Meditação para o Dia 02 de Setembro

Dizia Santa Teresa que a humildade consiste na verdade. E a santa de Lisieux pôde confessar (1):

“Parece-me que a humildade é a verdade. Não, sei se sou humilde, mas vejo a verdade em todas as coisas”

É uma graça – e das maiores – ver em todas as coisas a verdade, banir as ilusões do amor-próprio, conhecer-se a si mesmo e a Deus. Por isso rogava Santo Agostinho ao Senhor:

Domine noverim me! Noverim Te! – “Senhor, que eu me conheça e Vos conheça”

Disse Mons. Charles Gay que nada mata o orgulho como o espírito de infância. Fazer-se criancinha, e criancinha humilde, fraca, escondida e tímida; julgar-se incapaz de dar um passo firme sem o apoio de um braço estranho; retrair-se; não desejar aparecer, nem brilhar, ah! Bem poucos compreendem toda essa simplicidade na vida espiritual.

“O que em minha alma agrada ao bom Deus – escreve Santa Teresinha (2) – é ver o amor que tenho à minha pequenez e à minha pobreza, é a minha esperança cega em Sua Misericórdia”

Muita gente sofre quando considera sua fraqueza e miséria. Pois, na via da infância, quem se vê miserável e muito necessitado de misericórdia, chega até a se alegrar!

“De nada mais me admiro, diz a santinha (3), nem me aflijo por ver que sou a própria fraqueza; pelo contrário, dela me glorifico e espero cada dia descobrir em mim novas imperfeições. Confesso que as luzes sobre o meu nada me fazem maior bem do que as luzes sobre a fé”

A humildade não consiste nos belos pensamentos sobre a virtude, nem em nos confessarmos perante os homens, mas em certa disposição do coração, que se julga sempre pequenino diante de Deus; em ser como uma criancinha incapaz de tudo; em ver, conhecer e amar a sua pequenez e pobreza a, por isso mesmo, não desanimar, mas abandonar-se, cegamente, nos braços da Misericórdia!

Referências:
(1) Conseils et Souvenirs
(2) 6me. lettre A Soeur Marie du Sacré Coeur.
(3) História de uma alma – c. IX.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 265)