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São João na porta Latina. São João em Patmos

Capítulo 18: São João na porta Latina. São João em Patmos

I

No entanto, João atingia a velhice, e não estava livre da grande tristeza de que são acometidos aqueles que Deus condena a viver, que veem desaparecer em roda de si todos os seus, e que ficam sós no mundo para deles dar o testemunho e a lembrança.

São Paulo, mártir em Roma, terminara ali a sua carreira, começada, havia trinta anos no caminho de Damasco, Cursum consummavi; Pedro abraçara aquele grande companheiro no caminho do suplício, e no mesmo dia teve a honra de, por sua vez, subir à cruz de seu Mestre, no alto de uma colina de onde abençoara a Cidade e o universo. Foi igualmente nos braços de uma cruz, que André havia adormecido do sono da morte, o que era digno do irmão do príncipe dos apóstolos. Depois de Tiago o Maior, depois de Tiago o Justo, Simão oferecera em Jerusalém o sacrifício de seu sangue. Tomé, presumia-se, terminara a carreira nas Índias, depois de ter levado mais longe do que todos os outros, essa fé em Jesus que mais do que os outros lhe custara alcançar. Mais perto de João, na Frígia, em Hierápolis, no seio mesmo dessa Ásia governada pelo apóstolo, Felipe tivera um martírio glorioso. Assim, pouco a pouco haviam caído todos os irmãos, e o Senhor reconstituíra quase inteiramente no céu aquela família do cenáculo da qual dizia:

“Oh! Pai, eu vos dou graças, porque de todos os que me destes, não perdi nenhum”

Só um restava ainda. Vendo a existência de João prolongar-se desse modo, os discípulos podiam crer que ele não devia morrer, e espalhou-se essa notícia entre eles, como o próprio João o declara (1). Mas, a vida era-lhe cheia de amarguras. O apóstolo parece que só tinha vivido tanto tempo para ver um imenso desastre mais inconsolável do que todos os outros: Jerusalém já não existia. Depois de desolações que enchem de pasmo a história, Vespasiano e Tito tinham armado suas tendas na mesma colina onde o discípulo vira um dia o Mestre chorar sobre a cidade culpada, que matava os profetas. A cidade estava em ruínas, o templo era um montão de cinzas; e aqueles que puderam, fugiram naqueles dias de morte e incêndio, dispersando-se pelo mundo, e João fora informado de que, dos lugares onde vivera junto de Deus e de sua Mãe, nada mais existia.

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Santos Inocentes

Meditação para a Festa dos Santos Inocentes

Meditação para a Festa dos Santos Inocentes

SUMARIO

Consideraremos na nossa oração:

1.° Que felicidade foi para os santos Inocentes morrer por Jesus Cristo;

2.° Que felicidade é para todo o cristão padecer, ainda que inocente.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De reputar os dissabores da vida presente como penhores da felicidade futura, e de aceitar de boa vontade as adversidades que Deus nos enviar;

2.° De nos lembrarmos muitas vezes das palavras do Apóstolo:

“Por uma tribulação momentânea e ligeira, um peso eterno de glória” – Momentaneum et leve tribulationis nostrae… aeternum gloriae pondus operatur in nobis (2Cor 4, 17)

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São Pedro:

“Bem-aventurados os que padecem pela justiça” – Si quid patimini propter justitiam, beati (1Pd 3, 14)

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Panegírico de Santo André, Apóstolo

Panegírico de Santo André, Apóstolo

Santo André, irmão de São Pedro, era como este um pescador do lago de Betsaida, e foi discípulo de São João Batista. São Pedro e ele foram os primeiros a quem Jesus Cristo chamou para seus apóstolos. Sofreu o martírio em Patras, na Achaia, onde tinha ido pregar o Evangelho. Segundo os Atos do seu martírio, o procônsul de Achaia mandou-o prender a uma cruz em forma de X (crux decussata), e a esta forma particular se deu depois o nome de cruz de Santo André.

Pregado nas Carmelitas do Faubourg Saint-Jacques, no dia 30 de novembro de 1668.

SUMÁRIO

O Exórdio, a Proposição e a Divisão. — (Não existem, porque talvez Bossuet os tivesse escrito num papel solto que porventura se perdeu).

1.º Ponto. — As circunstâncias da vocação dos Apóstolos provam a divindade do cristianismo; pois, com serem fracos, rudes e ignorantes, com ser difícil o intento a realizar e pouco eficazes os meios humanos, foram bem sucedidos na sua empresa.

2.º Ponto. — A pesca milagrosa simboliza a historia da Igreja. Para adquirirem maior liberdade, o cisma e a heresia rompem às vezes as redes da Igreja; porque no povo de Deus, como na rede dos Apóstolos, há um excesso que embaraça e compromete o bom êxito da pesca, na própria ocasião em que ela parece ser mais feliz.

3.º Ponto. — A exemplo de Santo André e dos Apóstolos, devem os cristãos ser submissos, crédulos e generosos. Os sacrifícios que fazem pela fé em breve são indenizados; pois o sacrifício dos Apóstolos e o dos mártires, animando as virtudes cristãs, asseguravam a glória e as vitória da Igreja.

Peroração. — Para termos uma vida cristã é preciso combater incessantemente os impulsos do coração.

Venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum
Vinde, após de mim, e eu vos farei pescadores de homens (Mc 4, 19)

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Pensamentos Consoladores do Purgatório

Meditação para o Dia 02 de Novembro

Segundo um dos biógrafos de São Francisco de Sales, o santo dizia e sempre repetia que, em sua opinião, devemos tirar mais consolação do que temor do pensamento do Purgatório. Verdade é que, naquele lugar de expiação, são tão grandes os tormentos que não se lhes podem comparar as maiores dores desta vida. Mas também as alegrias interiores são lá de forma tal que não há neste mundo prosperidade nem alegria que as igualem. E quereis saber por que consola o pensamento do Purgatório? Continue reading

“Quo Vadis?”

Meditação para o Dia 05 de Julho

Contam as tradições de Roma que São Pedro fugia, medroso, da perseguição de Nero quando encontrou Jesus no caminho, com a cruz às costas.

“Para onde vais, meu Senhor?”, pergunta o apóstolo. “Para Roma, diz Jesus, e para ser de novo crucificado”

Pedro compreendeu a lição. Voltou e sujeitou-se corajosamente ao martírio. Jesus continua ainda a sofrer. E até o fim dos séculos há de carregar, em seus ombros feridos, o peso enorme de nossos pecados. Continue reading

O Oceano de Amarguras

Meditação para o Dia 06 de Maio

O Profeta não sabia a que comparar a dor imensa, o doloroso martírio de Nossa Senhora.

“Cui comparabo te vel cui assimilabo te, filia Ierusalem?”

Só a imensidade e as agitações do oceano lhe podem servir de pálida imagem. Comentando as palavras do profeta, exclama um Autor piedoso:

“Virgem bendita, assim como a amargura do mar excede a todas as amarguras, assim a tua dor excede a todas as dores”

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Rainha dos Mártires

Meditação para o Dia 05 de Maio

Não se pode contestar, afirma Santo Afonso, que Maria tenha sido mártir. Provam-no Dionísio Cartusiano, Perbalto, Catarino e muitos outros. Para o martírio, basta uma dor suficiente para dar a morte, ainda que, na realidade, não se venha a morrer. São João Evangelista tem as honras do martírio, embora não tenha morrido na caldeira de azeite fervente. A obediência faz mártires. Maria foi mártir, sem que tocassem os algozes em seu corpo virginal. Ela teve um martírio dos mais cruéis: o do coração. Continue reading

Os Mártires

Meditação para o Dia 27 de Fevereiro

Quereríamos a glória do martírio. Que inveja nos causam os heróis cristãos na arena do anfiteatro, nas prisões, nos cavaletes, na cruz! E podemos ter a glória do martírio e de um martírio não menos glorioso do que o daqueles que derramaram seu sangue pela causa de Cristo. Diz Santo Agostinho que o martírio não consiste na pena, mas na causa ou fim por que se morre. E o Angélico Doutor ensina que se pode ser verdadeiro mártir, morrendo no exercício de um ato de virtude. Continue reading

A Mãe Feliz – Os Santos Inocentes

Meditação para o Dia 28 de Dezembro

1. Maria conservava todas estas coisas, conferindo-as no seu coração“. Belo exemplo! Maria guardou tudo o que os pastores fizeram e disseram em louvor de seu Filho, e tu tão facilmente abandonas as aspirações que não faltam nunca, quer venham diretamente de Deus, quer por intermédio de Seus ministros! Maria meditava em tudo. Por que não te lembras mais vezes das graças já recebidas, agradecendo-as devidamente e correspondendo-lhes sempre melhor? Esqueceste que só uma coisa é necessária, tratar da salvação de tua alma? Continue reading

Toda a vida do nosso Divino Salvador foi um martírio contínuo

Cristo, Homem das Dores (Carlo Dolci)

Capítulo XV

Viram dolorum – “Jesus foi um homem de dores” (Is 53, 3)

Sim, verdadeiramente Jesus foi um homem de dores; sua vida foi toda de sofrimentos interiores e exteriores; foi um martírio continuo, um martírio mil vezes mais cruel do que podemos imaginar. Que não teve ele de sofrer durante os nove meses que passou no casto seio de sua mãe? É certo que gozava de toda a sua razão e tinha o mais fino sentimento de todos os seus sofrimentos. Que horrorosa posição esta! Oh! sempre muito amor era preciso haver no coração deste bom Mestre, pois para no-lo testemunhar quis encerrar-se numa tão incomoda prisão! E em seu nascimento o que não sofreu? Ele a nascer num curral, ele exposto às injurias do tempo, ele a tremer de frio, ele a chorar. Por toda a parte o acompanham os sofrimentos, nem um instante o deixam. Se sai do presépio de Belém, é para derramar as primícias do seu sangue; mais tarde um pouco essa sua mesma pátria forçado se viu a deixar e fugir para terra estrangeira, afim de escapar ao furor de um rei ímpio e sanguinário. Por toda a sua vida terá que sofrer os incômodos da pobreza, e terminá-lo-á sim, terminará essa vida de angustias por uma cruel morte! Eis aqui pois, ó meu Jesus! o que por mim tendes sofrido; Ah! Bem justo é que por vosso amor também eu sofra alguma coisa. Fazei-me a graça, eu vos suplico, de sequer ao menos suportar com paciência e resignação as penas desta vida corruptível. Continue reading

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