Pax Vobis
Amados irmãos e irmãs que acompanham o Rumo à Santidade, Salve Maria!

Há muito tempo que estava para escrever algo a respeito do blog Rumo à Santidade, explicando os motivos que me levaram a criá-lo, meus objetivos para com ele, etc. Entretanto, decidi postergar esta singela história até que meu Brasão estivesse pronto e eis que, com a graça de Deus e o amor de Nossa Senhora, apresento-vos cada detalhe deste desejo que havia brotado em meu coração há certo tempo e que estava em processo de amadurecimento até o dia de hoje.

Antes de entrar nos detalhes do Brasão do Rumo à Santidade, gostaria de dedicar algumas palavras a respeito do blog em si.

Porque a criação e a escolha do nome Rumo à Santidade?

Durante a participação no grupo de jovens, com o tempo, fui percebendo a necessidade de crescer na fé, de buscar mais a Deus, de conhecê-Lo melhor, para amá-Lo, adorá-Lo e glorificá-Lo com mais dignidade, visto que pouco conhecia e pouco O amava – vivendo como um católico que apenas cumpria preceitos – Graças à Deus nunca me rebelei e sempre cultivei em mim a virtude da obediência e não deixava de orar, de participar da Santa Missa e dos Sacramentos, mas eu queria mais, meu coração desejava mais desta fonte de Água Viva – eu precisava de mais!

Foi então que despertou em mim o desejo de ler. Iniciei através das obras dos grandes Santos da Igreja Católica. Lembro-me que comecei com Filotéia de São Francisco de Sales, Confissões de Santo Agostinho, Meditações Diárias de Santo Afonso Maria de Ligório, a Prática do Amor a Jesus Cristo – também de Santo Afonso – e entre muitos outros. E no decorrer dos deleites em tantas obras de Espiritualidade, meu coração ardia cada vez mais desejando ao meu Senhor! Até que um dia, o Espírito Santo gravou uma profunda frase de Santo Agostinho em meu coração, na qual jamais esquecerei:

“A gente só ama aquilo que a gente conhece”

Não preciso dizer muita coisa, né? Estava em plena sintonia com minha caminhada de vida e cada vez mais que eu aprendia, meu desejo de compartilhar e externar este conhecimento de que outras pessoas possam também ser tocadas pelo Amor – que é o próprio Cristo – crescia em meu pequeno e frágil coração.

A escolha do nome veio à tona depois de um certo período de reflexão após a decisão de criar o site. O mesmo diz muito a respeito da minha caminhada, da minha percepção de mim mesmo como cristão inserido no mundo, do meu autoconhecimento para desprezar o amor-próprio e o respeito humano, da minha luta contra o pecado e as paixões desordenadas, da minha perseverança na oração, na penitência e no jejum, e etc. Então, o Espírito Santo iluminou-me em um momento de minhas férias como se fosse um estalo – Rumo à Santidade! – de forma muito óbvia, nem eu acreditei em quanto havia quebrado a cabeça para escolher e, com a graça de Deus, a decisão foi feita de forma muito providente.

O Brasão

Brasão Rumo à Santidade

Entrarei em detalhes de cada elemento do Brasão e seu significado.

O que significa a Coroa com a Cruz?

A Coroa do Brasão Rumo à Santidade

Em palavras breves, a Coroa representa o trunfo que cada um de nós – carregando nossas cruzes com perseverança – receberemos de Deus pela luta diária nesta vida terrena. Só Deus e nós conhecemos com o que devemos enfrentar, e quando digo isto, me refiro às nossas paixões desordenadas e nossas inclinações às quais devemos usar das virtudes para combatê-las, por exemplo: para alguns pode ser a Ira – a qual deve ser combatida com a Paciência e Mansidão.

Tal representação veio de uma inspiração de um texto que li sobre os sonhos de São João Bosco, mais particularmente a respeito do Céu, o qual transcrevo partes:

(…) Adiantou-se Domingos Sávio só, alguns passos, e ficou tão próximo a mim que se eu tivesse estendido a mão certamente o teria tocado. Calava-se e me olhava sorrindo. Que belo estava! Suas vestes eram realmente singulares. Caía-lhe até os pés uma túnica alvíssinia, coberta de diamantes e toda bordada de ouro.

Cingia-lhe a cintura uma ampla faixa vermelha recamada com tantas pedras preciosas que uma quase tocava a outra; e se entrelaçavam em desenho tão maravilhoso, apresentando tanta beleza de cores, que eu, ao vê-lo, me sentia fora de mim pela admiração.

Pendia-lhe do pescoço um colar de flores raras, mas não naturais; parecia como se as pétalas fossem de diamantes unidos entre si sobre hastes de ouro; e assim era tudo o mais. Essas flores refulgiam com luz sobre-humana mais viva que a do sol, que naquele instante brilhava com todo o esplendor de uma manhã de primavera.

Elas refletiam seus raios sobre o rosto cândido e corado de modo indescritível, dando-lhe uma luz de modo tão singular que nem se distinguiam bem suas várias espécies. A cabeça, tinha-a cingida com uma coroa de rosas; os cabelos caíam-lhe sobre os ombros em ondulantes cachos, dando-lhe um ar tão pulcro, tão afetuoso, tão encantador, que parecia… parecia… um Anjo! (…)

(…) Entretanto, eu já me recobrara plenamente de meu primeiro aturdimento, e contemplava absorto a beleza de Domingos Sávio, e com franqueza lhe perguntei:
– Por que tens essa veste tão alva e deslumbrante? Calou-se Sávio, sem dar mostras de querer responder. Mas o coro retomou então suas harmonias e cantou, acompanhado de todos os instrumentos:

Ipsi habuerunt lumbos praecinctos et dealbaverunt stolas suas in san guine Agni – “Eles tiveram os rins cingidos e purificaram suas vestes no sangue do Cordeiro”.

