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Consolação para o homem que no fim da vida sinceramente se emenda

Capítulo 2. Consolação para o homem que no fim da vida sinceramente-se emenda - Bálsamo Espiritual
Tu que na velhice ou no fim da vida começastes a seguir o caminho da virtude, deixando as torpezas dos vícios e culpas, e que já é homem de vontade reta, para que te assustas e te domina a tristeza, como se não tivesses esperança de salvação?

Recorda-te de teu misericordioso e dulcíssimo Redentor, que veio ao mundo salvar pecadores; por eles encarnou, trabalhou, padeceu terrível Paixão, derramou Seu sangue, morreu! Continue reading

Demora na conversão

Demora na conversão, Tesouros de Cornélio à Lápide

Necessidade de não adiar nossa conversão

É preciso converter-se, e converter-se logo. É preciso apressar nossa marcha, correr para nossa conversão, diz São João Crisóstomo: Cum opus est, et vehementi cursu (Homil. ad pop.). É preciso dispor-nos prontamente a seguir nossa viagem, porque o caminho é longo e a vida é curta. A vocação[1] de Deus insta-nos; há perigo no adiamento!

Não tardes em converter-te ao Senhor, não adies (a tua conversão) de um dia para o outro, diz o Eclesiástico: Non tardes converti ad Dominum, et ne differas de die in diem (Eclo 5, 8). Quem é aquele que, tendo apanhado uma víbora, não a solta imediatamente? Quem teria em sua casa um inimigo capital, um assassino? Quem aguentaria sustentar o fogo na mão? O pecado mortal é uma víbora, um assassino, um fogo devorador. Por conseguinte, assim que o sintamos em nosso coração, devemos expulsá-lo.

Santo Agostinho declara, com amargas lágrimas, o tempo que tardou em converter-se:

“Ó Formosura, sempre antiga e sempre nova, exclama ele, quanto tardei em vos amar!” (Lib. Confess.).

Por que, pergunta-nos o Senhor no Eclesiástico, por que vós vos atrasais? Vossas almas estão ardendo de sede? Qui adhuc retardatis? Animae vestrae sitiunt vehementer (Eclo 51, 32). Continue reading

Conversão

Conversão, Tesouros de Cornélio à Lápide

A conversão vem da graça e da bondade de Deus

O Senhor livrar-me-á de todas as más obras, diz São Paulo, e me conduzirá a seu reino celestial. A Ele seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém: Liberavit me Dominus ab omni opere malo, et salvum faciet in regnum coeleste, cui glória in secula seculorum. Amen. (2 Tm 4, 18).

Adão, Davi, Madalena, Paulo, Agostinho etc. e todos os pecadores que se convertem não se convertem senão pela graça e pela misericórdia de Deus.

Diz São Paulo que Deus é Quem, por um efeito de sua boa vontade, opera em vós, não somente o querer, senão também o executar: Deus est enim qui operatur in vobis et vele, etperficere, pro bona voluntate (Fl 2, 13).

Sem mim, diz Jesus Cristo, nada podeis fazer: Sine me nihil potestis facere (Jo 15, 5). Aquele que está em pecado mortal, morreu; assim, pois, aquele que está morto, não pode naturalmente ressuscitar; somente Deus o pode fazer.

Perdemo-nos sem Deus; porém, não podemos voltar à vida, não podemos nos converter, sem o auxílio de Deus. Continue reading

Contrição

Contrição, Tesouros de Cornélio à Lápide
O que é contrição

Contrição é o sentimento de haver pecado. Contrição vem da palavra conterere, triturar, esmagar[1]. Este vocábulo expressa o estado de uma alma rasgada, penetrada de dor por haver ofendido a Deus, e que deseja ardentemente reconciliar- se com Ele e recobrar a graça.

O Santo Concílio de Trento (Sess. XIV, cân. IV) define a contrição como uma dor da alma e um aborrecimento do pecado cometido, com um propósito de não voltar a pecar doravante: Contritio animi dolor ad detestatio est de peccato comisso, cum proposito non pecandi de coetero.

