Adulação e Elogio, Tesouros de Cornélio à Lápide

A adulação é um erro e uma mentira

Os nossos elogios, diz São Bernardo, são apenas mentiras; alegrar-se pelos elogios, é o que há de mais vão. Os amigos de “contar fábulas” são elogiados, e os que elogiam são mentirosos. Enganamos aos que elogiamos: os aduladores mentem.

Laudamus mendaciter, delectamur inaniter; vaniloqui laudantur, et mendaces qui laudant. Alii adulantur, et ficti sunt; alii laudant, et falsi sunt (Epist. XVIII ad Petr.).

Os aduladores são enganosos. Adulam-me com os lábios, diz o Salmista, e me maldizem com o coração: Ore suo benedicebant, et corde suo maledicebant (Sl 61, 5).

Os filhos dos homens não são senão vaidade, os filhos de Adão não são senão mentira, acrescenta o Salmista; colocai-os em uma balança e vereis que todos são mais leves do que nada: Vani filii hominum, mendaces, filii hominum in stateris, ut decipiant ipsi de vanitate in idipsum (Sl 61, 10).

Desde o momento em que nos elogiam, diz Sêneca, complacemo-nos e felicitamo-nos a nós mesmos; cremos naqueles que nos chamam homens de bem, prudentes, perfeitos, e nos alegramos por isso; tudo o que a adulação derrama sem pudor sobre nós, consideramo-lo como justo, e queremos nos persuadir de que nossos aduladores dizem a verdade, ainda que saibamos que mentem quase sempre (Epist. LIX).

A bajulação e os elogios não são mais do que ar; aquele que se nutre deles, somente de ar se alimenta…

Aquele que nos adula, zomba de nós

Da mesma maneira, diz São João Crisóstomo, que os meninos que jogam fazem coroas de erva e as põe alternadamente sobre suas cabeças, zombam daqueles que as portam, assim mesmo aqueles que diante de vós se desfazem em elogios e vos enaltecem, os coroam de flores, e sois sua irrisão quando vos achais ausentes. Assim é que quando escutamos a bajulação, coroamo-nos mutuamente de flores sem consistência. E oxalá não fosse esta mais que uma coroa de flores de um dia! Porém, esta coroa ilusória nos é funesta, porque nos faz perder todo o mérito do bem que temos feito. Eu desprezo a bajulação mesquinha, fujo dela. Ainda que me elogiem milhares de pessoas e me adulem, escutarei suas palavras como escuto o gorjeio de um pássaro importuno. Se olhais aos aduladores com os olhos da fé, eles vos parecerão mais vis que os vermes que se arrastam; tereis em menor conta seus elogios que a fumaça e que um ligeiro sonho (Homil. XVII, in Epist. AdRom.).

A alma do sábio padece, diz São Cirilo, quando ouve que a elogiam. Porque a verdadeira virtude, à maneira de virgem pudica, não pode sofrer sem corar, que a exponham ao olhar alheio, e se oculta, como se oculta a brilhante estrela na presença do sol: Sapiens, dum laudatur, in facie, flagellatur in mente. Virtus enim vera, ut virgo pudicíssima, sine rubore se videri non patitur, et quase stella rutilans ab aparente sole absconditur (Lib. II Apol. Moral. C. XXVIII).

Perigos e desgraças da bajulação e dos elogios

Pitágoras ensina-nos que devemos nos alegrar quando nos reprovem, e jamais quando nos elogiem. Olhai aos aduladores como a inimigos mais perigosos e detestáveis (Anton. in Meliss., p. I. c. LII).

Crates dizia que aqueles que vivem entre aduladores abandonam seus deveres e se acham como ovelhas no meio de lobos (Anton. in Meliss.).

Bion, a quem perguntaram qual era o animal mais prejudicial, respondeu: Entre as bestas selvagens, o tirano; entre os animais domésticos, o adulador: Si de ferispercuncteris, tyrannus; si de mitibus, adulator (Anton. in Meliss.).

Diógenes chama à bajulação de laço de mel que sufoca ao homem, abraçando-lhe: Melleum laqueum quo blande amplectans hominem jugulat (Anton. in Meliss.).

