São José e o Menino Jesus

Por Monsenhor Ascânio Brandão

Meus leitores,
Quisera escrever obra mais alentada e profunda sobre São José, ordenava já copioso material de muita leitura, quando me abriram as páginas das Leituras Católicas de Dom Bosco. Refleti. Não seria mais glorificado e conhecido do muitos, o santo Esposo de Maria, se em vez de volumoso tratado com pretensões de erudição, fosse popularizado, em leitura acessível e, numa síntese variada, tudo quanto desejava escrever para glória de São José? E não mais hesitei. Preferi o opúsculo, e escolhi o que hoje entre nós melhor se presta a uma ampla e eficaz propaganda: As Leituras Católicas de Dom Bosco. Eis a razão deste livrinho. Realize em seus milhares de leitores em todo o Brasil o ardente anelo de meu coração: incentivar uma grande e fervorosa devoção a São José.

Lede e meditai estas páginas. E, com elas vos dou aquela receita infalível de Santa Teresa para todos os males, do corpo e da alma:

Recorrei a São José!
Invocai a São José!
Amai a São José!

Pe. Ascânio Brandão

Sumário

Quem é São José?

Pai adotivo de Jesus

Esposo de Maria

São José maior que os Anjos

São José e os Coros Angélicos?

São José e a Missão dos Anjos

São José e as almas puras

O Maior dos Santos

E São João Batista?

Maior que os Apóstolos

O lugar de São José

Patriarca do Silêncio

Era Velho São José?

Privilégios e Perfeições de São José

Santificação no seio materno

Impecabilidade

Virgindade Perpétua

Ressurreição

Imaculada Conceição de São José?

A Morte de São José

Quando morreu?

Onde morreu?

Como se deu a morte?

O Culto de Protodulia

Resumo Histórico da Devoção a São José

Nos primeiros séculos

Até o século XV

Até o século XX

O Poder de São José

O Patrocínio de São José

São José e os Agonizantes

Modelo dos Operários

Patrono, Modelo e ideal das Vocações Religiosas

Mestre da Vida Interior

Os Santos e São José

Relíquias de São José

Sete Dores e sete Alegrias de São José

As Dores

As Alegrias

Origem

Fórmula

O cordão de São José

QUEM É SÃO JOSÉ?

O mais santo, o mais ilustre e o mais perfeito homem que já vira o mundo, a criatura mais perfeita saída das mãos de Deus, depois de Maria.

Quem foi São José?

O mundo o conhece e a história registra seus feitos heroicos? Não. O Evangelho, até mesmo o Evangelho, é parco em notícias, e fala pouco de São José. E, no entanto, o mundo não vira maior nem mais perfeita criatura. Acima dele só Jesus e Maria. Abaixo, todos os homens, ainda os maiores Patriarcas e profetas da Antiga Lei, os maiores santos da Nova Lei.

Criatura singular e privilegiada!

O Pai adotivo de Jesus Cristo, nosso Deus, e Esposo castíssimo de Maria, Mãe de Deus!

Não se pode acrescentar nada mais a isto.

O Santo Patriarca fora predestinado por Deus, estava no plano divino da Encarnação. Jesus havia de nascer de uma Virgem, Maria Imaculada, e esta Virgem Puríssima seria esposa do castíssimo e santíssimo José.

Ad virginem desponsatam viro ciu nomen erat Joséph.

O anjo Gabriel, diz São Lucas — (cap. I, 20) — fora enviado a uma virgem desposada com um varão que se chamava José.

Estas simples palavras do Evangelho definem São José, sua missão na terra e os singulares e sublimes privilégios que o adornaram. O Anjo anuncia à Virgem o mistério adorável da Encarnação, e ligado a este mistério, o nome de São José. Era o esposo virginal da Mãe do Verbo. Seria o Pai adotivo, o guarda, o sustentáculo do Salvador do mundo. Seria chamado Pai do Pai de todas as criaturas.
Amparo de quem ampara o Universo. Senhor e Governador do Senhor dos senhores, do Rei dos reis. Este é São José.

O Evangelho o chama e define também: — O Justo.

Joseph cum esset justas… José como era justo…

Eis ai, pois, quem é São José:
Esposo de Maria.
Pai adotivo de Jesus
O maior dos Santos.
O justo.

PAI ADOTIVO DE JESUS

A maior glória de São José, a mais rica pérola do seu diadema, o título e privilégio que o faz o maior dos Santos é o de Pai do Filho de Deus humanado.

Todos os Santos, escreveu Gerson, se gloriam de serem chamados servos de Deus, servos de Jesus Cristo.

São José, e só ele, foi chamado Pai do Salvador, Pai de Jesus Cristo. Entre os títulos de glória do Santo, este é sem dúvida o maior.

O povo, diz o Evangelista, tinha José por pai de Jesus. Estava na idade de trinta anos e todos o tinham por filho de José. Assim dizia e julgava o povo ignorante do adorável mistério da Encarnação do Verbo. Diz o Evangelista, observa Santo Agostinho; que o povo tinha a Jesus por filho de José, julgando, ter ele nascido como os demais homens e assim falava de Jesus como filho de São José. Todavia, comenta o Padre Cantera, não só o vulgo ignorante chamava a José de pai de Jesus. Os Evangelistas, que narraram e conheceram o mistério da Encarnação e a Divindade de Jesus, chamavam a José pai de Jesus.

Admiravam-se seu Pai e sua Mãe do que se dizia d’Ele.

Iam os Pais de Jesus todos os anos a Jerusalém. Ficou Jesus em Jerusalém sem que o soubessem seus Pais. E Nossa Senhora ao encontrar Jesus no templo, lhe diz: Eis que teu pai e eu cheios de aflição te procuramos.

Sempre no Evangelho, São José é chamado e considerado Pai de Jesus. E Jesus mil vezes o havia de chamar Pai, e a ele esteve sujeito e obediente trinta anos desde Belém.

São José, pois, é e deve ser chamado Pai de Jesus, Pai virginal, não Pai carnal e segundo a geração humana, porque Maria Imaculada concebeu, e foi Mãe de Jesus por obra e graça do Espírito Santo.

São José é a sombra do Eterno Pai, a imagem do Pai de quem procede o Filho, Jesus Cristo. Não devia, pois ser chamado Pai de Jesus? Pai putativo, genealógico, jurídico ou legal, adotivo, eletivo, nutrício, virginal, afetivo e de ofício de Jesus Cristo.

Eis a sua glória: Pai de Jesus.

ESPOSO DE MARIA

Foi José verdadeiro e legítimo esposo de Maria, de um matrimônio, diz o Padre Sauvé, perfeitamente virginal, maravilhosamente fiel, milagrosa e infinitamente fecundo.

Quando Deus criou o homem no Paraíso terrestre, deu-lhe uma companheira em tudo a ele semelhante: Adjutorium símile sibi.

Havia de ser a esposa em tudo semelhante ao esposo. Para remir e salvar o mundo, obra maior e mais estupenda que a criação, Deus também quis associar a esta obra um homem e uma mulher. E formou São José semelhante a Maria.

José foi formado à semelhança da Virgem, sua esposa, escreveu São Bernardo. José e Maria como verdadeiros esposos, sempre unidos e semelhantes. Da mesma estirpe de Davi, da mesma condição de pobres unidos pelo mais casto e santo amor, e inseparáveis.

José foi esposo de Maria para que convenientemente viesse ao mundo o Verbo Encarnado.

Havia de nascer Jesus de uma virgem mas de uma Virgem desposada. E São José foi este Esposo predestinado e singular.

São José, diz São Gregário Nazianzeno, foi achado digno e aptíssimo para ser esposo de Maria. O mesmo afirmam as autoridades de São Tomás de Aquino, Gerson, A Lapide.

O céu, escreve D. Gueranger no seu L’Année Liturgique, escolheu a São José como o único digno de um tal tesouro: — Maria.

Para ser esposo da Mãe de Deus, que pureza e que santidade não havia de ter São José! E se Deus o escolheu para o desempenho desta missão, é que realmente foi ele o mais digno entre os homens e o mais semelhante à mais perfeita das criaturas, sua santíssima Esposa.

Para se conhecer bem o Santo Patriarca e avaliar o que Ele é no Plano Divino, e o que para nós é e representa, basta lembrar pois os dois títulos de glória que o tornam o maior e o mais singular dos Santos — Pai adotivo de Jesus Cristo e Esposo de Maria Imaculada.

E aqui fica a resposta à pergunta:

Quem é São José?

Virum Mariae de quanatus est Jesus. — É o esposo de Maria, diz o Evangelista, da qual nasceu Jesus.

E nisto só está definido São José.

SÃO JOSÉ, MAIOR QUE OS ANJOS

São José, podemos afirmar com fundamento, se avantaja em dignidade e excelência aos próprios Anjos. Esta doutrina tem razões sólidas para aboná-la, e não repugna teologicamente. Dizem os melhores teólogos Josefinos que o Santo Esposo de Maria foi predestinado numa ordem e grau mais sublimes que todos os espíritos angélicos.

Os Anjos são ministros, servos do Senhor.

São José foi pai adotivo do Senhor, Verbo Encarnado. Os Anjos são os servos, os executores das ordens divinas. São José teve sob o seu governo e tutela e, obediente a ele e Maria, o próprio Deus durante trinta anos. Et erat subditus illis. E estava sujeito, obediente a eles.

Os Anjos obedecem a Deus. E Deus obedeceu a São José.

Os Anjos tiveram íntimas relações com o Verbo Encarnado e exerceram ministérios em ordem do Mistério da Encarnação.

O Arcanjo Gabriel anuncia a Zacarias o nascimento do Precursor de Cristo e o mesmo Arcanjo anuncia a Virgem Santíssima o Mistério da Encarnação do Verbo.

Os Anjos anunciam aos Pastores o nascimento do Salvador.

Um Anjo aparece a José para salvar o Menino-Deus da perseguição de Herodes. E de novo o avisa, quando morre o perseguidor, a que volte para Nazaré.

Os Anjos servem a Jesus no deserto. Um deles conforta-O no Horto, e, na Ressurreição levantam a lousa do sepulcro, aparecem às santas mulheres.

Todos estes ministérios, porém, podem ser maiores que o de São José para com Jesus Cristo?

As afinidades de São José com Cristo são mais íntimas, mais profundas, especiais e diretas. Foi pai de Jesus, Rei dos Anjos, e esposo de Maria, Rainha dos Anjos. Por mais que meditemos; nas prerrogativas e privilégios e grandezas dos Anjos, estas criaturas mais perfeitas que o Homem, nunca poderemos encontrar razão alguma que os torne superiores ao Santo Patriarca.

