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São João na Paixão de Jesus Cristo

Capítulo 8: São João na Paixão de Jesus Cristo

I

Depois do hino de ação de graças, Jesus Cristo, tendo dado o sinal para deixar o cenáculo, encaminhou-Se para o monte das Oliveiras, onde costumava orar durante a noite.

Foi durante esse trajeto que fez a seus discípulos uma parte do discurso que nos transmitiu São João, e do qual precisa bem o lugar e as circunstâncias. Caminhavam juntos lentamente, por uma noite triste e suavemente iluminada pelo luar da Páscoa. E, ao atravessar as vinhas que, naquele lugar cresciam como grandes arbustos, Jesus, segundo o costume, tomava da natureza que se lhe antolhava, imagens capazes de melhor fazer compreender a sua doutrina.

“Eu sou, dizia ele, a verdadeira vida, e meu Pai é o agricultor. Eu sou a videira, e vós as varas. O que permanece em mim, e eu nele esse dará muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” – Ego sum vitis vera, et Pater meus agrícola est… Ego sum vitis, vos palmite. Qui manet in me et ego in eo, hic fert fructum multum: quia sine me nihil potetis, facere (Jo 15, 1, 5).

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São João durante a Ceia

Capítulo 7: São João durante a Ceia

I

Havia três anos que João não deixava seu Mestre. Gravara no espírito suas palavras, fixara-lhe os traços na alma. Tinha igualmente participado de seus sofrimentos. Também, em parte alguma se veem os ultrajes dos Judeus, o ódio dos fariseus, a inveja dos sacerdotes contra o Filho de Deus, em uma história mais seguida e mais comovedora, como no Evangelho de São João.

Mas, nestes últimos tempos, o apóstolo verificava que a cólera a princípio em surdina, prorrompia dia a dia em ameaças mais sinistras. Chegavam já às primeiras violências (1). Um dia os fariseus mandaram gente para prender a Jesus (2). Outra vez quiseram apedrejá-lO (3). João sabia que, em um conselho, haviam decretado que o Justo devia morrer (4). Ele o vira escapar-se de suas mãos deicidas (5). Enfim, os discípulos, conforme ele nos conta, tinham sido obrigados a seguirem o Mestre para uma espécie de exílio, na cidade de Efrem, ao lado do deserto, e ali viver escondidos para se furtarem aos males extremos a cair sobre essa cabeça sagrada (6).

A festa da Páscoa, porém, tendo o feito voltar à cidade, o entusiasmo popular rompeu à sua entrada, com tal impulso de gratidão, que os inimigos do Salvador resolveram acabar com Ele, e João previu tristes acontecimentos.

Muitas vezes Jesus dissera:

“Ainda não é chegada a minha hora” – Meum tempus nundum impletum est (Jo 8, 8)

O Discípulo ouvia-o dizer agora:

“É chegada a hora em que o Filho de Deus será glorificado. Em verdade vos digo, é necessário que o grão de trigo seja enterrado para que dê seu fruto.

O que ama a sua vida, perdê-la-á; e o que aborrece a sua vida neste mundo, guarda-a para a vida eterna” – Jesus autem despondit eis, dicens: Venit hora ut clarificetur Filius hominis. Amen, amen dico vobis: Nisi granum frumenti cadens in terram mortuum fuerit, ipsum solum manet; si autem mortuum fuerit, multum fructum affert.

Qui amat animam suam perdet eam; et qui odit animan suam in hoc mundo, in vitam aeternam inveniet eam (Jo 12, 23)

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