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Festa dos Apóstolos São Simão e São Tadeu

Annuntiaverunt opera Dei, et facta eius intellexerunt — “Anunciaram as obras de Deus, e entenderam os seus feitos” (Sl 63, 10)

Sumário. Posto que o Evangelho e a Tradição nos digam pouco acerca das virtudes de São Tadeu e nada acerca das de São Simão, temos todavia uma garantia da sua santidade, por terem eles sido dignos de se tornarem apóstolos e mártires de Jesus Cristo. De quantas graças não deviam ser enriquecidos, quantas virtudes não praticaram para conseguirem esta dúplice glória! Se, à imitação destes santos apóstolos, cooperarmos bem com a graça que Deus nos dá, poderemos ser também homens apostólicos e mártires de paciência. Por que então não fazê-lo? Continue reading

Apóstolos

Apóstolos, Tesouros de Cornélio à Lápide

Porque os Apóstolos são em número de doze?

Jesus Cristo escolheu doze Apóstolos e tão somente doze, para representar aos doze Patriarcas, filhos de Jacó. E como os doze Patriarcas foram os pais do povo judaico, os doze Apóstolos foram os pais espirituais do povo cristão.

Este número de doze, diz Santo Tomás (Caten. Aur.), estava significado pelos doze filhos de Jacó, pelos doze príncipes dos filhos de Israel, pelas doze fontes de Elim, pelas doze pedras do Efod, pelos doze pães da proposição, pelos doze espiões, pelas doze pedras tomadas no Jordão com as quais se construiu um altar, pelos doze bois que sustentavam a fonte de bronze, pelas doze estrelas que formam a coroa da Esposa de que nos fala o Apocalipse, pelos doze fundamentos da cidade celestial, pelas doze portas de Sião. Continue reading

Festa dos Apóstolos São Filipe e São Tiago

Dicit ei Philippus: Domine, ostende nobis Patrem, et sufficit nobis — ”Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos a Pai, e isso nos basta” (Jo 14, 8)

Sumário. Se foi grande a graça que o Senhor deu a estes seus discípulos, sublimando-os ao ministério do apostolado, eles por sua vez corresponderam-lhe exatamente. Durante toda a sua vida trabalharam pela glória de Deus e salvação do próximo, e afinal selaram a sua pregação com o martírio. Regozijemo-nos com os santos apóstolos, demos graças a Deus em nome deles e vejamos se e como os temos imitado na correspondência aos favores divinos. Continue reading

Volta a Éfeso. Epístola a Electa. Epístola a Caio. O jovem convertido

Capítulo 20: Volta a Éfeso. Epístola a Electa. Epístola a Caio. O jovem convertido

I

Foi no ano de 97 que o apóstolo pôde tornar a ver a Igreja de Éfeso, onde todos esperavam a felicidade e o benefício de sua volta.

Com efeito, esta cristandade acabava de passar por um grande desgosto. Segundo o Martirológio e o Menológio, foi nesse mesmo ano que morreu gloriosamente o bispo Timóteo, o discípulo de São Paulo e companheiro de São João. João, que deixara «este bom soldado de Cristo» no mais encarniçado combate contra a heresia e a idolatria, não ignorava o perigo que ele corria. De sua ilha solitária, via e denunciava, no Apocalipse, as abominações que eram o pior dos contágios para o rebanho, o da volúpia. Mas, elogiando as grandes obras, o trabalho e a paciência do anjo de Éfeso, João falava dos males que ele havia de suportar pelo nome de Jesus Cristo, e previa que contra ele fariam represálias mortais.

Não se enganava. Logo depois dos terremotos que a sacudiram até os alicerces, viu-se a louca Éfeso entreter-se, sobre os túmulos e as ruínas, com as pompas orgíacas de sua deusa e de seus deuses. A mais célebre dessas festas era uma assembleia anual, chamada Catagogia, espécie de bacanal, que lembrava os mais monstruosos excessos de Biblos e de Coríntia. Ali se via uma multidão, ébria de vinho e de deboche, armada de maças, levando as imagens de seus deuses, enlambuzada ou mascarada, percorrer os principais quarteirões da cidade, cantando versos obscenos, atacando impudentemente os homens e as mulheres, sem poupar violências, muitas vezes mortais, que o culto da divindade justificava. Continue reading

Primeiro testemunho de São João perante os Judeus

Capítulo 10: Primeiro testemunho de São João perante os Judeus. Conversão no Sanhedrin (Sinédrio)

Conversão no Sanhedrin (Sinédrio)

I

Os três anos passados na intimidade de Jesus Cristo, tinham feito de João a testemunha do Evangelho, e as relações familiares com o Filho de Deus são suficientes para explicar o seu conhecimento e garantir-lhe a sinceridade. Mas, quem nos explicará a nova energia, que vai fazer do discípulo predileto um apóstolo e um mártir, e essa transformação súbita e inefável, que do pescador de homem, fará hoje o mais sublime dos Evangelistas? Este espírito precisava ainda de um último raio de luz; era mister uma chama a este coração para fundir-se e tornar-se de bronze a alma fiel e terna.