O imperador Constantino era tão inimigo dos bajuladores, que os chamava de traças e ladrões de seu palácio (Hist. Eccles.).

O imperador Segismundo deu uma bofetada em um adulador. “— Porque me feris, senhor?” perguntou este. “— Porque me mordes, bajulador? respondeu o príncipe. “— Cur me caedis, imperator? “— Cur me mordes, adulator? (In ejus vita).

As palavras que saem de sua boca são mais doces que o mel, diz o Salmista, e a guerra está em seu coração; seus discursos são melosos, porém ferem mais que uma espada: Divisi sunt ab ira vultus ejus, et appropinquavit cor illius: molliti sunt sermones ejus super oleum, et ipsi sunt jacula (Sl 54, 22).

O que é a bajulação, diz São Cirilo, senão uma melodia serena, um canto pestífero, um gusle[1] enganoso, a voz mentirosa da hiena? Ao próprio tempo que seu som encantador chega a nosso ouvido, apaga a luz da razão, corrompe a formosura da virtude com seu sopro de monstro e devora com seus dentes vorazes toda a vegetação que pode haver na alma. Tem um som doce, penetra com suavidade, fere mortalmente tudo quanto toca e tudo devasta sem remédio. A lisonja destrói todos os bens interiores; e desde o momento que surge, já danifica[2].

Dormindo Tobias, diz a Escritura, desprendeu esterco quente de um ninho de andorinhas, caiu sobre seus olhos, e lhe cegou (Tob 2, 11). O que representa estas rápidas andorinhas senão a volubilidade dos aduladores, que só podem dar elogios, e que adulando com palavras suaves, derramando o óleo envenenado da bajulação sobre a cabeça e os olhos daquele que, com prazer as escuta, obscurecem-lhe a vista interior, cegam-lhe e fazem-lhe perder a cabeça?

O adulador que perdeu a sua alma, diz São Bernardo, busca o meio de perder a vossa; porque suas palavras não são mais que iniquidade e fraude. Acaricia, porém, através de sua linguagem, descobre-se o trabalho e a dor. Chora, e ao mesmo tempo, dispõe emboscadas. Desprezai, pois, as bajulações, desprezai as promessas. A bajulação lisonjeia, porém é perigosa, quando o pecador é elogiado segundo os desejos de sua alma. São licores dulcíssimos, porém repletos de um veneno mortal. As palavras do adulador são mais suaves que o óleo, porém são dardos envenenados[3].

Assim como os corvos arrancam os olhos dos cadáveres, da mesma maneira os aduladores arrancam os olhos da razão e da alma…

A língua dos aduladores, diz Santo Agostinho, é mais perigosa que a lâmina do verdugo: Plus persequitur língua adulatoris, quam gladius persecutoris (In Psalm. LXIX).

Plínio compara o bajulador a uma hiena. A hiena, diz ele, imita a voz humana e chama, e despedaça o imprudente que se aproxima; e assim também os aduladores gastam elogios até que arrastem à perdição aqueles que lhes creem. A bajulação torna-se, para os insensatos que lhes dão ouvido, o que é o óleo para as moscas, formigas e para quase todos os insetos. O óleo mata aos insetos, e os que se deleitam nas bajulações, nelas perecem. O veneno na bajulação é mortal, sobretudo para os espíritos débeis e efeminados (Anton. in Meliss.).

Temos duas classes de inimigos, diz Santo Agostinho, os que nos desaprovam e despedaçam nossa honra, e os que nos adulam. Porém o adulador é mais temível que o carrasco e caluniador. Duo sunt genera persecutorum, scilicet, vituperantium, et adulantium, sed pluspersequitur língua adulatoris, quam manus interfectoris (In Psalm. LXIX).

O adulador cobre ordinariamente de opróbrio aquele a quem elogia; com uma mão oferece flores e, com a outra, barro; porque supõe, com efeito, que aquele a quem adula é vão, amigo da vanglória, sequioso dos louvores humanos, e ele indica, por conseguinte, que é um espírito vil, uma alma baixa e que o despreza.