Esta contrição deve ir acompanhada do desejo de cumprir tudo o que Jesus Cristo ordenou para a remissão dos pecados: por conseguinte, deve ser acompanhada pela vontade de confessá-los e de satisfazer a justiça divina. Por isso, os teólogos, segundo Santo Tomás, assim definem a contrição: a dor por haver pecado, acompanhado da vontade de confessar e de satisfazer. Continue reading

Da Ofensa que o Pecado faz a Deus

Meditação para a Quarta-feira da Terceira Semana da Quaresma. Da Ofensa que o Pecado faz a Deus

Meditação para a Quarta-feira da Terceira Semana da Quaresma

SUMARIO

Como a contrição, para ser válida, deve fundar-se em motivos de fé, como vimos na nossa última oração, meditaremos sobre o primeiro destes motivos, e veremos:

1.° Quanto o pecado, considerado como ofensa de Deus, é um mal digno de todas as nossas lágrimas;

2.° Quanto mais horrendo ainda o tornam as circunstâncias em que o pecador o comete.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De nos penetrarmos bem deste grande motivo de contrição antes de nos apresentarmos no sagrado tribunal;

2.º De o recordarmos cada dia, de manhã e à tarde, para nos excitarmos ao horror do pecado.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do filho pródigo:

“Meu Pai, pequei contra o céu e diante de vós, já não sou digno de ser chamado vosso filho” – Pater, peccavi in caelum et corum te: jam non sum dignus vocari filius tuus (Lc 15, 18.19)

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Contrição Suma e Sobrenatural

Meditação para a Terça-feira da Terceira Semana da Quaresma

SUMARIO

Consideraremos, na nossa próxima oração, dois outros caracteres essenciais da contrição; e veremos que ela deve ser:

1.º Suma;

2.° Sobrenatural.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De despertarmos na nossa alma a fé nestas duas verdades, e de conservarmos em nós o sentimento habitual delas;

2.° De fazermos atos de fé mais decisivos, todas as tardes, no nosso exame de consciência e cada vez que nos confessarmos.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do Salmista:

“Eu aborreci e abominei a iniquidade” – Iniquitatem odio habui, et abominatus sum (Sl 128, 163)

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O Sacramento da Penitência

Meditação para a Terça-feira da Primeira Semana da Quaresma. O Sacramento da Penitência

Meditação para a Terça-feira da Primeira Semana da Quaresma

SUMARIO

Como a fragilidade humana está tão exposta a sucumbir às tentações que a acometem, meditaremos no Sacramento da Penitência, que Nosso Senhor instituiu para nos perdoar os nossos pecados, e veremos:

1.° A excelência deste sacramento;

2.° A importância de bem o receber.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De agradecermos muitas vezes a Nosso Senhor, com piedosas aspirações, esta adorável instituição;

2.° De nos prepararmos melhor para as nossas confissões.

Conservaremos como ramalhete espiritual as mesmas palavras da instituição do Sacramento da Penitência:

“Aos que vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão eles perdoados, e aos que vós os retiverdes, ser-lhes-ão eles retidos” – Quorum remiseritis peccata, remittuntur eis; et quorum retinueritis, retenta sunt (Jo 20, 23)

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Sermão da Penitência

1º Domingo da Quaresma - Sermão da Penitência

Sermão para o 1º Domingo da Quaresma

SUMÁRIO ESCRITO POR BOSSUET

Exordio. — Tempo. — Sua perda. — Três dificuldades que atrasam a sua conversão.

1.º Ponto. — Espírito do homem sempre extremo. — Da presunção do perdão ao desespero do mesmo perdão: Spe desperati. Do fato da misericórdia e da justiça serem infinitos resulta de serem aparentemente compatíveis. Qual é a misericórdia divina? Justiça na graça. A remissão dos pecados. Cada um deve fazer uma confissão sincera, e não procurar meios vis para se eximir das culpas. Devemos alegar defesa perante um juiz, e confessarmo-nos na presença dum padre. Maneira diferente de alegar defesa perante um e outro.

2.º Ponto. — Não há coisa que mais se deixe subjugar do que a vontade individual. Força do temperamento e do hábito. Muro impassibilitatis, Santo Agostinho. Um e outro podem vencer-se pelo temor. A penitência demanda sacrifício. Exemplo de Davi: Motiva poenitendi, Santo Agostinho. Penitência com sacrifício, porque é um ato de geração: In dolore paries filios tuos (G 3, 16). Geração própria.

3.º Ponto. — Do tempo, Dies mali, São Paulo. O tempo é uma ilusão. A vida ora nos parece longa, ora nos parece curta. A ciência do tempo constitui um dos segredos de Deus. O homem deseja penetrar nessa ciência. Nec filius hominis.

Contra os que aguardam o último momento. Tempo dos Testamentos: São João Crisóstomo, São Gregório Nazianzeno.

Exortação a uma rápida penitência.

