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Em seguida é necessário Purificar a Alma de toda a Afeição ao Pecado

"Há muitos penitentes que efetivamente saem do pecado, porém não lhe perdem o afeto; (...) a semelhança da mulher de Ló, que virou a cabeça para Sodoma"

Capítulo VII

Todos os israelitas saíram do Egito, mas muitos deixaram lá o seu coração preso; por isso é que no deserto se lhes despertaram desejos das cebolas e viandas do Egito. Assim também há muitos penitentes que efetivamente saem do pecado, porém não lhe perdem o afeto; quero dizer: eles se propõem não recair no pecado, mas com uma certa relutância e pesar de abster-se de seus deleites. O coração os denuncia e afasta de si, mas sempre tende novamente para eles, a semelhança da mulher de Ló, que virou a cabeça para Sodoma. Privam-se do pecado, como os doentes dos melões; é verdade que não os comem com medo da morte, de que o médico os ameaçara; mas aborrecem-se da dieta, falam dela com aversão e não sabem o que fazer; ao menos, querem cheirá-los muitas vezes e tem por ditosos os que os podem comer. Continue reading

Antes de tudo é necessário que a Alma se Purifique dos Pecados Mortais

Sacramento da Penitência: Confissão dos Pecados

Capítulo VI

Libertar-se do pecado deve ser o primeiro cuidado de quem quer purificar o coração, e o meio de fazê-lo se depara no sacramento da penitência. Procura o confessor mais digno que possas achar; toma um desses livrinhos próprios para ajudar a consciência no exame que se deve efetuar sobre a vida passada, como os de Granada, Bruno, Arias, Auger; lê-os com atenção, notando, ponto por ponto, tudo em que ofendeste a Deus desde o uso da razão e, se não confias em tua memória, assenta por escrito o que notaste. Depois do exame, detesta e abomina os pecados cometidos, pela contrição mais viva e perfeita que podes suscitar em ti, em considerando estes motivos valiosíssimos: que pelo pecado perdeste a graça de Deus, abandonaste os teus direitos sobre o céu, mereceste as penas eternas do inferno e renunciaste a todo o amor de Deus. Continue reading

Necessidade de Começar pela Purificação da Alma

Que flores são estas, para nós, ó Filotéia, senão os bons desejos?

Capítulo V

Apareceram as flores em nossa terra — diz o Esposo sagrado — chegou o tempo da poda. — Que flores são estas, para nós, ó Filotéia, senão os bons desejos? Logo que eles despertam em nossos corações, é preciso envidar todo o esforço para purificá-los de todas as obras mortais e supérfluas. Prescrevia a lei de Moisés que a donzela, noiva de um israelita, tirasse o vestido do seu cativeiro, cortasse os cabelos e aparasse as unhas. Serve isto de lição a alma que aspira a honra de ser esposa de Jesus Cristo, a qual se deve despojar do homem velho e se revestir do novo, deixando o pecado e em seguida ir cortando com os demais impedimentos acessórios que podem ser um empecilho para o amor. Continue reading

Necessidade dum Diretor Espiritual para Entrar e Progredir nos Caminhos da Devoção

A importância e necessidade de um Diretor Espiritual, segundo São Francisco de Sales

Capítulo IV

Querendo Tobias mandar o filho a uma terra longínqua e estranha, disse-lhe: “Vai em busca de algum homem que te seja fiel, que vá contigo”. É o que te digo também a ti, Filotéia; se tens uma vontade sincera de entrar nas veredas da devoção, procura um guia sábio e prático que te conduza. Esta é a advertência mais necessária e importante.

“Em tudo o que fazemos — diz o devoto Ávila — só temos certeza de estar fazendo a vontade de Deus, enquanto não nos apartamos daquela obediência submissa, que os santos tanto encomendaram e praticaram tão fielmente”

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A Devoção é Útil a todo Estado e Circunstâncias da Vida

A devoção é semelhante as abelhas que tiram todo o mel da flor, sem deixá-las murchar, e as deixa intactas e frescas como as achou...

