Categoria: Breviário da Confiança (page 2 of 37)

Melancolia das Grandes Almas

Meditação para o Dia 21 de Dezembro

“Não há grande homem sem melancolia”, diziam os antigos. A melancolia nos grandes corações é uma aparição velada, um sentimento do Infinito, a nostalgia do Céu. O Infinito é fim supremo dos desejos do homem. Fora disto, nada pode satisfazer suas aspirações e encher o vácuo imenso que a necessidade de ser feliz cavou em nossa alma. Chateaubriand estuda com fina psicologia essa imensa e misteriosa vaga de tristeza que nos invade a alma e faz chorar por um nada, por uma flor, um olhar, uma recordação, um espetáculo da natureza. É uma paixão que não é a glória, uma paixão que não é o amor, nada de carnal ou terrestre. Algo de estranho, indefinível, que se apodera da alma e a faz chorar e perguntar a si própria:

“Que tenho? Que se passa em mim?”

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O Deserto que Chora

Meditação para o Dia 20 de Dezembro

Contam os viajantes, que à noite, quando os vendavais sopram furiosamente as areias do deserto, ouve-se ao longe como que um soluço, um gemido angustiado.

“Escuta – diz o árabe – escuta o deserto! Não ouves como ele chora? Chora, coitado, porque desejaria tanto ser uma campina, um prado verdejante!”

“Eis aí o coração do homem”, diz com felicidade um Autor. O pecado fez do nosso coração, outrora campo florido e embalsamado, um enorme, árido e triste deserto. Uma solidão horrorosa. Mas esse deserto vivo tem consciência de sua enorme desgraça e quer reverdecer e reflorir. E se queixa, e chora desolado. Continue reading

Livre!…

Meditação para o Dia 18 de Dezembro

Queremos ser livres. É uma das aspirações mais ardentes da Humanidade. O sonho do mundo. E como sofre o homem em busca do seu ideal, até hoje em vão procurando, nesta terra vil, neste mundo de injustiças! As revoluções abalam o mundo e a liberdade refulge aos olhos dos sonhadores, aos olhos do povo, como um raio de luz, para desaparecer logo, deixando-nos em trevas. A liberdade completa, o paraíso terrestre, que uma filosofia materialista prega, é uma utopia, suprema loucura. Continue reading

“Videbimus!”

Meditação para o Dia 18 de Dezembro

Um religioso da Ordem de São Domingos, ao exorcizar um possesso, perguntou ao demônio em que lugar queria ele habitar. O demônio respondeu pela boca do possesso:

“Quisera estar no Céu, para gozar a visão de Deus. Eu só vi um instante a Sua Face Adorável e, para obter segunda vez esse favor e gozar ainda, um instante só, a mesma felicidade, aceitaria tudo, tudo o que sofreram todos os demônios reunidos, desde o começo e até o último dia do Juízo”

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Vida, minha vida, por que te Perturbas?

Meditação para o Dia 17 de Dezembro

Nos dias que antecederam a vinda do Salvador, contam as tradições, o templo de Jerusalém se enchia de rumores e sinais estranhos. Um doutor da lei, testemunha desses prodígios, exclamou:

“Templo, ó Templo, que tens? Por quete perturbas?” – ‘E, falando eu de outro templo – diz Lacordaire – maior que o de Jereusalém, o templo da vida humana, digo também, com o mesmo acento melancólico: ‘Ó vida! Ó vida! por que te perturbas? Não encontrarás jamais repouso? Não te acalmas?'”

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Vantagens da Paciência nas Enfermidades

Meditação para o Dia 16 de Dezembro

São tantas e tão consoladoras as vantagens da paciência nas enfermidades que impossível seria enumerá-las todas. Vejamos algumas.

