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As Almas mais Abandonadas

As almas do purgatório mais abandonadas

Os esquecidos…

Meditação para o dia 20 de Novembro

Como já dissemos, os mortos são muito esquecidos. Os vivos os choram pouco tempo e depois os abandonam para sempre ao esquecimento das sepulturas, e o que é mais doloroso, ao abandono e esquecimento no purgatório. Há no purgatório as almas que chamamos as mais abandonadas. Devem ser inumeráveis. Por elas nem uma Santa Missa, nem uma oração, nem um sufrágio sequer dos que elas amaram tanto neste mundo, e, quem sabe, encheram de benefícios e talvez estejam aproveitando o que deixaram aqui em herança e patrimônios. Que dura ingratidão! Como sofrem estas pobres almas! O esquecimento dói muito neste mundo. Que diremos no outro, no purgatório! Então, aquelas pobres almas parecem gemer, como o profeta Jó: Miseremini mei saltem vos amici mei, quia manus Domini tetigit me! Tende compaixão de mim, tende compaixão de mim, pelo menos vós, meus amigos, porque a mão de Deus me feriu!

Que gemido angustioso! Sim, a mão da Justiça de Deus fere as pobres almas para santificá-las e purificá-las, e elas só dependem de nós. E quando se veem abandonadas dos seus, clamam: pelo menos vós, meus filhos, meus parentes, meus amigos, meus beneficiados, vós que me amastes na terra!…

Em vão clamam tantas vezes! Não são ouvidas, porque seus amigos e parentes, preocupados com os prazeres, as honras, o dinheiro, as vaidades, nem querem pensar nos mortos, e nem se lembram num ato de fé, que podem seus parentes e seres muito caros estarem nas chamas expiatórias, a sofrer! Continue a ler

Via Sacra e o Rosário

Via Sacra um bom meio para sufragar as Almas do Purgatório

Meditação para o dia 19 de Novembro

Para alívio das almas do purgatório, temos uma fonte de indulgências e de riquezas espirituais — é a Via Sacra. Esta meditação da Paixão e morte do nosso divino Redentor, nos lembra o Sangue Preciosíssimo derramado pela salvação das almas, e nos faz pedir pelo Sangue de Cristo a libertação do purgatório. Quanto alívio não trás às almas sofredoras uma piedosa Via Sacra! É uma devoção santificadora para nós e um sufrágio precioso para as pobres almas. Dizia São Boaventura:

“Se quereis crescer de virtude em virtude, atrair para vossa alma graça sobre graça, entregai-vos muitas vezes ao exercício da Via Sacra”

A Paixão de Jesus Cristo é remédio para nossa alma pecadora, e este Sangue precioso cairá sobre as almas como doce refrigério.

Na Vida da V. Maria d’Antigna se conta que esta serva de Deus tinha o piedoso costume de fazer todos os dias a Via Sacra pelos defuntos. Depois, com outras ocupações e devoções, se descuidou desta. Um dia, uma religiosa do mosteiro, falecida há pouco tempo, lhe apareceu e lhe disse, gemendo:

“Minha Irmã, porque não faz as estações da Via Sacra por mim e pelas almas como antes?”

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O Ato Heroico

Almas do Purgatório e o Ato Heroico

Que é o “Ato Heroico”?

Meditação para o dia 18 de Novembro

“É o ato que consiste em oferecer à Divina Majestade, em proveito das almas do purgatório, todas as obras satisfatórias que fizermos durante a vida e todos os sufrágios que forem aplicados pela nossa alma depois da nossa morte”

Tal é a definição autêntica deste ato aprovado oficialmente pela Igreja e indulgenciado. Chama-se heroico, porque realmente exige uma abnegação de todos os tesouros que possamos lucrar com nossas boas obras e contém uma renúncia de todos os sufrágios que oferecerem por nossa alma depois da nossa morte, em favor das almas do purgatório. Este ato há de ser feito, para ser válido, em perpétuo. É irrevogável na intenção de quem o faz. Não obriga sob pena de pecado. Se alguém, a quem faltou generosidade ou teve receio de se privar de sufrágios depois da morte, quis de novo adquirir para si as suas obras satisfatórias, renunciou ao voto heroico, não comete pecado nem mortal nem venial.

