Meditação para o Dia 10 de Agosto

Segundo a Imitação de Cristo, Cap. IV – L. II

“A glória do homem virtuoso é o bom testemunho da sua consciência.” Tem boa consciência e sempre terás alegria. A boa consciência é muito sofredora e conserva-se alegre nas adversidades. A má consciência está sempre inquieta e assustada. Gozarás de doce sossego se teu coração de nada te acusa. Não te alegres senão quando fizeres algum bem. Os maus nunca têm alegria verdadeira nem sentem paz interior, porque disse o Senhor: “Não há paz para o ímpio”. E se disserem: vivemos em sossego, nenhum mal nos acontece; quem se atreverá a ofender-nos? Não lhes dês crédito; porque de repente se levantará contra ele a ira de Deus e se reduzirão a nada suas obras e perecerão seus pensamentos. Não é dificultoso ao que ama gloriar-se na tribulação, porque gloriar-se desta sorte é gloriar-se da cruz do Senhor. Pouco dura a glória que o homem dá e recebe. A glória do mundo anda sempre acompanhada de tristeza. A glória dos bons está na sua consciência e não na boca dos homens. A alegria dos justos é de Deus e em Deus, e sua alegria vem da verdade. Quem deseja a verdadeira e eterna glória não faz caso da temporal. Quem a glória temporal procura ou a não despreza de coração, sinal é que não ama a celestial. Grande sossego de coração tem aquele que nada se lhe dá dos louvores nem das afrontas. Facilmente estará contente e sossegado o que tem a consciência limpa. Não és mais santo porque te louvam, nem mais ruim porque te vituperam. O que és, isso és, e por que te estimem os homens não podes ser perante Deus maior do que és. Se atenderes ao que és no teu interior, não se te dará do que te dizem os homens. “O homem vê no rosto e Deus no coração”. O homem considera as obras e Deus pesa as intenções.Trabalhar sempre bem e ter-se em pouca conta é o indício duma alma humilde.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 241)