Sumário. O amantíssimo Jesus não quis pela morte ficar separado dos seus fiéis; e por isso instituiu o Santíssimo Sacramento. Já que o Senhor, para nos patentear o seu amor, quis ficar continuamente conosco sobre os altares, também nós, para lhe patentear o nosso amor, devemos visitá-lo frequentemente, e expor-lhe as nossas necessidades. Permaneçamos o mais tempo possível diante do Tabernáculo, e pelo nosso fervor procuremos reparar as muitas ingratidões que Jesus recebe da parte dos homens. Todos os santos acharam cá na terra o seu paraíso na presença de Jesus sacramentado.Ecce ego vobiscum sum omnibus diebus, usque ad consummationem saeculi — “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20)

Capítulo V
Escreve o grande Santo e grande gênio que foi Santo Agostinho:Estas palavras são tão preciosas, tão claras, que ninguém ousaria deturpar-lhes o sentido. São João Crisóstomo não é menos claro:«Na Missa o Sangue de Jesus Cristo corre pelos pecadores»
Estas palavras do Santo Doutor podem talvez ser comentadas com estas outras de Kisseli:«O Cordeiro de Deus imola-Se por nós. O Seu sangue, saído do lado atravessado do Salvador, espalha-se de uma maneira mística sobre o altar e derrama-se no cálice para nos purificar»
«Cristo derramou uma só vez o Seu sangue de uma maneira visível e dolorosa. Esta efusão renova-se cada dia na Santa Missa de uma maneira invisível, como se as mãos do Salvador fossem de novo feridas, os Seus pés trespassados, o Seu coração aberto. Nós podemos aplicar-nos os Seus méritos infinitos pelos nossos desejos ardentes, pelo arrependimento, pela penitência, pela Santa Comunhão, mas nunca mais eficazmente que pela Missa»
Meditação para o Dia 05 de Outubro
Só o Pão dos Anjos nos sustenta e nos dá força quando nos chega o pão da dor. A Eucaristia e a cruz vivem unidas. A Eucaristia é o sacramento do amor e sem a cruz não se vive no amor. Não se ama sem sofrer. Ninguém precisa tanto da comunhão como o que padece. Dizia uma santa carmelita que a comunhão de tudo consola o penitente. Na primitiva Igreja, os primeiros cristãos comungavam cotidianamente nas catacumbas e, com o sorriso nos lábios, ofereciam generosamente a Deus todo sacrifício, todas as dores, o próprio sangue. A Eucaristia lembra-nos o Grande Sacrifício do Calvário e nos fala com eloquência da cruz, do sofrimento.Meditação para o Dia 01 de Junho
Um dia, Nosso Senhor, cheio de ternura e de compaixão pelos sofrimentos que nos acabrunham, abriu seus braços, num gesto de amor, e exclamou:Que bondade do coração de Jesus! Quer consolar-nos a aliviar-nos das amarguras da vida. E são tantas! Que nos há de consolar neste mundo?“Vinde a mim, vós que sofreis e estais sobrecarregados, e Eu vos aliviarei” (1)
“Os homens - diz Jó – são consoladores importunos. Só Nosso Senhor, só Ele,Bondade Infinita, Abismo insondável de misericórdia, pode aliviar-nos do peso quase insuportável dos sofrimentos da vida!”

Por Dom Henrique Soares da Costa
Eis, caríssimos Irmãos, o sentido desta hodierna Solenidade: celebrar com a Igreja, celebrar como Igreja o Cristo, Pão vivo, Pão vivente, que nos dá a Vida divina, Vida que é o próprio Santo Espírito! Nunca esqueçamos: no santíssimo Sacramento da Eucaristia, o próprio Senhor Jesus Cristo, imolado e ressuscitado, está realmente presente nas aparências do pão e do vinho, cheio de Espírito Santo, Espírito de Ressurreição, a ponto de a Escritura exclamar:“Hoje a Igreja te convida:/ o Pão vivo que dá Vida/ vem com ela celebrar”.
Pois bem: quem comunga com o Corpo e Sangue do Senhor, recebe a Vida Eterna, isto é, o Espírito Santo, que nos cristifica, nos preparando para a Vida imperecível na Glória!“O Senhor é o Espírito!” (2Cor 3,17)
Meditação para o Dia 29 de Dezembro
1. "E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto que era como se lhes havia dito". Não era para estranhar que os pastores, sendo agraciados com a vinda e o canto dos anjos e ainda com a visita ao presépio, distinguidos a tal ponto, mostrassem sua gratidão. O mesmo Jesus está continuamente esperando tua visita no tabernáculo. No presépio ocultou Sua divindade; aqui o faz também, ocultando ainda Sua humanidade, mas não deixará de dar-te as mesmas graças que dispensou aos pastores, se vieres e voltares com as mesmas disposições santas.
De que modo Nosso Senhor está presente na hóstia, pois que não é aí percebido pelos sentidos?
Responde a teologia que o Senhor está presente na hóstia a modo de substância. E, como a substância dos seres foge à percepção dos sentidos, assim não pode Cristo ser aí percebido. Precedentemente dissemos que Jesus está aí presente a modo de espírito, o que exprime a mesma verdade teológica. Somente devemos precaver-nos de supor que presença a modo de espírito exclua a presença do Corpo de Nosso Senhor. É exatamente o Corpo de Cristo que está aí de modo espiritual, isto é, fora das leis ordinárias a que se sujeitam os corpos e, antes, regendo-se por leis que regem os espíritos. É o Corpo de Cristo que aí está, porém a modo de espírito. Como a terminologia estar presente a modo de espírito pode induzir o leitor não atento ao erro contra que o premunimos, a maioria dos teólogos com Santo Tomás prefere dizer que Cristo está presente na Eucaristia a modo de substância.