“A paciência – diz o Pe. Lapuente (1) – coloca-nos no auge da vida cristã, porque ela, segundo o apóstolo São Tiago, é a que faz a obra perfeita e dela, como diz a Glosa, nasce a perfeição, à qual se chega pelos oito degraus das bem-aventuranças que Cristo Nosso Senhor pregou na Montanha. E, dessas bem-aventuranças, a última consiste na paciência”

A paciência é, pois, a pedra de toque para conhecer os graus da santidade, conforme o que diz o sábio:

“A doutrina do varão se conhece na paciência, porque, sabendo sofrer, descobre que tem a verdadeira sabedoria e conforma a vida com ela”

A paciência é o sinal certo do amor que temos a Deus. Torna-nos semelhantes a Jesus Cristo Nosso Senhor, cuja vida foi toda um exercício de paciência. Faz ainda mártires, porque não pequeno martírio é superior, sem queixas, blasfêmias e ira, tantas dores da enfermidade.

“A paciência – diz Santo Agostinho – vence todas as coisas adversas, não lutando,não sofrendo, não murmurando, mas dando graças a Deus por tudo!”

A paciência livra dos males eternos, alcança a coroa de glória, fecha a porta do inferno e abre a do Paraíso. É a doença uma boa escola de santidade, porque, sofrendo, exercita a alma na paciência e a paciência leva à perfeição do Amor.

Referências:

(1) La perfecion en las enfermedades – c. X. p. 142

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 375)

Almas Reparadoras

Meditação para o Dia 15 de Dezembro

Hoje, mais do que em tempo algum, o mundo, para se salvar, tem necessidade de almas generosas, de almas reparadoras.

“A necessidade de reparar – escreve o admirável Pe. Plus, S. J. (1) – não se impõe somente como dedução dos princípios sobre que assenta a nossa fé católica e, especialmente, a doutrina do Corpo Místico e o Dogma da Redenção, impõe-se também como consequência forçosa de um ensinamento formal, constante e muitas vezes repetido de Nosso Senhor! Não nos soa ao ouvido a palavra de Jesus: – Fazei penitência! Fazei penitência! Que é a penitência? Reparação. Continue reading

Abismo sobre Abismo

Meditação para o Dia 14 de Dezembro

Meditemos com Santa Margarida Maria os abismos insondáveis do Coração de Jesus. Eis como ela nos fala, com tanta eloquência, desses abismos:

“O Coração de Jesus é um abismo de amor, onde havemos de abismar todo o amor-próprio que em nós existe, com todas as suas produções más, isto é, respeitos humanos e desejos de nos satisfazer. Se estais no abismo da pobreza e desnudados de vós mesmos, ide abismar-vos no Coração de Jesus. Ele vos enriquecerá. Se vos achais num abismo de fraqueza e caís a cada instante, ide abismar-vos na forçado Sagrado Coração, que vos fortificará e vos livrará. Continue reading

Confia e Espera!

Meditação para o Dia 13 de Dezembro

Lucie-Christine é o pseudônimo que oculta o nome de uma grande mística contemporânea, que viveu em Paris e nos deixou, em seus escritos, luzes maravilhosas sobre a Bondade Infinita de Nosso Senhor. Ela escreveu em um diário íntimo, publicado pelo Pe. Poulain, S.J., esta nota breve e tão sugestiva:

“25 de agosto de 1882 – Bondade de Jesus sentida na Comunhão. – Morremos sem ter conhecido a bondade de Nosso Senhor, mesmo com estas inefáveis comunicações”

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Confiança-Barômetro

Meditação para o Dia 12 de Dezembro

“Nossa confiança – diz o Pe. Paulo de Jaeguer, S.J. – é, infelizmente, como um barômetro: abaixa com a chuva e sobe com o tempo bom” (1)

Sentimos na oração, na santa comunhão, um fervor delicioso, um recolhimento doce, lágrimas de ternura: sobe nossa confiança. Depois, vêm logo, muitas vezes, uma aridez torturante, fadiga, distrações na oração, provações, etc. Que frieza! Julgamo-nos tíbios e indiferentes. A tempestade, a chuva, a borrasca, as trevas. Nossa confiança desce e desce muito. Continue reading

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