Meditação para o Dia 30 de Novembro

Santo André, cuja festa a Igreja celebra hoje, foi um dos mais apaixonados amantes da cruz. Após fadigas e mil tribulações sofridas pelo nome de Cristo, no apostolado tão difícil e duro entre os bárbaros da Citia e da Trácia, o desejo louco de sofrer ainda não havia saciado o coração do apóstolo. Em Patras, na Acaia, foi condenado à morte, e à morte da cruz, como Jesus Cristo, o doce objeto de seu amor. Nunca se viu ninguém tão apaixonado pelos gozos da terra como André, pela cruz. Viu-a e delirou de amor. Saudou-a em transportes de alegria. Abraçou-a. Exclamava ele – ó boa cruz, instrumento mais de felicidade que de tormento,quanto tempo te desejei! É possível conhecer-te e não te amar? O que procureis em descanso foi a ti. Afinal te possuo, todos os meus desejos estão satisfeitos. No delírio de seu amor, ele desejaria que da mesma alegria que o faz estremecer participasse a cruz.

“Que! – exclama São Bernardo – é tanta a alegria que se possa comunicar ao lenho!”

Tal é a santa loucura da cruz de que fala São Paulo, loucura que salva e consola. Oh! Como é belo sofrer e carregar a cruz com Nosso Senhor! O mundo não compreende esta linguagem! A loucura do pecado faz sofrer no desespero! A loucura da cruz faz sofrer em transportes de alegria e de amor!

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 357)