Category: As Chamas do Amor de Jesus de D. Pinnard (page 2 of 5)

Belíssimo livro de 1923 que testemunha as provas do ardente amor de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Jesus expira

Maria e João aos pés da Cruz

Capítulo XXXVII

Et inclinato capite, tradidit spiritum – “E baixando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19, 30)

Nosso Senhor já tinha perdido quase todo o sangue: estava todo abatido pelos tormentos que sofrera. O peito ía-se-lhe comprimindo, e a respiração tornando-se difícil; e como não estava deitado no leito, mas suspenso no ar pelos cravos que rasgavam os pés e as mãos, não tinha momento de repouso, e suas dores eram imensamente superiores ás que ordinariamente os homens sofrem em sua agonia: porque em nós a ponta da dor embotando-se ás aproximações da morte, cessamos de sentir, à medida que vamos perdendo o conhecimento; mas o nosso doce Salvador teve sempre o juízo perfeito até ao ultimo suspiro, e não cessou de sofrer senão quando deixou de viver (1). Alguns momentos antes de entregar a alma, sua cabeça se inclinou, os olhos começaram a eclipsar-se, e os lábios a ficarem frios e lívidos. Pouco depois, tornou a levantar a cabeça e os olhos ao céu, soltou um grande brado, e deixando segunda vez cair a cabeça sobre o peito, expirou!!!… Continue a ler

Nosso Senhor recomenda sua alma a seu Pai

Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito

Capítulo XXXVI

Pater, in manus tuas commendo spiritum meum – “Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito” (Jo 23, 16)

Tudo quanto nosso Senhor disse ou fez em sua vida mortal, tudo disse e fez não só para nos testemunhar o seu amor, mas ainda para instruir-nos. Assim nem uma só palavra pronunciou, que, bem meditada, não sirva para conduzir-nos a uma maior perfeição. Detenhamo-nos pois a considerar as que acaba de dirigir ao seu Pai celeste:

“Meu Pai, lhe diz, em vossas mãos encomendo o meu espírito”

É como se dissera: Meu Pai, a vós me abandono sem reserva. Cumpri sobre a terra tudo o que de mim exigíeis, e só morrer é o que me resta; mas se todavia quereis ainda que a minha alma permaneça no corpo para mais sofrer, à vossa vontade me abandono; se quereis que passe desta à outra vida para entrar na gloria e receber a recompensa dos meus trabalhos, à vossa santa vontade igualmente me abandono; eis-me aqui pronto a fazer tudo o que vos aprouver dispor de mim. Oh! Que belo exemplo de abandono a Deus e de completa resignação à sua vontade! Oh! Que admirável preparação para a morte! Continue a ler

Da sexta palavra que Jesus pronunciou na cruz

"Consumatum est" - Tudo está consumado

Capítulo XXXV

Cum accepisset Jesus acetum dixit: Consummatum est – “Jesus havendo tomado vinagre, disse: Tudo está consumado” (Jo 19, 30)

O nosso Jesus, chegado que foi o momento de exalar o ultimo suspiro, disse em voz moribunda:

“Tudo está consumado”

Ao pronunciar esta palavra, Jesus repassou em seu pensamento todo o curso da sua vida, viu todas as fadigas que padecera, a pobreza, as dores, as ignomínias que sofrera, e as oferecera todas de novo a seu Pai pela salvação do mundo. Depois, tornando a nós disse: Consumatum est, como se dissera: Homens, tudo está consumado, tudo está cumprido: está acabada a obra da vossa redenção, satisfeita a justiça divina, aberto o paraíso; e eis o vosso tempo, o tempo dos que amam. Continue a ler

Da sede de Jesus sobre a Cruz

"Tenho sede" - Paixão de Cristo

Capítulo XXXIV

Sitio – “Tenho sede” (Jo 19, 29)