Não há dúvida: pode chamar-se São José da Celeste Milícia.

SÃO JOSÉ E OS COROS ANGÉLICOS

O grau de predestinação se mede pelo grau de caridade que têm as almas nesta vida. São José, pela sua união imediata com Jesus, o próprio Deus, fez tanto progresso no Amor Divino que se avantajou aos Anjos em dignidade. Nenhum espírito celeste mereceu a honra de ser Pai adotivo do Filho de Deus.

As relações das outras criaturas com Jesus foram, de certo modo, indiretas. Referiam-se a alguma coisa de Jesus. Os Anjos executam as suas ordens, os mártires dão testemunho da verdade ensinada pelo divino Mestre, os Doutores desenvolvem seus ensinamentos divinos, as virgens honram a Pureza Eterna. Cada alma santa reproduz, de um modo predominante, tal ou tal virtude de Jesus.

O caráter distintivo, porém, das funções de São José é tender por sua própria natureza diretamente à pessoa de Jesus Cristo, diz o Padre Sauvé (1). E é isto que faz o Santo Patriarca superior a todos os coros angélicos.

Isolano (2), comparando a missão de São José a de cada um dos coros angélicos, demonstra com a doutrina angélica de São Dionísio quanto maior, mais bela, mais sublime foi a missão de José. Mais que simples mensageiro e guarda dos homens, foi aquele que do céu recebera o encargo de guarda de Jesus, cabeça do gênero humano.

Mais que os simples Anjos e Arcanjos. Mais que as Potestades, Virtudes e Dominações.

Mais elevado que os Tronos, mais conhecedor do Eterno e íntimo dos Arcanos celestes que os Querubins, mais abrasado na divina caridade que os Serafins.

É, pois, São José Anjo pela vida, Arcanjo pelo Ofício, Príncipe pela vitória do Rei dos reis. Potestade pelas operações sobrenaturais, Virtude pela perfeição, Dominação porque acima está das criaturas, Trono porque recebeu nos seus braços o próprio Deus. Querubim porque mais de perto conheceu a Deus; Serafim porque depois de Maria ninguém melhor e mais pode amar a Deus nem no céu nem na terra. Digamos, pois:

Ó São José! Ó Santo acima dos Anjos e dos Santos, possamos imitar-vos na angélica pureza e servir a Maria, Rainha dos Anjos, para melhor amarmos o Rei Eterno dos Anjos.

Referências:

(1) Sauvé — “Saint Joseph”.
(2) Cit.— Summa Josephina — Card. Vives, C. XLVI.

SÃO JOSÉ E A MISSÃO DOS ANJOS

Os Anjos, define o catecismo, são puros espíritos que Deus criou para sua glória e seu serviço. A glória e o serviço de Deus é, pois, a missão dos espíritos celestes. Para que foi criado e predestinado São José?

— Para ser na terra a imagem do Pai celeste, o pai adotivo do próprio Deus e esposo da Mãe de Deus. Os Anjos nos guiam, protegem, e os coros angélicos estão ao serviço do Senhor. Não e São José o guia poderoso de nossa vida, como o foi de Jesus?

Os Anjos têm a visão e o serviço de Deus. São José teve a intimidade do Filho de Deus Humanado e o serviu longos anos, do Presépio de Belém aos dias da pregação do Evangelho. Nenhum Anjo foi tão familiar de Deus.

Podia dizer São José ao Senhor:

Meu Deus! Quando Tomastes a forma humana para nos remir, depois de Maria, vossa Mãe, e mais que vossos Anjos, tive a incomparável felicidade e honra de vos servir. Tivestes fome e sede, e Vos dei de comer e beber com o suor de meu rosto; eu Vos recebi nos meus braços e Vos salvei da morte e perseguição de Herodes. Protegi, amparei vossa Mãe Santíssima! Senhor, recebi a missão de Vos amparar e proteger na terra, para que pudesse amparar e proteger meus devotos!

Não é, realmente, superior, mais eficaz e poderoso o ministério de São José que o dos Anjos?
Peçamos ao Santo Patriarca nos obtenha a graça incomparável da salvação eterna pela fidelidade ao serviço de Deus na terra. Invoquemos o nosso Anjo da Guarda para que nos ajude a honrar ao nosso grande Santo Protetor, que é também Príncipe dos Anjos e Arcanjos.

José do Egito, figura de São José, fora constituído príncipe com todos os poderes sobre os demais súditos de Faraó. São José fora constituído também, no Reino de Deus, o grande Príncipe, e lhe foram dadas as maiores e mais extraordinárias prerrogativas que o fizeram o Príncipe sem igual, acima de todos os súditos do Rei dos reis depois de Maria Santíssima, Rainha dos céus e da terra. E nesta singular e privilegiada missão, quem pode contentar a supremacia de José sobre todos os Anjos e coros angélicos?

SÃO JOSÉ E AS ALMAS PURAS

As almas puras são comparadas aos Anjos. A virtude da pureza é chamada, e com razão, virtude angélica. São José, mais elevado que os Anjos, concede esta graça especialíssima da virtude angélica aos seus devotos.

Os grandes Santos que mais se distinguiram na prática da pureza foram devotos fervorosos do Santo Patriarca.

São Luiz Gonzaga que a Santa Igreja denomina o angélico moço, teve uma devoção fervorosa a São José. O Santo Esposo da Imaculada: parecia lhe haver tocado com o seu lírio simbólico.

Santa Terezinha escreve: Desde pequenina, aprendi a amar, a invocar a São José. Como se deliciava na meditação dos encantos da vida da Sagrada Família em Nazaré!

O Bem-aventurado Hermann José, da Ordem Premostratense, se distinguia por um amor ardente a São José. Meditava continuamente as virtudes do Santo Patriarca e procurava imitá-lo.

Um dia, numa destas aparições que sempre teve de Nossa Senhora, a Mãe de Deus lhe recomendou acrescentasse ao seu nome o nome de José. E Hermann o fez, cheio de alegria. Passou a assinar e chamar-se Hermann José. E assim é como todos o conhecem e invocam.

Outra vez, Maria Santíssima lhe depositou nos braços o Menino Jesus, como o devia ter feito mil vezes em Belém e em Nazaré nos braços de São José.

Um dos maiores devotos e apóstolos do culto de São José foi São Bernardino de Sena, religioso franciscano. Desde menino distinguiu-se por uma angélica pureza de costumes. Ninguém ousava dizer, perto dele, uma palavra menos honesta. E seus companheiros de estudos, ao avistá-lo, diziam:

Calemo-nos; deixemos toda conversa livre, porque Bernardino aí vem!

Toda a sua pessoa inspirava respeito e falava da virtude dos Anjos. O Santo atribuía todas as graças da sua vida, e sobretudo a pureza, a proteção de São José.

O que São Bernardino escreveu e pregou sobre São José é, sem dúvida, o que melhor e o que mais se pode dizer da glória do Santo Esposo de Maria. Ele figura ao lado dos maiores e melhores apóstolos Josefinos.

O MAIOR DOS SANTOS

Depois de Deus, Maria. Depois de Maria, José. É sem dúvida o maior dos santos, pois recebeu de Deus maiores graças e desempenhou a maior e mais sublime missão na terra.

É conhecido o axioma tomista:

“Quando Deus escolhe alguém para uma missão o dispõe e prepara para que seja idôneo e a desempenhe dignamente ” (1)

Ora, São José fora escolhido para a mais sublime missão: — Pai adotivo do Filho de Deus humanado e esposo da Mãe de Deus. Poderia alguém na terra, depois de Maria excedê-lo na gloria da santidade? Quem teve maior e mais sublime missão a cumprir na terra? Só Maria Santíssima. Logo, depois de Maria na santidade, ninguém pode ser maior que o Santo Patriarca. É incontestavelmente o maior dos santos.

“São José se avantajou em santidade e glória, opina do grande teólogo Suarez, aos apóstolos e a São João Batista, porque nada há na Escritura e na tradição que se oponha a esta Conclusão ” (2)

E a Igreja com Pio IX, na Encíclica Inclytum Patriarcham, de 7 de Julho de 1871, diz claramente:

Tendo Deus escolhido o Bem-aventurado José entre todos os santos para ser verdadeiro e puríssimo esposo da Virgem Imaculada e Pai Putativo de seu Filho, comunicou-lhe em abundância graças singulares para desempenhar tão sublimes ofícios, graças singulares que o tornam também um santo entre todos singular.

Esta é a razão primária da santidade eminente de São José. E ainda Santo Tomás quem nos dá outra razão dá santidade eminente do santo esposo de Maria. Quanto mais alguma coisa se aproxima do seu princípio em qualquer gênero que seja, diz o Angélico, mais participa do efeito daquele princípio. Cristo é o princípio da graça, autoritariamente enquanto Deus, e, instrumentalmente enquanto homem (3). Deste princípio deduz o Santo Doutor a santidade singular de Maria, maior que a de nenhum santo. Logo pela mesma razão se São José depois de Maria foi o mais próximo de Jesus Cristo, recebeu dEle maior abundância de graças que os outros santos. E Suarez afirma que depois da Humanidade de Jesus e de Maria, São José ocupa o terceiro lugar na abundância da graça divina pela sua familiaridade e contato com Jesus Cristo (4). É, pois, o maior dos santos.

Referências:

(1) Sum. I. IIae. Qu.LXXXI. art.8.
(2) In III, Qu. XXX. Disp. 8.
(3) Q. XXVII. art.5.
(4) III. Q. XXIX. Disp. 8.

E SÃO JOÃO BATISTA?

Nenhum santo teve dos lábios de Jesus maior elogio que João Batista. Dentre os nascidos da mulher, disse o Salvador, nenhum apareceu maior que João Batista (1).

Argumentam contra a primazia de São José servindo-se deste texto sagrado. O elogio do Precursor feito por Jesus Cristo, diz o ilustrado Pe. Cantera, é de um valor relativo e não absoluto.

Nosso Senhor exalta João Batista sobre os profetas do Antigo Testamento, mas não sobre todos os santos. E queria também se referir às maravilhas e prerrogativas com que Deus o honrou desde o nascimento. Esta e a segura opinião do grande teólogo Josefino, o Cardeal Lepicier no seu admirável Tractatus de S. Joseph.