Capítulo III

O Senhor, criando o universo, ordenou as árvores que produzissem frutos, cada uma segundo a sua espécie; e ordenou do mesmo modo a todos os fiéis, que são as plantas vivas de sua Igreja, que fizessem dignos frutos de piedade, cada um segundo o seu estado e vocação. Diversas são as regras que devem seguir as pessoas da sociedade, os operários e os plebeus, a mulher casada, a solteira e a viúva. A prática da devoção tem que atender a nossa saúde, as nossas ocupações e deveres particulares. Na verdade, Filotéia, seria porventura louvável se um bispo fosse viver tão solitário como um cartuxo? Se pessoas casadas pensassem tão pouco em ajuntar para si um pecúlio, como os capuchinhos? Se um operário frequentasse tanto a igreja como um religioso o coro? Se um religioso se entregasse tanto a obras de caridade como um bispo? Não seria ridícula uma tal devoção, extravagante e insuportável? Entretanto, é o que se nota muitas vezes, e o mundo, que não distingue nem quer distinguir a devoção verdadeira da imprudência daqueles que a praticam desse modo excêntrico, censura e vitupera a devoção, sem nenhuma razão justa e real. Continue reading

Propriedades e Excelências da Devoção

Docilidade da Santa Devoção

Capítulo II

Aqueles que desanimavam os israelitas da empresa de conquistar a terra prometida, diziam-lhes que esta terra consumia os habitantes, isto é, que os ares eram tão insalubres que aí não se podia viver, e que os naturais da terra eram homens bárbaros e monstruosos a ponto de comer os seus semelhantes, como gafanhotos. Deste modo, Filotéia, o mundo anda a difamar diariamente a santa devoção, espalhando por toda parte que ela torna os espíritos melancólicos e os caracteres insuportáveis e que, para persuadir-se, é bastante contemplar o semblante enfadonho, triste e pesaroso das pessoas devotas. Mas, como Josué e Caleb que tinham ido explorar a terra prometida, asseguravam que eram, muito ao contrário, paragens deliciosas e encantadoras por sua fertilidade e beleza, assim também todos os santos, animados do Espírito Santo e da palavra de Jesus Cristo, asseveram que a vida devota é suave, aprazível e ditosa.
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A Natureza da Devoção

Alma Devota

Capítulo I

Aspiras à devoção, Filotéia, porque a fé te ensina ser esta uma virtude sumamente agradável à Majestade Divina. Mas, como os pequenos erros em que se cai ao iniciar uma empresa vão crescendo à medida que se progride e ao fim já se avultam de um modo quase irremediável, torna-se absolutamente necessário que, antes de tudo, procures saber o que seja a devoção.

Existe, pois, uma só devoção verdadeira e existem muitas que são vãs e falsas. É mister que saibas discernir uma das outras, para que não te deixes enganar e não te dês a exercícios de uma devoção tola e supersticiosa. Continue reading

As Alegrias e Consolações do Purgatório

Tormentos e Alegrias das Almas do Purgatório

Tormento e Felicidade

Meditação para o dia 08 de Novembro

Então há no purgatório alegrias e consolações? É possível que em meio de tanta dor, de tão horríveis suplícios como os da pena do dano e do fogo, haja ainda um raio de luz, uma alegria, uma consolação para as pobres almas?

Sim, porque o purgatório é a pátria da justiça rigorosa, mas o é também da infinita misericórdia de Deus. Já não é uma grande misericórdia Deus nos reservar um lugar de expiação além-túmulo? Purificar-nos misericordiosamente para nos tornarmos dignos de sua eterna Presença? Ó, sim, o purgatório é uma misericórdia de Nosso Senhor. E como todas as obras da divina misericórdia, há de ter a unção e a doçura da Eterna Bondade. Quanto nos apavora a Justiça divina naquelas chamas expiadoras e que terror para nossa alma saber o que nos espera depois desta vida! Todavia, console-nos a ideia de que há no purgatório consolações que excedem a todas que possamos ter nesta vida. É um tormento e uma felicidade sem par. Um mistério que nos será desvenda-do mais tarde. Alguns autores insistem muito no sofrimento do purgatório e nada falam das alegrias e consolações. É mister guardar um justo equilíbrio.