Avizinhava-se o nosso divino Salvador do seu ultimo momento; breve estava a cumprir a obra da nossa redenção, morrendo por nós na cruz, quando sentindo-se interiormente abrasado dos ardores de uma sede violenta causados pelas dores extremas que sofria há vinte horas, exclamou:

“Tenho sede”

Pois como! Senhor, então a sede causa-vos mais dores que a cruz? Uma arranca-vos suspiros, da outra nem sequer falais. Que sede pois é essa que tanto vos atormenta! Ah! Bem vos entendo; é o ardente desejo que tendes da minha salvação, do meu adiantamento espiritual. Dizeis-me com todo o afeto:

“Meu filho, tenho sede do teu amor; vem, vem aliviar-me”

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Jesus é desamparado de Deus seu Pai

Capítulo XXXIII

Deus meus, Deus meus, ut quid dereliquisti me? – “Deus meu, Deus meu, porque me abandonastes?” (Mc 15, 34)

Profundas trevas cobriam milagrosamente a face da terra; toda a natureza, à vista do seu Deus moribundo, estava na consternação e pasmo… E Jesus há três horas guardava um profundo silencio. De súbito exclama com uma voz forte:

“Deus meu! Deus meu! Porque me desamparastes?…”

Ó meu Jesus! Que cruéis não deviam ser as vossas dores, que de alguma sorte vos forçaram a vós, tão doce, tão resignado, tão paciente, vos lastimardes ao vosso Pai!
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Jesus, antes de morrer, dá-nos Maria por Mãe

Maria e João aos pés da Cruz

Capítulo XXXII

Cum vidisset Jesus matrem et discipullum statem quem diligebat: dicimatri sua: Mulier, ecce filius tuus; deinde dicit discipulo: Ecce mater tua – “Tendo Jesus visto a sua Mãe, e ao pé dela o discípulo que amava, disse a sua Mãe: ‘Mulher, eis ai o teu filho’; disse depois ao discípulo: ‘Eis ai a tua Mãe'” (Lc 19, 26. 27)

Chegava o momento em que Jesus resolvera dar o ultimo suspiro: este divino Salvador ia dar por nós as sua vida. Já nos havia legado as suas instruções, os seus exemplos, os seus méritos; já se entregava a nós para ser o alimento das nossas almas; nada mais faltava, ao que parece, e Jesus podia expirar com a convicção de que por nós esgotara todos os tesouros da sua ternura. Mas o amante coração deste bom Mestre compreende que nos não deixará ainda sem mãe. Ó doce Jesus! Vós sabíeis, vós, tão doce e tão terno, sabíeis o que é uma mãe; sabíeis o quanto é doce repousar sobre ela o cuidado de quanto nos diz respeito; sabíeis que precioso tesouro é uma terna mãe, e quisestes deixar-nos uma. Eis como se passou: a santa Virgem e São João estavam ao pé da cruz: nosso Senhor lançou os olhos sobre eles e diz a sua santa Mãe: “Mulher, eis ai o teu filho”; diz depois a São João: “Eis ai a tua Mãe”. Ora não é somente a São João que dirigiu estas palavras: é a todos os cristãos, é a vós que ledes estas linhas, a mim que as escrevo, que são dirigidas estas palavras, e que nos diz apresentando- nos Maria:

“Eis ai a vossa Mãe”

Que dita para nós termos tal mãe!

Maria é Mãe de Deus; Maria é ao mesmo tempo minha Mãe”, de mim, pobre pecador. Oh! Que confiança! Não devo ter nela! ela é onipotente junto a seu Filho; uma só de suas orações é, de alguma sorte, Uma ordem para Jesus, que não lhe recusa nada. Ela é minha Mãe! Ama-me, quer a minha salvação! Oh! Torno a repetir, que confiança não devo depositar nela.

“Maria é a nossa Mãe! Maria é a nossa Mãe!”

Repitamos incessantemente estas tão doces, tão consoladoras palavras:

“Maria é nossa Mãe!”

