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Sobre a dúvida de São José

Capítulo 13: Sobre a dúvida de São José
Prudência e Caridade de São José

Deus, cujos desígnios são impenetráveis, não quis revelar ao esposo de Maria o grande mistério que nela acabava de completar-se. Só depois que voltou de casa de Isabel é que José percebeu o estado em que Maria Santíssima se achava, o que o afligiu vivamente; mas, como ele era justo e não queria infamar esta esposa querida cuja virtude conhecia, resolveu deixá-la ocultamente. Exemplo admirável de doçura, prudência, moderação e caridade! A alta ideia, que ele tinha de santidade de sua casta esposa, não lhe permite que desconfie dela; suspende o seu juízo, poupa a reputação de Maria, tem para com ela as mesmas atenções, caridade e respeito, entrega tudo aos cuidados da divina Providência. Quantas suspeitas injuriosas, quantos juízos temerários, quantos pecados não evitaríamos nós, se tivéssemos a mesma prudência, reserva e caridade, quando julgamos ver algum defeito no procedimento do nosso próximo, quando somos tentados a julgá-lo e a condená-lo! Continue reading

Reverência na Missa

Reverência na Missa

Capítulo XIX

Quantas vezes ao entrarmos nas nossas Igrejas nos causa pena, muita pena, a indiferença, a falta de fé com que parte da assistência, sobre tudo os homens, ouve missa!

Já pensaram os nossos leitores na gravidade da culpa em que incorrem tantos cristãos ao portarem-se e bastas vezes na Igreja com a mesma sem-cerimônia que usam em casa? Em alguns a temeridade chega a ponto de levá-los a olhar para todos os lados, a dar fé dos que entram e saem, a pensar em assuntos mundanos e a conversar inútil e descaradamente em quanto no altar se celebra o tremendo Sacrifício, Mistério augustíssimo ante o qual os próprios Anjos velam respeitosos o rosto.

Podia Cristo dizer-lhes, tão justificadamente como as disse aos vendilhões do Templo aquelas palavras que o Evangelho nos transmitiu:

«A minha casa é casa de orações é vós a tornastes covil de ladrões»

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A Virtude da Obediência

Mês de Julho: A Virtude da Obediência

Mês de Julho

Breve introdução sobre a Obediência e o Apóstolo Patrono

Se poucas almas há que se dão inteiramente a Deus, é porque poucas são as que se submetem inteiramente à obediência. Há pessoas tão aferradas à própria vontade, que a mesmíssima coisa que, fora da obediência, lhes seria de gosto para ser executada, amarga e difícil se lhes faz quando exigida por obediência, é unicamente por esta causa; tais pessoas tomam prazer somente com executar o que lhes dita a vontade própria. Este não é o proceder dos santos, os quais só ficam tranquilos quando obedecem. São Filipe Néri dizia:

“Os que desejam progredir no caminho de Deus devem submeter-se a um confessor instruído, e dar-lhe obediência como ao próprio Deus; quem procede assim, pode estar certo de que não dará a Deus contas do que faz”

Deve-se ter confiança no confessor, ajuntava o Santo, e crer que Deus não lhe permitirá se engane: não existe meio mais seguro para um desfazer os artifícios do inimigo que seguir no bem a vontade de outrem; ao contrário, nada mais perigoso do que querer dirigir-se pelos seus conselhos pessoais.

Se queres andar seguro no caminho da perfeição, deixa-te guiar por teus superiores, quanto às coisas externas, e obedece, em tudo que diz respeito a teu interior, a teu diretor espiritual.

Os negociantes, para se assegurarem de seus negócios, exigem que outros prestem fiança; do mesmo modo, para assegurar teu eterno ganho, deves procurar a fiança da obediência para tuas obras todas.

Persuade-te, por isso, vivamente de que é a Deus que obedeces quando obedeces a teus superiores. Se Jesus viesse pessoalmente para te encarregar de algum negócio ou ofício, recusar-te-ias talvez a obedecer-lhe ou desculpar-te-ias? Ora, é muito mais certo que é Deus mesmo quem te fala, quando teus legítimos superiores te mandam alguma coisa, do que quando Jesus, aparecendo-te, te incumbisse de alguma coisa, porque essa aparição poderia basear-se em um engano, ao passo que está fora de dúvida que Deus disse, em relação aos superiores:

“Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10, 16)

Esforça-te, portanto, para obedeceres em tudo que não for claramente pecado, com toda a prontidão, alegria e simplicidade. Não te faças muito rogar: um verdadeiro obediente não demora, não se desculpa, não mostra sua repugnância interna por um rosto enfadado, mas começa a executar imediatamente o preceito com alegria, nem sequer espera a ordem expressa do superior: basta saber que é sua vontade dirigir-se conforme isso.