O texto de São Mateus comparado ao de São Lucas esclarece perfeitamente esta questão:

“Entre os nascidos de mulher não há maior profeta que João Batista” (2)

O Evangelista aqui fala em profeta e diz expressamente que entre os nascidos de mulher não há maior profeta que João Batista. Excedeu a todos no dom da profecia, mas não diz que a todos tivesse excedido na graça e na santidade. Esta é a interpretação de Santo Hilário, São João Crisóstomo,
Santo Agostinho (3) e outros santos padres, como demonstra o estudo admirável do Pe. Cantera na sua obra: San José en el plano divino.

Suarez é de opinião também que São José excedeu em graça e em glória aos Apóstolos e a São João Batista porque a sua missão foi maior e mais sublime que a deles.(4) E eis agora a razão porque na Liturgia a Igreja invoca nas Ladainhas a São João Batista antes de São José. A ordem dos santos nas Ladainhas não obedeceu à ordem de prioridade na santidade, isto é, na ordem da graça e da glória. Em geral, este argumento não tem valor decisivo, porque nas orações litúrgicas nem sempre a precedência dos nomes dos santos indica a precedência na ordem da graça e da glória.

Eis porque também a Santa Sé não permitiu se inserisse o nome de São José no Confiteor e se desse precedência ao nome de José ao de João nas Ladainhas.

Referências:

(1) Mat. XI, II.
(2) Lucas, VII, 28.
(3) A. Lapide. In cap. I, Math., v. 16. Cartagena, lib. IV, De Despons. B. M. V.1
(4) In III. Qu. XXIX. Disp. 8.

MAIOR QUE OS APÓSTOLOS

São José excede a dignidade dos Apóstolos. Estes foram ministros e dispensadores dos mistérios de Deus (1), vasos de eleição (2), colunas da fé(3), mensageiros da palavra divina (4). Pregaram o Evangelho de Cristo, sofreram e lutaram e morreram por Cristo. Enfim toda a missão deles foi em relação à pessoa de Cristo.

Ora, São José foi o dispensador de Jesus nascido, diz Orígenes; Ministro da Encarnação, diz São João Crisóstomo; o único coadjutor fidelíssimo do Grande Conselho, escreve São Bernardo. Ministro da nossa salvação, lhe chama a Igreja no Ofício litúrgico:— Dedit ei ministrum esse salatis.

Todos estes títulos são indiscutivelmente mais gloriosos que o do apostolado.

O ministério de São José, afirma o Cardeal Vires (5), afeta mais de perto à pessoa de Cristo e influi mais diretamente em nossa salvação. É maior São José que todos os mártires e confessores e virgens. Nenhum santo teve como Ele privilégios tão singulares e viveu mais unido a Deus e mais abrasado na Divina Caridade.

Pelas relações com Jesus e Maria Santíssima é o maior dos santos, e precede a todos os eleitos no culto que lhe prestamos. E, finalmente, Pio IX proclama ao santo Patriarca patrono da Igreja Universal. O patrono é superior aos que patrocina. Evidentemente vale esta razão por muitas outras. A festa do patrocínio de São José é um argumento litúrgico em favor da primazia de São José entre os santos da Igreja de Deus.

Concluamos pois com os santos Doutores, os teólogos, os melhores autores Joséfinos: — São José é o maior dos santos; maior que João Batista e os apóstolos; maior que todos os eleitos na graça e na glória.

Referêncais:

(1) I, Cor, IV, 1
(2) Luc, VI, 13
(3) Ef, II, 20
(4) Marc, XVI, 20.
(5) Summa Joséphina, 49

O LUGAR DE SÃO JOSÉ

O santo padre Pio IX, de saudosa memória fora o Papa de uma das horas mais tormentosas e difíceis da história da Igreja. Devoto fervoroso de São José, consagrou ao santo patriarca toda a Igreja em 8 de Dezembro de 1870.

O culto de São José desde então, mais se desenvolveu, e admiravelmente em todo mundo católico.
O Papa da proclamação da Imaculada Conceição e da infalibilidade pontifícia, foi também o Papa de São José. Certa vez em Roma apareceu um artista de valor e o Papa lhe recomendou a pintura de um quadro no qual deveria figurar o céu. Pio IX acompanhava os trabalhos da tela com extremo carinho. Um dia, quando já bem adiantada ia a obra, o artista explica ao Pontífice o assunto, e o simbolismo das figuras e o lugar dos personagens na tela.

— E São José, onde o colocou?
— Ei-lo, diz o pintor, mostrando um ângulo do quadro, ei-lo aqui neste canto!— Não, meu filho, diz Pio IX, ali não pode ficar. Quero-o aqui ao lado de Jesus e Maria. Não me tire São José de junto de Jesus e Maria, porque assim é que estão eles no céu!

Bela e tocante lição!

Em nossas orações, em nossa devoção nunca separemos o que Deus uniu na terra e no Céu: Jesus, Maria e José.

PATRIARCA DO SILÊNCIO

O que mais impressiona em São José é o silêncio profundo da sua vida. Tudo em torno dele é humildade, simplicidade e silêncio. O Evangelho fala pouco de José. Durante séculos esteve quase desconhecido o culto do Santo Patriarca.

Os Apóstolos, os mártires, tiveram os seus nomes triunfantes na Igreja e no esplendor das pompas litúrgicas. São José, sempre oculto. Começam as manifestações brilhantes do seu culto só no século XV. Não fora a luz do mundo como os Apóstolos nem a voz que anunciava aos homens as maravilhas divinas da Redenção. São José teve outra e bem diferente missão, disse Bossuet  (1), havia de ser o silêncio de Deus, o véu do templo que envolve o adorável mistério da Encarnação, a virgindade de Maria e a majestade de Jesus Cristo.

O silêncio, disse o Pe. Faber (2) , sempre foi o adorno da grande santidade. Encerra em si algo divino. Quase toda vida humana de Jesus esteve marcada com o silêncio. Também Maria e José tomaram de Jesus este silêncio cheio de beleza e de doçura. Que grandes lições e que objeto de sérias meditações não nos oferecem o recolhimento, o silêncio do Santo Patriarcal!

Adorável mistério exclama na sua eloquência a águia de Meaux. José possui em sua casa o objeto que pode atrair os olhares e a admiração de todo o Universo e o mundo o ignora.

Possui o seu Deus e não deixa escapar a mais leve insinuação. É testemunha do mais portentoso mistério, o da Encarnação, e nem sequer o deixa transparecer. Os Magos, os Pastores em Belém, o Profeta Simeão e Ana no templo, publicam as grandezas do Filho de Maria.

José se conserva em absoluto, em profundo silêncio. Poderia dar testemunho do mistério da Encarnação e do nascimento miraculoso de Jesus. Que pai poderia ficar calado diante das maravilhas de tão grande Filho? E no entanto, apesar de tantas almas haverem celebrado com zelo e entusiasmo a glória de Jesus, nada tem o poder de fazer abrir a boca a São José para o obrigar a revelar o segredo de Deus que lhe fora confiado.

Admirável silêncio!

Que humildade heroica!

Houve na terra Santo mais humilde, mais obscuro, mais silencioso? São José foi, realmente, a sombra do Pai Eterno, diz Hernert Hello (3), aquele sobre o qual projetou densa e profunda a sombra do Pai. São José, o homem do silêncio! O Patriarca do silêncio!

Referências:

(1) Premier Panegyrique de S. Joséph
(2) Belém
(3) Physionomiedes Saints: Saint Joséph

ERA VELHO SÃO JOSÉ?

Quando se uniu à Virgem Santíssima em matrimônio, que idade tinha São José?

Há três opiniões diversas. Vamos expô-las ligeiramente. Uns como Gerson, afirmam que era jovem como Maria, para que melhor a pudesse auxiliar e servir como esposo. Antigos Breviários aplicam a Maria e José aquela passagem de Isaías:

Habitará o jovem com a Virgem e o esposo se alegrará com sua esposa (1), São Jerônimo e Santo Epifânio opinam pela idade avançada do Santo Patriarca. Santo Epifânio chega a dizer que José se casou aos oitenta anos de idade.

A grande maioria dos teólogos porém com Suarez, Vasquez, Barônio e muitos outros afirmam com fundamento, e é, realmente, a opinião mais segura, que não era jovem nem velho, mas de idade viril entre os trinta e quarenta anos.

A Madre Agreda, autora da obra tão discutida “Mística Cidade de Deus”, diz que tinha São José, ao desposar Maria, a idade de 33 anos.

Não tem fundamento a opinião da velhice do Santo Patriarca no matrimônio. Apresentar a São José como erroneamente o fazem alguns artistas, como velho, alquebrado, decrépito, é um absurdo! Em primeiro lugar é contra o fim do matrimônio do Santo Esposo da Virgem, que era velar a honra de Maria e a legitimidade de Jesus e ocultar aos olhos dos homens o mistério da Encarnação. Ora, como se poderia dar isto, se São José fosse velho octogenário e Maria uma donzela de 16 anos? E depois, como São José poderia ajudar e proteger a Maria e Jesus nas longas viagens, nas lutas e trabalhos para sustentar a Sagrada Família, durante trinta anos, tendo se casado já velho e até octogenário? E finalmente num matrimônio tão perfeito como deveria ser o de José e Maria, não deveria existir uma proporção perfeita na idade como na virtude?

O Evangelho nos indica a idade viril de São José, pois o chama vir, isto é, varão. Esta palavra indica homem robusto, forte, nem velho nem moço, homem adulto e viril. As palavras de Isaías: habitará o homem com a Virgem, têm um sentido místico, não podem servir de argumento em favor da juventude de São José.

No IV século as imagens do Santo Patriarca, o representam sem barba, adulto, forte, viril. Gerson diz ter visto várias pinturas nas Igrejas da Alemanha que assim representavam a São José. Donde se pode concluir com toda segurança, com os melhores autores, arqueólogos e estudiosos da questão, que não era São José velho ao esposar a Virgem. Nem tão jovem como sua esposa, mas um varão adulto: vir.

Uma falsa e mal esclarecida piedade fez com que artistas, sobretudo medievais, representassem a São José velho para melhor realçar a pureza de Maria. A Virgem Imaculada e seu Santo Esposo não receberam de Deus o dom da mais alta santidade e de uma pureza maior que a dos Anjos para merecerem a honra de tratarem na intimidade o Deus de toda pureza? Por que, pois, havia necessidade da velhice de São José para guardar a virgindade de Maria?

Tal opinião sobre ser absurda é injuriosa.

