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Por que?

Na linda natureza de Deus
O estudo torna incrédulo? Por que? O microscópio que nos revela o reino do imensamente pequeno, e o telescópio que faculta à vista penetrar na imensidade de mundos longínquos, ambos levantam a grande questão:

“Quem é o Senhor? Quem faz aqui as leis? Quem manda? Por que tudo isso é assim? Por que?”

A palavrinha “por que?”, que já surge, instintivamente nos lábios da criança, é talvez a mais humana das palavras. O eterno “por que?” nos lábios dos homens é o grande símbolo do profundo desejo de saber, da grande ânsia que enche nossa alma. Analisamos, pesquisamos, avançamos sempre mais longe, de uma causa para outra, até que atinjamos a causa primária de tudo, à qual chamamos Deus. Inata em nossa alma é a sofreguidão; nenhures nos deixa fazer alto. As pesquisas em todos os campos da ciência são um atestado único da infinita sabedoria de Deus.

“Admitamos que alguém tenha, após longa observação, compreendido todo o mecanismo da locomotiva; que se tenha capacitado da finalidade dos diversos parafusos, e da eficácia das rodas, sem, contudo, reconhecer a força que põe a máquina em movimento. Ao perceber que pode tornar mais lento e mesmo interromper o andamento da locomotiva, mexendo nesta ou naquela peça, se ele tirasse a conclusão que a máquina se movimenta exclusivamente por causa desse remexer nas peças, e nada mais há que a põe em andamento, não chamaríamos de néscio tal homem, embora admiremos a habilidade que demonstrou no reconhecimento das particularidades das diferentes peças? No entanto, não fazem os mesmos muitos naturalistas festejados? Acho que se a existência de Deus se nos impõe já pela única inspeção da natureza, o estudo desta não poderá abalar tal convicção. Cada passo que avançamos nas ciências naturais, traz como resultado aumentar o número de coisas, cuja causa primária desconhecemos; e a maravilhosa harmonia que unifica tudo, e de que nos capacitamos sempre mais profundamente, só poderá incrementar a admiração com a qual nos inclinamos ante o Criador desse universo” (Eotvos: Pensamentos).

Assim como o caçador se orienta pelas pegadas da caça, um jovem religioso encontra em toda parte os traços de Deus. Com a descoberta de cada nova lei é, como se em misteriosas profundezas, penetrássemos na oficina da criação; e quando se manifesta à nossa alma comovida algum novo mistério, sentimos como que o hálito do Criador.

No centro de nossas investigações, dos muitos “‘porquês” está um misterioso santuário, uma imagem velada, a pergunta pela essência da vida. Que é a vida? Durante séculos nos esforçamos, procurando decifrar o que poderia ocultar esse véu; mas a sagacidade humana falhou. O mistério da vida é hoje ainda impenetrável. Não conseguirá a inteligência humana jamais resolvê-lo? Ou será esse mistério tão achegado a Deus, que perscruta sua sublime grandeza é vedado para sempre à vista humana?

Meu coração lateja dia e noite, quer eu pense nele quer não! Basta-me lesar, por pouco que seja, o dedo e imediatamente se anuncia em todo o corpo a sensação da dor, e no mesmo instante as mínimas partículas dele entram em atividade a fim de sanar a ferida. Assim já era há mil anos, quando ainda não se sabia tanto acerca das funções do organismo; e assim será por milênios, quando a humanidade tiver descoberto novas minúcias sobre estas coisas misteriosas.

Apesar de eu nada saber desse trabalho, deve sabê-lo alguém que dirige tudo. Meu ouvido, minha vista, meu coração, tudo me responde: “quer saibas muito a nosso respeito, quer nada saibas, quer nos observes ou não, é o mesmo. Realizamos nosso trabalho silencioso, oculto, precisamente, como Deus nô-lo ordenou”.

À vista das maravilhas que nos cercam e que se nos revelam, devemos dar razão ao pensador americano, Emerson, quando diz:

“Aquilo que vejo de Deus, basta-me para acreditar naquilo que não vejo.”

Afinal, se alguém não quiser crer, seja. Também podemos fechar os olhos ante o sol ofuscante e lastimar-nos: “nada enxergamos”. O Salvador ressuscitou Lázaro, quatro dias depois que este morrera. Uma multidão de gente estava à volta do túmulo, podiam todos ver o incrível milagre. Os fariseus também o viram. Converteram-se? Creram em Cristo? Não! Espumando de raiva, reuniram-se a combinar a maneira de perdê-lo.

Outro exemplo: Jesus morre na cruz. Os fariseus puseram guardas ao túmulo a fim de vigiá-lo. Na madrugada da Páscoa, seus próprios homens, tremendo de medo e gaguejando, trouxeram-lhes a notícia que o morto havia ressuscitado. Acreditam agora? Não! “Dizei que os discípulos vieram de noite e o roubaram, enquanto dormíeis”.

São casos assustadores! Eles mostram a triste possibilidade que tem o homem de cerrar os olhos mesmo ante a mais patente verdade! Não quero! Não quero crer! Não, mil vezes não!

Considera quanta razão tinha Pascal, quando dizia:

“Não procures convencer-te das verdades eternas pelo acúmulo de argumentos, mas por meio da vitória sobre tuas paixões.”

A cabeça não deves quebrar.
A vontade é que hás de domar!

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(TOTH, Monsenhor Tihamer. Na linda natureza de Deus. Editora S. C. J., 1945, p. 141-144)

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