Tag: pecado mortal

O Santo temor de Deus que deve procurar a alma devota

Apêndice. O Santo temor de Deus que deve procurar a alma devota - Bálsamo Espiritual
«Suplico-vos, cara filha, para honra de Deus não O temais, pois nenhum mal vos quer fazer, amai-O bastante para que vos queira fazer muito bem», falava assim São Francisco de Sales a uma alma devota (em suas cartas espirituais). Palavras que se não fossem ditas por um Santo, poderiam escandalizar muito, principalmente aos devotos. Eles diriam: este Santo desaprova pois o temor de Deus, que é o princípio da sapiência, e dom do Espírito Santo? Pode ser Santo quem exorta e pede a uma alma devota que não tema a Deus? Todavia são palavras dignas de um Santo e tão célebre na ciência espiritual como é São Francisco de Sales, permita, pois que vo-las repita. Não penseis que ele desaprova o temor de Deus, que é o princípio da sabedoria, e dom do Espírito Santo, e sim o temor que nasce da desconfiança, produz inquietação, e em vez de honrar a Deus, O desonra, eis o que quero expulsar da vossa consciência, não vos faria bem nenhum, e poderia fazer-vos muito mal.

O temor de Deus é o fundamento e base da perfeição cristã por isso é essencial até ás almas mais devotas e santas, e justamente são condenados os falsos místicos que ensinam que o temor de Deus se opõem á perfeição da caridade, isto é, ao amor de Deus, por isso desejo que sempre vos acompanhe para vos livrar do pecado, mas convém ter dele justa ideia para vos ajudar a obter a perfeição, de outro modo sereis pusilânime, desconfiada, medrosa, privada da paz do coração, refleti como deve ser o temor reto. Continue reading

Demora na conversão

Demora na conversão, Tesouros de Cornélio à Lápide

Necessidade de não adiar nossa conversão

É preciso converter-se, e converter-se logo. É preciso apressar nossa marcha, correr para nossa conversão, diz São João Crisóstomo: Cum opus est, et vehementi cursu (Homil. ad pop.). É preciso dispor-nos prontamente a seguir nossa viagem, porque o caminho é longo e a vida é curta. A vocação[1] de Deus insta-nos; há perigo no adiamento!

Não tardes em converter-te ao Senhor, não adies (a tua conversão) de um dia para o outro, diz o Eclesiástico: Non tardes converti ad Dominum, et ne differas de die in diem (Eclo 5, 8). Quem é aquele que, tendo apanhado uma víbora, não a solta imediatamente? Quem teria em sua casa um inimigo capital, um assassino? Quem aguentaria sustentar o fogo na mão? O pecado mortal é uma víbora, um assassino, um fogo devorador. Por conseguinte, assim que o sintamos em nosso coração, devemos expulsá-lo.

Santo Agostinho declara, com amargas lágrimas, o tempo que tardou em converter-se:

“Ó Formosura, sempre antiga e sempre nova, exclama ele, quanto tardei em vos amar!” (Lib. Confess.).

Por que, pergunta-nos o Senhor no Eclesiástico, por que vós vos atrasais? Vossas almas estão ardendo de sede? Qui adhuc retardatis? Animae vestrae sitiunt vehementer (Eclo 51, 32). Continue reading

Quinta razão de sermos Humildes: Peccavimus

Meditação para a Décima Sexta-feira depois de Pentecostes. Quinta razão de sermos Humildes: Peccavimus

Meditação para a Décima Sexta-feira depois do Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos sobre uma quinta razão de sermos humildes, que é, que somos pecadores – Peccavimus:

1.° Temos pecado;

2.° Somos capazes de pecar ainda.

— Tomaremos depois a resolução:

1.º De ante estas considerações, louvarmos, admirarmos e amarmos a bondade de Deus, que se digna amar uma criatura tão miserável como nós;

2.º De nós confundirmos e humilharmos a cada tentação de soberba que nos acometer, porque cabe mal a vaidade em quem é tão miserável.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do santo rei Davi:

“O meu pecado está sempre diante de mim” – Peccatum meum contra me est semper (Sl 50, 5)

Continue reading

Dos danos que o Pecado nos Causa

Meditação para a Segunda-feira da Quarta Semana da Quaresma. Dos danos que o Pecado nos Causa

Meditação para a Segunda-feira da Quarta Semana da Quaresma

SUMARIO

Continuaremos as nossas meditações sobre os motivos de contrição, e veremos:

1.° Os males que nos causa o pecado venial;

2.° Os males multo maiores ainda que nos causa o pecado mortal.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De termos horror aos menores pecados e de nos conservarmos humilhados diante de Deus por termos cometido tantos no decurso de nossa vida;

2.° De fugirmos, mais que da peste, das menores ocasiões do pecado, de desconfiarmos de nós mesmos, de vigiar e orar para não recair para o futuro.

