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Emprego do tempo

Emprego do tempo, Tesouros de Cornélio à Lápide

O tempo é pouquíssima coisa considerado em si mesmo

O tempo é uma sombra, um vapor, um vaidade, um nada… O tempo é uma cena de teatro na qual se contam as fábulas desta vida: os homens são os atores: entram e saem; e o lugar do teatro é a Terra.

Uma geração passa, e sucede-lhe outra, diz o Eclesiástico: Generatio praeterit, et generatio advenit (Eclo 1, 4).

Há duas portas para esta encenação: a porta do nascimento e a porta da morte. Cada ator desempenha um papel.

Depois que um rei representa deixa muito prontamente suas vestes de púrpura, e o mesmo acontece aos demais. Esta comédia acaba logo em seguida. Deus quer que não termine senão em horrível tragédia.

Ó palácios, propriedades de recreação, cidades, casas, terra, ouro e prata, dizei-me: quantos donos tivestes? Quantos outros tereis? Dizei-me: onde está

Salomão, tão sábio? Sansão, tão forte? Absalão, tão formoso? Cícero, tão eloquente? Aristóteles, tão entendido? Alexandre, tão grande conquistador? E César Augusto, monarca tão poderoso? Onde estão hoje todos aqueles amigos, aquela abundância de coisas, aqueles homens considerados como oráculos, aqueles exércitos fortes e numerosos, aquela multidão de nobres, de cavaleiros, de príncipes e de homens ilustres? Em um abrir e fechar de olhos, tudo desapareceu! Ó, pasto de vermes! Ó, gota de orvalho! Ó, vaidade! Ó, nada! Continue reading

O Levantar da Cama

Meditação para o Sétima Sábado depois de Pentecostes. O Levantar da Cama

Meditação para o Sétimo Sábado depois de Pentecostes

SUMARIO

Trataremos das ações particulares, que nos prescreve a nossa regra de vida. Começaremos pela ação de levantar da cama, que é a primeira do dia, e veremos:

1.° A importância de a fazer bem;

2.º A maneira de a fazer bem.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De nos erguermos da cama sempre na hora determinada e de pronto;

2.° De acompanhar esta ação com modéstia, com espírito de piedade, e principalmente com a preparação do objeto da nossa oração.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São João Crisóstomo.

“Dai ao Senhor as primícias do vosso dia; ele será todo daquele que o ocupar primeiro” – Domino primitias diei tuœ; erit enim tota illius qui prior occupaverit (São João Clímaco, gr. 26, num. 103)

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Regra da Vida

Meditação para a Sétima Sexta-feira depois de Pentecostes. Regra da Vida

Meditação para a Sétima Sexta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Depois de termos meditado sobre as nossas ações em geral, meditaremos:

1.º Sobre a importância de uma regra de vida, que assine a cada ação em particular o seu tempo e o modo de a praticar;

2.º Sobre o modo de fazer e observar esta regra.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De compor esta regra de vida, se ainda não a temos;

2.° De a observar com pontualidade e amor até nas suas menores partes.

Conservaremos como ramalhete espiritual a palavra dos santos:

“Quem vive segundo a regra, vive segundo Deus” – Qui regulae vivit, Deo vivit (São Gregório de Nissa)

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Autodisciplina

Capítulo 39. Autodisciplina - Livro Rumo à Felicidade, de Fulton Sheen
A FILOSOFIA da liberdade de expressão é de tal modo tida por verdadeira, hoje em dia, que poucas pessoas há que lhe analisem o significado. A liberdade de expressão é justificada, quando significa agir de acordo com a razão e a natureza superior; não o é, quando significa agir de acordo com os instintos e a natureza inferior. Aqueles que identificam liberdade de expressão com licença, ou com o direito de fazer tudo quanto lhes apetece, pensam que autodisciplina equivale a destruírem-se a si mesmos; mas, de fato, é apenas domar o inferior por causa do que é superior. O violinista não parte a corda, quando a afina no tom do concerto; o escultor não destrói o mármore, quando o cinzela para plasmar a imagem.

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Concentração

Capítulo 35. Concentração - Livro Rumo à Felicidade, de Fulton Sheen

Todo este capítulo anda à volta de duas palavras: escape e inscape que o Autor dá um sentido peculiar. Não encontramos na nossa língua termos correspondentes com o mesmo conteúdo semântico. Traduziu-se escape por «evasão», dando a esta palavra o significado de afastamento das inquietações que nascem dos pro­blemas da vida fundadas em Deus, e recurso a tudo o que os faça esquecer; e inscape por «concentração» com o sentido de regresso a Deus, centrando n’Ele a nossa vida e a solução de todos os seus problemas. — N. do T.

É NECESSÁRIO introduzir uma nova palavra na nossa língua, e, embora talvez já tenha sido usada na poesia de Gerald Manly Hopkins, não entrou ainda no uso universal. Esta nova palavra deve ser o oposto de evasão («escape»). Evadir-se quer dizer fugir de uma coisa perigosa, na esperança de encontrar segurança. Deriva de duas palavras latinas: «ex» (de) e «cappa» (capa). Significa, pois, escapar-se de uma prisão, tornar-se livre. Continue reading

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