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Boa e Má Consciência

Boa e Má Consciência, Tesouros de Cornélio à Lápide

O que é uma boa consciência?

Um boa consciência, diz Hugo de São Vítor, é aquela que sendo doce para todo o mundo, não fere a ninguém, usa castamente da amizade, é paciente para os inimigos, benfeitora para todos, e faz tanto bem quanto lhe é possível. Uma boa consciência é aquela à qual Deus não imputa pecados, porque os evita; nem imputa- lhe os pecados dos demais, porque não os aprova; nem os da negligência, porque falou e agiu quando era necessário; nem os do orgulho, porque permaneceu na humildade e na unidade (Lib. III de Anim., c. IX).

A boa consciência é aquela que é reta, que obedece às leis de Deus e às da Igreja, e que se vale das luzes da razão para esclarecer-se.

A boa consciência é a que vigia para não cair, e imediatamente levanta-se de suas quedas. A boa consciência é o homem inteiro, porque o homem não é nada, ou melhor, ele é um flagelo, um monstro, quando não tem uma boa consciência.

A boa consciência é a imagem de Deus na terra. Continue reading

Aflições

Aflições, Tesouros de Cornélio à Lápide

Excelências e vantagens das aflições

É muito melhor o sofrer por Jesus Cristo do que o ressuscitar mortos, diz São João Crisóstomo. Por meio deste, nós contraímos uma dívida com Deus. Por meio daquele, Jesus Cristo se converte em nosso devedor. Ó Maravilha! Jesus Cristo nos faz um obséquio, e por este obséquio ficará agradecido: Pati pro Christo, magis est quam suscitare mortos: hic enim debitor sum (Deo); illic autem debitorem habeo Christum. Ó rem admirandam! Et donat mihi, et super hoc, ipse debet mihi (Homil. IV in Epist. ad Philipp.).

Santo Egídio, discípulo de São Francisco, dizia:

“Ainda que o Senhor fizesse cair pedras e rochas do céu, nenhum dano nos fariam se soubéssemos sofrer as aflições” (Ribaden, in ejus vita).

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Fugida para o Egito

Capítulo 18: Fugida para o Egito
Dor de Maria Santíssima

A triste profecia do velho Simeão não tardou a começar a realizar-se. O Deus Menino, vindo ao mundo para redenção de todos os homens, principiou logo a ser o alvo das perseguições dos ímpios. Apenas a sagrada Família volta de Jerusalém, um anjo aparece em sonho a São José, e lhe manda que tome o Menino e sua mãe e fuja para o Egito, porque Herodes procuraria este divino infante para Lhe dar a morte. No mesmo momento o Santo Patriarca levanta-se, comunica à santíssima esposa a ordem do céu e dispõe-se para fugir. Que golpe para o coração de Maria! Deixar imediatamente a pátria, mudar de terra e, com o tenro Menino nos braços, partir para um país remoto! Fugir do meio do povo de Deus para uma gente supersticiosa; de um país onde se conserva a religião verdadeira, para uma região cheia de templos dos demônios! Ver o seu Menino apenas nascido, já perseguido de morte por aqueles a quem vem trazer a vida abundante de todas as graças! Que amargosa dor para tão sensível mãe! Compadeçamo-nos do terno coração de Maria, tão profundamente ferido; procuremos consolá-lo, fugindo de todo o pecado e exercitando-nos em todas as virtudes. Continue reading

Do primeiro fruto da quarta palavra

Capítulo 14: Do primeiro fruto da quarta palavra
Explicamos brevemente o que, quanto à Historia, diz respeito à quarta palavra. Agora a primeira consideração, que se nos oferece, para da árvore da cruz colhermos alguns frutos, é a de ter Cristo querido esgotar o cálice da Paixão completamente todo até a última gota. Tinha de estar na Cruz três horas, da 6ª até à 9ª, nela esteve três horas inteiras completas e mais que completas; pois foi crucificado antes da 6ª e expirou depois da 9ª, como se prova com o seguinte argumento: O eclipse começou à hora 6ª, como dizem três Evangelistas, São Mateus, São Marcos, e São Lucas; e expressamente São Marcos:

“E chegada a hora de Sexta, se cobriu toda a Terra de trevas até a hora de Nona” (Mc 15)

E três das sete palavras do Senhor, proferidas na cruz, foram-no antes de começarem as trevas, e antes da hora sexta; e as quatro últimas, depois das trevas e por isso mesmo depois da hora 9ª. São Marcos, porém, ainda com mais clareza explica tudo, dizendo:

“Era a hora de Terça, quando o crucificaram”

E depois acrescenta:

“E chegada a hora de Sexta converteu-se o dia em trevas”

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Excelência do desejo da Vida Perfeita

Meditação para a Quinta Sexta-feira depois de Pentecostes. Excelência do desejo da Vida Perfeita

Meditação para a Quinta Sexta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Continuaremos a meditar sobre o desejo da vida perfeita, e veremos:

1.° Que este desejo é um indício de predestinação;

2.° Que cresce na alma à proporção que se progride na virtude.

— Tomaremos depois a resolução:

1.º De aspirarmos incessantemente a uma mais alta perfeição;

2.° De nos lembrarmos muitas vezes do modo como os santos amavam e serviam a Deus, de nos envergonharmos de estar tão longe deles, e de nos excitarmos a amar e a servir a Deus como eles.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do Salmista:

“Bem-aventurado aquele que resolveu no seu coração subir de virtude em virtude” – Ascenciones in corde suo disposuit (Sl 83, 6)

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Desejo da Vida Perfeita

Meditação para a Quinta Quinta-feira depois de Pentecostes. Desejo da Vida Perfeita

Meditação para a Quinta Quinta-feira depois de Pentecostes

SUMARIO

Depois de termos meditado o que Deus fez por nós, desde a Sua Encarnação no seio de Maria até à Sua presença quotidiana nos nossos tabernáculos, meditaremos de ora em diante o que devemos fazer por Ele, isto é, a vida cristã a que somos obrigados para com Ele. Começaremos por meditar sucessivamente os seus princípios gerais. O primeiro princípio é que, para progredir na vida cristã ou vida perfeita, devemos desejá-la com ardor e constância. Procuraremos penetrar-nos bem deste princípio, considerando:

1.° Que é muito justo, que se deseje com ardor e constância a vida perfeita;

2.º Que este vivo desejo é o melhor meio de vir a ser perfeito.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De dizermos a Deus, todas as manhãs, quando acordarmos, e de repetirmos muitas vezes durante o dia esta aspiração, acompanhada de um grande desejo de sermos ouvidos:

Meu Deus, dignai-vos fazer, que eu tenha hoje uma vida verdadeiramente cristã!

2.° De nos vigiarmos a nós mesmos, todo o dia, para evitar tudo o que for contrário à perfeição da vida cristã.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do Salmista:

“A minha alma desejou ansiosa em todo o tempo as vossas justificações” – Concupivit anima mea desiderare justificationes mea (Sl 117, 20)

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