Meditação para 13 de Outubro: Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Mensagem do Rosário

Em menos de um século Maria Santíssima baixa à terra duas vezes com duas mensagens do Rosário. Lourdes e Fátima são essencialmente revelações do Rosário. Em Massabielle Nossa Senhora quer dizer ao mundo:

Eu sou a Imaculada Conceição, e traz o Rosário e com Bernadete passa-o entre os dedos, graciosamente.

Em Fátima toda a revelação é exclusivamente do Rosário. Pergunta a criança ingênua a doce visão:

— Quem é vosmicê?

Eu sou a Senhora do Rosário, responde Maria Santíssima, já depois de haver recomendado nas cinco aparições precedentes a recitação do Terço.

Em 13 de Maio de 1917 aparece a Bela Senhora pela primeira vez aos olhos dos inocentes pastorinhos de Portugal.

Os meninos a descrevem.

A maravilhosa Senhora parecia ter de 15 a 18 anos. O vestido branco como a neve, aconchegado ao pescoço por um cordão de ouro, descia até aos pés, que mal se viam, roçando de leve as franças da azinheira.

Cobre-lhe a cabeça, donde cai modestamente sobre os ombros um manto branco também debruado de ouro, quase do mesmo comprimento que o vestido. As mãos têm-nas juntas em oração à altura do peito, e da direita pende um lindo Rosário de contas brilhantes como pérolas, terminando por uma pequenina cruz de prata brunida. O rosto de linhas puríssimas e infinitamente delicadas, brilha numa aureola de sol, mas parece velado por uma sombra de tristeza. Depois de uns momentos de silêncio, Lúcia, a mais velha dos pequenos, ousa perguntar:

— Donde é vosmicê?
— Sou do céu.
— E que veio cá fazer?
— Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos no dia 13, a esta mesma hora.
— Em Outubro vos direi quem sou e o que quero.

E recomenda aos pequeninos:

— Rezem sempre o Terço com devoção.

Em 13 de Junho nova aparição na Cova da Iria. A mesma recomendação:

— Rezem o Terço todos os dias!

E ensina as jaculatórias para serem intercaladas entre os mistérios depois do Glória ao Pai:

“Ó meu Jesus, perdoai-nos! Livrai-nos do fogo do inferno e aliviai as almas do Purgatório, principalmente as mais abandonadas”.

Em 13 de Julho a Virgem insiste:

“Rezem o Terço em honra de Nossa Senhora todos os dias para obter o fim da guerra… algumas pessoas receberiam as graças pedidas. Mas… seria preciso… rezar o Terço”.

Em 13 de Agosto os pequeninos perseguidos e ameaçados e presos não puderam comparecer à Cova da Iria. Nossa Senhora lhes aparece em 19 do mesmo mês.

— Rezai, diz a visão, rezai pelos pecadores. Olhai que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.

E a Aparição repele:

“Voltem dia 13 de cada mês e rezem todos os dias o Terço”.

Na quinta audiência do Céu, Maria promete voltar ainda em 13 de Outubro e confirma a promessa de um grande milagre.

— Continuem a rezar o Rosário é a recomendação.

Os videntes são submetidos a severos interrogatórios. Perguntam com insistência:

— Que foi que Nossa Senhora mais recomendou?
— Que rezássemos o Terço todos os dias…

Finalmente, em Outubro, mês do Rosário, a Virgem Santíssima se revela:

— Eu sou a Virgem do Rosário e vim para exortar os fiéis a que mudem de vida e não aflijam mais com o pecado a Nosso Senhor que já está muito ofendido! Rezem o Rosário e façam penitência.

Viu-se o grande prodígio. — O milagre do sol. E Fátima desde então tornou-se a Terra do Rosário.

***
Lições de Fátima

Há uma semelhança entre Lourdes e Fátima que impressiona. Ambas as revelações trazem ao mundo a mensagem do Rosário e da Penitência. Penitência! Penitência! Recomendava Maria na gruta de Massabielle e a pequena Bernadette beijava o chão pelos pecadores. Aos pastorinhos da Cova da Iria a mesma súplica do Coração de Maria:

— Não ofendam mais a Nosso Senhor que já está muito ofendido!

Os pequeninos guardaram funda impressão da tristeza revelada por Maria ao falar na ingratidão e nos pecados do mundo.