Referências:

(1) Is. LXII, 5

PRIVILÉGIOS E PERFEIÇÕES DE SÃO JOSÉ

Atribuem ao Santo Esposo de Maria privilégios e perfeições que na verdade dificilmente podem ser contestados. Alguns têm mesmo sólidos fundamentos. Ei-los:

1.° — Santificação no seio materno.
2.° — Impecabilidade.
3.° — Virgindade perpétua.
4.° — Ressurreição.

SANTIFICAÇÃO NO SEIO MATERNO

A santificação de São José no seio materno foi defendida pela primeira vez pelo célebre Gerson, o sábio chanceler da Universidade de Paris. Esta prerrogativa foi possuída pelo Profeta Jeremias e S. João Batista. Daquele se lê na Escritura:

Anteqnem exires de vulva sanctificavi te – “Antes de saíres do seio de tua mãe eu te santifiquei” (Jr 1, 5)

E de João Batista diz o Evangelho:

Spiritu Sancto replebitur adhuc ex utero matris suae – “Será cheio do Espírito Santo desde o seio de sua mãe” (Lc 1, 15)

Ora, José maior que João Batista pela união com Cristo, e incontestavelmente mais santo é maior que Jeremias, não teria o privilégio da santificação no seio materno?

Gerson defende a sua tese ante a venerável assembleia do Concilio de Constança, e não poucos autores o seguem depois: Santo Afonso de Ligório aceita e defende esta opinião e bem assim Isolano, Cartagena, Bernardino de Bustes e muitos outros teólogos e santos.

IMPECABILIDADE

Outro privilégio é o da impecabilidade. São José foi confirmado em graça de tal modo que pode evitar todo pecado, até o venial!

José, diz o Cardial Lepicier, nunca manchou a sua alma com a mais leve sombra de pecado em toda a sua vida mortal (1)

Todos os Autores em geral admitem sem contestação a impecabilidade de São José.

Jesus é santo e impecável por natureza, cheio de graça, Deus absoluto e infinito. Maria é santa e impecável não por natureza absolutamente, mas por singular privilégio de Deus, como disse Pio IX, foi preservada do pecado original, em atenção aos méritos de Jesus Cristo. José é também santo e impecável pessoalmente, cheio de graça e confirmado em graça evitou todo pecado. Nunca manchou a candura de sua alma virginal e santíssima. Assim o exigiam o lugar que ocupou na Sagrada Família, as relações íntimas com Deus e com a Mãe de Deus.

Referências:

(1) Tractatus de S. Joseph, P. II, art. 2-10.

VIRGINDADE PERPÉTUA

A virgindade perpétua é outra coroa de glória do santo Patriarca.

A Escritura nada fala da virgindade de São José, mas a Tradição nos guarda e garante esta opinião com segurança.

A Tradição teológica, escreve o Pe. Cantera, reprova todos os erros contra esta doutrina e afirma unanemente a Virgindade de São José, e hoje podemos afirmar que é uma verdade teologicamente certa, da qual não é lícito a nenhum cristão duvidar (1)

Santo Atanásio, São Jerônimo, Santo Agostinho, São Beda Venerável, Santo Tomás de Aquino, defendem com ardor e sólida argumentação, a virgindade perpétua de São José.

É célebre a resposta de São Jerônimo ao herege Helvídio:

Dizes, que Maria não ficou Virgem. Pois não só defendo e afirmo a Virgindade de Maria, como digo ainda mais: por Maria foi Virgem também São José (2)

Referências:

(1) Cantera – San José en el Plano Divino
(2) Adv. Helv. n° 19.

RESSURREIÇÃO

Finalmente, um grande privilégio atribuído ao Santo Patriarca é o da Ressurreição.

Um corpo tão puro e virginal e santo como era o de São José, convinha estivesse reunido à alma no Céu, como esteve na terra. Depois de pago o tributo à morte e cumprida a lei que nos condena a morrer pelo pecado de Adão, convinha ao corpo de São José ressuscitar glorioso e triunfante.

José morreu nos braços de Jesus e Maria e foi sepultado piedosamente.

Diz São Mateus, que na morte de Jesus ressuscitaram mudos corpos de santos que haviam morrido (1)

E acrescenta que vieram à cidade e foram vistos por muitos. Santo Tomás afirma que os que ressuscitaram então não voltaram à sepultura, mas foram com Cristo ao Céu.

Pois entre os ressuscitados, segundo a opinião de muitos teólogos e exegetas, estava S. José. Knabenbauer observa que os que ressuscitaram na morte de Cristo não foram os justos antigos, desconhecidos do povo, mas os que haviam falecido havia pouco tempo, afim de que todos vissem e atestassem o prodígio e cressem na ressurreição de Cristo (2).

Ora, ninguém era mais conhecido que José. Não chamavam todos a Jesus: o filho do carpinteiro? Por isso, diz Suarez, é opinião comum e muito provável a ressurreição de S. José e a subida ao Céu em corpo e alma com Jesus Cristo.

Não há inconveniente algum em crer nesta opinião, embora não conste na Revelação, e não se possa afirmar com absoluta certeza, diz o sábio Pontífice Bento XIV.

Referências:

(1) Mat. XXVIII, 52
(2) Knabenbauer In Math. C.27 v.3.

IMACULADA CONCEIÇÃO DE SÃO JOSÉ?

É uma opinião singular de uma exagerada piedade e sem fundamento algum teológico.

Houve quem a defendesse com ardor, como o Pe. José Domingos Cobartó, na Espanha, mas foi rejeitada, embora não condenada pela Igreja.

E uma proposição temerária, dizem os melhores teólogos Josefinos. O privilégio da Imaculada Conceição só cabe a Mãe de Deus, à Virgem Maria. É o que se conclui das decisões do Concilio Tridentino e da proclamação da Igreja. Privilégio único! Maria teve com o Verbo Encarnado união substancial. Da sua carne virginal se formou a carne de Jesus. Pertence à ordem intrínseca da união hipostática. E demais Ela foi elevada a Corredentora do gênero humano. Deveria ser isenta de toda culpa, ate da original.

Tal não se dá com São José. A união do santo Patriarca com Jesus é extrínseca, embora na ordem hipostática. Só em sentido muito lato pode ser chamado corredentor. Não há, pois, razão teológica e fundamento sólido para a Imaculada conceição de São José.

Nasceu sem pecado, podemos crer; mas concebido sem pecado, não. Lepicier chama a esta proposição temerária e suspeita de heresia (1). Suarez, Gerson, Cartagena, Isolano, Butina (2) e a maioria dos teólogos e melhores autores rejeitam a proposição temerária do Padre Cobartó, e de uns poucos escritores e devotos.

Podemos chamar a São José: o Imaculado, sim, mas nunca em sentido da Imaculada Conceição.

Imaculado São José.

E verdade, sim, como o mais belo ideal de santidade e pureza, depois de Maria, com o dom da impecabilidade e mais puro que os Anjos! Se não teve o privilégio da Imaculada Conceição, foi a mais pura e imaculada criatura formada por Deus, depois de Maria Imaculada.

Referências:

(1) Tract. de Sancto Joseph, P. II, art. 1,2.
(2) Glorias de San José, P. I, c. XV, II

A MORTE DE SÃO JOSÉ

Morte de São José, pintura de Giambattista Pittoni (1687–1767)

Morte de São José, pintura de Giambattista Pittoni (1687–1767)

Quando? Onde? Como morreu São José?

São perguntas inevitáveis de nossa curiosidade de servos e devotos fervorosos do santo Patriarca.

Os estudos hoje bem aprofundados de teólogos e historiadores já nos dão algumas luzes sobre aquilo de que não se encontra uma só palavra nos Evangelhos e nos Livros Sagrados.

Realmente nada se encontra na Escritura e na Tradição e em nenhum dos escritos dos Doutores que nos fale da morte de São José e das circunstâncias que a acompanharam. Havemos de recorrer a prováveis conjecturas e recolher as opiniões mais conformes à Escritura e à razão.

Este é o método de todos os teólogos e autores Josefinos, entre eles o célebre Isidoro de Isolano(1)

Referências:

(1) Isolanis — Summa de donis S. Joseph, p. IV, c. I)

QUANDO MORREU?

Os Autores não estão de acordo. Santo Epifânio diz ter sido mais ou menos depois que Jesus completou os doze anos. E a razão que dá é a do silêncio do Evangelho sobre São José depois do Encontro de Jesus no Templo (1).

Outros dizem ter morrido durante a vida pública de Jesus, e o provam com as palavras de São Mateus:

“Não é ele o filho do carpinteiro?” (2)

Uma terceira opinião, atribuída a São João Crisóstomo, é a que São José vivia no tempo da Paixão de Cristo e esteve aos pés da cruz.

A opinião, finalmente, mais aceita, provável e racional, admitida pela maioria dos autores, como São Jerônimo, São Bernardino de Sena, São Boaventura, Gerson, Suarez e outros, é que o Santo Esposo de Maria morreu depois do Batismo de Jesus e antes das Bodas de Caná; nos primeiros dias da vida pública do Salvador.

Examinemos cada uma dessas opiniões…

Não há fundamento para se aceitara opinião de Santo Epifânio. A missão de São José era ser o guarda e nutrício do Verbo Encarnado, fidelíssimo esposo de Maria e seu amparo. Se tivesse morrido quando Jesus contava apenas doze anos, como poderia ter realizado os desígnios de Deus e a sua missão?

Que José tivesse vivido durante a vida pública de Jesus, também não encontramos fundamento no Evangelho. Porque não aparece nas Bodas de Caná? Se Jesus lá estava com Maria sua Mãe, porque o Esposo Santíssimo da Virgem não havia de ser convidado?

Os Judeus dirão certa vez de Jesus.

“Eis que tua Mãe e teus irmãos te aguardam lá fora”…

Porque não se referem a São José? Este absoluto silêncio dos Evangelistas que tantas vezes se referiram a José na Infância de Jesus, não é significativo? Não prova que teria já morrido o Pai Putativo do Salvador?

O chamarem a Jesus filho do carpinteiro quando Ele pregava e fazia prodígios, só prova o costume dos Judeus de chamarem os filhos citando o nome ou o ofício dos Pais, fossem estes vivos ou mortos.

A opinião atribuída a São João Crisóstomo de que José vivia no tempo da Paixão, é rejeitada pela maioria dos Autores. E o maior argumento contra ela é o de ter Jesus entregue sua Mãe aos cuidados de João Evangelista no Calvário. Pois se o Esposo Virginal de Maria fosse vivo, não era justo fosse recomendada a Ele a Mãe de Deus?

