Meditação para o Dia 27 de Julho

“Eu tremo – dizia Santo Ambrósio – quando vejo o pecador feliz”

É a prosperidade castigo. O homem feliz na terra se esquece do Céu, materializa-se, nada sabe. “Quem não sofre que é que pode saber?” – pergunta a Escritura. Os prazeres enervam e nos tornam incapazes de pensar nas coisas eternas. Diz São Paulo, e com razão, que o homem animal não percebe as coisas espirituais. Falai em Deus, alma e eternidade a um desses gozadores da vida. Ele não vos entenderá.

Abnegação! Penitência! Espírito de sacrifício! Oh! É linguagem do Céu. Os bárbaros não a compreendem. A prosperidade cegou muitos homens e nessa cegueira se condenaram.

“Considerai – diz São Jerônimo – que é grande a cólera de Deus quando não castiga os pecadores”

Temei a prosperidade orgulhosa e enfatuada. Os ricos e os grandes do mundo julgam-se dispensados de amar e servir a Deus na humildade e no sacrifício.

“Ai dos ricos – diz Nosso Senhor – porque eles têm neste mundo a sua consolação”

Não vos lembrais da prosperidade do rico epulão e da miséria de Lázaro? O rico foi sepultado no Inferno, diz Nosso Senhor – Et sepultus est in infernus. Eis a desgraça da prosperidade. E Lázaro foi levado ao seio de Abraão. Eis a recompensa da adversidade.

Não sejamos como os pagãos, que só na prosperidade é que acreditam na proteção dos deuses. Para o cristão, a prosperidade pode ser e tantas vezes é, um sinal bem certo de reprovação eterna, principalmente se ela subsiste com a vida de pecado e de escândalos.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 226)