Pelo ato heroico não renunciamos o mérito de nossas boas obras, isto é, o que nos dá nesta vida um acréscimo da graça e a glória no paraíso. Este merecimento é nosso e não o podemos perder nem dá-lo aos outros. O ato heroico é uma obra muito meritória, e este mérito de uma obra tão bela e heroica não o podemos perder. Só o mérito do ato heroico quanto não vale para nossa alma! Este mérito não o perdemos. Depois desta obra satisfatória, tudo o mais que fizermos será das almas do purgatório. Desde que fazemos o ato heroico, todas as indulgências que lucramos são das almas. Tudo que de bom possamos fazer e ter mérito e lucrar alguma coisa será do purgatório, direito e propriedade das almas. É uma renúncia total. Só a indulgência plenária da hora da morte não pode ser oferecida para as almas e será nossa, porque não é aplicável aos defuntos. Continue a ler

A Esmola

Anjo e Tobias

O Sufrágio da Esmola

Meditação para o dia 17 de Novembro

Um socorro aos mortos dos mais valiosos é a esmola. Não é mister lembrar aqui o valor da caridade. É auxílio ao pobre na terra, alívio aos mortos nas chamas expiadoras do purgatório. Há tanta miséria a socorrer no mundo! Por que não fazermos do dinheiro, que perde tanta gente, um meio de salvação para nossa alma, e alívio do pobre e alívio do Purgatório? Não é conselho de Nosso Senhor que aproveitemos e façamos da riqueza meio de salvação empregando-a nas boas obras como os pecadores a empregam para o mal?

Socorramos o pobre em sufrágio das almas do purgatório.

Contam piedosos autores esta parábola tão expressiva: Um homem tinha três amigos. Dois lhe eram muito queridos. O terceiro nem por isso. Um dia fora acusado e levado ao Tribunal da Justiça. Chama os amigos para o defender.

O primeiro escusou-se. Tinha negócios e família, era impossível!

O segundo foi até à porta do Tribunal e o deixou.

O terceiro o acompanha sempre fiel, defende-o com ardor, dá testemunho de sua inocência e salva o acusado do castigo.

Assim, o homem tem neste mundo três amigos: o dinheiro, os parentes e as boas obras. O dinheiro o abandona na morte, quando há de comparecer no Tribunal da Justiça de Deus. Os parentes o levam até a beira da sepultura e o deixam; e o esquecem depois. O terceiro amigo — as boas obras, a caridade praticada, as obras de misericórdia, tudo quanto o homem fez de bom neste mundo, só isto o acompanha e o defende no Tribunal da Justiça de Deus.

Pois bem. Neste mundo toda sorte de boas obras sejam os nossos amigos. Tudo o mais falha. Diz São João que as obras do homem o hão de seguir depois da morte: Opera enim illorum sequntum illos.

Socorramos o pobre em sufrágio dos mortos. Praticaremos dupla obra de caridade. E tenhamos a certeza de que Aquele Deus de Misericórdia não deixará que se perca nossa pobre alma no Tribunal do Dia do Juízo.

Eis porque rezar pelos mortos, socorrer as almas do purgatório na prática da caridade pela esmola, é das maiores riquezas do cristão neste mundo.

A esmola, disse o Anjo a Tobias, salva o homem da morte, apaga os pecados e faz achar a graça diante de Deus (1). O Livro Eclesiástico ensina que “assim como a água extingue o fogo mais ardente, assim a esmola apaga o pecado” (2).

Sim, e a esmola apaga também o fogo do purgatório.