Não desejes igualmente saber as razões por que te mandaram fazer isto ou aquilo, pois assim tua obediência seria muito imperfeita. Se quiseres ser muito agradável a Jesus Cristo, suplica a teus superiores que te tratem inteiramente conforme o seu parecer e sem consideração alguma por ti; o merecimento da obediência será então muito maior. Esforça-te para que tua obediência se origine sempre da intenção de cumprir com a vontade de Deus, porque, se a praticares com outro intenção, por exemplo, para granjear a benevolência de teus superiores, satisfarás aos homens, mas não a Deus.

Em casos duvidosos, faze aquilo que julgas que teus superiores ordenariam; e se não puderes resolver de forma alguma, faze aquilo que é mais oposto à tua inclinação.

Sumário
I. A sua natureza
II. Do Mérito da Obediência
III. Da Obediência dos Filhos a seus Pais
IV. Da Obediência dos Criados a seus Amos
V. Da Obediência ao Diretor Espiritual
VI. A Obediência do Redentor
VII. A Prática da Obediência
VIII. Orações para alcançar a Virtude do Mês

Mês de Julho: A Virtude da Obediência. Apóstolo Patrono: São Filipe

Mês de Julho: A Virtude da Obediência. Apóstolo Patrono: São Filipe

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A Missa, culto de profundo respeito prestado a Deus

Meditação para a Terceira Segunda-feira depois de Pentecostes. A Missa, culto de profundo respeito prestado a Deus

Meditação para a Terceira Segunda-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

O culto de latria, que rendemos a Deus pelo Santo Sacrifício, e ao qual devemos unir-nos, não só consiste na suma estima de Deus, mas também no profundo respeito das Suas grandezas. Veremos:

1.º Quanto respeito Jesus Cristo, no Santo Sacrifício, demonstra a seu Pai;

2.º Quão respeitosos, na nossa conduta habitual, devemos ser para com Deus.

— Tomaremos a resolução:

1.º De falarmos sempre a Deus nas nossas orações com profunda devoção, acompanhada de uma perfeita modéstia dos sentidos;

2.º De termos em todos os lugares um grande respeito para com a presença de Deus, que nos vê de dia e de noite.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do Salmista:

“Cheio de temor vosso, vos adorarei no vosso santo templo” – Adorabo ab templum sanctum tuum in timore tuo (Sl 5, 8)

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Respeito devido à Eucaristia

Meditação para a Quarta-feira na oitava do Santíssimo Sacramento. Respeito devido à Eucaristia

Meditação para a Quarta-feira na oitava do Santíssimo Sacramento

SUMARIO

Depois de termos visto o que é a Eucaristia para conosco, meditaremos o que devemos ser para com ela. À primeira classe desses deveres pertence o respeito. Veremos pois:

1.° Quão profundo deve ser o nosso respeito com a Eucaristia;

2.° Que grandes bens tiraremos deste profundo respeito.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De nos conservarmos sempre na igreja com uma profunda devoção, uma compostura decente, um semblante modesto;

2.° De nela guardarmos rigoroso silêncio, sem falar a ninguém, mas só a Deus, salvo o caso de necessidade.

O nosso ramalhete espiritual será as palavras dos livros santos:

“Que terrível é este lugar! Tremei diante do meu santuário!” – Quam terribilis est locus iste! (Gn 28, 17). Pavete ad sanctuarium menum! (Lv 26, 2)

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Respeito e atenção que devemos à Palavra de Deus

Meditação para a Quarta-feira da Sexagésima. Respeito e atenção que devemos à Palavra de Deus

Meditação para a Quarta-feira da Sexagésima

SUMARIO

Prosseguiremos as nossas meditações sobre a palavra de Deus, e consideraremos:

1.° O respeito;

2.º A atenção que devemos a esta divina palavra.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De ouvirmos e lermos a Palavra de Deus com o mesmo respeito que se Deus em pessoa nos falasse, e de não criticarmos as pregações;

2.° De buscarmos nos ensinos, não o que distrai o espírito, mas o que muda o coração, e de tirarmos sempre disso resoluções praticas.

