Última Ceia
Por Dom Henrique Soares da Costa
Para pensar, inspirado nos Santos Padres da Igreja (São Leão Magno, Santo Ambrósio, São Cirilo de Jerusalém, etc)

O que era visível no nosso Redentor?

– Seus gestos, milagres, Seus atos salvíficos – passou agora para os Santos Mistérios, isto é, os Santos Sacramentos da Igreja, de modo particularíssimo no santo Sacrifício Eucarístico.

Nos gestos litúrgicos, nos sagrados ritos, a ação salvífica de Cristo Jesus continua fazendo-se presente no aqui e no hoje de nossa vida e da vida do mundo.

Dito de modo bem claro: os gestos e milagres do nosso Salvador, enquanto estava neste mundo, alcançaram um número bem restrito de pessoas: aqueles que viveram na Galileia e na Judeia dos tempos da pregação de nosso Senhor.

Pois bem, esses gestos, palavras e milagres eram preparação para os gestos e palavras definitivos, definitivamente cheios de Força salvadora – que é o Espírito Santo – e seria dado à Igreja como fruto do Mistério Pascal.

Explicando

Jesus curou alguns cegos… Porque depois iria curar a cegueira da humanidade de todo tempo e lugar pelo Batismo.
Jesus alimentou a multidão… Porque iria dar a todo aquele que crê o Seu Corpo e Sangue, alimentos de Vida divina, eterna.
Jesus limpou leprosos… Porque iria conceder nos sacramentos a limpeza dos pecados.
Jesus ressuscitou mortos… Porque iria nos dar a Vida eterna, que é o Seu Espírito, como graça sacramental.
Jesus expulsou demônios… Porque pelos gestos sacramentais iria nos livrar da ação diabólica.

Em resumo

Toda a atividade salvífica do Senhor agora é disponível de modo definitivo, pleno, soberano, cheio de Espírito Santo, a toda a humanidade, de todos os tempo e lugares.

Até mesmo os que viveram antes da primeira vinda do Senhor e também os que hoje, por ignorância e impossibilidade invencíveis, não puderam ou não podem crer Nele, recebem, de certo modo, na medida que só o Senhor conhece, a graça dos sacramentos celebrados pela Igreja, povo sacerdotal em benefício do mundo inteiro!

Nunca esqueçamos que o Sacrifício eucarístico, ápice, síntese, ponto focal de toda a ação vital da Igreja, é celebrado em benefício da criação inteira, pela humanidade toda, de todos os tempos e lugares!

Assim, na Liturgia a salvação acontece como obra única e sempre nova do Sumo e Eterno Sacerdote Jesus Cristo nosso Deus.
A Liturgia é ação salvífica de Cristo Senhor; a esta ação santíssima e divina, o Senhor, Cabeça e Esposo da Igreja, une gratuita e benevolamente o Seu Corpo e Sua Esposa, a Igreja, para que esta participe de Sua obra salvífica.

Nunca percamos isto de vista: a Liturgia é, primordialmente, obra de Cristo Deus humanado!
Somente num segundo momento é obra da Igreja: ela é unida a Ele, ela participa da Sua obra santificadora!

Pense, portanto, no verdadeiro crime que é adulterar os gestos, palavras, ritos e símbolos da sagrada Liturgia: trocam-se os gestos salvíficos de Cristo pelas pantomimas humanas, ao gosto das modas e das subjetividades!

Que lástima! Mata-se a Igreja na sua alma!