Que felicidade para os que vivem sob a proteção de uma mãe tão terna e tão poderosa! Quem ousará vir arrancar do seio de Maria os filhos que nele procuram um asilo contra o furor dos seus inimigos? Que paixão, que tentação tão furiosa os poderá vencer, se na proteção de uma tal mãe põe a sua confiança?

Ó mãe amabilíssima! Mãe compassiva, sejais sempre bendita; igualmente seja bendito Deus que a vós nos deu por mãe! A santa Virgem revelou a Santa Brigida que, assim como uma mãe, se visse o seu filho prestes a ser vitima de um ferro inimigo, exporia a sua vida para o salvar; assim, disse ela, obro e sempre obrarei para com os meus filhos, bem que pecadores, todas as vezes que recorrem à minha misericórdia. Assim, não duvidemos, em todos os combates com o inferno, sempre sairemos vencedores, se recorrermos a Maria, nossa Mãe, dizendo-lhe do fundo do coração com a Igreja: Sub tuim præsidium confugimus, sancta Dei Genitrix. Oh! Quantas vitórias não têm sido ganhas sobre o inferno, por meio desta curta mas eficaz suplica! Uma grande serva de Deus, sóror Maria do Crucifixo, beneditina, não recitava outra para por em fugida o demônio.

Regozijai-vos, pois, ó vós que sois filhos de Maria: sabeis que ela aceita por seus filhos todos os que querem sê-lo. Regozijai-vos, e enchei-vos de confiança; quem ama a doce Maria, e confia em sua proteção, deve reanimar-se e dizer:

“Que temes, ó minha alma? O processo de tua eterna salvação não pode deixar de ter um feliz resultado, a sentença está nas mãos de Jesus teu irmão, e de Maria tua mãe”

Este pensamento oferecendo-se ao espírito de Santo Anselmo, o fazia exultar de alegria:

“Ó feliz confiança”, exclamava, “ó refúgio seguro! A mãe de Deus é minha mãe! Com que certeza não devemos esperar, pois que a salvação depende do melhor dos irmãos e da mais terna das mães!”

Os pequeninos têm sempre a boca na mãe; ao menor perigo que o£ ameaça, ao mais leve susto, levantam logo a voz; e gritam:

“Minha mãe! Minha mãe!”

Ai! Doce e terna Maria! É o que vós quereis também de nós; quereis que como meninos, vos chamemos sempre nos perigos, sempre recorramos a vós. É isso, pois, ó! Que doravante proponho fazer; vinde em meu socorro.

Maria é a nossa luz, o nosso facho, a nossa estrela, a nossa guia no tempestuoso mar deste mundo.

“Ó homem, exclama São Bernardo, queres escapar a um triste naufrágio? Volta os olhos a Maria, fixa a vista nesta estrela benéfica, invoca a Maria em todos os perigos, em todos os revezes; nas mais criticas circunstâncias da vida, pensa em Maria, invoca a Maria. Em tua boca esteja sempre o seu nome, nunca saia do teu coração. Seguindo-a não te perderás; suplicando-a, não cairás no desespero. Se te sustem, não cairás; se te protege, nada tens a temer; se te é favorável, chegarás ao porto da salvação”

Ó doce Maria! Minha terna mãe, quero sempre recorrer a vós, sempre amar-vos, sempre invocar o vosso santo nome. Ah! Minha boa mãe! Minha amável senhora! para gloria do vosso nome, vinde ao encontro da minha alma quando sair deste mundo, e dignai-vos recebe-la em vossos braços. Vinde consola-la então com a vossa doce presença; sede para ela a escada e o caminho do paraíso. Obtende-me a graça do perdão e da felicidade eterna.

“Maria é nossa mãe!”

