Meditação para o Dia 12 de Setembro

Diz o Apóstolo que ninguém é tão pai como Deus.

Nemo tam pater!

Que bela e consoladora expressão!

“Ninguém é tão pai!”

E pai Misericordioso! Para obter a misericórdia é mister uma só coisa: ter confiança ilimitada. No Pai-Nosso, Jesus nos ordena que chamemos pai a Deus. Embora numa desoladora e cruel aridez, Santa Teresinha rezava sempre. Uma noviça, entrando-lhe um dia na cela, sentiu-se arrebatada com a expressão toda celestial do rosto da santinha. Esta costurava com certa atividade, parecendo, entretanto, toda perdida numa contemplação profunda. Perguntando-lhe a irmã em que estava a pensar, respondeu-lhe:

“Estou meditando o Pai-Nosso. Consola tanto chamar a Deus de NOSSO PAI!” (1)

E lhe tremeluziam lágrimas nos olhos. Se nosso Deus é Pai, por que O tratar como juiz severo e duro? Por que O tratar como carrasco? Depois das faltas, principalmente depois de nossas quedas, precisamos abrir o coração à confiança filial e voltar para o Pai, com o arrependimento e propósito do Filho Pródigo. Santa Teresinha escreve:

“Um pai tem dois filhos peraltas e desobedientes. Indo castigá-los, foge-lhe um, tremendo e cheio de terror, ao passo que o outro se lhe atira nos braços, arrependido, prometendo tornar-se bom, emendar-se e pedindo-lhe que o castigue com um beijo. Seria possível resistir esse pai feliz à confiança, filial da criança? Bem sabe ele que o filho há de reincidir nas suas faltas, mas a sua disposição é para perdoá-lo sempre e assim o tomar pelo coração. Nada digo a respeito do outro filho, mas é dever que seu pai não poderá amá-lo e tratá-lo com a mesma indulgência que ao irmão” (2)

Deus é Pai! Como este pensamento nos abre o coração e o enche de confiança!

Referências:
(1) História de uma alma – c. XII
(2) 8e. lettere à des Missionaires

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 275)