que é de tudo isso ao mesmo tempo o princípio, o objeto, o motivo e o fim. Continue reading

Festa da Expectação do Nascimento

Meditação para o Dia 18 de Dezembro

1. A Santíssima Virgem teve o mais vivo desejo de ver nascido e de tomar em seus braços Aquele a quem milagrosamente concebera. Tens tão vivo desejo da Santa Comunhão, na qual tão estreitamente te unes a Deus? Faltando agora poucos dias para o Natal, prepara-te com verdadeiro fervor para receber o Senhor, que há de vir espiritualmente, e, se o quiseres, também sacramentalmente ao teu coração. À tua preparação corresponderá a paz prometida ao número as outras graças. Continue reading

A Santa Comunhão pelos Mortos

Santa Comunhão e as Almas do Purgatório

Depois da Santa Missa…

Meditação para o dia 13 de Novembro

Sim, depois da Santa Missa, não há sufrágio melhor e mais poderoso para socorrer as pobres almas que a Santa Comunhão. Escreveu São Boaventura:

“Que a caridade te leve a comungar, porque nada há tão eficaz para proporcionar descanso aos que padecem no purgatório”

É verdade que a Eucaristia como alimento espiritual é destinada aos vivos. É o cibus viatorum — alimento dos viajores, no expressivo e belo dizer da Liturgia. Tem por fim sustentar a alma na peregrinação terrena, fortificá-la na luta contra os inimigos. Como pode ser um auxílio e sufragar os mortos? Discutiram os teólogos esta questão, mas todos estão de acordo que muito mérito e muitas obras boas faz quem recebe o Corpo de Cristo e esta união íntima da alma com seu Deus a torna mais agradável e mais poderosa para interceder pelos mortos, e torna a Comunhão um dos mais poderosos e úteis sufrágios depois da Santa Missa. Dizia Tobias:

“Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo”

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Apêndice

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento
Não leu o capítulo anterior? Leia agora mesmo: “A Comunhão”

I. O culto da Divina Eucaristia

Que culto é devido à Divina Eucaristia?

É-lhe devido o culto chamado de latria, ou seja, culto de adoração, que é o culto do próprio Deus.

A Santa Igreja distingue três cultos, conforme o tríplice objeto a que cada um destes cultos se dirige:

1. Culto de adoração, ou latria, que é próprio da Divindade.
2. Culto de veneração ou dulia, com que se honram os amigos de Deus — os Santos.
3. Culto de super-veneração, ou hiperdulia, com que se honra Aquela que é Mãe de Deus, portanto mais digna que todos os Santos e amigos de Deus.

Ora, se buscarmos nesta tríplice forma de culto a que convém ao Santíssimo Sacramento, somos forçados a concluir que lhe convém o culto de latria, pois este Sacramento encerra substancialmente o próprio Deus-Homem, Jesus Cristo.

O Concílio de Trento definiu que Cristo Deus-Homem pode ser adorado, mesmo sob as espécies sacramentais de pão e de vinho (Dez. 888).

E com tanto mais razão merece Ele aqui as nossas homenagens, pois este Sacramento exibe a maior prova do amor divino para conosco. Continue reading

A Preparação à Santa Comunhão

Meditação para o Dia 18 de Junho

1. Jamais te prepararás à Santa Comunhão, como a dignidade deste Sacramento, de amor o exige. Pois, que és, para que prepares uma morada em tua alma, e quem é quem se digna visitar-te? Preparando-te para a Santa Comunhão, deves trabalhar para que não só o pecado grave, mas ainda o venial e toda inclinação voluntária, desapareçam de tua alma. Penetrar-te-ás de viva fé, que te faculta contemplar teu Deus escondido; banirás do coração toda a animosidade contra outros; aproximar-te-ás humilde, inflamar-te-ás de santo amor, cheio de vivos desejos, e solícito de embelezar a alma por atos das diferentes virtudes. Continue reading

A Comunhão

Uma criança recebendo a Santa Comunhão das mãos do Papa Emérito Bento XVI
Não leu o capítulo anterior? Leia agora mesmo: “O Sacrifício Eucarístico

1. Natureza e efeitos da Comunhão

Foi dito precedentemente que a Comunhão é o melhor modo de se participar da Santa Missa; por que?

Porque, por ela, entramos em união sacramental, espiritual, a mais íntima possível, com Jesus Cristo-Vítima. Ora, a participação à Missa, no seu mais profundo sentido, consiste precisamente numa união intensa com a Vítima do altar.