Meu Deus! Que encantos tem este nome de Mãe! Como é doce! Quanto tocante! Basta prenunciá-lo para o coração se dilatar. Oh! Sim, Maria é nossa mãe, gerou-nos a todos sobre o Calvário ao pé da cruz, quando, na amargura do seu coração, ofereceu ao Padre eterno a vida do seu bem amado Filho, para a nossa Salvação; sim, ela é nossa mãe, não pela carne, mas pelo amor que nos tem. E que mãe ama os seus olhos como Maria nos ama? Quem poderia explicar a veemência da sua ternura para conosco, pobres miseráveis? O amor que aos seus filhos todas as mães tem não passa de uma sombra à vista do que tem Maria a um só de nós. Ela só ama-nos mais do que todos os anjos e santos juntos, e isto apesar dos nossos pecados e frouxidões em seu serviço. Nem os maiores pecadores são excluídos do seu amor; está sempre pronta a socorrê-los. Visto como Maria nos ama com uma tão viva ternura, ficaremos insensíveis ao seu amor? Não, certamente; longe, longe de nós a ingratidão!

“Amor pois a Maria, amor à nossa mãe, mas amor imortal!”

“Amor para sempre! porque sempre somos miseráveis e Maria sempre compassiva”

“Amor para sempre! porque sempre somos fracos, sempre expostos aos assaltos do inferno e do mundo, e Maria sempre forte por Aquele que venceu o inferno e o mundo, sempre o nosso sustentáculo”

“Amor para sempre! porque Maria será sempre amável, e apesar da nossa indignidade, nunca ces¬sará de nos cingir da sua maternal solicitude”

“Façamos melhor ainda; afim que Maria nos abrase de um verdadeiro e ardente amor de Jesus, todos à porfia confiemos à sua ternura a guarda dos nossos corações; e, confiando que esta mãe incomparável os adornará como convém para o amor do celeste Esposo, cada um de nós se tenha por feliz de poder dizer na vida e na morte:

‘O meu coração não é meu, o meu coração é de Maria’
— (Mês de Maria, pelo snr. Abbade Guillou)”

Ó Jesus! Ó melhor de todos os meus amigos! Que poderei fazer para dignamente vos agradecer a bondade com que quisestes dar-nos Maria por Mãe? E vós, ó Maria! como reconhecerei tantos distintivos da ternura que me heis prodigalizado? Ah! amar-vos-ei a um e outro de todo o meu coração. Mas ai! Que é o amor de uma pobre e misera criatura tal como eu? É digno de se vos apresentar? Não, Sem duvida; todavia, ó Jesus e Maria! cheio de confiança em vossa compassiva misericórdia, que a ninguém rejeita, amar-vos-ei de todo o meu coração. Sim, sim, amar-vos-ei, ó Jesus! fazei descer o vosso amor à minha alma, inebriai-a desse amor puro; concedei-me a graça de não sair desta vida senão quando houver feito de vós o meu único desejo e for-me impossível amar outra coisa fora de vós. Fazei até, ó Deus meu! que esta palavra “amar”, não a pronuncie a minha boca senão para vós só, pois que exceto vós, tudo fenece, perece tudo, é tudo um nada. Ah! Puríssima Maria, doce Maria! fazei que doravante o vosso nome seja a alma da minha vida. Apressai-vos a me socorrer todas as vezes que vos invocar. Ó Jesus! Ó Maria! Meus amores! Vivam sempre os vossos doces nomes em mim e em todos os corações. Ah! Eu vos suplico, quando me achar no artigo de morte, no momento em que minha alma tiver de sair desta vida, concedei-me por vossos méritos a graça de consagrar os meus últimos acentos a repetir:

“Eu vos amo, Jesus e Maria! Jesus e Maria, dou-vos o meu coração e a minha alma”
Assim seja.

RESOLUÇÕES PRÁTICAS

Devoções a Maria

A devoção a Maria, meu caro Teótimo, é a devoção dos santos. Como todos os livros dela faliam, contentar-me-ei com te indicar as práticas de devoção para esta boa Mãe, que são as mais simples e úteis.

