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Os Vasos Sagrados

Os Vasos Sagrados

Capítulo XVI

O sacerdote, ao dirigir-se para o altar, leva nas mãos os objetos que servem no Santo Sacrifício. Estes igualmente têm cada um a sua significação mística.

Os principais vasos sagrados usados no serviço divino são os seguintes: o cálice, a patena, o cibório ou píxide, e o ostensório ou custodia.

O cálice é de todos o mais importante, porque é nele que o vinho se transforma no Sangue de Jesus Cristo. É impossível saber ao certo a matéria e a forma dos vasos de que se serviram Jesus e os Apóstolos na Última Ceia.

O Cálice recorda simultaneamente o cálice de dores, que Jesus bebeu até às fezes no Jardim das Oliveiras, quando na Sua tremenda agonia pediu ao Eterno Pai que retirasse dos Seus lábios o cálice amaríssimo da paixão, e o sepulcro em que foi depositado o seu corpo.

Antigamente os cálices fabricavam-se de pedra, de vidro, de madeira, de bronze, de barro e até de pedras preciosas. Entre os donativos feitos pelo Papa Victor III ao mosteiro do Monte Cassino, figuram dois cálices de ônix. Eram também vulgares os cálices de marfim. Modernamente a disciplina da Igreja prescreve que o cálice, ou ao menos a copa, deve ser de ouro ou de prata e dourado no interior. Nas igrejas extremamente pobres pode ser de estanho. Parece que data do concílio de Reims, em 813 o decreto que estabelece não poderem ser senão de ouro ou prata o cálice e a patena. O cálice deve ser consagrado pelo bispo com o santo crisma e esta consagração tem de ser renovada todas as vezes que o interior da copa é dourado de novo.

A Pala de linho, que o sacerdote põe sobre o cálice, representa a pedra quadrangular do sepulcro.

A Patena de prata, com que é coberto o cálice, significa a urna que continha os perfumes necessários para a embalsamação.

A patena é um pequeno prato de ouro ou prata dourada, que se coloca de modo a tapar a boca do cálice, e sobre o qual se põe a hóstia que há de ser consagrada. Antigamente a patena era muito maior que a atual, porque devia conter todo o pão eucarístico distribuído aos fiéis. A patena deve ser também consagrada pelo bispo.

O Corporal, pano quadrangular de linho, sobre o qual o celebrante coloca a Hóstia consagrada, lembra o santo sudário que José de Arimateia comprou para envolver o Corpo de Jesus.

O Purificatório ou Sanguíneo, representa os panos que serviram para o enterro do Salvador.

O Véu do cálice é a figura do véu do Templo, que se rasgou do alto a baixo quando Jesus expirou.

As duas Galhetas simbolizam os dois vasos com o fel e vinagre oferecido ao Filho de Deus, quando teve sede.

Assim paramentado o sacerdote representa Jesus na sua Paixão. Vemos que cada objeto usado no Sacrifício da Missa fala eloquentemente do sacrifício do Gólgota.

O Cibório deriva o seu nome da palavra latina, cibus, alimento, porque é destinado a conter as Sagradas Partículas que devem ser distribuídas aos fiéis. É um cálice mais curto que o da Missa e de copa mais larga. Quando contém a Sagrada Eucaristia, o cibório deve estar sempre fechado no sacrário, salvo quando é necessário purificá-lo ou distribuir aos fiéis o Pão da Vida.

O Ostensório ou Custódia é uma peça de ourivesaria, em que a Sagrada Hóstia é exposta à adoração dos fiéis em dias de solenidade. O uso da custódia data da origem da Festa do Corpus Christi, instituída em Liège (Bélgica) em 1246.

Os vasos sagrados, destinados a conter o Corpo e Sangue de Jesus são para a Igreja objeto da mais profunda veneração. É rigorosamente proibido aos leigos tocar-lhes. Quando, por qualquer motivo imperioso, lhe é permitido tocar nos vasos sagrados, deve o leigo fazê-lo pondo uma luva ou cobrindo a mão com um pano limpo.

Deus castiga com rigor os que profanam o seu santuário e especialmente os vasos que contêm o seu Corpo Santíssimo. Lemos na Sagrada Escritura que um homem morreu instantaneamente por haver ousado por mão na Arca da Aliança. Os betsamitas, por terem olhado com menos reverência a Arca, foram feridos de morte em número de muitos milhares.

E todavia a Arca continha apenas o testemunho da aliança de Deus com o seu povo. Que diremos dos vasos, que contêm o Corpo e o Sangue divinos?

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(E.D.M, Padre Paul Henry O’Sullivan. As Maravilhas da Santa Missa. Lisboa, 1925, p. 110-112)

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