– E por que – voltei a perguntar quando cessou o canto – essa faixa vermelha na tua cintura?
Tampouco desta vez Sávio respondeu, mas antes fez sinal de que não queria fazê-lo. Então, o Padre Alasonatti em solo se pôs a cantar:

Virgines enim sunt, et sequuntur Agnum quocumque ierit – “São virgens e seguirão o Cordeiro aonde quer que vá”.

Compreendi então que a faixa encarnada, cor de sangue, era símbolo dos grandes sacrifícios feitos, dos violentos esforços e do quase martírio sofrido para conservar a virtude da pureza; e que, para manter-se casto na presença do Senhor, ele teria estado pronto a dar a vida se as circunstâncias o houvessem requerido; e que também era símbolo das penitências, que limpam a alma da culpa. A brancura e o esplendor da túnica significavam a inocência batismal conservada.

O que representam as Cores do Brasão?

As Cores do Brasão
As cores Azul e Branco, representam a consagração deste trabalho, como bem diz Santo Afonso, à Dulcíssima Esperança: a Virgem Maria! Sob a sua proteção, este ministério – se assim posso chamar – foi colocado, a fim de que por meio dele mais pessoas possam amar a Deus sob as mãos de Nossa Senhora!

A cor Vermelha, assim como no Ano Litúrgico, nos recorda o fogo do Espírito Santo em Pentecostes, como também nos lembra do sangue de tantos mártires que deram sua vida por Amor à Cristo e Sua Santa Igreja. Além de representar também as cores da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O dourado representa o sol – e como diz o Cardeal Hugo -, é a figura de Jesus Cristo, de cuja luz gozam os justos que vivem no dia da divina graça. E, permita-me caro leitor, trazer um pouco mais desta analogia devido à tamanha riqueza que encontrei num outro livro de Santo Afonso:

“Depois que Deus criou a terra, criou também dois luzeiros. Um maior, isto é, o sol, para que alumiasse de dia. Outro menor, isto é, a lua, para que brilhasse à noite (Gn 1, 16). O sol, diz o Cardeal Hugo, é a figura de Jesus Cristo, de cuja luz gozam os justos que vivem no dia da divina graça. A lua é figura de Maria, por meio da qual são iluminados os pecadores que vivem na noite do pecado. Já que Maria é esta lua propícia aos miseráveis pecadores, se algum miserável, diz Inocêncio III, se acha imerso nesta noite de culpa, que há de fazer? Aquele que perdeu a luz do sol, perdendo a divina graça, volte-se para a lua, faça oração a Maria; dela receberá luz para conhecer a miséria de seu estado e força para deixá-lo imediatamente.”
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Glórias de Maria. Editora Santuário, 1989, p. 104)

O que significam as Cruzes ao pé da escadaria?

As Cruzes do Calvário
Representam precisamente o Calvário, em memória da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. O intuito de colocá-la no brasão é justamente por não haver caminho de santidade que não passe pela Cruz, além de incentivar uma terna devoção à Paixão do Senhor nos leitores deste humilde blog. Animado, contudo, junto-me ao Apóstolo Paulo para dizer:

“Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” (Gl 6, 14)

E com Santo Afonso:

“Quem é devoto da Paixão do Senhor, não deixará de sê-lo também das dores de Maria, cuja lembrança nos consolará muito no momento da morte. Oh, que bela meditação, meditar em Jesus Cristo crucificado! Que bela morte, morrer abraçado com Jesus crucificado; morrer de boa vontade por amor de um Deus que morreu por nosso amor.” (Meditação: Devoção de Santo Afonso à Paixão de Jesus Cristo)

Qual o significado da Escadaria?

brasao-rumo-santidade-moradas
Tomei como inspiração os ensinamentos de Santa Teresa D’Ávila em seu livro Castelo Interior ou Moradas, no qual apresenta-nos que a alma passa por diversas etapas para atingir a perfeição em seu caminho à Deus. Assim como a Doutora da Oração nos ensina, tratam-se de 7 moradas – por isso, apenas os 7 degraus no brasão – até a união plena da alma com o Esposo Amado, sendo que, segundo a Santa, “a porta para entrar neste castelo é a oração”(1) e que “é desatino pensar que havemos de entrar no céu sem primeiro entrar em nós mesmos”(2).

(1) Santa Teresa de Jesus. Castelo Interior ou Moradas, Primeiras Moradas, capítulo 1, n. 2. In: São Paulo: Paulus, 2014.
(2) Idem, Primeiras Moradas, capítulo 1, n. 7

Porque a escolha do Lema: Omnia in Gloriam Dei Facite?

Lema: Fazei tudo pela Glória de Deus
“Fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor 10, 31). Este foi um versículo que ficou gravado em meu coração após a participação em um retiro que fiz. Desde então, tomei-o como “lema” oficial não somente do site, mas da minha vida: recomendando todas os meus atos, pensamentos, trabalhos para maior glória de Deus! Fazendo de cada pequeno ato cotidiano em um ato de louvor à Deus, buscando reconhecer as graças atuais que, com gratuidade Deus me concede, a fim de render-Lhe graças em todos os momentos.


Posso dizer que sinto-me muito feliz por finalmente poder compartilhar tudo àquilo que aprendo e pratico com tantos irmãos e irmãs que, se Deus quiser, conhecerei na plenitude dos céus!

Este trabalho é inteiramente dedicado à Deus e à Virgem Maria, a fim de que muitos possam ter por Devoção particular a Paixão de Nosso Senhor e à Virgem Santíssima.

† Ó Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!

† Doce Coração de Maria, sede a nossa salvação!

Fique com Deus e o amor de Maria!

Brasão Rumo à Santidade