Por Dom Henrique Soares da Costa
“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, Eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra!”Sejamos sinceros: um cristão deveria ficar inquieto com tais palavras, afinal nós não mais observamos a Lei de Moisés: não nos deixamos circuncidar, não guardamos o sábado, não fazemos restrições alimentares, distinguindo entre alimento puro e impuro... E agora: como nos haveremos com a palavra tão clara de Jesus?
Por Dom Henrique Soares da Costa Hoje, no Evangelho, escutamos umas frases de Jesus que nos são velhas conhecidas, tão velhas, que é arriscado não significarem muita coisa: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – diz-nos o Senhor! Pois bem, com unção e humildade, como se escutássemos pela primeira vez, escutemos, procuremos compreender e acolhamos essas afirmações, para encontrarmos nelas a Vida e vivermos de verdade!
Por Dom Henrique Soares da Costa A Liturgia da Palavra deste hoje apresenta-nos as Bem-aventuranças, uma das mais belas páginas da Escritura e o que de mais doce há nas palavras de Nosso Senhor. Mas, essas Bem-aventuranças são um doloroso escândalo para nós!
Sejamos sinceros: elas parecem um sonho lindo, mais irreal e impraticável! O texto de São Mateus nos diz que Jesus subiu ao Monte, como Moisés, no Antigo Testamento, do alto do Monte Sinai deu a Lei aos judeus. Jesus senta-se, como um Mestre, não na cátedra de Moisés, mas na Sua própria cátedra... Os discípulos se aproximam para escutar; e o Mestre lhes ensina, a eles, e a nós, que agora, sentados, buscamos compreender a Palavra do Senhor...
Por Dom Henrique Soares da Costa A Palavra do Senhor que a nossa Mãe católica nos faz escutar neste Domingo apresenta-nos duas realidades aparentemente contraditórias, mas, na verdade, complementares. Primeiro um olhar para os que estão fora do Povo de Deus. É o caso do oficial romano do Evangelho de hoje. Ele era um pagão, oficial de um exército ímpio, que oprimia duramente o povo de Israel. E, no entanto, esse homem era amigo dos judeus, era temente ao Deus de Israel, a ponto de ajudar decisivamente na construção da sinagoga local. Mais ainda: vê-se, no seu modo de reportar-se ao Senhor Jesus, tanta humildade, tanta benignidade de coração, que ele merece o elogio do Senhor e é um exemplo para todos nós! Vede, Irmãos, que temos muito a aprender com esse pagão!
Antes de tudo, duas observações: (1) A Palavra de Deus, neste Domingo, apresenta-nos um contraste muito forte entre escuridão e luz: escuridão da noite do Pai Abraão e luz do Cristo transfigurado; (2) Chama atenção, num tempo tão austero como a Quaresma, um evangelho tão esfuziante como o da Transfiguração. Não cairia melhor na Páscoa, este texto? Por que a Igreja o coloca aqui, no início do tempo quaresmal?
Neste início de Quaresma, a liturgia faz-nos pensar na Páscoa. Isto porque o tempo quaresmal não é um fim em si mesmo, mas é caminho de luta e combate espiritual para bem celebrarmos, com o coração dilatado, a Páscoa do Senhor, maior de todas as festas cristãs. Na primeira leitura, o Deuteronômio apresenta-nos o rito de oferta das primícias da colheita: ao apresentar ao Senhor Deus o fruto da terra, o israelita piedoso confessava que pertencia a um povo de estrangeiros e peregrinos, vindos do Pai Jacó, que não passava de um arameu errante. O israelita fiel recordava diante de Deus a história de Israel, história de escravidão e de libertação:
