Meditação para o Dia 03 de Novembro

Quando morremos, vamos para aquela região que o salmista denomina Terra Oblivionis – “Terra do Esquecimento”. Já Santo Agostinho dizia, com mágoa:

“Oh! Como nos esquecemos dos nossos mortos!”

E São Francisco de Sales acrescentou:

“Não nos lembramos bastante dos nossos mortos; tanto é assim que não falamos muito deles. Fugimos do assunto como de uma coisa funesta”

Deixamos os mortos enterrarem seus mortos. Extingue-se em nós a sua memória com os dobres do sino. Pouca gente se lembra de que a verdadeira amizade não pode terminar com a morte, porque mais forte do que esta é o amor verdadeiro. Só a Religião de Jesus Cristo cultiva, com extremos de ternura, a amizade consoladora e forte que atravessa os túmulos e vai até o seio da eternidade! Só as almas verdadeiramente piedosas jamais se esquecem dos entes queridos que a morte lhes arrebata. O dogma da comunhão dos santos é uma das fontes mais ricas de consolações da Igreja. Graças a ele não seremos esquecidos para sempre. Todos os dias, no Altar sagrado o ministro do Senhor tem em lembrança os mortos, com saudades, e implora para eles a misericórdia Divina. O ofício Divino repete sempre:

“E as almas dos fiéis, pela misericórdia de Deus, descansem em paz” – Et fidelium animae per misericordiam Dei resquiescant in pace

Como é consoladora a nossa fé! Humilhe-nos o pensamento da morte, que nos fará esquecidos. Console-nos o dogma da Comunhão dos Santos. Para a Igreja, nossa Mãe querida, nunca seremos esquecidos.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 330)