Dai esmola ao pobre em sufrágio das benditas almas. As lágrimas que vossas esmolas enxugarem, o alívio que tiverdes dado aos que padecem fome, sede e frio, serão alívio no purgatório para as almas sofredoras, talvez almas de vossos entes queridos. É uma dupla caridade socorrer os pobres por amor das santas almas.

A Esmola que Salva

São João Crisóstomo faz este belo e poético elogio da esmola:

“A esmola, diz ele, é uma celeste indústria e a mais hábil de todas. Protege os que a exercem. É amiga de Deus e está ao lado do Senhor e alcança facilmente a graça aos que ela ama. Quebra os ferros, dissipa as trevas, extingue o fogo… Diante dela se abrem com toda segurança as portas do reino do céu (3)”

Como se aplicam bem as palavras do eloquente e Santo Doutor à esmola dada em sufrágio para alívio e libertação das almas do purgatório! Nossa esmola ao pobre vai quebrar as cadeias de ferro e fogo que retém no purgatório as pobres almas, dissipa-lhes as trevas horríveis da ausência e da separação do Bem Infinito que tanto as faz sofrer naquele cárcere medonho. E diante da esmola, quantas vezes não se abrem com segurança as portas do reino do céu às pobres cativas! Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia, diz Nosso Senhor no evangelho.

Sim, sejamos agora misericordiosos para com os infelizes, os desgraçados, os pobres, e alcançaremos misericórdia para nós e para as almas do purgatório. Diz o Livro de Tobias:

“As esmola livra de todo pecado e da morte, e não deixará a alma descer nas trevas” (4)

Sim, a esmola nos livrará da morte eterna, e, se nesta vida tivermos aplicado nossos recursos em socorrer os pobrezinhos, livraremos nossa alma da eterna morte, das trevas do inferno, e livraremos as almas das trevas do purgatório.

Pelas almas sofredoras tenhamos compaixão dos pobres.

Um dia, em Saint Lazare, São Vicente de Paulo ia dar a bênção à mesa frugal da comunidade dos seus padres, quando de repente sentiu-se profundamente comovido e as lágrimas lhe corriam pelas faces. Soluçava. O seu pensamento sentia-se agora transportado para a Lorreine, onde o povo tinha fome como nas províncias devastadas pela guerra. Ah! Dizia o Santo, lá há muita fome, muita fome…

“Ó, se nós soubéssemos meditar e ter compaixão daquelas pobres almas que têm fome de Deus! E Jesus, que na pessoa do pobre tem fome e sede, como nos diz no Evangelho, não sentirá também a fome das benditas almas? Tive fome e me destes de comer, estive doente e me visitastes. Jesus nos fala assim nas almas do purgatório (5)”

“A esmola, escreveu o ilustrado Henri Bremond (6), é, no pensamento da Igreja, um dos elementos essenciais do culto dos mortos. Obra de caridade e de sacrifício eucarístico, o ágape primitivo reunia estes dois elementos. Muito antes de ter sido abolido, o ágape era uma espécie de reunião de beneficência para socorrer os pobres, visando obter por esta obra o alívio e a libertação das almas do purgatório. Os Santos Padres falam sempre nisto. Na Idade Média, esta ideia de socorrer os pobres para alívio das almas do purgatório teve uma influência decisiva na organização das obras de caridade”

Dupla Caridade

Podemos dizer: dar esmola em sufrágio e para alívio e libertação das almas do purgatório é dar duas vezes, é dupla esmola. Socorre os vivos e os mortos. Os amigos das santas almas não deixam esquecido este meio poderoso e meritório de praticar a caridade.

