
Meditação para a Décima Terceira Quinta-feira depois de Pentecostes
Vigésima Primeira razão de sermos Humildes
SUMARIO
Meditaremos sobre uma vigésima primeira razão de sermos humildes, e é: 1.° Que o amor-próprio é uma loucura; 2.° Que esta loucura nos tira o juízo no modo de proceder. — Tomaremos depois a resolução: 1.° De expulsar, logo que o advirtamos, toda a complacência em nós mesmos e todo o desejo da estima; 2.° De nunca faltarmos em nosso favor, e de aceitarmos de boamente as humilhações que nos sobrevierem. O nosso ramalhete espiritual será a palavra dos livros santos:"Onde ha humildade, aí há igualmente sabedoria" - Ubi est humilitas, ibi est sapientia (Pr 11, 2)






TEM o mundo moderno um estranho amor ao subterrâneo... às caves profundas e escuras da existência humana, à introspecção, à análise das regiões subconscientes da nossa vida. Esta atração é, em parte, uma reação contra o extremo oposto. Há cem anos, julgavam os homens que a sua vida alcançara um novo e mais alto escalão. Falavam dum progresso fatal, da vitória sobre a morte, da transformação dos homens em deuses, da conversão da terra num Paraíso. Agora, a presunção dos nossos antepassados deu lugar ao desespero atual. O homem, que sofreu a vertigem duma altura artificial, caiu no abismo do mais terrível desespero. O seu entusiasmo desmedido degenerou em tédio, a sua esperança em prazeres mais intensos deu lugar à saciedade, a sua demasiada complacência em inebriantes expectativas abriu caminho à náusea.