De fato, a comunhão, feita como deve ser feita, importa na mais íntima união com Cris¬to Vítima. Como deve ser feita, ela não consiste somente em receber distraidamente a hóstia. Consiste, sim, em recebê-la com disposições sobrenaturais de fé e de caridade e em dar-se também a Nosso Senhor numa entrega total. Só assim se efetua, de fato, uma comunhão, ou seja, união mútua de vida, de sentimentos e de amor.

Cristo instituiu um Sacrifício que reproduz e rememora o Sacrifício do Calvário e o instituiu para que dele participássemos em aprazível ceia. À semelhança dos sacrifícios mais solenes da antiguidade, em que os ofertantes participavam comendo a Vítima, assim quis o Senhor nos rejubilássemos à sua mesa sacrifical. Continue reading

A Presença Real – Jesus Cristo está presente na Hóstia

Eucaristia, Presença Real de Cristo
Não leu o primeiro capítulo? Leia agora mesmo: “Elementos Gerais sobre a Eucaristia”

É bem verdade que Jesus Cristo está presente na hóstia?

Perfeitamente. Assim nos ensina a nossa fé católica e disto não podemos duvidar jamais. Nosso Senhor está real, verdadeira, e substancialmente presente na hóstia consagrada.

Se alguém ousa negar este dogma de fé, incorre em excomunhão, além de cometer grave pecado de incredulidade.

Não basta acreditar que Cristo aí está presente por Sua influência santificadora, ou que a hóstia é um sinal, uma imagem de Sua presença mística na Igreja?

Não basta. Tal modo de pensar seria herético. A hóstia não é somente sinal ou imagem de Cristo; é o próprio Jesus Cristo substancialmente presente. Nem tão pouco se pode confundir a presença física de Jesus no Santíssimo Sacramento com a sua presença mística na Igreja. Continue reading

Elementos gerais sobre a Eucaristia

Jesus na Eucaristia

O que é a Eucaristia?

É o Sacramento que contém real e substancialmente Jesus Cristo, lhe rememora e reproduz misticamente o sacrifício e nos dá o Seu próprio Corpo e Sangue como alimento espiritual.

Como se vê por esta definição, o Sacramento da Eucaristia nos faz três dons incomparáveis:

a) Contém real e substancialmente Jesus Cristo.
b) Rememora e reproduz misticamente o Sacrifício do Calvário.
c) Dá-nos o Corpo e Sangue de Cristo como alimento espiritual.

Esse Sacramento é, assim, o maior de todos os sete Sacramentos que Cristo deixou à sua Igreja. Nos outros, Ele deixou as Suas graças; neste, deixou Sua própria Pessoa, Seu sacrifício e mais a graça de nos unirmos a Ele pela comunhão.
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Prática para a Santa Comunhão

Prática da Santa Comunhão
Para fazer uma fervorosa comunhão três coisas se requerem, a saber: preparação remota, preparação próxima e ação de graças.

I. A Preparação Remota

Consiste:
1.° Na isenção de pecado mortal, sem o que seria a comunhão um horrível sacrilégio. Prove-se cada um a si mesmo em antes de se aproximar da santa mesa, mas isto sem turbação e escrúpulos. Não esqueças que, se por um impossível, se achasse em tua consciência um pecado mortal sem que o soubesses, não cometerias sacrilégio algum recebendo a Santa Eucaristia (1), mas que o sacramento produziria na tua alma a graça santificante.

— Mas, meu padre, tremo todas as vezes que comungo, porque temo não estar em estado de graça, e não ter recebido o perdão dos meus pecados.

— Meu caro Teótimo, escuta esta resposta do sábio e piedoso Gerson, e segue os sábios conselhos que te vai dar:

“Quando um cristão, diz, resolveu receber a santa Eucaristia, e cai na perturbação e temor por imaginar que não fez uma confissão bem feita, deve olhar este temor como uma tentação do demônio que desejara privá-lo do grande bem da comunhão, e seguiu este meio. Deve, pois, pensar que quando mesmo se aplicasse cem anos a tornar-se digno de receber Jesus Cristo não poderia aproximar-se devidamente, sem um especial socorro de Deus; mas lembre-se que Deus pode conceder-lhe esta graça agora tão bem como depois de cem anos. De mais, considere que ninguém na presente vida, pode, sem uma particular revelação, conhecer com perfeita certeza se está em estado de graça; mas que há uma certeza humana e moral que é necessária, e que basta na matéria que tratamos. Para a ter, deves-te recolher, examinar a consciência e fazer o que a descrição e os que nos conduzem nos ordenam. Quando depois deste exame, nenhum pecado mortal reconhecemos, podemos comungar sem temor de cometer algum novo pecado. Se ainda depois nos sobrevieram ás vezes duvidas ligeiras, como por vezes acontece, desprezemo-las e passemos por cima”

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