Meditação para o Dia 18 de Dezembro

Queremos ser livres. É uma das aspirações mais ardentes da Humanidade. O sonho do mundo. E como sofre o homem em busca do seu ideal, até hoje em vão procurando, nesta terra vil, neste mundo de injustiças! As revoluções abalam o mundo e a liberdade refulge aos olhos dos sonhadores, aos olhos do povo, como um raio de luz, para desaparecer logo, deixando-nos em trevas. A liberdade completa, o paraíso terrestre, que uma filosofia materialista prega, é uma utopia, suprema loucura. Esse anseio de liberdade que agita nosso coração, não encontrará, na escravidão horrorosa das paixões libertadas, a sua plena satisfação. Somos grandes demais e nosso coração tem proporções infinitas. Não há felicidade terrena que o satisfaça. Livres são os que se libertaram da escravidão das paixões e do pecado, os que gozam a liberdade de nossos sonhos quando se realizar o que escreveu o Apóstolo na Visão de Patmos:

“E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos, e não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem mais haverá dor, porquanto as coisas de outrora desapareceram” – Et absterget Deus omnem lacrimam ab oculis eorum, et mors ultra non erit, neque luctus, neque clamor, neque dolor erit ultra, quia prima abierunt

Só no Céu, sem o peso de um corpo mortal e cheio de miséria, na posse do Bem Eterno, na satisfação plena de todos os ideais de felicidade que hoje nos agitam, só no Céu poderemos dizer em verdade:

“Livre! Eternamente livre!”

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 378)