O nosso, ramalhete espiritual será a palavra de Santo Agostinho:

“Não é menos criminoso aquele que ouve com descuido a Palavra de Deus do que aquele que deixa cair ao chão por sua negligência a sagrada Hóstia” – Non minus reus est qui verbum Dei negligenter audierit, quam qui corpus Christi in terram cadere negligentia sua permiserit

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As Últimas Vontades dos Mortos

Funeral Católico: Respeitemos os Mortos!

Meditação para o dia 29 de Novembro

Somos obrigados a executar com justiça e consciência as últimas vontades dos nossos mortos. O que no leito de morte nos pediram, o que deixaram em testamento seja respeitado, porque daremos contas severas a Deus desta tremenda injustiça se lesarmos os direitos dos mortos e não cumprirmos suas últimas vontades.

As pobres almas do purgatório são vítimas da Justiça de Deus, porque devem expiar seus pecados, e muitas vezes também vítimas das injustiças dos homens. Herdeiros que defraudam os bens dos mortos e nem se lembram de lhes sufragar a pobre alma com uma só Missa! Filhos que discutem e se odeiam por uma miserável herança e cometem toda sorte de injustiças, lesando-se mutuamente numa louca ambição, ao invés de em paz honrarem a memória dos pais e cumprirem as cláusulas dos testamentos. É uma das mais tremendas injustiças. Lesar os vivos é um pecado, mas lesar os mortos tirando-lhes os sufrágios por injustiça, é um pecado que só pode atrair a vingança de Deus. Diz o Espírito Santo que haverá um juízo sem misericórdia para quem não usou de misericórdia.

“Que juízo tremendo e duro não há de ser o de quem defraudou os direitos dos mortos ? Lesar um pobre, disse o Quarto Concilio de Cartago, é se fazer assassino do pobre”

Que não será o que lesa o direito das pobres almas? Continue reading

A Dignidade Sacerdotal

Meditação para o Dia 27 de Agosto

1. O sacerdócio é tão sublime, que também aos que não são sacerdotes cumpre estimá-lo devidamente. Os sacerdotes tem de curar, de pedir e de sacrificar. Perdoando, em lugar de Deus, os pecados, e curando assim as almas, ressuscitando-as até da morte e dando-lhes nova vida, tem o poder mais alto que pode haver. Se outra distinção e poder não tivessem, este seria suficiente para tratá-los com um respeito inexcedível. Pela recitação do breviário, o ofício divino, não só conversam, dia por dia, longo tempo com Deus, mas intercedem também por tantos que não rezam ou que rezam pouco ou mal. Continue reading

Obedecer por Amor de Deus

Meditação para o Dia 09 de Agosto

1. Não há ninguém na terra que não tenha de obedecer a alguém. Deus tem como seus representantes os pais, autoridade eclesiástica e civil, etc. Que disparate contemplar neles só a pessoa e o caráter humano, desprezar suas ordens ou cumpri-las à força! Obediência – palavra misteriosa que poucos compreendem a fundo e, menos ainda, põem em prática. palavra odiosa a muitos, a todos aqueles que a tem por fraqueza e covardia! Entretanto, a história de toda a mocidade de Jesus está compreendida nas palavras:

“Desceu com eles, e veio para Nazaré e lhes estava sujeito”…

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Respeito e Obediência às Autoridades

Meditação para o Dia 21 de Abril

1. Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós, esperar-vos em Galileia“. Que bondade de Jesus! Apesar de ter sido negado três vezes por São Pedro, a ele mais particularmente do que aos outros manda anunciar sua ressurreição. Tanto Jesus quer ver honrada a autoridade, o chefe da Igreja, e tanto lhe agradou a sincera e contínua penitência do apóstolo. De fato, no céu haverá maior alegria por um pecador que se converte, do que por cem que da penitência não precisam. Do mesmo modo Jesus também perdoou aos demais discípulos que o tinham desamparado na sua paixão. Não deves, pois, nunca desanimar em vista das tuas ofensas a Deus. Continue reading

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