Nem transformar o purgatório num verdadeiro inferno, nem fazer dele o paraíso. É um lugar de expiação e de tormentos horríveis, não há dúvida, mas há nele a doce esperança da salvação, esperança acompanhada da certeza absoluta de um dia chegar à posse de Deus na Bem-aventurança. E isto não é uma felicidade sem par? Quando São Francisco de Assis soube que era um predestinado e viu garantida por revelação do céu a sua glória, teve uma alegria tão grande, que nenhuma linguagem humana o poderia traduzir. Que não será a alegria das pobres almas na certeza de serem predestinadas? Continue reading

História da Igreja 5ª Época: Capítulo IV

Henrique IV

O calvinismo tinha feito rá­pidos progressos em França, especialmente por culpa de seus reis; e até tentou, por meio de Hen­rique IV, sucessor de seu cunhado Henrique III, e chefe da facção calvinista, sentar-se no trono pa­ra infeccionar e corromper toda a nação. Porém, Deus preservou a França de semelhante desgraça, que teria sido a mais deplorável de todas, fazendo com que Henrique conhecesse e abraçasse a verdadeira religião. Este, primeiramente se instruiu bem nos dogmas que ensina a santa Igreja Católica, depois mandou comparecer à sua presença os ministros protestantes e perguntou-lhes se acreditavam que ele podia salvar-se na Igreja romana. Estes, depois de refletir seriamente, responderam-lhe que sim.

“Pois então, disse ele muito sabiamente, porque vós a abandonastes? Se os católicos afirmam que ninguém pode salvar-se em vossa seita; e vós afirmais que na deles pode-se conseguir a salvação, parece-me mais conforme à razão seguir o caminho mais seguro, e preferir aquela religião em que, segundo o sentir comum, eu posso salvar-me”

Dessa maneira o rei abjurou solenemente o calvinismo, recebeu do Papa a absolvição das censuras em que tinha incorrido, e trabalhou para fazer florescer a Religião em seus estados. Ano 1593. Continue reading

São Francisco de Sales, Testemunha do Amor


Água. Os homens buscaram sempre construir suas cidades junto à água, a beira-mar, ou às margens dos grandes rios; lá onde corre impetuosamente ou onde se remansa placidamente num lago. Dirigi vossos passos ao centro da Europa, entre a Suíça, França e Itália, e procurai um lago tranquilo, circundado por suaves colinas, com os cimos ornados de abetos e as planícies cobertas de prados e vinhas. Se mais ao longe avistais os Alpes e o Monte Branco, então é provável que já tenhais encontrado o lago de Annecy e, junto dele, uma pequena cidade que leva o mesmo nome, cujos jardins se estendem em frente ao lago e cujas ruas estão sulcadas por antigos canais do rio Thiou.

Annecy é uma cidade encantadora, que conserva suas ruas tradicionais, a sólida prisão de velhas pedras em uma ilhota formada pelos canais, um impressionante castelo, sobre a colina, que pertenceu ao Duque de Nemours e, mais acima, dominando todo o panorama, o Mosteiro da Visitação. Este privilegiado lugar lembra um nome do qual está impregnada toda a cidade: Francisco de Sales.

Francisco percorreu aquela região entre 1567 e 1622, mas a sua lembrança, passados os séculos, continua hoje viva em toda a Comarca, desde a bonita cidade de veraneio Thonon le Bain, até a industriosa Anemmase, ou desde a cidade – por tantas razões internacional – de Genebra, com seu lago, até o de Bourget, conhecido pelos versos que sobre ele escrevera o poeta romântico Lamartine. Continue reading

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