Exatamente porque Maria havia de ficar no mundo viúva e sem o Filho querido, fora entregue a João o Discípulo amado. Não há dúvida, pois; a mais racional opinião é a da morte de São José pouco antes da vida pública de Jesus, e depois do Batismo no Jordão.

Estava cumprida a sua missão de Esposo de Maria, velarium sagrado do Mistério da Encarnação, sombra do Pai Eterno, sustentáculo e amparo de Jesus. “Esta é a sentença que subscrevo e sustento”, diz e o prova o mais erudito e profundo Autor e teólogo Josefino, o Cardial Vives y Tuto, em sua obra monumental Summa Josephina (3).

Referências:

(1) Haeres. LXXVIII
(2) Mat. XII, 55
(3) Card. Vives — Summa Josephina. — C. XLV — DepretiosissimaMorte S. Joseph.

ONDE MORREU?

Em Nazaré na casa bendita onde sofreu e trabalhou para sustentar o Verbo feito Carne e a Mãe de Deus, onde durante trinta anos teve sob o seu governo Aquele Senhor que governa os céus e a terra. A maioria dos Escritores e a Tradição nos dizem ter sido o feliz Trânsito de São José em 19 de março. Alguns escritores dizem ter morrido o santo Patriarca em Jerusalém, onde foi para celebrar a Festa da Páscoa. E concluem da sepultura do santo no vale de Josafat.

Poder-se-ia responder que pela Escritura sabemos de muitos santos personagens, mortos em um lugar e sepultados em outro muito distante. Todavia, são conjecturas inúteis.

São Jerônimo, o Venerável Beda, e Suarez dizem ter sido o corpo de São José sepultado em um lugar atrás da montanha de Sião e do Jardim das Oliveiras, no mesmo túmulo onde mais tarde seria sepultada a Virgem Santíssima.

Referências:

(1) P. V. Mercier — Saint Joseph.

COMO SE DEU A MORTE?

Ainda havemos de recorrer a Tradição. Nas Igrejas do Oriente, no 19 de março, nos primeiros séculos, cada ano, diz Isidoro de Isolanis (1), se costumava ler com toda a solenidade ao povo, uma piedosa narração da morte de São José. O Bispo dava a benção, assentava-se em meio da assembleia e ordenava ao Leitor fizesse em voz alta a leitura da piedosa narração:

“Eis chegado para São José o momento de deixar esta vida. O Anjo do Senhor lhe apareceu e anunciou ter chegado a hora de abandonar o mundo e ir repousar com seus Pais. Sabendo estar próximo o seu último dia quis visitar pela última vez o Templo de Jerusalém, e lá pediu ao Senhor que o ajudasse na hora derradeira. Voltou a Nazaré, e sentindo-se mal, recolheu- se ao leito. E dentro em breve o seu estado se agravou. Entre Jesus e Maria que o assistiam carinhosamente, expirou suavemente abrasado no Divino Amor. Oh! Morte bem-aventurada! Como não havia de ser doce e abrasada no Divino Amor a morte daquele que expirou nos braços de um Deus, e da Mãe de Deus?”

Jesus e Maria choravam ao fecharem os olhos de José. E como não havia de chorar Aquele mesmo Jesus que havia de chorar sobre a sepultura de Lázaro? Vede como Ele o amava! disseram os Judeus. José não era tão só um amigo, mas um Pai querido e santíssimo para Jesus!

Gerson acrescenta que Jesus preparou para a sepultura o corpo virginal de seu Pai adotivo, cruzou-lhe as mãos ao peito e o abençoou para que não se corrompesse no sepulcro (2).

Eis aí o que podemos saber pela Tradição da morte de São José.

A Igreja canta no Ofício litúrgico de 19 de março, confirmando a Tradição:

O nimis felix, nimis ó beatus, cujus extremam vigiles ad horam Christus et Virgo simul astiterunt ore sereno! – “Ó mil vezes feliz, e bem-aventurado aquele que na hora extrema teve junto de si Cristo e a Virgem!”

Referências:

(1) Summa de donis S. Joséph — III, c. IX.
(2) Joséphina.

O CULTO DE PROTODULIA

Sabemos que há três espécies de culto em relação ao objeto.

O culto de latria, devido só a Deus.

Hiperdulia, especial culto tributado à Mãe de Deus, rainha dos santos e singular criatura.

Dulia, o culto dos santos.

O culto de São José não se pode comparar ao de Maria por ser Ela a Mãe Santíssima, Nossa Corredentora e Mãe de Deus. Todavia, não pode ser igual ao dos demais santos, visto ser ele o maior dos santos e singular entre todos, como sabemos, pelas prerrogativas que possui. A Igreja celebra a memória de S. José de modo singular em sua Liturgia com honras sumas e sumos louvores, diz Pio IX, e repetem estas expressões vários documentos da Igreja. Por isso, o culto de São José costuma ser chamado de suma dulia, ou protodulia, culto acima do dos santos: dulia. E abaixo do de Maria: hiperdulia.

Esse culto de suma dulia foi pedido ao Papa Pio IX pelos Padres do Concilio do Vaticano. Em nada se opõe à fé e está conforme a dignidade e aos privilégios singulares do maior dos santos.

Nos últimos tempos se tem introduzido na Liturgia da Igreja o nome de São José, nas Ladainhas maiores, no rito da Extrema-Unção, e da assistência aos agonizantes, em várias orações da Missa e Breviário.

A festa do Patrocínio da 4a feira depois da II Dominga da Páscoa, com Missa e ofício próprios e oitava comum.

O Ritual tem bênção de dois escapulários de São José; uma própria dos Capuchinhos, outra dos Carmelitas. Há bênção para o anel em honra do santo Esposo de Maria.

Inúmeras indulgências e práticas tocantes de devoção a São José!

O culto de suma dulia, ou protodulia, tem inúmeras e tocantes manifestações na Liturgia e na devoção dos fiéis.

RESUMO HISTÓRICO DA DEVOÇÃO DE SÃO JOSÉ

NOS PRIMEIROS SÉCULOS

Repetem, não poucos escritores piedosos, ter sido o culto de São José completamente ignorado e desconhecido nos primeiros séculos da era cristã. O estudo da tradição, dos hagiógrafos e até mesmo a Arqueologia, e sobretudo os Comentários do Evangelho daqueles tempos, tudo isso nos vem demonstrar à saciedade quanto era conhecido, louvado, admirado e invocado nos dias primeiros da nossa fé o Pai Putativo de Jesus e Casto Esposo de Maria.

A Liturgia, é verdade, não lhe prestava um culto especial, porque a Igreja naqueles dias de perseguição e de martírio só se preocupava com as glórias e o culto dos Mártires. Não foram poucos os confessores e grandes santos que só alguns séculos mais tarde tiveram culto e se tornaram conhecidos, embora tivessem vivido e feito prodígios na época dos mártires.

Esta é a razão da ausência do culto público especial a São José, nos primeiros séculos.

Todavia não podemos afirmar como alguns autores, ter sido então S. José completamente desconhecido e esquecido.

O ilustrado Autor Josefino, o Pe. Antônio Diaz, em sua obra magistral: “El Patronato Universal de San José”, nos demonstra com erudição invulgar como já na era das catacumbas, o santo Esposo de Maria fora conhecido e louvado pelos primeiros cristãos.

Um arqueólogo, Perret (1) encontra nas catacumbas três documentos referentes à São José. O primeiro é uma pintura nas catacumbas de Santa Priscila, representando, Jesus, Maria e José; o segundo, um medalhão do primeiro século provavelmente, no qual, figuram Maria com o Menino Jesus nos baços e São José a contemplá-la estático.

Finalmente, uma terceira pintura cena do encontro de Jesus no templo e, claramente ali se vê o santo Patriarca ao lado de Maria. No medalhão de um sarcófago do século IV de Cartago, Lucat (2) reconhece uma das figuras, São José.

No IV e V séculos, em mosaicos, em sarcófagos, em pinturas e relevos se encontram não poucas cenas do Evangelho com a figura de São José bem destacada. E dali por diante os documentos já não são tão escassos e há provas bem claras do culto de São José nos primeiros séculos.

E os escritores sagrados?

São Justino no século II defende a virgindade de Maria e a de São José.

Orígenes e Santo Atanásio são campeões na defesa desta prerrogativa Josefina contra os hereges.

São João Crisóstomo em suas homilias canta as virtudes de São José, chamando-o, “o varão perfeito, humilíssimo santo, fidelíssimo e adornado de toda santidade”.

Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho celebram com eloquência a pureza de São José.

São João Damasceno, São Pascásio Radberto, São Máximo de Turim e outros até São Bernardo, tecem panegíricos admiráveis de São José. Não foi desconhecido o Pai Putativo de Jesus e Esposo de Maria nos primeiros séculos.

A Tradição nos diz que no II século os gregos tributavam culto a São José cuja festa se celebrava no Calendário Copta em 10 de julho.

No século IV a Imperatriz Santa Helena, mãe de Constantino, mandou construir uma capela a São José, no lugar do santo Presépio de Belém. Foi o primeiro templo a São José.

Referências:

(1) Catacombes de Rome — tom. V.
(2) Saint Joseph — son culte.

ATE O SÉCULO XV

Antes do esplendor do culto Josefino, através dos séculos São José foi sempre invocado e teve lugar especial na devoção da cristandade.

Os Menológios e Martirológios das diversas igrejas faziam não raro menção de São José e da sua festa.

O século V guarda uma grande veneração pelas tradições dos lugares sagrados de Heliópolis no Egito, onde consta ter estado Jesus com Maria e José, na fuga da perseguição de Herodes.

O nome de São José entrou no Martirológio Romano no século VIII.

No século IX celebrava-se a Festa do Santo Patriarca no dia seguinte ao Natal, em 26 de dezembro. Depois passou a ser celebrada em 19 de março.

Em Bolonha, segundo atesta Bento XIV, já existia em 1124 uma Igreja consagrada ao culto de São José.

No século XV algumas almas privilegiadas recebem de Deus a missão especial de propagar e tornar conhecido e amado o santo Patriarca. Tais são o Beato Herman, Santa Margarida de Cortona, Santa Brígida e Santa Gertrudes.

Estas foram pelos seus escritos e Revelações admiráveis que receberam do Céu, grandes propagandistas e fervorosos apóstolos do culto de São José.