Conservaremos como ramalhete espiritual as palavras do publicano:

“Meu Deus, sê propício a mim, pecador!” – Deus, propitius esto mihi peccatori (Lc 18, 13)

Continue reading

Antes de tudo é necessário que a Alma se Purifique dos Pecados Mortais

Sacramento da Penitência: Confissão dos Pecados

Capítulo VI

Libertar-se do pecado deve ser o primeiro cuidado de quem quer purificar o coração, e o meio de fazê-lo se depara no sacramento da penitência. Procura o confessor mais digno que possas achar; toma um desses livrinhos próprios para ajudar a consciência no exame que se deve efetuar sobre a vida passada, como os de Granada, Bruno, Arias, Auger; lê-os com atenção, notando, ponto por ponto, tudo em que ofendeste a Deus desde o uso da razão e, se não confias em tua memória, assenta por escrito o que notaste. Depois do exame, detesta e abomina os pecados cometidos, pela contrição mais viva e perfeita que podes suscitar em ti, em considerando estes motivos valiosíssimos: que pelo pecado perdeste a graça de Deus, abandonaste os teus direitos sobre o céu, mereceste as penas eternas do inferno e renunciaste a todo o amor de Deus. Continue reading

A pena da perda de Deus é o que faz o inferno

Lamentação

Iniquitates vestrae diviserunt inter vos et Deum vestrum – “As vossas iniquidades fizeram uma separação entre Vós e vosso Deus” (Is 59, 2)

Sumário. A malícia do pecado mortal consiste no desprezo da graça divina e na perda voluntária de Deus, o Bem supremo. Com toda a justiça, pois, a maior pena do pecador no inferno é tê-lo perdido, sem esperança de O tornar a achar. Se quisermos ter uma garantia de não incorrermos em tamanha desgraça, demo-nos inteiramente e sem reservas ao Senhor. O que não se dá inteiramente a Deus ou o serve com tibieza, corre grande risco de O perder para sempre.
Continue reading

Da Malícia do Pecado Mortal

"O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui" (Ap 3,17)

“O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui” (Ap 3,17)

Confira as importantes advertências de Santo Afonso para bem aproveitar esta obra!

CONSIDERAÇÃO XV

Filios enutrivi et exaltavi; ipsi autem spreverunt me. – “Filhos criei e engrandeci-os; mas eles me desprezavam” (Is 1,2)

PONTO I

Que faz aquele que comete pecado mortal?… Injuria a Deus, desonra-O e, no que depende dele, cobre-o de amargura.

Primeiramente, o pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa, diz São Tomás, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. A ofensa feita a um simples particular é sem dúvida um mal; mas constitui delito maior se é feita a uma pessoa de alta dignidade, e muito mais grave quando visa o rei… E Quem é Deus? É o Rei dos reis (Ap 17,14). Deus é a Majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia (Is 40,15). Diante da grandeza de Deus, todas as criaturas são como se não existissem (Is 40,17). Eis o que é Deus… E o homem, o que é?… Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Ap 3,17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois, afirma o Doutor Angélico, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita.

Por isso, Santo Agostinho chama, absolutamente, o pecado mal infinito.

Daí se segue que todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo, esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, citra condignum, isto é, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado. Continue reading

Do grande mal que é o desafeto de Deus

Quando ofendemos a Deus, tornamo-nos escravos do pecado; escravos de Lúcifer

Similiter autem odio sunt Deo impius et impietas eius – “O ímpio e a impiedade são igualmente odiosos a Deus” (Sb 14, 9)

Sumário. Considera quão grande é a ruína que traz consigo o pecado mortal. Faz-nos primeiro perder todos os merecimentos anteriormente adquiridos, por grandes e imensos que sejam. Além disso, de filho de Deus torna o homem escravo de Lúcifer; de amigo querido, inimigo sumamente odioso; de herdeiro do céu, um condenado ao inferno. Se os anjos pudessem chorar, chorariam de compaixão vendo a desgraça de uma alma que comete pecado mortal e perde a graça de Deus. E nós ficaremos indiferentes? Continue reading

Malícia do Pecado Mortal

Que faz aquele que comete pecado mortal? Injuria a Deus

Que faz aquele que comete pecado mortal? Injuria a Deus

Tetendit enim adversus Deum manum suam, et contra omnipotentem roboratus est – “Estendeu a sua mão contra Deus e se fez forte contra o Todo Poderoso” (Jó 15, 25)

Sumário. Para nos induzir ao pecado, o demônio nos deixa ver o pecado somente à metade, mostrando-nos o deleite que nos traz e não o mal que encerra. Consideremos, porém, que esta malícia, pela injúria que faz a Deus, é tão grande que, se todos os homens e anjos se oferecessem a morrerem ou mesmo a aniquilarem-se, não poderiam satisfazer por um só pecado. Um verme da terra revolta-se contra a Majestade infinita. Ah, Senhor! Pelo amor de Jesus Cristo, iluminai-me para compreender a malícia do pecado. Continue reading

© 2021 Rumo à Santidade

Theme by Anders NorenUp ↑