São Pedro Damião conta que, numa festa da Assunção de Maria, um homem de Deus teve uma visão. Viu na igreja a Santíssima Virgem num trono, cercada de Anjos e de Santos. Diante dela aparece uma pobre mulher em andrajos, em estado de grande miséria, mas trazendo sobre os ombros uma capa de seda e pedrarias ricas. Ajoelhou-se a pobrezinha diante da Virgem e entre lágrimas lhe disse:

“Ó Mãe de misericórdia, eu vos suplico, tende piedade de João Patrizzi que acaba de morrer e sofre no purgatório. Sabei, ó Mãe de misericórdia, que eu sou aquela mendiga que um dia pedia esmola na porta da vossa basílica e tiritava de frio. João, a quem pedi uma esmola, privou-se da sua capa para me cobrir”

Ao ouvir isto, a Virgem Santíssima sorriu, cheia de bondade, e disse:

“O homem pelo qual pedes misericórdia estava condenado a sofrer muito tempo na expiação, mas já que ele praticou este ato de caridade, e além disto sempre teve muita devoção para comigo, adornou meus altares, eu quero usar de bondade para com ele”

E Patrizzi foi logo libertado do purgatório (7).

Assim fará para conosco a Mãe de Deus, se juntarmos a sua devoção bem fervorosa à caridade para com os infelizes. É muito grande o mérito da esmola.

São João Crisóstomo aconselhava, numa exortação, uma maneira de aliviar o sofrimento da saudade dos mortos, de um filho querido que a morte arrebatou, de um ente, enfim, que vimos partir para a eternidade, deixando-nos saudosos. Diz o Santo Doutor:

“Perdeste um filho querido e não sabeis o que fazer para testemunhar a vossa dor. Quereis ser útil ainda ao vosso filho? Nada mais simples. Assiste a um coerdeiro pobre. Tomai um pobre para socorrer. Dai aos pobres o que desejaríeis dar ao morto querido que chorais. Não tereis perdido o herdeiro do céu e arranjareis um coerdeiro na terra, que é o pobre. Em vez de uns miseráveis bens temporais que havíeis de deixar para um filho, lhe dareis a herança da posse de Deus no céu nos bens eternos. Eis como podeis socorrer vossos entes queridos muito mais do que se estivessem neste mundo (8)”

Ordena a admirável e santa Regra de São Bento que quando morra um monge, durante trinta dias se ofereçam por sua alma o Santo Sacrifício e a ração de alimento que lhe pertencia seja dada aos pobres.

Que bela tradição! Sejamos caridosos para com os pobres da terra o apliquemos o mérito desta caridade para o alívio e libertação das santas almas sofredoras do purgatório. Pratiquemos a dupla caridade.

Exemplo: Esmola pelas Almas

Cristovão Sandoval, ainda menino, era devotíssimo das santas almas do purgatório. Procurava socorrê-las de todos os modos. Privava-se até do necessário para sufragar as pobres almas sofredoras. Quando estudava na Universidade de Louvain, aconteceu que as cartas da Espanha demoravam a chegar com recursos e o pobre estudante ficou reduzido a uma extrema miséria sem ter do que se sustentar. Sempre que lhe pediam alguma esmola em nome das almas do purgatório, nunca a negava. Doía-lhe o coração ver pobres rogando: uma esmola por amor das santas almas do purgatório! Assim amargurado entrou numa igreja pensando: não posso socorrer as almas do purgatório com minhas esmolas, mas posso rezar por elas. Quero ajudá-las com minhas orações. Acabou de rezar e ao sair da igreja um moço muito educado e de ar nobre o veio cumprimentar, dizendo estar de volta da Espanha, e lhe entregava uma grande soma de dinheiro, porque quando voltasse à Espanha, seu pai lhe havia de pagar. Convidou-o para um almoço. Sandoval aceitou o generoso convite, pois até àquela hora nada havia comido. Depois, o moço desapareceu. Nunca mais Sandoval chegou a saber quem era aquele moço. Fez várias pesquisas, mas tudo em vão. Um dia, contou o fato ao Papa Clemente VIII. O Santo Padre lhe disse: Meu filho, é preciso publicar muito este fato para mostrar como Deus recompensa os que dão esmolas em nome das almas do purgatório e sufraga os mortos com atos de caridade.