No século XV surge o grande apóstolo que dá início à época áurea do culto Josefino — Gerson — o célebre chanceler da Universidade de Paris. No Concilio de Constança, ante uma assembleia venerável de Bispos, pronuncia ele o célebre discurso sobre as glórias e o poder de São José. Falou com eloquência dos privilégios do santo Patriarca. Expôs pela primeira vez a opinião da santificação de São José no seio materno. Pediu fosse declarado o santo como Patrono da Igreja Universal. Manifestou o desejo de que fosse celebrada uma festa em honra dos Desponsório de São José com Maria. Esse discurso deixou nos Padres do Concilio a mais grata impressão e começa dai o culto mais fervoroso e universal de São José.

São Vicente Ferrer, Dominicano, morto em 1419 e sobremaneira os dois filhos de São Francisco: São Bernardino de Sena e São Bernardino de Bustes, concorrem para o esplendor do culto Josefino no século XV. Foram ardentes propagandistas das glórias do santo esposo de Maria.

Santa Teresa d’Ávila. O século XVI foi o triunfo e esplendor do culto do grande santo. A figura excelsa e única de Santa Teresa, só ela concorreu mais para a glorificação de São José que muitos outros santos e teólogos. Não se pode falar da história do culto de São José, sem destacar de modo singular a Matriarca do Carmelo, Tucot, tratando da atividade empregada pela santa em difundir o culto do santo assim se exprime: São José deve de certo modo a Santa Teresa a glória que hoje tem no mundo (1). O mesmo afirma o sábio Pontífice Bento XIV.

Desde a sua entrada no Convento d’Ávila, Santa Teresa leva consigo a imagem de São José e quer que todos o honrem. Escreve e propaga com ardor o culto Josefino. Em sua autobiografia a santa manifesta ardente amor ao Esposo de Maria. Aponta-o como Mestre da vida interior e advogado poderoso em todas as necessidades.

Nunca recorri a São José, diz ela, que não fosse atendida.

Deu o nome de São José ao primeiro convento da Reforma Carmelitana. Queria o nome de São José em todos os Mosteiros fundados por ela.

É maravilhoso, escreve a santa Matriarca, é extraordinário o que acontece comigo: todas as graças de que Deus me cumula tanto para a alma como para o corpo, os perigos de que me tem livrado, tudo devo ao ter invocado a proteção de S. José, aos Méritos do meu amado Patrono.

Treze fundações tiveram o nome de São José. E após a morte da santa, por ocasião da sua Beatificação, em 1614, mudaram o nome de São José pelo de Santa Teresa, em todos os mosteiros em homenagem à nova Beata. A santa apareceu à Venerável Madre Isabel de São Domingos e lhe disse com tristeza:

Diga ao Padre Provincial que tire meu nome dos mosteiros e lhes restitua o nome de São José que possuíam antes.

Não há dúvida, o exemplo, os escritos, e o zelo de Santa Teresa marcaram uma nova era, um novo período na propagação e esplendor do culto de São José. É bem verdade o que diz Tucot:

“São José deve o esplendor atual do seu culto à grande Santa Teresa”

Referências:

(1) Tucot — “Saint Joseph”.

ATÉ O SÉCULO XX

Agora o culto do santo Patriarca vai de triunfo em triunfo, em cada século. Sobremaneira do século de Santa Teresa aos nossos dias. No século XVII Papas e reis, Bispados e nações escolhem São José como Patrono. Surgem congregações religiosas sob a proteção e invocação do Santo.

São Vicente de Paulo e São Francisco de Sales propagam o culto de São José. O Papa Gregório XV declara obrigatória em toda a Igreja a festa do santo. Clemente XI, em 1714, compõe, um ofício especial de São José. Bento XIII em 1725, inclui o nome de São José nas Ladainhas de Todos os Santos. Surge nesta época a prática do Mês de São José na Itália, e depois se propaga em todo o mundo.

Santo Afonso de Ligório pode escrever em pleno século XVIII: graças a Deus, não há hoje cristão no mundo que não tenha devoção a São José. E quanto não concorreu o grande Doutor para propagar esta devoção! Introduz a prática da visita a São José.

O século XIX foi o do triunfo do culto Josefino. Já em 1809 é pedida a Pio VII a proclamação do Patrocínio de S. José sobre a Igreja. Gregório XVI introduz essa festa em algumas dioceses. Pio IX, em 1847, a estende a toda a Igreja, e proclama o Patronato Universal de São José sobre toda a Igreja Católica, em 1870.

Leão XIII sobe ao trono de Pedro com não menor devoção a São José que os seus predecessores. Aprova o escapulário de São José. Eleva a festa do Santo a Rito de Primeira Classe. Em 15 de agosto de 1889 publica a célebre Encíclica: Quamquam pluries. Acrescenta às ladainhas da Virgem no mês de outubro a oração de São José.

Finalmente, neste século XX, São Pio X e Bento XV, declaram Dia Santo de guarda a Festa de São José e dão inúmeras provas de ardente devoção ao Santo. Aprovam e abençoam e se inscrevem na Pia União do Trânsito de São José, pelos agonizantes, enriquecem de indulgências muitas práticas de devoção Josefina.

Não faltaram provas de amor a São José no imortal Pontífice Pio XI. E o Soberano Pontífice tem confirmado e incentivado o culto Josefino como o fizeram seus predecessores.

Hoje o culto de São José, graças a Deus, está no seu esplendor e tende a crescer cada vez mais.

O PODER DE SÃO JOSÉ

Pai Putativo de Jesus Cristo e Esposo de Maria, não há santo mais poderoso no Céu que São José para nos valer e proteger em todas as necessidades.

Sanctissimo Josepho in omni necessitate et negotio concessum est opitulari. O santíssimo José nos pode ver e valer em todos os negócios e necessidades, é a opinião de Santo Tomás de Aquino.

Invocamos aos santos, diz São Francisco de Sales, para algumas necessidades particulares, como se as graças e os dons dos milagres fossem divididos por cada um, em proporções limitadas. São José, porém, tem o remédio geral para todas as necessidades do corpo e da alma no crédito que possui junto de Nosso Senhor (1)

Santa Teresa e Santo Afonso dizem o mesmo.

Aos outros santos recorremos em uma ou outra de nossas necessidades. O poder de São José, porém, se estende a todas, não tem limites (2).

E a Igreja o confirma na oração e oficio de São José, em 19 de março:

Ut quod possibiliatas nostra non obtinet, ejus nobis intercessione donetur – “O que não pode alcançar e nossa fraqueza, obtenha-nos a sua intercessão”.

De São José, como de Maria, escreveu o P. V. Mercier (3), se pode dizer que é a Omnipotentia supplex, a onipotência suplicante.

A intercessão de São José junto de Deus e de Maria, demonstra o grande Gerson (4) é a de um Pai e Esposo sempre obedecido.

Com que segurança e com que autoridade não pede ele pelos seus devotos!

O poder de São José é imenso. Para o demonstrar São Bernardino de Sena assim fala: Não podemos duvidar que Jesus Cristo conserva sempre no Céu para com São José a ternura e respeito que lhe testemunhou outrora na terra, isto é, ternura e respeito de filho. Bem longe de ser diminuída, esta piedade filial vai crescendo sempre.

“Notem-se, acrescenta Santo Afonso, as palavras: ternura e respeito; elas significam que este Soberano Senhor que se dignou de venerar a São José cá no mundo como a seu Pai, não lhe nega coisa alguma daquilo que ele lhe pede (5)”

A experiência faz dizer a Santa Teresa:

“Conhecendo por longa experiência o admirável poder que São José goza junto de Deus, quisera persuadir a todo mundo a honrá-lo com uma devoção particular. Notei sempre que progrediam na virtude pessoas que lhe tinham verdadeira devoção. Contento-me com pedir, por amor de Deus, àqueles que não quiserem acreditar em mim, que façam disto experiência”.

A história do outro José do Egito e o poder de vice-rei que lhe deu o Faraó é já lugar comum na comparação de todos os autores Josefinos, para demonstrar o poder de São José junto de Deus.

A Igreja chama ao santo Patriarca: Ministrum salutis… certa spes vitae columenque mundi – Ministro de nossa salvação… segura esperança da vida e sustentáculo do mundo.

Seria impossível citar quantos Doutores, santos, e autorizados teólogos escreveram sobre o poder de São José. Todos são unânimes em confirmar esta verdade mil vezes provada pela experiência: tudo se alcança pela intercessão, pela onipotência suplicante de São José.

E delicadamente concluiu Padre Sauvé no seu “Saint Joseph intime”:

São José possui uma caridade capaz de amar a Deus com um amor, paternal e abraçar com o mesmo paternal amor a Igreja e cada um de nós e isto com a irresistível influência que tão grande amor lhe dá.

Oh! Vamos a São José com tanto mais confiança quanto sabemos que nossa oração há de ser atendida pelo maior e mais poderoso dos advogados junto de Deus, depois de Maria.
José e Maria são a omnipotentia supplex: a onipotência suplicante.

Referências:

(1) S. François Salles, Oeuvres — XIX
(2) Santo Afonso — Visitas, Santa Teres a— Vida.
(3) Saint Joseph — VIpars — 364.
(4) Sermo de Nativitate Mariae — Cons. 3
(5) Santo Afonso 17ª visita a S. José

O PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ

Que é um Patrono?

A etimologia da palavra o está dizendo: é pai, isto é, o que exerce a missão de pai e protege como um pai protege e ampara o filho.

No sentido litúrgico, chama-se Patrono aquele que intercede ou pede por outro.

Jesus Cristo é o Patrono por excelência, o Mediador necessário único: um é o Mediador entre Deus é os homens, Jesus Cristo homem, que se entregou em redenção por nós (1).

O Patrocínio de Jesus, porém, não exclui o dos Santos, e ao invés, este recebe daquele toda a virtude e poder. Maria sendo nossa corredentora, e Mãe de Jesus, é a Mediadora universal de todas as graças. Tudo nos vem de Jesus por Maria. E pelos méritos do Sangue de Jesus, pelos méritos de Maria Mediadora de todas as graças somos salvos. Pois Jesus e Maria, unidos na terra e no céu a São José, fizeram ao seu Pai e Esposo participante em grau mais elevado que todos os santos, do poder de intercessão e de proteção sobre os homens remidos.