Não nos detenhamos com complacência nos elogios que fazem faltar à verdade aos que no-los dão, diz São Basílio: Ne nobis stulte placeamus, propter quae veritatem excedunt (Anton. in Meliss.).

Os elogios e as honras conduzem ao supremo orgulho, diz São Gregório Nazianzeno (Anton. in Meliss.).

O cão é o inimigo da lebre e o adulador é o inimigo do homem, diz Plutarco. Aborrecei aos bajuladores e tende-os por sedutores: Odio habeas adulantes sicut decipientes (Anton. in Meliss.). Fugi dos aduladores, acrescenta, olhai-os com horror, pois são vossos mais crués inimigos: Tamquam deteriores inimici adulatores aversare (ut supra).

Os que me elogiam, me flagelam, diz Santo Inácio: Laudantes me, flagellant (Apud Maxim, serm. XLIII).

Desgraçados de vós, diz Jesus Cristo, quando os homens vos elogiam! Assim portaram-se vossos pais a respeito dos falsos profetas: Vae cum bene vobis dixerint omnes homines secundum haec faciebant pseudoprophetis patres eorum (Lc 6, 26).

Vossos elogios subjugam-nos e expõe-nos a grandes perigos: toleramo-los; porém, fazem-nos temer: Lades istae vestrae gravant nos potius, et in periculum mittunt; toleramos illa, et tremimus inter illas (Serm. V in Matth.).

A licença aumenta com a bajulação; o espírito se torna orgulhoso com o elogio: Laude crescit licentia; spiritus assurgit, si laudatur (De Ira, lib. II).

Senhor, diz Santo Agostinho, aquele que busca elogios dos homens, apesar de vossas advertências, não será defendido por eles em vosso juízo, nem arrancado de vossas mãos quando os condenardes: Qui laudari vulta b hominibus, vituperante te (Domine), non defendetur ab hominibus, judicante te; nec eripietur, damnante te (Lib. X, Confess., c. XXXVI).

O homem que dirige a seu amigo frases elogiosas, dizem os Provérbios, arma-lhe um laço perigoso: Homo qui blandis fictisque sermonibus loquitur amico suo, rete expandit gressibus ejus (29, 5). Não é um amigo, mas um inimigo; porque lhe encaminha ao orgulho, inclina-lhe a olhar os vícios ora com indiferença ora como virtudes; compromete-lhe com suas desculpas e elogios a entregar-se a eles sem temor.

O adulador, diz Plutarco, arrasta e prende em suas redes ao homem a quem seduz e logo lhe torna pleno de males: Adulator trahit, et in laqueum injicit; ipsum inplagas conjicit (Tract. de differentia adulatoris et amicis).

Olhai a adulação como o mais vergonhoso dos vícios, diz Diógenes; porque corrompe tudo quanto de mais honesto e mais santo há na vida. Os aduladores cometem um crime maior que os que falsificam moeda: Ominium vitiorum turpissimum invenias adulationem, id enim quod honestissimum justissimumque in vita est corrumpit. Multo pejus faciunt quam qui corrumpunt nometam (Orat. III de Regno).

Falamos, diz o grande Apóstolo, não para agradar aos homens, senão a Deus, que conhece nossos corações. Porque jamais empregamos palavras lisonjeiras, como já o sabeis, e Deus é testemunha disso; nem buscamos em vós nem em outros a glória que provem dos homens: Quasi hominibus placentes sed Deo qui probat corda nostra neque enim aliquando fuimus in sermone adulationis sicut scitis neque in occasione avaritiae Deus testis est nec quaerentes ab hominibus gloriam neque a vobis neque ab aliis (1 Ts 2, 4-6).

Hei de desejar a aprovação de Deus ou dos homens?, diz em outra parte este grande Apóstolo. Ei de procurar agradar aos homens? Se agradasse a eles, não seria servo de Cristo: modo enim hominibus suadeo aut Deo aut quaero hominibus placere si adhuc hominibus placerem Christi servus non essem (Gal 1, 10).

