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Meditação sobre a Morte

Capítulo XIII

PREPARAÇÃO

1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.
3. Imagina que te achas enfermo, no leito de morte, sem nenhuma esperança de vida.

CONSIDERAÇÃO

I. Considera, minha alma, a incerteza do dia da morte. Um dia sairás do teu corpo. Quando será? Será no inverno ou no verão ou em alguma outra estação do ano? No campo ou na cidade, de noite ou de dia? Será dum modo súbito ou com alguma preparação? Será por algum acidente violento ou por uma doença? Terás tempo e um sacerdote para te confessares? Tudo isto é desconhecido, de nada sabemos, a não ser que havemos de morrer indubitavelmente e sempre mais cedo que pensamos. Continue reading

A Recompensa Eterna

Meditação para o Dia 28 de Novembro

1. Então, respondendo, Pedro lhe disse: Eis aqui estamos nós que deixamos tudo e te seguimos; que galardão, pois, será o nosso?“. Os apóstolos tinham deixado pouco, porque pouco possuíam; mas tinham sacrificado tudo, porque não reservaram nada para si. Se não podes deixar tudo por Jesus, pelo menos deves afastar teu coração do apego aos bens da terra. O principal é seguir a Jesus, segui-Lo na humildade, paciência, mansidão, no desprezo dos bens deste mundo e nas demais virtudes. Podes, neste ponto, fazer tuas as palavras de São Pedro? Continue reading

Retrato de um homem que acaba de passar a outra vida

Retrato de um homem que acaba de passar à outra vida

Auferes spiritum eorum, et deficient, et in pulverem suum revertentur – “Tirar-lhes-ás o espírito, e deixarão de ser, e tornar-se-ão no seu pó” (Sl 103, 29)

Sumário. Imaginemos que estamos vendo uma pessoa que acaba de expirar. Contemplemos nesse cadáver a cabeça pendida sobre o peito, o cabelo desgrenhado, os olhos encovados, as faces descarnadas, o rosto cinzento, a língua e os lábios cor de ferro, o corpo frio e pesado. Quantas pessoas, à vista de um parente ou de um amigo morto, não mudaram de vida e deixaram o mundo!
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Para nos prepararmos para a morte não devemos esperar pelo último momento

Não espere o tempo passar....

Estote parati: quia qua nescitis hora Filius hominis venturus est – “Estai preparados; porque não sabeis em que hora tem de vir o Filho do homem” (Mt 24, 44)

Sumário. Devemo-nos persuadir de que o tempo da morte não é o momento próprio para regular as contas. Que dirias de um homem que tendo de entrar em concurso para uma cadeira, quisesse instruir-se somente na hora da prova? Não seria tido por louco o comandante de uma praça que esperasse que o cercassem para fazer provisão de viveres e munições? Não seria loucura da parte de um piloto, se não se munisse de âncoras e cabos senão no momento da tempestade? Tal é todavia o procedimento de um cristão que espera que a morte chegue para por em ordem a sua consciência.
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A Salvação é o nosso único negócio

"A minha vida é um só instante, uma hora passageira A minha vida é um só dia que me escapa e me foge Tu sabes, ó meu Deus! Para amar-Te na terra Só tenho o dia de hoje!…" (Santa Teresinha)

“A minha vida é um só instante, uma hora passageira
A minha vida é um só dia que me escapa e me foge
Tu sabes, ó meu Deus! Para amar-Te na terra
Só tenho o dia de hoje!…” (Santa Teresinha)

Porro unum est necessarium – “Só uma coisa é necessária” (Lc 10, 42)

Sumário. O único fim pelo qual o Senhor nos pôs neste mundo é a salvação de nossa alma. Pouco importa sermos aqui pobres, perseguidos e desprezados, salvando-nos nada mais teremos a sofrer e seremos felizes por toda a eternidade. Se, porém, perdermos este negócio e nos condenarmos, de que nos servirá no inferno termos gozado de todos os prazeres do mundo, de havermos sido ricos e cortejados? Perdida a alma, está perdido tudo e para sempre! Meu irmão, dize-me, como cuidaste até hoje deste negócio único?… Estás ao menos resolvido a tratá-lo no futuro seriamente?
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A perda da Salvação é um mal sem remédio

"Quem não treme pelo temor de se perder, não se salvará"

Qui poenas dabunt in interitu aeternas a facie Domini – “Os quais, longe da presença de Deus, sofrerão por castigo eterno a perdição” (2 Ts 1, 9)

Sumário. Para todos os males há remédio; só para o condenado não. Morre-se uma vez, e, perdida a alma uma vez, está perdida para sempre e só lhe resta lamentar eternamente a sua perdição eterna, causada pela sua própria culpa. Avivemos, pois, a nossa fé, e lembrando-nos que nos caberá por sorte o céu ou o inferno, tomemos as providências apropriadas para nos assegurarmos a salvação eterna. Sejamos especialmente devotos à Santíssima Virgem e examinemos frequentes vezes, se por ventura nos temos relaxado nesta devoção. Continue reading

A Vida presente é uma viagem para a Eternidade

Estamos de passagem nesta vida

Confira as importantes advertências de Santo Afonso para bem aproveitar esta obra!