Santo Tomás de Aquino nos dá a grande razão do Patrocínio de São José:

“Quanto mais perfeitos na caridade são os santos que reinam no Céu, tanto mais oram pelos homens e os podem socorrer (2) ”

É o grande princípio. Ora, quem depois de Maria amou a Jesus Cristo mais que o santo Patriarca?

Não há, pois, e não é possível que exista maior nem mais eficaz Patrono que São José.

Jesus, Patrono ou Mediador necessário.

Maria, Patrona ou Mediadora universal.

Ninguém irá a Deus nem se salvará a não ser por Maria.

José, Patrono e Mediador de todas as graças que nos veem pelos méritos da Redenção: o tesoureiro das graças que do Céu nos chegam pelas mãos de Maria.

Eis aí o lugar privilegiado de São José como nosso Patrono.

São as razões, fundamentais do Patrocínio de São José.

Se nenhum eleito o avantaja em santidade e perfeição, se mereceu a honra de proteger o Verbo Encarnado, é o Patrono da obra de Jesus Cristo, a Santa Igreja.

O seu Patrocínio e o mais poderoso, o mais eficaz e o mais benéfico.

As razões que teve a Igreja, disse Leão XIII, para proclamar a São José seu especial Patrono e confiar tanto na valiosa proteção do grande santo, não são outras senão as dos títulos singulares que ele possuiu de Esposo de Maria e Pai adotivo de Jesus (3).

A José do Egito diz Faraó, proclamando-o Vice-rei:

“Governarás minha casa e ao império da tua voz todo o meu povo te obedecerá (4)”. “Ide a “José e fazei o que ele vos disser”.

O Rei dos Céus não deu menor poder ao novo José, Esposo de Maria.

Ite ad Joseph é o que nos repete a Igreja, dando-nos como Patrono São José.

Em 1869, setecentos e setenta e sete Bispos, seis mil sacerdotes, por ocasião do Concílio do Vaticano, pedem ao Santo Padre Pio IX, a aclamação solene e oficial do Patrocínio de São José sobre a Igreja Universal.

Em 8 de dezembro de 1870 a Súplica é ouvida. O Pontífice da Imaculada Conceição e da Infalibilidade Pontifícia declara solenemente a São José Patrono da Igreja Universal.

Referências:

(1) Ad Timot. II, 5
(2) Summa Theol. II. 2ae. Q. LXXXIII, a. 2.
(3) Quamquam pluries
(4) Gen. XLI, 40.

JOSÉ E OS AGONIZANTES

Morreu José nos braços de Jesus e de Maria. Houve mais bela e venturosa morte?

Não é o patrono verdadeiro e autêntico de todos os agonizantes?

Assim o chama a Igreja nas Ladainhas: Patrone morientium, ora pro nobis.

Oh! Não há melhor, nem mais poderoso advogado de nossa pobre alma na hora da morte.

O povo reza e canta:

Quando eu estiver morrendo
Quero com viva fé
Consolo achar dizendo:
Jesus, Maria e José!

Felizes de nós se Deus nos conceder essa graça das graças — a da perseverança final. Pela intercessão de São José a obteremos com toda a segurança.

Não deixemos um só dia de recomendar a São José os pobres agonizantes. A Igreja aprovou e enriqueceu de singulares privilégios a Pia União do Trânsito de São José pelos agonizantes, fundada em Roma. São Pio X, ao aprová-la, fez questão que seu nome fosse o primeiro a ser inscrito e fez lembrar, a todos os sacerdotes um certo dever de caridade de recomendarem em todas as missas os agonizantes. É um tesouro imenso de Missas, orações e boas obras em favor dos agonizantes. São Pio X e Bento
XV queriam que todos os sacerdotes e fiéis do mundo inteiro se inscrevessem nesta grande cruzada de caridade.

Lembremo-nos de que nós também um dia seremos agonizantes. E certo que nossa caridade sob a proteção de São José muito nos há de valer naquela hora extrema.

Repitamos muitas vezes, e não deixemos um dia sem rezar a jaculatória da Pia União do Trânsito:

“Ó São José, Pai adotivo de Jesus Cristo, e verdadeiro Esposo de Maria Virgem, rogai por nós e pelos agonizantes deste dia (ou desta noite) ”

É bom inscrever-se na “Pia União do Trânsito”, cuja sede no Brasil é Igreja de São José — Ipiranga — São Paulo.

Os sacerdotes farão grande ato de caridade para com sua alma e para com as almas dos agonizantes, celebrando a Missa anual pelos agonizantes no dia determinado pela Direção da Pia União do Trânsito, ou livremente quando possível.

MODELO DOS OPERÁRIOS

Foi operário, lutou e sofreu como operário, tendo sob seu governo e operário também como ele — o próprio Deus — Jesus Cristo. Nonne est filius fabris? Não é ele o filho do carpinteiro? Perguntavam admirados os Judeus ao verem os prodígios de Jesus.

Leão XIII e Pio XI, os Pontífices do Operariado, lembram o exemplo de Nazaré não poucas vezes em suas Encíclicas sociais.

Exemplar opificum! Modelo dos operários, como a Igreja nas Ladainhas chama e invoca e apresenta São José às classes laboriosas.

PATRONO, MODELO E IDEAL
DAS VOCAÇÕES RELIGIOSAS

Participou São José da realeza do sacerdócio. Não foi sacerdote, mas teve com Jesus a intimidade do sacerdócio. Guardou-nos Jesus, salvou-nos Jesus, O teve nos braços, protegeu-O, viveu com Ele, nele e para Ele.

Há mais belo modelo para o sacerdote de Jesus?

Cada sacerdote na sua Praeparatio ad Missam, encontra uma tocante oração a São José, pedindo-lhe a pureza e amor para tratar a Jesus no altar. São José que preparou Jesus em Nazaré para o sacerdócio na vida publica não é o patrono, o modelo indicado para toda Obra de Vocações Sacerdotais?

MESTRE DA VIDA INTERIOR

Ninguém viveu mais na intimidade de Jesus depois de Maria, que São José.

Santa Teresa, São Francisco de Sales, e sobremaneira o piedoso jesuíta o Venerável Padre Lallemant, gostam de apresentar muitas vezes em seus escritos o santo Patriarca como admirável modelo e ideal da alma que aspira a união com Deus. E todos são unânimes em atestar pela experiência própria de muitas almas, quanto é eficaz a devoção a São José para afervorar as almas e levá-las à mais alta perfeição. É um dos aspectos mais belos desta devoção.

OS SANTOS E SÃO JOSÉ

A grande Madalena dos últimos tempos, Santa Margarida de Cortona, atribuía a sua conversão maravilhosa à proteção de São José. Cada dia lhe prestava uma homenagem. Jesus lhe disse numa aparição:

“Margarida, a tua devoção ao meu Pai Putativo me é muito agradável. Quero que cada dia pagues um tributo de louvor à São José”

Abrasada em zelo, a santa nunca deixou de invocar ao santo Patriarca até a morte.

Santo Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus, tinha no seu oratório uma imagem de São José, e em presença deste grande Mestre da vida interior, gostava de celebrar, a Santa Missa. Resolvia todas as suas dúvidas e negócios aos pés de São José. São Francisco de Sales fora servo devotado e apóstolo zeloso do culto Josefino. Nas vésperas de 19 de março, cada ano, celebrava uma Missa Solene para a qual convidava todos os músicos de Anecy.Fazia com ardor e eloquência o panegírico do santo. Acreditava piamente na Ressurreição de S. José e na glória do santo em corpo e alma no Céu.

Santa Joana de Chantal, a mais fiel discípula e herdeira das virtudes do Santo Doutor, herdou-lhe também a devoção ao santo Patriarca. Trazia sempre consigo uma pequena imagem do santo. Aconselhava às Superioras da Visitação que todas as suas filhas trouxessem consigo uma estampa de Jesus, Maria e José.

Santo Afonso de Ligório fora outro apóstolo e devoto de São José. Muito escreveu com aquela unção e simplicidade do seu estilo, para divulgar entre o povo a devoção ao Esposo de Maria.

São João Batista de la Sale, fundador das Escolas Cristãs, coloca a sua obra sob à proteção de São José. Recitava cada dia as Ladainhas de São José, e a recomendava aos seus filhos, afim de obterem do santo a graça de tratarem os discípulos, as crianças das Escolas, como São José tratava o Deus Menino.

São José mostrou quanto lhe era grato este zelo. O santo já enfermo, sentiu recuperadas as forças nas vésperas de 19 de março e então celebrou a santa Missa pela última vez e morreu pouco depois santamente.

São João Batista Vianney, o santo Cura d’Ars, não se cansava de recomendar a devoção a São José.
Em nossos dias a angélica Santa Teresinha, guardando as tradições do Carmelo, se consagra a São José.

São João Bosco, o Pai da juventude, fundador inspirado da Congregação Salesiana, escolheu a São José como um dos Padroeiros de suas famílias religiosas. Inculcava sua devoção aos jovens de seus colégios, principalmente aos aprendizes, querendo que se esforçassem para imitar as virtudes que São José praticou na sua humilde oficina de Nazaré. Fundou uma associação religiosa, com o nome de Companhia de São José, para incrementar o culto do santo, e estabeleceu que em todos os seus colégios se celebrasse com solenidade e fervor o Mês de São José e sua Festa, desde o ano de 1871, quando o Papa Pio IX elevou o rito da festa para Duplo de Segunda Classe.

Seria prolixo e impossível, nos limites deste opúsculo, falar da devoção de inúmeros santos, devotos e apóstolos do culto de São José. Podemos afirmar não ter havido um só dentre os santos que não tivesse invocado o santo Patriarca.

RELÍQUIAS DE SÃO JOSÉ

Há relíquias de São José? Sim, a tradição guarda alguns objetos e os venera como relíquias do Santo Patriarca.

São Francisco de Sales, argumentando em favor da Ressurreição de São José e da glória do santo em corpo e alma no céu, apresenta a razão de ninguém ter encontrado o corpo de São José no seu sepulcro. E por isso, diz o Santo Doutor, não temos relíquias do corpo santíssimo de José.

A tradição conserva alguns objetos.

O anel nupcial é uma joia que se conserva em Perúsia. Foi trazido à Itália no século XI. Foi objeto de lutas entre as cidades de Perúsia e Clusi, que lhe disputavam a posse. Inocêncio VII decidiu a questão em favor de Perúsia, mas sem decidir coisa alguma sobre a autenticidade da relíquia.

A vara de São José se venera na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos em Florença. Foi trazida do Oriente pelo Cardial Bessarion por ocasião do Concílio Ecumênico em 1439.