Uma mulher em Nápoles, conta Rossingnoli (91.ª Maravilha), chegou a uma extrema miséria, porque o marido fora preso por muitas dívidas. Os filhos passavam fome. Recorreu a um grande rico da cidade e pediu-lhe uma esmola. Recebeu uma moeda de prata. Entrou numa igreja e pôs-se a considerar a triste situação em que se encontrava. Recorreu às almas do purgatório, procurando sufragá-las com fervorosas preces. Depois, tomou a moeda de prata, importância exata de uma espórtula de Missa, e mandou celebrar uma santa Missa pelas almas. Sai da igreja muito consolada e cheia de confiança. Encontra na rua logo um velho muito pálido que lhe quer falar.

— Coragem, minha senhora, diz-lhe o desconhecido, peço o favor de me levar esta carta a Fulano, tal rua, número tal. É um dos homens mais conhecidos e ricos do lugar.

A senhora executou logo o pedido. O jovem destinatário tomou a carta, abriu-a e empalideceu:

— A letra de meu pai… E meu pai já morto!

Indagou muito e veio a concluir que aquela pobre viúva havia salvo do purgatório a alma do seu pai querido. A carta dizia assim:

“Meu filho, teu pai acaba de ser libertado do purgatório graças a uma santa Missa mandada celebrar por esta senhora, portadora desta. Está ela numa extrema miséria e eu a recomendo à tua gratidão”

Grande foi a comoção do jovem. Após acalma-se disse à pobre:

“Minha senhora, acaba de fazer uma grande obra de caridade e lhe devo uma eterna gratidão: libertou meu pai do purgatório com uma Missa, esta manhã… Doravante eu me encarrego de protegê-la”

E assim o fez. (Carfora — For¬tuna hominis. Lib. I — Rossignoli, 91.ª Maravilha).

Observações:
(1) Tob. XVV, 9.
(2) Eccl. II, 33.
(3) S. —. Cripost. Hom. XXXII — Epist. ad Hebreus
(4) Tobias — IV, 8, 12.
(5) Rousic — Le Purgatoire — C. XXIV
(6) Bremond — Le Correspondent — 11, 916 — Priere pour les morts.
(7) S. Petr. Dami. Opus. 34 c. 4.
(8) Crepost — Sermo de fide ressuctionis.

Voltar para o Índice do livro Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! de Mons. Ascânio Brandão e não esqueça de rezar a Ladainha pelas Almas do Purgatório

(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! 30 Meditações e Exemplos sobre o Purgatório e as Almas. 1948, p. 131-138)

As Indulgências

Santo Rosário, uma obra indulgenciada para sufragar as Almas do Purgatório

Que são as indulgências?

Meditação para o dia 16 de Novembro

Entende-se por indulgência a remissão ou perdão das penas temporais devidas a Deus pelos pecados já perdoados em quanto à culpa, remissão concedida pela Igreja pela autoridade eclesiástica fora do Sacramento da Penitência.

