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Meditação sobre uma alma que delibera a escolha entre o Céu e o Inferno

Escolha: Céu ou Inferno

Capítulo XVII

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus humildemente que te inspire.

CONSIDERAÇÃO

I. No começo desta meditação imagina que estás numa vasta região com o teu anjo da guarda, mais ou menos como Tobias, o jovem que viajava em companhia do arcanjo Rafael, e que ele, abrindo o céu ante teus olhos, te mostra a beleza e glória dessa mansão, ao mesmo tempo que faz aparecer o inferno debaixo de teus pés.

II. Feita esta suposição, de joelhos, como em presença do teu bom anjo, considera que na realidade te achas neste caminho entre o céu e o inferno e que um e outro estão abertos para te receber, conforme a escolha que fizeres. Mas pondera atentamente que a escolha que pode fazer-se agora, nesta vida, perdura eternamente na outra. Continue reading

Meditação sobre o Paraíso

Paraíso e a glória de Deus

Capítulo XVI

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.

CONSIDERAÇÃO

I. Representa-te uma noite serena e tranquila e pondera quão agradável é para a alma contemplar o céu todo resplandecente ao brilho de tantas estrelas. Ajunta a estes encantos inefáveis as delícias dum claro dia, em que os raios mais brilhantes do sol, entretanto, não encobrissem a vista das estrelas e da lua; e, feito isso, dize a ti mesma que tudo isso não é absolutamente nada, em comparação com a beleza e a glória do paraíso. Oh! Bem merece os nossos desejos esta mansão encantadora. Ó cidade santa de Deus, quão gloriosa, quão deliciosa és tu!

II. Considera a nobreza, a formosura, as riquezas e todas as excelências da companhia santa daqueles que vivem aí; esses milhões de anjos, serafins e querubins; esses exércitos inumeráveis de apóstolos, de mártires, de confessores, de virgens e de tantos outros santos e santas. Oh! Que união bem-aventurada a dos santos na glória de Deus. Continue reading

Meditação sobre o Inferno

Inferno, por Giovanni da Modena. Pintura de 1410, presente na Basílica de São Petrônio

Capítulo XV

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.
3. Imagina uma cidade envolta em trevas, toda ardendo em chamas de enxofre e pez, que levantam uma fumaça horrível, e toda cheia de habitantes desesperados, que dela não podem sair nem morrer…

CONSIDERAÇÃO

I. Os condenados estão no abismo do inferno, como desventurados habitantes dessa cidade de horrores. Padecem dores incalculáveis em todos os seus sentidos e em todo o corpo; pois, assim como empregaram todo o seu ser para pecar, sofrerão também em todo ele as penas devidas ao pecado. Deste modo, sofrerão os olhos por seus olhares pecaminosos, vendo perto de si os demônios em mil figuras hediondas e contemplando o inferno inteiro. Aí só se ouvirão lamentos, desesperos, blasfêmias, palavras diabólicas, para punir por estes tormentos os pecados cometidos por meio dos ouvidos. E de modo análogo acontecerá aos demais sentidos. Continue reading

Meditação sobre o Último Juízo

Capítulo XIV

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.

CONSIDERAÇÃO

I. Enfim, uma vez terminado o prazo prefixado pela sabedoria de Deus para a duração do mundo, daqueles inúmeros e vários prodígios e presságios horríveis, que consumirão de temor e tremor os homens ainda vivos, um dilúvio de fogo se alastrará pela terra afora, destruindo tudo, sem que coisa alguma escape às Suas chamas devoradoras.

II. Depois deste incêndio universal, todos os homens hão de ressuscitar, ao som da trombeta do arcanjo, e comparecerão em juízo todos juntos, no vale de Josafá. Mas — ah — bem diversa será a sua situação: uns terão o corpo revestido de glória e esplendor e outros se horrorizarão de si próprios. Continue reading

Meditação sobre a Morte

Capítulo XIII

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.
3. Imagina que te achas enfermo, no leito de morte, sem nenhuma esperança de vida.

CONSIDERAÇÃO

I. Considera, minha alma, a incerteza do dia da morte. Um dia sairás do teu corpo. Quando será? Será no inverno ou no verão ou em alguma outra estação do ano? No campo ou na cidade, de noite ou de dia? Será dum modo súbito ou com alguma preparação? Será por algum acidente violento ou por uma doença? Terás tempo e um sacerdote para te confessares? Tudo isto é desconhecido, de nada sabemos, a não ser que havemos de morrer indubitavelmente e sempre mais cedo que pensamos. Continue reading

Meditação sobre os benefícios de Deus

Capítulo XI

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.