Havemos de fugir dos aduladores, segundo o seguinte conselho do Sábio: Filho meu, quando os aduladores vos ofereçam seus louvores, não os escuteis: Fili mi, si te lactaverintpeccatores, ne acquiescas eis (Pr 1, 10).

Assim como o crisol prova o ouro e a prata, assim os elogios provam o homem, dizem os Provérbios: Quomodo probatur in conflatorio argentum et in fornace aurum sic probatur homo ore laudantis (Pr 27, 21). Da mesma maneira que o fogo prova a bondade e a pureza ou a impureza do ouro ou da prata, assim também o elogio dá a conhecer a virtude ou o vício do homem, sua sinceridade ou sua vaidade. Se é bom e virtuoso, foge e despreza a lisonja. Os humildes rejeitam os elogios, os homens vazios e os soberbos se regalam com elas e se tornam insolentes. Assim, pois, a verdadeira virtude e o verdadeiro mérito repousam no desprezo ao elogio, como a verdadeira glória consiste em desprezar a glória.

Se o coração é verdadeiramente humilde, diz São Gregório, ou não se considera com as boas qualidades que nele exaltam e crer que tudo quanto lhe dizem é falso, ou, sim, sabem que as tem, ou teme muito não ser digno da eterna recompensa de Deus. Porque treme ao considerar prudentemente que o que se lhe atribui pode não ser verdade, e que isto mesmo pode lhe atrair uma severa condenação no dia do juízo; ou que possui o que lhe atribuem, e pode perder seu mérito[4].

São João Crisóstomo ensina que o desprezo dos elogios e da glória humana nos faz semelhantes a Deus. Porque, assim como Deus não necessita dos louvores nem da glória dos homens, louvores e glória que não existiam durante a eternidade, antes que Deus houvesse criado o mundo, da mesma maneira aparece aquele que despreza os louvores e a glória.

Digamos interiormente: Se desprezo essas coisas, serei semelhante a Deus; e de repente seremos donos de nós mesmos: Quoties dificile existimas contemnere gloriam, ista tecum animo versa: Si hanc despexero, Deo aequalis (similis) efficiar; protinusque subibit contemplus gloriae ex animo (Homil. in epist. ad Titum).

Para achar-me disposto para as coisas de Deus, diz Santo Inácio de Loyola, devo distanciar-me valorosamente dos que me adulam sem respeitar a verdade: Ut sanus sim in his quae ad Deum pertinente, vehementius mihi verendum est, et cavendum ab his qui me temere inflant (In ejus vita).

São Macário diz: É muito certo que aquele que olha o desprezo como um motivo de mérito e a pobreza como verdadeira riqueza, não morrerá, senão que viverá eternamente (Vit. Patr., lib. VII, c. XXXVIII).

Jamais haveremos de elogiar-nos a nós mesmos

Os que se louvam, são vazios, diz São Bernardo (Epist. ad Fulcon). Seja outro aquele que te elogie, e não tua boca; um estranho, e não teus lábios, dizem os Provérbios: Laudet te alienus et non os tuum extraneus et non labia tua (Pr 27, 2).

Louvar-se a si mesmo é ser vão, soberbo e insensato… é a maior das loucuras, diz São João Crisóstomo, louvar-nos sem necessidade absoluta: Extremae dementiae, nula iminente necessitate, et necessitae violenta, propriis laudibus vele decorari (Homil. V de Laudib. Pauli). Por isso, São Paulo, depois de haver falado de si mesmo, acrescenta: Manifestei pouca sensatez glorificando-me; porém, vós me obrigastes a isso: Factus sum insipiens, vos me coegistis (2 Cor 12, 11).

Não há conversa mais ridícula que a daquele que expõe seus próprios méritos, diz Themistio: Nulla narrativo tam odiosa est, quam sui ipsius encomium (Apud Stobaenm).

Elogiar-se a si mesmo é coisa torpe, vergonhosa e ridícula… não louvamos nossas ações senão por orgulho e para que nos elogiem e, então, merecemos somente o mais solene desprezo.