As penas eternas são perdoadas ao pecador que faz penitência, mas nem sempre as penas temporais. Há necessidade de fazer penitência e sofrer um pouco em reparação dos pecados cometidos. Daí a pena temporal pelos pecados. Ora, a Igreja que recebeu o poder de perdoar a pena eterna, muito mais o tem para remir da pena temporal. “Tudo o que ligares na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu”, disse Jesus a Pedro. Na Igreja primitiva os fiéis recebiam grandes penitências pelos seus pecados acusados. Havia penitências públicas bem duras e longas. Jejuns a pão e água por vários dias na semana e por alguns anos. Em crimes mais graves como o homicídio, por exemplo, o penitente fazia doze e mais anos de penitências públicas, algumas das quais bem humilhantes. Nas faltas mais leves, o jejum de quarenta dias (uma quarentena). Depois, com o tempo, atendendo à fraqueza humana e aos tempos, a Igreja permitiu que as penitências públicas fossem substituídas por esmolas, cruzadas, peregrinações e outras obras que serviam para expiação dos pecados. As penas canônicas foram substituídas pelas indulgências concedidas aos que fizessem algumas boas obras ou atos de piedade. Quando eram perdoadas todas as penitências, era a indulgência plenária, e quando uma parte, a indulgência parcial. Assim, quando se diz uma indulgência plenária quer dizer que o fiel lucra um perdão de todas as penitências que deveria fazer pelos seus pecados e os castigos que deveriam merecer suas faltas com penas temporais. Uma indulgência de cem dias, por exemplo, se entende que deveria fazer cem dias de penitências por seus pecados e com uma oração recitada piedosamente ou outra boa obra pode satisfazer esta dívida que tem para com Deus. Continue a ler

Penitência pelos Mortos

São Jerônimo fazendo Penitência

São Jerônimo fazendo Penitência

Um meio de Socorrer as Almas

Meditação para o dia 15 de Novembro

Somos obrigados a fazer penitência se quisermos salvar nossa alma. Só há dois caminhos para entrar no céu: o da inocência e o da penitência. Nosso Senhor dos adverte:

“Se não fizerdes penitência, todos vós igualmente perecereis”

Ora, a penitência, além de nos ser necessária, é muito meritória, e a podemos aplicar em sufrágio das pobres almas do purgatório. Tiraremos duplo proveito: nossa santificação e o alívio das almas sofredoras.

O sofrimento junto com a prece tem uma eficácia extraordinária para alcançar de Deus todas as graças. Outrora, vemos na Escritura, quando os Profetas e o povo de Deus desejavam obter do céu misericórdia ou graças, entregavam-se aos jejuns, cilícios e austeridades. Nossa penitência aqui é muito meritória. Soframos pelos mortos!

“Aliviemos as almas do purgatório, diz São João Crisóstomo, aliviemo-las por tudo o que nos penaliza, porque Deus tem cuidado em aplicar aos mortos os méritos dos vivos”

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A Oração pelos Mortos

Sacerdotes rezando pelas Almas do Purgatório no cemitério

Saudade e Oração

Meditação para o dia 14 de Novembro

Não julguemos que lembrar nossos mortos é ter apenas deles uma saudade que aos poucos vai decrescendo em intensidade, à medida que passam os anos. Chorar nossos mortos e perpetuar-lhes a lembrança no mármore, na tela, no livro é permitido, sim. Porém, não fiquemos só nisto. Juntemos à saudade a oração. Não basta chorar, precisamos orar. E nunca se precisa tanto de oração como depois da morte. No purgatório as pobres almas estão como o paralítico da piscina que dizia a Jesus:

Hominem non habeo! Senhor, eu não tenho um homem que me lance na piscina para ser curado

Dependem aquelas almas santas de nossos sufrágios, de nossas orações e sacrifícios. Deus as entregou à nossa caridade. Sempre é eficaz a nossa oração pelas almas.

“É infinitamente mais útil e eficaz a oração pela libertação dos defuntos que padecem no purgatório, que a oração pelos pecadores da terra, cuja perversidade e más disposições paralisam os esforços para os salvar. As santas almas não põem obstáculo algum à eficácia das orações que por elas fazemos”

Tal é a opinião do piedoso oratoriano Pe. Faber. Continue a ler

A Santa Comunhão pelos Mortos

Santa Comunhão e as Almas do Purgatório

Depois da Santa Missa…

Meditação para o dia 13 de Novembro

Sim, depois da Santa Missa, não há sufrágio melhor e mais poderoso para socorrer as pobres almas que a Santa Comunhão. Escreveu São Boaventura:

“Que a caridade te leve a comungar, porque nada há tão eficaz para proporcionar descanso aos que padecem no purgatório”