Adjuvantes autem exhortamur ne in vacuum gratiam Dei recipiatis
E nós, como cooperadores, vos exortamos que não recebais a graça de Deus em vão (2Cor 6, 1)

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Jesus é o Cordeiro que tira os Pecados do Mundo

Festa da Circuncisão - II. Jesus é o Cordeiro que tira os Pecados do Mundo

II. Sermão para a Festa da Circuncisão

Pregado no 1° de janeiro de 1687, em Paris, na capela da Casa professa dos Jesuítas.

SUMÁRIO

Exordio. — Desenvolvimento do texto: Ipse salvum faciet populum suum a peccatis eorum…

Proposição e divisão. —Jesus é o Cordeiro que tira os pecados do mundo:

1.º O pecado avilta a alma e dá-lhe a morte eterna, mas Jesus ressuscita-a pelo perdão;

2.° A alma perdoada é de novo arrastada ao mal, mas a graça de Jesus fortifica-a contra a tentação;

3.° Neste mundo estamos sempre, sujeitos a abusar da nossa liberdade, mas com a glória do céu torna-nos Jesus impecáveis.

1.º Ponto. — O pecado é um ato de rebelião contra Deus e de ódio contra o próprio indivíduo, um mal íntimo que apaga em nós por completo tudo que nos une a Deus. A graça de Jesus, fruto do Seu sangue divino, cura este mal nas almas penitentes.

2.º Ponto. — O pecado, entrando na nossa alma, e residindo sobretudo nela, faz-lhe chagas que não desaparecem juntamente com Ele, enfraquece a nossa natureza e produz-lhe as maiores alterações. A graça de Jesus, porém, está sempre preparada para nos lavar dos nossos pecados, para nos ajudar a triunfar, para nos premunir enfim contra novas fraquezas.

3.º Ponto. — Finalmente, para completar a sua vitória, a graça de Jesus Cristo há de ajudar-nos a alcançar o repouso eterno, isto é, esse estado em que a nossa alma, firmada na felicidade, não tornará jamais a pecar.

Peroração. — Ai do que diz:

«Eu pequei e que mal me sucedeu?»

Não se lembra de que o Omnipotente o espera no dia fatal, e que, certo do golpe que há de dar, não  precipita a sua vingança. — Elogio do zelo da Companhia de Jesus.

Vocabis nomen ejus Jesum: ipse enim salvum faciet populum suum a peccatis eorum
E vós lhe chamareis Jesus, que quer dizer Salvador, porque é Ele quem há de salvar o povo dos seus pecados (Mt 1, 21)

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Necessidade da Penitência

3º Domingo do Advento - I. Necessidade da Penitência

I. Sermão para o 3º Domingo do Advento

Pregado na capela real de Saint-Germain-en-Laye, em 1669.

SUMÁRIO ESCRITO POR BOSSUET

Os pecadores adormecem, porque imaginam estar muito longínquo o seu infortúnio, mas Jesus Cristo prova que está disposto a ferir dois golpes: um tira a vida, o outro a esperança.

O pecado sai da vontade humana contra a vontade divina. Duplamente contrário: a Deus, porque é ofensivo, ao homem, porque é prejudicial.

Porque é prejudicial? Inimigos impotentes provam a sua inimizade: Deo resistendi voluntate, non potestate Iaedendi (S. Agost., De Civit Dei, liv. XII, cap. III). O pecado não caiu em Deus, a quem ataca; deixa todo o seu veneno em quem o comete. Comparação com a terra e as nuvens: Arcus eorum confringatur (Sl 36, 15). A empresa contra Deus é inútil. Gladius eorum intret in corda ipsorum (Ibid.); ele próprio se manifesta…

O pecado é o próprio indivíduo: Ne putemus illam tranquillitatem et ineffabile lumen Dei de se proferre unde peccata punientur (S. Agost., Enar. in Psal., V. I, n. 16). Provas pela Escritura (Ez 7).

A separação, a pena do sentimento. A primeira, pelo pecado; a segunda, perducam ignem de medio tui qui comedat te (Ez 28, 18).

Os pecadores insensatos na sua certeza, tendo neles o principiam desse fogo.

Contrariedade entre a lei e o pecador. Moisés e as Tábuas.

Acerca da lei de justiça: Quod faceris patieris. Vós destruís a lei; a lei aufert eam de hominum vita (S. Agost., Epist., C. II, n. 24); a justiça divina sempre armada contra o pecador. Jam enim securis.

Jam enim securis ad radicem arborum posita est: omnis ego arbor non faciens fructum bonum, excidetur et in ignem mittetur.
O machado já chegou à raiz da árvore; portanto, toda a árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo (Lc 3, 9).

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