O manto de São José foi dividido em várias partes. Umas se conservam na Igreja de Santa Anastácia, em Roma, outras na Basílica de Santa Cecília, em Assis, e em Bolonha.

O cíngulos de São José se venera em Joinville, na França. É de cânhamo, mede um metro de comprimento e quatro centímetros de largura. Está encerrado em um relicário de marfim com os dizeres:

“Hic est cingulus, quo cingebatur Joseph sponsus Mariae”

A relíquia veio da Palestina em 1454, trazida por Joinville, grande devoto de São José.

SETE DORES E SETE ALEGRIAS DE SÃO JOSÉ

É uma das práticas de devoção ao Santo Patriarca, mais de acordo com o Evangelho e que se presta as mais doces meditações.

Sete dores e sete alegrias foram as maiores da vida de São José.

Vejam aí pelos textos Evangélicos.

AS DORES

1ª — A perplexidade de São José diante do Mistério da Encarnação:
José, seu esposo, porque era justo e não queria infama-la, quis abandona- la ocultamente (Mt, I, 19).

2ª — A angústia da noite de Natal sem achar uma hospedaria em Belém:
Não havia lugar para eles nas hospedarias (Lc, II, 7).

3ª — A circuncisão dolorosa do Menino Jesus:
Passados oito dias foi circuncidado o menino (Lc, II, 1).

4ª — A profecia de Simeão:
Eis que este será posto para ruína de muitos em Israel e como sinal de contradição (Lc, II, 34).

5ª — A fuga para o Egito:
José, levantando-se, tomou o Menino e sua Mãe, de noite e se retirou para o Egito (Mt, II, 14).

6ª — O temor de Arqueláu:
Ouvindo que Arqueláu reinava na Judeia, em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá. (Mt, II, 22).

7ª — Perda de Jesus:
Filho, porque fizeste assim conosco? Eis que teu pai e eu angustiados te procuramos (Lc, II, 48).

AS ALEGRIAS

1ª — O Anjo revela a Encarnação:
José, Filho de Davi, não temas receber Maria como tua esposa (Mt, I, 20).

2ª — O nascimento do Salvador:
Maria deu à luz seu Filho primogênito (Luc, II, 2).

3ª — O nome de Jesus:
José lhe pôs o nome de Jesus (Mt, I, 25).

4ª — A salvação anunciada por Simeão:
Eis que este foi posto para ressurreição de muitos em Israel (Lc, II, 34).

5ª — Caem os ídolos egípcios:
Conheceram ao Senhor naquele dia os egípcios (Is, XIX, 21).

6ª — À volta a Nazaré:
E voltaram à Galileia, à sua cidade de Nazaré (Lc, II, 39).

7ª— A alegria de encontrar a Jesus no templo:
E depois de três dias o encontraram no templo, sentado em meio dos doutores (Lc, II, 46).

ORIGEM

Qual a origem desta devoção às dores e alegrias de São José?

Navegavam dois Padres Franciscanos nas costas de Flandres, quando se levantou uma horrenda tempestade e o navio em que viajavam submergiu com os trezentos passageiros que levava. A Divina Providência permitiu que se salvassem os dois franciscanos sobre umas taboas nas quais navegaram três dias entre a vida e a morte.

Lembrou-se de São José, naquelas horas de angústia. Recomendaram-se fervorosamente ao Santo Esposo de Maria. No mesmo instante aparece- lhes um homem cheio de majestade e bondade, oferece-se para guiá-los sobre as tábuas e os conduz rapidamente a um porto, onde saltaram em terra. Os dois frades caíram de joelhos aos pés do seu salvador, num agradecimento comovido.

— Quem és? Perguntaram-lhe curiosos.

— Eu sou José, Esposo de Maria e Pai Putativo de Jesus. Se quereis agradecer-me e fazer alguma coisa que me seja agradável, não deixeis de rezar cada dia e devotamente sete vezes o Pai-Nosso e sete vezes a Ave-Maria, em memória das sete dores com as quais minha alma foi afligida na terra, e em memória das sete alegrias que consolaram meu coração quando vivi no mundo com Jesus e Maria.

E ditas essas palavras desapareceu.

Daí veio a propagação desta prática tão bela de piedade, a mais popular e a mais agradável a São José.
Essa devoção tão conforme ao Evangelho é uma lembrança dos mistérios adoráveis da Infância de Jesus. A Igreja a enriqueceu de indulgências. É como que o Rosário de São José. O que a devoção do Rosário é para Nossa Senhora, assim as Sete dores e sete alegrias para São José. Não há melhor, prática de devoção em honra de São José.

A sua fórmula já consagrada e enriquecida de indulgências é a seguinte:

AS SETE DORES E AS SETE ALEGRIAS DE SÃO JOSÉ

1ª — Ó Esposo puríssimo de Maria Santíssima, glorioso São José, assim como foi grande a amargura ou angústia de vosso coração na perplexidade de abandonardes vossa castíssima Esposa, assim foi inexplicável a vossa satisfação, quando pelo Anjo vos foi revelado o soberano mistério da Encarnação.

Por essa vossa dor e por essa vossa alegria, vos rogamos a graça de consolardes, agora e nas extremas dores, a nossa alma, com o gozo de uma boa vida e de uma santa morte, semelhante à vossa entre Jesus e Maria.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

2ª — Ó Felicíssimo Patriarca, glorioso São José, que fostes escolhido para o cargo de Pai nutrício do verbo humanado, a dor que sentistes ao verdes nascer em desabrigo e tanta pobreza o Menino Deus, se vos trocou em celeste júbilo, ao escutardes a angélica harmonia e ao verdes a glória daquela brilhantíssima noite.

Por essa vossa dor e por essa vossa alegria, vos suplicamos a graça de nos alcançardes que depois da jornada desta vida, passemos a ouvir os angélicos louvores e a gozar os resplendores da glória celeste.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

3ª — Ó obedientíssimo executor das divinas leis, glorioso São José, o Sangue preciosíssimo, que na circuncisão derramou o Redentor Menino, vos transpassou o coração, mas o nome de Jesus vô-lo reanimou, enchendo-o de contentamento.

Por essa vossa dor e por essa vossa alegria, alcançai-nos que, sendo arrancados de nós todos os vícios nesta vida, com o nome santíssimo de Jesus no coração e na boca, expiremos cheios de Júbilo.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

4ª — Ó fidelíssimo Santo, que também tivestes parte nos mistérios de nossa Redenção, glorioso São José, se a profecia de Simeão, a respeito do que Jesus e Maria tinham que padecer, vos causou mortal angústia, também vos encheu de sumos gozo pela salvação e gloriosa ressurreição, que, como igualmente predisse, teria de resultar para inumeráveis almas.

Por essa vossa dor e por essa vossa alegria, obtende-nos que sejamos do número daqueles que, pelos méritos de Jesus e pela intercessão da Virgem sua Mãe, hão de ressuscitar gloriosamente.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

5ª — Ó vigilantíssimo guarda, íntimo familiar do Filho de Deus Encarnado, glorioso São José, quanto penastes para alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na fuga, que com ele houvestes de fazer para o Egito; mas tal foi também vosso gozo por terdes sempre convosco o mesmo Deus e por verdes cair por terra os ídolos egípcios.

Por essa vossa dor e por essa vossa alegria, alcançai-nos que, expelindo para longe de nos o infernal tirano, especialmente com a fuga das ocasiões perigosas, sejam derrubados do nosso coração todos os ídolos de afetos terrenos e que, completamente dedicados no serviço de Jesus e de Maria, para eles exclusivamente vivamos e felizmente morramos.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

6ª — Ó Anjo da terra, glorioso São José, que, cheio de pasmo vistes o Rei do Céu submisso a vossos mandados, se a vossa consolação ao reconduzi-lo do Egito foi turbada pelo temor de Arqueláu, filho de Herodes, todavia, sossegado pelo Anjo, permanecestes alegre em Nazaré, com Jesus e Maria.

Por essa vossa dor e por essa vossa alegria, alcançai-nos que, desocupado o nosso coração de nocivos temores gozemos paz de consciência, vivamos seguros com Jesus e Maria e também entre ele morramos.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

7ª — Ó exemplar de toda a santidade, glorioso São José, vós perdestes sem culpa vossa, o menino para maior angústia, houvestes de buscá-lo três dias, até que, com sumo júbilo, gozastes do que era vossa vida, achando-o no Templo de Jerusalém, entre os doutores.

Por essa vossa dor e por essa vossa alegria, vos suplicamos, com o nosso coração nos lábios, que interponhais o vosso valimento para que nunca suceda perdermos a Jesus por culpa grave; mas, se por desgraça O perdermos, com tão intensa dor O procuremos, que O achemos favorável, especialmente em nossa morte, para podermos gozá-Lo no céu e lá, convosco cantarmos eternamente Suas Divinas Misericórdias.

Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.

Ant. O mesmo Jesus acaba de entrar em seus trinta anos e todos o tinham por Filho de São José.

V. — Rogai por nós, São José.
R. — Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

OREMOS
Ó Deus, que por inefável providencia, vos dignastes escolher o bem- aventurado José para Esposo de Vossa Mãe Santíssima; concedei-nos, nós vô-lo pedimos, que, venerando-o aqui na terra como Protetor, mereçamos tê-lo no Céu como nosso intercessor, vos que viveis e reinais, nos séculos dos Séculos. Amem.

(Indulgência de 5 anos cada vez, e plenária nas condições de costume, uma vez por mês, recitando-as diariamente).

O CORDÃO DE SÃO JOSÉ

Bem conhecido entre nós é o Cordão de São José. Muitos fiéis o trazem com veneração e se contam inúmeros favores alcançados por ele. A Igreja no Ritual reserva uma bênção, das mais longas e com expressivas cerimônias, diversas orações, a água benta e o incenso. É eficaz para obter do Esposo de Maria a graça da castidade. E um poderoso auxílio na luta contra o pecado. Tem realizado prodígios.

Não poucas enfermidades têm sido curadas miraculosamente por ele. Não é mister usá-lo sempre dia e noite, o que seria preferível. Pode-se guardá-lo para as enfermidades ou, quando se deseja algum favor de São José, e sobremaneira para evitar o pecado contra a castidade e nos ajudar no combate pela bela virtude.

A origem do cordão de São José é bem recente.

(Brandão, Ascânio. São José. Leituras Católicas de Dom Bosco, Fevereiro de 1943, Ano LIII, no. 633)