Sumário. Ó Deus, quem não teria compaixão se visse um jovem príncipe, filho de um grande monarca, nascer em tão grande pobreza, que, necessitado de tudo, até se fazia mister deitá-lo numa manjedoura? Tal é exatamente o estado de Jesus-Menino, Filho de Senhor do céu e da terra. Os anjos, é verdade, estão ali para o adorar; não, porém, o socorrem. Mas como Jesus abraçou tão apertada pobreza unicamente para nos fazer ricos dos seus bens e nos obrigar a amá-lo, quanto mais pobre se fez, tanto mais amável se nos mostra.Propter vos egenus factus est, cum esset dives; ut illius inopia vos divites essetis — “Sendo rico, se fez pobre por vosso amor, a fim de que vós fôsseis ricos pela sua pobreza” (2 Cor 8, 9)

Circunstâncias do nascimento de Jesus
Entramos em espírito no pobre presépio de Belém, e consideremos com os olhos da fé as circunstância do nascimento do nosso adorável Salvador. Neste mesquinho albergue é que a divina Maria, arrebatada em sublime contemplação e abrasada em ardente amor de Deus e em desejo extremo de ver o seu Filho, sem sofrer a menor dor e sem deixar de ser a mais pura das virgens, deu à luz o rei do céu e da terra, o Messias prometido e esperado, havia quatro mil anos. Prostremo-nos profundamente aos pés deste divino Infante, adoremo-lO como nosso Criador, Redentor, soberano Mestre e Deus. Depois de Lhe termos tributado vassalagem com todos os afetos que à fé, a religião, o amor e a gratidão podem inspirar-nos, rendamos obséquios a Sua terna Mãe; felicitemo-la pela ventura inefável de ser Mãe de Deus; honremo-la nesta qualidade e ponhamos nela a nossa confiança.