In me omnis spes vitae et virtutis — “Em mim há toda a esperança da vida e da virtude” (Eclo 24, 25)

Sumário. O título de Mãe do Perpétuo Socorro, que a própria Santíssima Virgem adotou, é como que o resumo de todas as suas mais belas prerrogativas e de todas as nossas mais doces esperanças. Alimentemos, pois, a devoção para com a divina Mãe sob este título. Estejamos persuadidos de que, se nós a honramos por um perpétuo recurso, ela nos responderá com um perpétuo socorro. Mais ainda, se junto a ela fizermos valer a intercessão de seu grande servo Santo Afonso. Lembremo-nos, porém, que para sermos servos verdadeiros de Maria, mister é que lhe imitemos as virtudes.

I. Entre os muitos títulos sob os quais os fiéis honram Maria Santíssima, um dos mais gloriosos para ela e dos mais consoladores para nós, é o que ela mesma se atribuiu, de Mãe do Perpétuo Socorro. Dando-lhe o nome de Mãe, exaltamos a sua dignidade incompreensível, reconhecendo-a pela verdadeira Mãe de Deus, e, por conseguinte, pela Rainha do universo, a cujo nome se inclinam o céu, a terra e o inferno. Não somente confessamo-la Mãe de Deus, mas também Mãe nossa; porquanto, dando a vida temporal a Jesus, nosso irmão primogênito, comunicou-nos ao mesmo tempo a vida de graça, pela parte que teve na grande obra da Redenção, tornando se co-redentora do gênero humano.

Acrescentando ao nome de Mãe as palavras do Perpétuo Socorro, exaltamos o poder ilimitado com que a enriqueceu o Senhor, e a misericórdia inesgotável de que transborda o seu terníssimo Coração. O Pai Eterno constituiu Maria depositária dos merecimentos infinitos de Jesus Cristo, e decretou que nenhuma graça seja dispensada aos homens sem que passe pelas mãos de Maria. Por sua vez, a divina Mãe demonstrou e continua a demonstrar que não há nem tempo, nem lugar, nem circunstância em que não esteja disposta a correr em auxílio daqueles que a invocam como Mãe do Perpétuo Socorro.

Numa palavra, este belo título é o resumo de todas as glórias de Maria e de todas as consolações do homem; pois que não há nele palavra que não encerre uma das mais belas prerrogativas da Virgem e uma das mais belas esperanças do homem. Felizes de nós, se lhe formos sempre devotos! Se ainda não o fizeste, meu irmão, coloca-te sob a proteção de Maria, Mãe do Perpétuo Socorro, e alista-te na pia Arquiconfraria erigida em sua honra (1). Não sejas, porém, do número daqueles confrades que se contentam em darem o seu nome; mas cuida em observar as práticas de devoção.

Portanto, recorre à Mãe do Perpétuo Socorro em todas as tuas necessidades; procura imitar as suas virtudes, e honra de modo particular a Santo Afonso, elegendo-o teu advogado especial junto à Rainha do céu. Afinal, empenha-te em promover em outros, com palavras e exemplos, esta devoção, como sendo um meio eficacíssimo para obter de Deus os favores mais assinalados e alcançar com certeza a salvação eterna.

“Ó Mãe do Perpétuo Socorro, vós sois a dispensadora de todas as graças que Deus nos concede, a nós pobres e miseráveis. Se Ele vos fez tão poderosa, tão rica e tão benigna, foi para que nos assistais nas nossas misérias. Sois vós a advogada dos mais miseráveis e desamparados pecadores que a vós recorrem; socorrei-me, pois, a mim que a vós me recomendo. Nas vossas mãos ponho o negócio da minha salvação, entrego-vos a própria alma. Aceitai-me no número dos vossos servos prediletos; acolhei-me debaixo da vossa proteção, e dou-me por satisfeito; porque, se vós me socorreis, nada temo. Não temo os meus pecados, porque vós me obtereis o perdão; não temo o demônio, pois vós sois mais poderosa que todo o inferno; não temo o meu próprio Juiz Jesus Cristo, porque uma só súplica vossa basta para reconciliá-lo. O que só temo é, por minha negligência, esquecer de vos invocar e assim perder-me. Alcançai-me, Senhora minha, o perdão dos pecados, o amor a Jesus Cristo, a perseverança final, e a de recorrer sempre a vós, ó Mãe do Perpétuo Socorro” (2).

“E Vós, ó Deus onipotente e misericordioso, que nos destes vossa Mãe Maria, cuja imagem insigne veneramos, como Mãe do Perpétuo Socorro, concedei-nos propício, que implorando assiduamente a sua proteção maternal, mereçamos conseguir sempre os frutos da vossa Redenção” (3).

Referências:
(1) Esta Arquiconfraria existe em quase todas as igrejas dos padres redentoristas.
(2) Indulgência de 100 dias.
(3) Or. festi.

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 343-346)