1. O Rosário

Sê-lhe fiel, não se passe um só dia sem dizeres, pelo menos, duas dezenas. Quando te deitares, passa as contas em volta do pescoço e pede a Maria que te tome sobe sua proteção.

2. A Ave-Maria

Todos os dias, de manhã e à noite dize de joelhos três Ave-Marias; juntando a cada uma: Por vossa pura e Imaculada Conceição, ó Maria, purificai o meu corpo e santificai a minha alma. Pede em seguida a Maria a sua bênção maternal, e coloca-te debaixo de sua especial proteção no dia ou na noite que segue. Quando ouvires soar horas, ao sair ou entrar em casa, antes ou depois de cada uma de tuas ações, recita a Ave-Maria. Ao despertar de manhã, ao fechar os olhos para dormir, a cada tentação, em cada perigo, em qualquer movimento de impaciência, etc., dize a Ave-Maria. Meu caro Teótimo, pratica esta devoção e verás que utilidade tirarás.

3. O Angelus

Faze por nunca te escapar o recita-lo de manhã, ao meio dia e à noite, ao toque do sino; não permitas que o respeito humano te o impeça. Mas, basta recita-lo uma só vez no dia para ganhar a indulgência plenária no fim do mês.

4. As Novenas

A mais agradável devoção à Santa Virgem é a imitação das suas virtudes. Propõe-te pois em cada novena imitar uma de suas virtudes, a mais adaptada ao mistério. Assim na festa da Conceição, a pureza de intenção; na da, Natividade, o renovamento do espírito, expelindo a tibieza; na Apresentação, o desprendimento da coisa a que estás mais apegado; na Anunciação, a humildade e amor do desprezo; na Visitação, a caridade para com o próximo, dando esmolas ou ao menos orando pelos pecadores; na Purificação, a obediência aos superiores; na Assunção, o desapego e a preparação para a morte, procurando viver como se cada dia fora o ultimo da tua vida. Deste modo produzirão em ti as novenas grandes resultados e felizes frutos de santidade.

5. O Jejum

Todos os sábados jejua em honra de Maria, se te o permite o confessor; senão faze algum ato de mortificação.

6. O Escapulário

Traze com respeito o escapulário ou a medalha da Imaculada Conceição.

7. Recorra à Maria

Toma o habito de recorrer a miúdo à Santa Virgem, e pronunciar com amor o seu santo nome.

“Jesus e Maria! Jesus e Maria!”

Tanto poder têm estas palavras que põem em fugida o inferno logo que se pronunciam com fé e confiança (1).

Convém notar, meu caro Teótimo, que as praticas que te propus não são preceitos que te obriguem debaixo de pecado; são simples conselhos que te dou para que mais facilmente possas honrar a Maria e merecer por este meio a sua santa proteção. Tão pouco te digo que te sobrecarregues de todas estas práticas de devoção; contento-me com t’as pôr diante dos olhos; a ti compete com prudência escolher as que mais úteis te forem. Mas uma coisa te recomendo e é que te faças inscrever em alguma congregação ou confraria de Santa Virgem, e cumprir exatamente todos os seus exercícios. Por isso obterás muitas graças preciosas, muitos pecados evitarás; pois, no sentir de Santo Afonso de Ligório, há, regularmente falando, mais pecados numa pessoa que não segue os exercícios duma congregação, do que em vinte que a frequentam. Recomendo-te também a devoção do Rosário Vivo, porque produz abundantes frutos de salvação por toda a parte onde se estabelece.

Meu caro Teótimo, ama a Maria, ama-a sempre como um menino ama a sua mãe; não te poupes a nada para lhe ser agradável; tem sempre confiança em sua bondade e misericórdia, que ela te obterá o perdão dos teus pecados. Ama a Maria, que ela te porá ao abrigo de todos os perigos que nesta terra de exílio corres. Ama a Maria, e ela pedirá para ti a seu Filho todas as graças de que tens necessidade. Ama a Maria, e no momento da tua morte ela te virá consolar nas tuas penas e sustentar-te contra os perigosos assaltos dos inimigos da tua salvação. Ama a Maria, e ela um dia te abrirá as portas do céu.

