17ª Carta Circular de Santo Afonso: Oração... Missões (Novembro, 1775)

Aos Padres e Irmãos da Congregação do Santíssimo Redentor

Nota: Santo Afonso, vendo os esforços que os inimigos fazem para aniquilar a Congregação, redobra suas recomendações aos frades; e, depois de algumas breves exortações à oração e ao amor a Jesus e Maria, entra de novo no assunto das missões.

Nocera, 4 de novembro de 1775.

Vivam Jesus, Maria e José!

Caríssimos Confrades. Redobrai de fervor em vossas orações, porque nossos adversários estão empregando todos os esforços para nos arruinar.

Quero dar-vos, primeiramente, alguns conselhos gerais.

É para meditar nas máximas eternas, e pedir a Deus que nos ajude, que se faz a oração mental Aos seculares, a meditação serve mais para considerar as máximas eternas do que para orar; a vós, porém, que estais bem familiarizados com as máximas eternas, o mais necessário é orar. Jesus Cristo disse: Si quid petieritis Patrem in nomine meo, dabit vobis. E noutra passagem: Si quid petieritis me in nomine meo etc. Pedi, portanto, as graças a Deus em nome de Jesus Cristo; e a Jesus Cristo em Seu nome.

Pedi sempre e de modo especial o amor divino e a graça de pertencer inteiramente a Deus, repetindo muitas vezes:

«Meu Deus, em nome de Jesus fazei-me todo Vosso»

E acrescentai sempre a súplica a Nossa Senhora:

«Fazei-me todo de Jesus Cristo»

As missões vão começar. Não vos esqueçais de recomendar sempre — na instrução, nos sermões, nos exercícios, na explicação do rosário — não vos esqueçais, digo, de inculcar sempre (isto é, várias vezes ao dia) o amor a Jesus Cristo e especialmente a Jesus padecente. Exortai os fiéis a que se recomendem sempre, em todas as tentações, a Jesus e Maria.

Aos que vão sair para ,as missões recomendo que ofereçam a Deus não só os trabalhos agradáveis como sermões, exercícios espirituais etc., mas também os menos agradáveis e contrários à inclinação natural, como doutrina, rosário, exortações à penitência, confissões de homens, de doentes, velhos etc., porque justamente aí está o merecimento.

Por isso recomendo a todos rigorosa obediência, e obrigo os Superiores a comunicar-me quais os súditos que cometem desobediência notável ao Superior da missão, pois quero que ele seja obedecido como eu seria obedecido, se estivesse presente. E o que imponho para as missões, imponho-o também para todos os exercícios que se fizerem nas casas, tanto para os estranhos como para a comunidade.

Irmãos meus, se procedermos bem, Deus nos sustentará; do contrário, certamente nos destruirá. Eis por que menos me desagrada quando um confrade está enfermo ou até deixa a Congregação (dico buon viaggio!), do que quando meus confrades cometem faltas, especialmente contra a obediência ou contra a pobreza.

E agora abençoo a todos, um por um. Orai e fazei orar por causa da perseguição, que nos movem, e agora está mais acesa. Espero, todavia, que Jesus e nossa boa Mãe Maria não nos abandonem.

Peço a todos que rezem por mim, visto que minha morte está próxima. De minha parte não faço outra coisa que orar sempre por vós, a quem amo muito mais do que a meus próprios parentes.

A bênção de Deus seja convosco, e abençoados sejam os trabalhos que fizerdes tanto em missões como em casa.

De VV. Revcias.
Irmão Afonso Maria

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(LIGÓRIO. Santo Afonso de. Cartas Circulares. Oficinas Gráficas Santuário de Aparecida, 1964, p. 106-109)