CONSIDERAÇÃO

1. Considera, com respeito ao corpo, todos os dotes que tens recebido do Criador: este corpo, duma conformação tão perfeita, esta saúde, estas comodidades tão necessárias à manutenção da vida, estes prazeres se ligam naturalmente ao teu estado, esta cooperação e assistência de teus inferiores, esta companhia suave e agradável de teus amigos. Compara-te então com outras pessoas que talvez mereçam mais do que tu e que no entanto não as possuem; pois quantas pessoas têm uma figura ridícula, um corpo disforme, uma saúde débil! Quantos não estão a gemer, abandonados de seus amigos e parentes, no desprezo, no opróbrio, em enfermidades longas ou nas angústias da pobreza. Deus assim quis uma sorte para ti e outra para eles. Continue reading

Meditação sobre o Fim do Homem

Garotinha rezando, por Roberto Ferruzzi

Garotinha rezando, por Roberto Ferruzzi

Capítulo X

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.

CONSIDERAÇÃO

1. Não foi por nenhum motivo de interesse que Deus nos criou, pois nós Lhe somos absolutamente inúteis; foi unicamente para nos fazer bem, em nos facultando, com Sua graça, participar de Sua glória; e foi por isso, Filotéia, que Ele te deu tudo o que tens: o entendimento, para O conheceres e adorares; a memória, para te lembrares dEle; a vontade, para O amares; a imaginação, para te representares os Seus benefícios; os olhos, para admirares as Suas obras; a língua, para O louvares, e assim as demais potências e faculdades. Continue reading

Meditação sobre a Criação do Homem

Criação de Adão, por Michelangelo (1508–1512)

Criação de Adão, por Michelangelo (1508–1512)

Capítulo IX

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.

CONSIDERAÇÃO

1. Considera que se passaram tantos e tantos anos antes que viesses ao mundo, sendo teu ser um puro nada. Onde estávamos nós, minha alma, durante este tempo? O mundo já existia desde uma longa série de séculos e nada havia de tudo aquilo que nós somos.

2. Pensa que Deus te tirou do nada para te fazer o que és, sem que tu lhe fosses necessária, mas unicamente por sua bondade.

3. Forma uma ideia elevada do ser que Deus te deu, porque é o primeiro e o mais perfeito de todos os seres deste mundo visível, criado para uma vida e felicidade eternas e capaz de unir-se perfeitamente a Majestade divina. Continue reading

Como alcançar este segundo grau de Pureza da Alma

Águia

Capítulo VIII

Para isso é necessário formar uma ideia viva e a mais perfeita possível do mal imenso que traz o pecado, a fim de que o coração se compunja e desperte em si uma contrição veemente e profunda. Uma contrição, por mais tênue que seja, mas verdadeira, é bastante para alijar da alma o pecado, máxime se for unida a virtude dos sacramentos; mas, se é penetrante e veemente, então pode purificar o coração também de todas as más inclinações que provem do pecado. Considera os seguintes exemplos: Se odiamos alguém pouco profundamente, aborrecemo-nos simplesmente de sua presença e o evitamos; mas, se o nosso ódio é violento e de morte, não nos limitamos a esta repugnância interior e a esta fugida: o rancor que lhe guardamos estende-se também as pessoas de sua casa, a seus parentes e amigos, cuja convivência nos é insuportável. Continue reading

Em seguida é necessário Purificar a Alma de toda a Afeição ao Pecado

"Há muitos penitentes que efetivamente saem do pecado, porém não lhe perdem o afeto; (...) a semelhança da mulher de Ló, que virou a cabeça para Sodoma"

Capítulo VII

Todos os israelitas saíram do Egito, mas muitos deixaram lá o seu coração preso; por isso é que no deserto se lhes despertaram desejos das cebolas e viandas do Egito. Assim também há muitos penitentes que efetivamente saem do pecado, porém não lhe perdem o afeto; quero dizer: eles se propõem não recair no pecado, mas com uma certa relutância e pesar de abster-se de seus deleites. O coração os denuncia e afasta de si, mas sempre tende novamente para eles, a semelhança da mulher de Ló, que virou a cabeça para Sodoma. Privam-se do pecado, como os doentes dos melões; é verdade que não os comem com medo da morte, de que o médico os ameaçara; mas aborrecem-se da dieta, falam dela com aversão e não sabem o que fazer; ao menos, querem cheirá-los muitas vezes e tem por ditosos os que os podem comer. Continue reading

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