Meditação para a Segunda-feira da 1ª Semana do Advento. Meios de Santificar o Advento

Meditação para o Segunda-feira da 1ª Semana do Advento

Sumário

Meditaremos em três meios de santificar o tempo do Advento, a saber:

1.° O Espírito de Penitência e de Reforma;

2.° Os Santos Desejos do Nascimento de Jesus Cristo em nós;

3.° Uma Devoção Especial ao Mistério da Encarnação.

 

Tomaremos depois a resolução:

1.° De nos excitarmos, todos os dias deste santo tempo, a uma vida melhor, e de pedi-la a Deus por fervorosos desejos;

2.° De pensar muitas vezes com amor no mistério da Encarnação, principalmente recitando o Angelus.

 

O nosso ramalhete espiritual será a oração que a Igreja tomou do profeta para recordar o reino de Jesus Cristo em nós:

“Destilai sobre nós, ó céus, o vosso orvalho e as nuvens choram ao justo” – Rorate coeli, desuper et nubes pluante Justum (Is 45, 8)

Meditação para o Dia

Adoremos com um grande sentimento de amor e de reconhecimento, o Verbo Encarnado residindo durante nove meses no seio de Maria, donde há de sair na bem-aventurada noite do Natal, para se manifestar ao mundo. Ele dá-nos o santo tempo do Advento para dispor-nos a receber todas as graças anexas à celebração do Seu nascimento. Agradeçamos-Lhe esta bondade, e proponhamo-nos aproveitar-nos dela.

PRIMEIRO PONTO

O Espírito de Penitência e de Reforma:
1ª disposição para passar santamente o Advento

O tempo do Advento é, como já o meditamos, uma série de dias santos e abençoados, destinados a preparar-nos para a festa do Natal com uma vida melhor e mais perfeita. Seria pois de alguma sorte profaná-lo, passá-lo como um tempo ordinário. Antigamente a Igreja santificava o Advento com a abstinência, o jejum, e mais longas orações. Se não temos esta coragem, ao menos devemos santificar-nos com sérias considerações acerca do objeto dos nossos exercícios espirituais, acerca do emprego do nosso tempo, acerca das nossas leituras e conversações, acerca dos defeitos do nosso caráter, acerca da nossa vontade e do nosso amor-próprio. Devemos examinar todas estas coisas em face do presépio, tomando por Juiz o Menino-Deus. Este sério exame fará nascer em nós grandes sentimentos de penitência quanto ao passado, fortes resoluções quanto ao futuro, e uma firme vontade de entrar em uma vida nova. Não há que deferir. Estamos em um tempo santo. Convém pôr mão à obra de todo o coração, e começar desde já, fixando alguns defeitos particulares para corrigir até ao Natal.

SEGUNDO PONTO

Os Santos Desejos do Nascimento de Jesus Cristo em nós:
2ª disposição para passar santamente o Advento

Quanto os patriarcas, e profetas desejavam a vinda do Messias, tanto devemos desejar o Seu nascimento nos nossos corações pela Sua graça. Porque, de que nos serviria a vinda do Messias à terra se não viesse nascer e viver em nós, isto é, se não viesse infundir-nos o Seu espírito e a Sua graça, penetrar-nos de Seus sentimentos (1), visto que ninguém é cristão e pode salvar-se senão com, esta condição? (2) Ora Jesus Cristo não vem à nossa alma senão tanto quanto O desejamos e na proporção em que O desejamos. Quem não O deseja, não O aprecia, e torna-se por isso só indigno de recebê-lO. Devemos por conseguinte, durante este santo tempo, ser homens de desejos (3); suspirar, como antigamente os patriarcas, pela vinda da Messias, e como os santos da lei nova, pelo reino de Jesus Christo em seu coração, repetindo muitas vezes com eles:

Destilai sobre nós, ó céus, o vosso orvalho; e as nuvens enviem-nos o Justo por excelência, princípio de toda a justiça; abra-se a terra do nosso coração, e brote o Salvador (4). Ó Salvador, rompei os céus, e descei de lá (5). Vinde sem demora, ó Adonai, ó Emanuel, o Deus conosco, ó Rei dos povos, Santo dos santos, esperança das nações, desejado das colinas eternas, sol de justiça, esplendor da glória! Vinde, Senhor, vinde (6).

E estes santos desejos devem ser ao mesmo tempo ardentes e generosos; ardentes, para estar em harmonia com a excelência do dom que pedimos; generosos, para sacrificar tudo o que desagrada ao Divino Hóspede, que chamamos a nós. O que Lhe desagrada, não podemos ignorá-lo, é o amor das comodidades e do bem-estar; é o orgulho: é tudo o que contrasta com a humildade, o sofrimento e a pobreza do presépio.

TERCEIRO PONTO

Uma Devoção Especial ao Mistério da Encarnação:
3ª disposição para passar santamente o Advento

Esta devoção deve ser em todos os tempos eminentemente prezada à alma cristã; mas, tendo a Igreja instituído o Advento precisamente para nos obrigar a honrar e a meditar este mistério, é do nosso dever ocupar-nos especialmente em estudar o amor infinito, que uniu a sublime natureza de Deus à pobre natureza humana, em agradecer, amar, louvar este grande mistério; e para reparar o passado, não viver durante o Advento senão no amor e na imitação do Verbo Encarnado, que Se dignou fazer-Se o modelo vida cristã. Feliz do que compreender estas verdades, e que durante todo este santo tempo se aplicar a pô-las em prática, isto é, a amar e a imitar o Verbo Encarnado! Consiste nisto todo o cristianismo. Jesus Cristo não veio do céu à terra senão para nela acender em todos os corações o sagrado fogo do Seu amor, e nada fez que não fosse para mostrar-nos com o Seu exemplo a norma de conduta que temos a seguir durante o nosso trânsito na terra. Agradeçamos-Lhe este dúplice benefício, e prometamos-Lhe aproveitar-nos dele.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Hoc sentite in vobis quod et in Christo Jesu (Fl 2, 5)

(2) Si quis spiritum Christi non habet, hic non est ejus (Rm 8, 9)

(3) Vir desideriorum (Dn 9, 23)

(4) Rorate coeli, desuper et nubes pluante Justum; aperiatur terra, et germinet Salvatorem (Is 45, 8)

(5) Utinam dirumpere coelos et descenderes (Is 64, 1)

(6) Veni et jam noli tardare, o Adonai, o Emmanuel, o Rex gentium, Sancte sanctorum, expectatio populorum, desiderium collium aeternorum, sol justitiae, splendor luminis aeterni. Veni, Domine Jesu, veni (Antif. do Advento)

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(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo I, p. 27-31)