É verdade que a Eucaristia como alimento espiritual é destinada aos vivos. É o cibus viatorum — alimento dos viajores, no expressivo e belo dizer da Liturgia. Tem por fim sustentar a alma na peregrinação terrena, fortificá-la na luta contra os inimigos. Como pode ser um auxílio e sufragar os mortos? Discutiram os teólogos esta questão, mas todos estão de acordo que muito mérito e muitas obras boas faz quem recebe o Corpo de Cristo e esta união íntima da alma com seu Deus a torna mais agradável e mais poderosa para interceder pelos mortos, e torna a Comunhão um dos mais poderosos e úteis sufrágios depois da Santa Missa. Dizia Tobias:

“Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo”

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A Santa Missa e o Purgatório

Santa Missa e o Sufrágio pelas Almas do Purgatório

O Maior dos Sufrágios

Meditação para o dia 12 de Novembro

Incontestavelmente, não há maior nem mais poderoso e eficaz sufrágio que possamos oferecer a Deus pelos defuntos que a Santa Missa. A Igreja não definiu muita coisa sobre o purgatório, mas o essencial das suas definições está nestes dois princípios, duas verdades de fé que somos obrigados a crer se quisermos pertencer ao grêmio da Igreja de Nosso Senhor, porque, do contrário, o anátema pesará sobre os descrentes:

O Concilio de Trento define a existência do purgatório, como já vimos, e uma segunda definição: Se alguém disser que o Santo Sacrifício da Missa não deve ser oferecido pelos vivos e os mortos, pelos pecados, penas e satisfações, seja anátema (1). Eis aí o sufrágio por excelência, o verdadeiro sufrágio que podemos oferecer a Deus pelos nossos mortos, na certeza de que é sempre eficaz e poderoso. No Sacrifício do Altar se oferece a grande Vítima e o Sacrificador é o próprio Cristo Senhor Nosso. É o mesmo sacrifício do Calvário. Tem o mesmo mérito da Cruz. Donde se conclui que as almas do purgatório recebem da Santa Missa o mesmo tesouro do Sangue Preciosíssimo de Nosso Senhor derramado na cruz e pela nossa salvação. Pode haver maior sufrágio que a Missa?

Distinguem-se quatro frutos principais do Santo Sacrifício: Um fruto geral, aplicado a todos os fiéis vivos e defuntos não separados da Comunhão da Igreja; um fruto especial, aplicado aos que assistem atualmente a Santa Missa; um fruto especialíssimo aos que mandam celebrar a Santa Missa, e um fruto ministerial, que pertence ao celebrante e é inalienável. Continue a ler

O Purgatório e as Almas consagradas a Deus

Santa Francisca Romana

Santa Francisca Romana

Maior Responsabilidade

Meditação para o dia 11 de Novembro

Sim, todos os que se consagraram ao serviço de Nosso Senhor assumiram tremendas responsabilidades com a consagração ou os votos que fizeram. Receberam mais luzes e graças do que os simples fiéis. Foram privilegiados pela vocação, que os colocou num plano superior. Muitas graças e privilégios, sim, porém muitas e tremendas responsabilidades. Hão de dar contas mais severas a Nosso Senhor.

Que zelo não devem ter para conservarem a pureza de consciência e evitarem todo pecado, ainda o mais leve!

Santa Francisca Romana, cujas visões do purgatório são bem conhecidas, dizia ter visto no fundo do abismo as almas consagradas a Deus, e que padeciam no purgatório e abaixo, muito abaixo dos leigos. As penas, dizia ela, eram proporcionadas à dignidade e à posição que ocupavam na Igreja.

As visões de Santa Francisca são confirmadas por muitas outras idênticas de outros santos e almas eleitas, que sempre atestam o rigor com que a divina Justiça pune no purgatório as faltas e imperfeições dos seus eleitos. Continue a ler

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