O Espírito Santo fez o milagre, o milagre necessário, sem o qual nada se explica, milagre que Jesus Cristo profetizara no Evangelho de São João. Foi unicamente em São João que a teologia referente ao Espírito Santo recebeu as revelações e os desenvolvimentos que formam um conjunto doutrinário completo.

Conta-nos o discípulo que, na última entrevista de Jesus, na véspera de sua morte, os apóstolos ouvindo-O falar em partida, ficaram enternecidos; mas o Senhor lhes dissera:

“Não se inquiete o vosso coração, porque meu Pai vos dará outro Consolador que ficará eternamente convosco”

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São João testemunha fiel de Jesus

Capítulo 4: São João testemunha fiel de Jesus
I

Os três primeiros Evangelistas sobejamente nos mostraram nos acontecimentos que acabamos de expor, o lugar de São João e a prerrogativa com que foi honrado. É ele próprio que vamos agora ouvir. Falará de visu. Seu livro é um testemunho: tal é o nome que lhe confere com insistência, terminando-o (19, 36; 20, 25); além disso, sendo o discípulo amado do mestre, fala como testemunha íntima. Se recorda este título a cada instante, é porque esse privilégio lhe permitiu ver melhor, de mais perto e mais a fundo, até o recôndito da alma amante e amada! Se, pois, Justino o mártir pode dar aos quatro evangelhos a denominação comum de Memórias ou lembranças, quanto mais especialmente tal nome não se aplica ao Evangelho de São João!

Esta qualidade também se justifica pela própria leitura. É a demonstração interna de autenticidade e de veracidade da narrativa, convém notar. Mil particularidades de lugar, de tempo, de estilo, revelam a presença pessoal do narrador, ao passo que reflexões ardentes ou profundas atraem o coração do amigo particular do Mestre. O que vimos, o que ouvimos, o que tocamos do Verbo de vida, nós vo-lo anunciamos, deveria ele escrever um dia. A nós também seu livro faz ver, ouvir e tocar com ele esse Verbo verdadeiramente vivo em sua narrativa. Em toda a parte o discípulo aparece sob a égide do Evangelista; seguimo-lo, por assim dizer, graças à irradiação de sua alma e ao sulco de seus passos. Continue reading

Educação divina do apóstolo São João

Capítulo 3: Educação divina do apóstolo São João
I

Jesus, tendo escolhido João e Tiago, tomou-os definitivamente para a sua companhia. Salomé não quis separar-se de seus filhos. Vemo-la, juntamente com algumas mulheres dedicadas da Galileia, seguir os passos de Jesus, ocupando-se da subsistência do Mestre e recebendo suas lições com os dois apóstolos seus filhos (1).

O apostolado para o qual tinha sido convidado o filho de Salomé, devia ser o instrumento de salvação do universo. Mas era preciso que antes esses rudes pescadores sofressem uma transformação completa, e é esse trabalho que vamos estudar e admirar em São João.

Com efeito, fundar a Igreja, constituir-lhe um espírito que é a caridade, um ensino infalível, que é a verdade, uma hierarquia, que é a autoridade; e depois, uma vez formada esta sociedade à imagem divina, dar-lhes as nações por herança, e deixá-la funcionar sob invisível assistência até o fim dos séculos: eis a ideia de Jesus, tal qual se vê no Evangelho.