CONSIDERAÇÃO XIV

Ibit homo in domum aeternitatis suae – “Irá o homem à casa de sua eternidade” (Ecl 12,5)

PONTO I

Ao considerar que neste mundo tantos malvados vivem na prosperidade, e tantos justos, ao contrário, vivem cheios de tribulações, os próprios pagãos, unicamente com o auxílio da luz natural, reconheceram a verdade de que, existindo Deus, e sendo Ele justíssimo, deve haver outra vida onde os ímpios serão castigados e os bons recompensados.

Ora, o que os pagãos conheceram, seguindo as luzes da razão, confessamo-lo nós, cristãos, também pela luz da fé.

“Não temos aqui cidade permanente, mas vamos em busca da que está por vir” (Hb 13,14).

A terra não é nossa pátria, mas apenas lugar de trânsito, por onde passamos para chegar em breve à casa da eternidade (Ecl 12,5). Assim, meu leitor, a casa em que moras não é tua própria casa, é uma hospedaria que bem cedo, e quando menos o pensas, terás que deixar; e os primeiros a expulsar-te dela, quando vier a morte, serão teus parentes e amigos… Qual será, pois, tua verdadeira casa? Uma cova será a morada do teu corpo até ao dia do juízo, e tua alma irá à casa da eternidade, ao céu, ou ao inferno. Por isso, nos diz Santo Agostinho:

“És hóspede que passa e vê”.

Néscio seria o viajante que, tendo de visitar de passagem um país, quisesse empregar ali todo o seu patrimônio na compra de imóveis, que ao cabo de poucos dias teria de abandonar. Continue reading

A vida presente é uma viagem para a eternidade

A vida presente é uma vida passageira

Non enim habemus hic manentem civitatem, sed futuram inquirimus – “Não temos aqui cidade permanente, mas procuramos a futura” (Hb 13, 14)

Sumário. Vendo tantos ímpios em prosperidade e tantos justos em tribulação, os próprios pagãos, guiados pela luz da razão, reconheceram que a terra não é nossa pátria, mas somente um lugar de passagem e de merecimento. Quão insensatos, pois, somos, se, sendo cristãos e crendo as verdades da fé, nos afeiçoamos aos bens deste mundo, do qual teremos de sair um dia e, entretanto, nos descuidamos de construir com as boas obras uma morada no outro mundo, onde ficaremos por toda a eternidade! Continue reading

A morte do justo é a entrada na vida

Santo Afonso sobre o temor da morte

Haec porta Domini, iusti intrabunt in eam – “Esta é a porta do Senhor, os justos entrarão por ela” (Sl 117, 20)

Sumário. A morte, considerada segundo os sentidos, causa pavor e temor, mas considerada segundo a fé, é consoladora e desejável; porque é a porta da vida, pela qual forçosamente deve passar quem quiser entrar no gozo de Deus. Tal é a graça que Jesus Cristo nos alcançou pela sua morte. Pelo que os santos, enquanto estavam na terra, não desejavam senão sair do cárcere do miserável corpo e entrar no reino celestial. Se nós temos tamanho horror à morte, é porque amamos pouco ao Senhor. Continue reading

A ressurreição dos corpos no dia do Juízo

Cristo triunfando sobre a morte e o inferno

Cristo triunfando sobre a morte e o inferno

Ecce mysterium vobis dico: Omnes quidem resurgemus, sed non omnes immutabimur – “Eis que vos digo um mistério: todos certamente ressuscitaremos, mas nem todos seremos mudados” (1 Cor 15, 51)

Sumário. Mortos todos os homens, a trombeta soará e todos ressuscitarão. Todos retomarão o mesmo corpo com que serviram a Deus nesta terra, ou o ofenderam. Que diferença haverá entre os corpos dos escolhidos e dos réprobos! Estes serão negros, horrendos e nauseabundos; aqueles serão alvos, belos e mais resplandecentes que o sol. Meu irmão, qual será a tua sorte nesse dia?… Se quisermos que o nosso corpo apareça dignamente ao lado dos Bem-aventurados, apliquemo-nos a mortificá-lo e a guardá-lo pela penitência, sujeito à alma. Continue reading

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