ORAÇÃO A MARIA, NOSSA MÃE

Ó Maria! Mãe Santíssima! Como é possível que tendo uma mãe tão santa, seja tão perverso? Tendo uma mãe sempre abrasada do amor de Deus, ame só as criaturas? Tendo uma mãe tão rica de virtudes seja tão pobre? Ó minha amabilíssima Mãe! É verdade que não mereço ser vosso filho; indigno me tornou de tal prerrogativa o meu mau procedimento. Só vos peço a graça de me aceitardes por servo vosso; e para ser admitido no numero dos mais vis que vós tendes, pronto estou a renunciar a todos os reinos da terra. Com ser servo vosso me contento; mas não me proibais o poder chamar-vos minha Mãe. Este nome me consola, me enternece, me lembra a obrigação que tenho de vos amar; este nome me anima a pôr confiança em vós. Quando mais me espantam os meus pecados e justiça divina, fortifica-me o pensamento de que sois a minha Mãe. Permiti-me que vos diga: ó minha Mãe! ó minha dulcíssima Mãe! É assim que vos chamo, assim é que sempre vos chamarei. Depois de Deus, sois vós a minha esperança, o meu refugio, o meu amor neste vale de lágrimas. Espero, pois, morrer entregando, nesse supremo momento, minha alma nas vossas mãos, dizendo-vos: Minha Mãe, ó Maria! minha boa Mãe! vinde em meu socorro; tende compaixão de mim. Amo-vos, ó minha Mãe! e quisera possuir um coração que vos amasse por todos os desgraçados que não vos amam. Se riquezas tivera, todas, empregaria em vos honrar; se vassalos, todos faria servos de Maria; por vós, por vossa gloria, sacrificaria enfim minha vida, se necessário fora. Amo-vos pois, ó minha Mãe! mas temo ao mesmo tempo não vos amar, pois ouço dizer que o amor faz o amante semelhante à pessoa amada. Ver-me pois tão pouco semelhante a vós, é sinal bem evidente de que vos não amo; vós tão pura, eu tão manchado! Vós tão humilde, eu tão soberbo! Vós tão santa, eu tão pecador! Mas a vós toca, ó Maria, dar remédio a isto! Se é que me amais, tornai-me semelhante a vós. Tendes o poder de mudar os corações, tomai o meu, e guardai-o. Fazei ver ao mundo o quanto podeis a favor dos que vos amam, tornai-me santo; tornai-me digno do vosso Filho. Assim seja. (2)

Observações:
(1) Vede a obra de Santo Afonso de Ligório intitulada As Glorias de Maria; nela depararás um grande numero de outras práticas de devoção em honra da Santa Virgem.
(2) Santo Afonso de Ligório, Glorias de Maria.

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(Pinnard, Abade Dom. As Chamas do Amor de Jesus ou provas do ardente amor que Jesus nos tem testemunhado na obra da nossa redenção. Traduzido pelo Rev. Padre Silva, 1923, p. 219-239)

O bom ladrão

São Dimas, o Bom Ladrão

Capítulo XXXI

Domine, memento mei, com veneris in regnum tuum – “Senhor, lembrai-vos de mim quando entrardes no vosso reino” (Lc 23, 42)

Esta foi a oração do bom ladrão, que por sua fé e confiança mereceu de Jesus esta resposta:

“Hoje estarás comigo no paraíso”

Pedira apenas uma simples recordação, e Jesus promete-lhe o seu reino: tão liberal é o nosso bom Mestre! Tão disposto está sempre a dar muito mais do que se lhe pede!