O seu fim não era, está claro, realizar diretamente por si mesmo a obra sobrenatural da conversão do mundo. Durante a vida, o Pastor só teve como rebanho algumas raras ovelhas do redil de Israel; e trinta anos de existência, três de pregação, de exemplos e de milagres, tendo como fim reunir ao redor de semelhante Mestre somente doze apóstolos e setenta e dois discípulos, provam bem que Ele não foi, e que não quis ser durante sua estada neste mundo, o conquistador das almas. Como Ele mesmo o explica, Ele não colhe, semeia. Semeia, e em seguida, certo de Si e do futuro, pela sua maneira divina, deixa ao tempo o cuidado de fazer brotar os gérmens. Nesta segunda criação, assim como na primitiva, contenta-se em criar os primeiros modelos das coisas e diz:

“Crescei e multiplicai-vos”

Somente depois da Ascensão, no dia de Pentecostes, começará a pregação geral, universal. Será esse o trabalho dos apóstolos: o de Jesus Cristo é o de escolher, educar e formar os princípios de seu povo e os futuros ministros do reino de Deus. Continue reading

Eleição e vocação de São João

Capítulo 2: Eleição e vocação de São João

I

Havia um ano que João Batista pregava, anunciando a magnificência mais que humana d’Aquele «que estava entre os homens, mas que os homens ainda não conheciam». Quanto a Ele, reconhecera-O antes à margem do Jordão, e dava disso testemunho dizendo:

“Eu vi o Espírito Santo descer do céu em forma de pomba, e pairar sobre Ele. Eu o vi, e dei testemunho de que este é o Filho de Deus” (Jo 1, 32-34)

O filho de Zebedeu ainda não O tinha visto, mas tudo o que ouvia dizer desse Mestre sobre-humano incitava cada vez mais o desejo de conhecê-lO e despertava-lhe os primeiros ardores daquela caridade que ia tornar-se inseparável de seu nome.

A escola de João Batista era para seu discípulo uma escola de doutrina superior e toda celestial, e ao mesmo tempo o noviciado de uma vida santamente contrita. Seguindo o exemplo do Mestre, dedicou-se ao nazaritismo, instituto de perfeição em que os Judeus se consagravam mais particularmente a Deus, fazendo voto de abster-se de qualquer licor fermentado e de deixar crescer intacta a cabeleira (Nm 6, 1-21). É de crer que recebera também o batismo do Precursor. Porém este rito exterior era apenas o sinal da pureza espiritual, e da renovação moral que o grande Profeta exigia, como preparação ao batismo d’AqueIe que devia batizar com o fogo e o Espírito. O discípulo bem o compreendera; preparara nele os caminhos do Senhor, e tornara retas suas veredas: o Senhor podia vir.

Jesus Cristo, Filho de Deus, veio à Judeia nas margens do Jordão no 15° ano do reinado de Tibério, o 30° da era vulgar, e, segundo o cálculo de sábios cronologistas, no começo da primavera. Continue reading

O começo da vida de São João

Capítulo 1: O começo da vida de São João

I

A algumas léguas distante da aldeia de Nazaré, sobre um montículo que domina o lago de Tiberíades, o viajante avista grandes massas e ruínas paralelas à costa. Vários blocos de lava e pedra bruta denotam por sua disposição o recinto de uma antiga cidade. Dois destroços mais notáveis surgem desses escombros. Um, é o de um edifício de pequenas dimensões, situado perto da praia, e que apresenta esculturas, colunas e pilastras mais antigas que os muros. O outro, é um monumento de grande extensão, do qual só restam duas muralhas prestes a cair, porém ornada de belos fragmentos, de capitéis coríntios, de frisas mutiladas estendidas confusamente na relva que as oculta.

O local dessas belas ruínas é desolado e morto. O lago banha tristemente as pedras amontoadas ou esparsas sobre a margem. Somente duas magníficas colunas de sienito (1) perfeitamente conservadas e unidas, erguem-se para o céu, como para marcar, por um emblema majestoso, o berço dos dois irmãos que foram indivisivelmente unidos na fé e no apostolado de Nosso Senhor Jesus Cristo. Continue reading

A pesca milagrosa e o ministério apostólico

A pesca milagrosa

4º Domingo depois de Pentecostes

Noli timere: ex hoc iam homines eris capiens – “Não temas; já desde agora serás pescador de homens” (Lc 5, 10)

Sumário. Sob a figura da pesca milagrosa, é representada a pregação do Evangelho, pela qual o Senhor converte e santifica as almas por ele remidas. Os pescadores, porém, não são somente os pregadores, senão também todos os bons cristãos, que de qualquer modo se aplicam à salvação das almas. Seja, portanto, qual for o nosso estado, podemos exercer o ministério apostólico, ao menos pela oração e pelo bom exemplo. Roguemos sobretudo ao Senhor que envie à sua igreja operários zelosos: Mitte operarios in messem tuam. Continue reading

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