Jacinta, uma das videntes, florinha de candura, fez-se anjo de penitência e de oração pelos pecadores. Ela guardou com amor a recomendação de Nossa Senhora. Nos últimos dias de vida, num calvário de dores horríveis sofria pelos pecadores. As lições de Fátima estão nas palavras deste Anjinho, palavras guardadas carinhosamente em notas tomadas pela sua Madrinha. Ei-las e aprendamos nelas as lições de Fátima:

— Os pecados que levam mais almas para o inferno são os pecados da carne. Hão de vir modas que hão de ofender muito a Nosso Senhor. Os pecados do mundo são muito grandes. Nossa Senhora disse que no mundo há muitas guerras e discórdias. As guerras não são senão castigos pelos pecados do mundo. É preciso fazer penitência. É preciso fazer penitência! Se a gente se emendar ainda Nosso Senhor salvará o mundo, mas se não se emendar virá o castigo.

A madrinha de Jacinta escreve a propósito destas últimas palavras:

“Referia-se a menina a um grande castigo de que me falou em segredo! Nosso Senhor tenha piedade de nós! Daqui a alguns anos muitas coisas se hão de ver no mundo…”

Não seria esta guerra tremenda em que se acha o mundo?

Ao falar deste castigo horrendo a menina chorava.

— Coitadinha de Nossa Senhora! Ai, eu tenho muita pena de Nossa Senhora! Tenho muita pena! Se os homens soubessem o que é a eternidade como haveriam de fazer penitência e se emendarem!

E repetia:

“Minha madrinha, peça muito pelos pecadores! Peça muito pelos padres! Peça muito pelos religiosos! Peça muito pelos governos! Minha madrinha, não ande no luxo, fuja das riquezas. Tenha muita caridade mesmo com quem é mau. Não fale mal de ninguém e fuja de quem diz mal. Tenha muita paciência porque a paciência leva-nos para o céu”.

Eis aí todas as lições mais belas de Fátima nos lábios daquele Anjinho que Nossa Senhora levou para ó céu depois das Aparições. Que mais seria mister acrescentar?

Fátima como Lourdes são revelações de Maria doce Refúgio dos pecadores e ambas trazem ao mundo estas duas mensagens, estes avisos do céu:

— Fazei penitência!
— Rezai o Rosário!

***

EXEMPLO

Os Anjos de Fátima

Jacintinha, o Anjo de Fátima, muito sofreu na terra, antes de partir para o Céu. Esta menina admirável, na escola do Rosário, chegou a mais alta perfeição em pouco tempo. Passava os seus dias no sofrimento, na penitência heroica e acima das forças de uma criança, e, sempre a rezar o Terço pelos pecadores como lhe havia recomendado a bela Senhora da Cova da Iria.

Gravemente enferma fora recolhida a um Hospital. Ali viu algumas enfermeiras trajadas com pouca decência e triste exclamou:

“Para que serve isto? Se soubessem o que é a eternidade!”

Extraíram-lhe, numa dolorosa operação, duas costelas e lhe deixaram uma larga ferida. A pequenina Mártir só exclamava:

“Ai! Nossa Senhora! Paciência! Temos que sofrer para ir para o Céu!”

Quatro dias antes da morte falou à sua Madrinha:

“Olhe Madrinha, já não me queixo! Nossa Senhora me apareceu dizendo que em breve me viria buscar e me tiraria as dores”

Desde então nunca mais se queixou. Sempre feliz. Na noite de 20 de Fevereiro de 1920 expirou em doce paz. O corpo, que tanto havia se mortificado, todo vestido de branco e de faixa azul, foi depositado na Igreja e era incrível a multidão que o queria ver, tocar objetos de piedade e pedir relíquias. Exalava um perfume suavíssimo e inexplicável. Em Lisboa fora sepultado no jazigo de uma piedosa família. Em 12 de Setembro de 1935 fez-se a transladação para o cemitério de Fátima. Por um corte feito no caixão de zinco notou-se que se achava o rosto perfeitamente conservado.

Terá a Jacintinha o privilégio de Bernadete? Ela foi realmente um anjo do Rosário. Santificou-se em pouco tempo a repetir o Terço, o querido Terço que tanto lhe havia recomendado Nossa Senhora nas Aparições.

Um ano antes, no dia 4 de Abril de 1919, falecia também um dos videntes, Francisco, o heroico menino que nunca deixava o Terço e não passava dia sem duros sacrifícios. Dizia à Mãe sorrindo:

“Olhe, minha Mãe, que luz bonita!… E depois de uns instantes: — Agora não a vejo…”

Sorriu, e expirou, sem agonia, sem um gemido. Contava apenas onze anos. E nesta idade quanta virtude heroica neste pequeno e quantos Rosários e mortificações! Cumpriram os videntes a ordem de Maria Santíssima:

— Penitência e Rosário!

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(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. O Mês do Rosário, Edições do “Mensageiro do Santíssimo Rosário”, 1943, p. 103-111)