Aquele que se louva, e se vangloria, condena-se e desonra-se; porque seu elogio gera o vício em si mesmo. O louvor que alguém dirige a si mesmo é uma vergonha; semelhante testemunho não é digno de fé, deve se olhar como testemunho mentiroso e falso.

E, de fato, porque devemos nos louvar? Se somos conhecidos, é inútil; se não somos, não esqueçamos que à verdadeira virtude agrada ocultar-se.

Só devemos nos glorificar em Deus

Aquele que se gloria, glorie-se no Nome do Senhor, diz São Paulo: Qui gloriatur, in Domino glorietur (1 Cor 1, 31).

Podemos ser louvados nas coisas boas, diz São Gregório, porque o louvor excita a bajulação; a emulação, a virtude; e a virtude nos procura a felicidade (apud Anton. In Meliss., p. I, c. LI).

O elogio provocado com boas ações, diz São João Crisóstomo, inspira o desejo de fazer outras melhores (apud Anton. In Meliss., p. I, c. LI); porém, é preciso atribui-lo totalmente a Deus.

Quando os santos são louvados, tornam-se ainda mais santos, seja aumentando suas virtudes para corresponder ao elogio, seja humilhando-se e elevando-se mais e mais até Deus com grandes e contínuas ações de graças; porque sabem que, por si mesmos, por sua natureza corrompida, somente são capazes de concupiscência e pecado, e exclamam com o Rei Profeta: Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuio da gloriam super misericórdia tua e veritate tua: Fazei brilhar vossa glória, não por nós, Senhor, senão por vosso Nome, vossa misericórdia e verdade (Sl 113, 1.2). Dizem com Santo Inácio de Loyola: Tudo seja para a maior glória de Deus: Ad majorem Dei gloriam (In ejus vita).

Não proíbo a glória, diz São João Crisóstomo, porém quero que não se ambicione senão a verdadeira, aquela que vem de Deus, e não dos homens. Não queiramos ser louvados, se não é de Deus. Sendo tal nosso modo de pensar, desprezaremos tudo o que seja meramente humano. Que o homem vos elogie ou deixe de elogiar-vos, nada perdeis. Ainda que o homem vos reprove, não vos podem ferir. A aprovação de Deus é a única preciosa, assim como a reprovação que vem de Deus é a única temível (Homil. II in Epist. ad Tit.)


Referências:

[1]  O gusle é um único instrumento musical de cordas tradicionalmente utilizado no sudeste da Europa. O instrumento é mantido na vertical entre os joelhos, enquanto a mão esquerda controla a corda feita de crinas que, friccionadas pela fita de um arco, exibe um som forte a oriental.

[2]  Quid enim adulatio, quam melodis syrenies, cantatio letífera, fallacis fistula, er vox hyenis valde mendax? Siquidem , dum suavi sonitu auris, tympanum perculit, lucernam rationis extinguit, flatu draconiano serenum virtutis corrumpti, se brutino dente nihil in anima viriditatis relinquit. Dulciter sonat, suaviter intrat, letaliter occupat, irremediabiliter totum vastat. Adulatio bona interiora perdit; semper, cum placuit, nocuit. (Apol. Moral.).

[3]  Quaerit animam tuam qui jam perdit suam; verba oris ejus iniquitas et dolor. Blanditur, sed sub língua ejus labor er dolor. Lacrimatur, sed insidiatur. Sperne blandimenta, cootemne promissiones. Blanda, sed periculosa laus, cum laudatur peccator in desideriis animae suae. Habent et lac et oleum suave quidem, sed venenosum, sed mortiferum. Molliti sunt sermones ejus super oleum, et ipsi sunt jacula (Epist. II ad Falcon.).

[4] Si cor veraciter humile est, boa, quae de se audit, aut minime recognoscit, et quia falsa dicunt, metuit; aut certe, si adesso sibi ea veraciter acit, eo ipso formidat, ne aba eterna Dei retributione sint perdita. Cauta enim consideratione trepidat, ne aut de his, de quibus laudatur, et non sunt, magis De judicium subeat, aut de his in quibus laudatur, et sunt, competens praemium perdat (Lib. XXII, Moral. c. V).