15ª Carta Circular de Santo Afonso: Avisos para as Missões (Setembro, 1773)

Aos Padres da Congregação do Santíssimo Redentor

(Particularmente aos Superiores das Missões)

Nota: O Santo Fundador oferece nesta Circular algumas sugestões oportunas para o bom êxito das missões.

(Setembro de 1773 ?)

Vivam Jesus, Maria e José!

1) Não é necessário nem conveniente que todos os Padres de uma casa saiam para as missões; o Reitor faça, pois, a seleção dos que forem aptos e não estejam doentes.

2) Se a missão se prega na diocese onde está a casa, o Reitor escolha e mande seus súditos, como disse; mas, se tiverem de dar as missões em outras dioceses, onde não temos casa, não mandem os súditos, se não forem destinados por mim ou por meu Vigário (o Pe. André Víllani).

3) Observem-se nas missões os antigos costumes referentes à qualidade dos alimentos, de não receber presentes de doces, aves, frangos, peixes caros e semelhantes. Não aceitem custeamento (spese) das coletividades, nem dos párocos e não tomem refeições em casa de pessoas seculares ou eclesiásticas; somente, quando uma vez ou outra o Bispo convidar os missionários à sua mesa, obedeça-se; da mesma forma, podem aceitar algum presente que ele mandar.

4) Estejam os Superiores (das missões) atentos a corrigir os defeitos de pouca modéstia ou de impertinências para com os nossos e muito mais para com os estranhos, pois os missionários devem tratar a todos, até a gente mais humilde, com doçura e caridade.

5) Cada quinze dias, ou ao menos cada mês, no tempo das missões, os Superiores devem informar-me (ou ao meu Vigário) a respeito daqueles que cometeram alguma falta notável.

6) O Superior deve punir todas as faltas notáveis de cada um e, terminada essa missão, mandar que ele volte para o convento, se achar conveniente.

7) Os Superiores vejam que se pregue com simplicidade, não em tom patético, nem em estilo floreado, e corrijam e castiguem os que faltarem neste ponto, proibindo-lhes a pregação e obrigando-os até a interromper o sermão, a instrução ou semelhante. É à simplicidade que se deve o bom êxito de nossas missões. Se alguém pretender qualquer exercício de pregação, instrução, etc., seja-lhe negado absolutamente. Quem tal pretender, nunca fará muito fruto, porque Deus não ajuda os orgulhosos. Por outro lado, obedeçam todos aqueles a quem for ordenado qualquer exercício. Castiguem-se especialmente as faltas contra a obediência, e depois mande-se informação ao meu Vigário.

8) Em todas as missões haja um zelador que anote as que observar, e depois avise o Superior.

9) Quando se tiver de compor algum litígio, não tomem a defesa de nenhuma das partes, mas apareçam como simples mediadores. Quando, porém, houver alguma razão evidente a favor de uma
das partes, é bom expor essa razão para que se conheça a verdade.

10) Em todas as missões, cada missionário faça mensalmente um dia ou dois de retiro em completo recolhimento, como sempre se tem praticado.

11) Quando houver grande afluência de povo, confessem-se primeiro os homens e depois as mulheres.

12) A ninguém se dê licença de conservar, como coisa própria, dinheiro, roupa, tabaco ou outra coisa; tudo se conserve com o ecônomo. E tudo o que se receber, seja entregue ao Superior, o qual por sua vez o entregará ao Reitor da casa que aceitou a missão.

13) Cada um se abstenha de intervir em questões de testamentos e casamentos, a não ser unicamente para afastar algum escândalo ou outra ocasião de pecado.

14) Se na comutação de votos se tiver de aplicar algo em boas obras, ninguém o aplique segundo sua própria determinação.

Meus Irmãos, sabeis que o único fim do nosso Instituto é a obra das missões. Descurando esta obra, ou fazendo-a defeituosamente, destruído está o Instituto. É melhor não pregar missões do que pregá-las com prejuízo de nosso espírito e desedificação do povo. Quem vai para as missões, não há de ir para ostentar-se como orador, mas somente para Salvar almas e obedecer às ordens dos Superiores.

Leia-se esta carta em Capítulo diante de todos os súditos da casa para que cumpram o seu dever. Além disso seja lida todos os anos, no mês de outubro, antes de saírem para as missões.

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(LIGÓRIO. Santo Afonso de. Cartas Circulares. Oficinas Gráficas Santuário de Aparecida, 1964, p. 90-94)