Mas quem não se assombrará sobre a profundeza dos conselhos de Deus? No momento em que o bom ladrão dizia a Jesus: “Senhor, lembrai-vos de mim quando estiverdes no vosso reino”, estava este divino Salvador num estado de aflição e humilhação sem exemplo. Seus discipulos haviam-no abandonado, um deles o trairá e vendera, renegara-o outro três vezes, os judeus vomitavam contra ele blasfêmias, expunham-no à irrisão os gentios, quase ninguém acreditava nele. E é neste momento em que Jesus perdia todo o credito para com a maior parte dos que o conheceram, que este bom ladrão, interiormente iluminado da divina graça, o reconhece por seu Rei e seu Deus… Os discípulos de Jesus tinham tanto tempo conversado com ele; ouvido a sua admirável doutrina, tinham um perfeito conhecimento de sua vida, dos seus milagres; e sua fé foi, todavia, terrivelmente abalada, quando o viram pregado na cruz. Continue a ler

Jesus ora por seus inimigos

Jesus ora por seus inimigos

Capítulo XXX

Pater dimitte illis: nom enim sciunt quidi faciunt – “Meu Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34)

Jesus acabava de ser pregado na cruz, via circular em volta de si os autores do seu suplício e os seus algozes. Lança sobre eles um olhar, eleva em seguida os olhos ao céu, e exclama:

“Meu Pai!”

Tinha guardado silencio enquanto o crucificavam; eis que o rompe e invoca a seu Pai; escutemos o que lhe vai pedir. Dir-lhe-á ele:

“Meu Pai: vós sois testemunha dos meus sofrimentos, sois testemunha dos ultrajes indignos de que me cobrem e sabeis a minha inocência; fazei, pois cair sobre este povo ímpio todo o peso da vossa vingança?”

Não, não, tal não será a súplica do nosso bom Jesus. Alma cristã, que isto meditas, atenção, e aprende a conhecer a misericórdia infinita do nosso Salvador.

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Lamentações que do alto da cruz dirige Jesus a todos os homens

Crucificação de Jesus Cristo

Capítulo XXIX

O vos omnes qui transitis per viam, attendite et videte si est dolor sicut dolor mens – “Ó vós todos que passais pelo caminho, atendei, e vede se há dor como a minha” (Lm 1, 12)

São estas as palavras que nos dirige Jesus a nós, pobres exilados nesta terra de pecado. Ó vós todos, exclama ele do alto da cruz, ó vós todos, que passais pelo caminho da vida, dignai-vos parar por alguns instantes; lançai sobre esta cruz, onde estou cravado, a vossa vista, e vede se há uma dor que à minha se possa comparar; a minha cabeça está coroada de espinhos que me não deixam repouso algum, os meus pés e as minhas mãos estão varados de enormes cravos, o meu corpo não é mais que uma chaga, e o meu sangue corre de todas as minhas chagas. “De todas as partes me cercam as agonias da morte”, e a minha alma está abismada na mais excessiva desolação. Continue a ler

Do silêncio de Jesus no meio dos desprezos, das afrontas e dos sofrimentos

Capítulo XXVIII

Et quasi agnus coram tondente se obmutescet, et non aperiet os sum – “Semelhantemente a um cordeiro que se conserva mudo diante do tosqueador, não abrirá a sua boca.” (Is 53, 7)

Já falíamos do silencio de Jesus no meio dos seus sofrimentos; mas é tão tocante ver este inocente Cordeiro opondo ao furor dos seus inimigos uma doçura e uma paciência tão incomparáveis, que mais uma vez imos deter-nos alguns instantes em considerar este espetáculo.
Comecemos pelo ver em casa de Caifás: na presença deste pontífice é acusado de inúmeros crimes; mas ele guarda silencio: Jesus autem tacebat. Em casa de Herodes enchem-no de desprezos; ele sofre tudo sem dizer uma só palavra. Fazem-no sofrer uma cruel flagelação: não reclama contra a injustiça deste castigo. Os algozes em seu furor excedem muito o numero dos golpes prescritos pela lei: ele não se queixa. Continue a ler

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