Dom Henrique Soares da Costa
Reze o Salmo 119/118,89-96
Agora, leia com piedade, com atenção e um coração que escuta Dt 31 – 34

Dt 31, 1Moisés dirigiu ainda estas palavras a todo o Israel: 2«Tenho cento e vinte anos; já não posso andar de um lado para o outro. Além disso, o SENHOR disse-me: ‘Não atravessarás o Jordão.’ 3O SENHOR, teu Deus, passará, Ele mesmo, à tua frente; exterminará esses povos diante de ti e desalojá-los-ás. Josué passará à tua frente, como o SENHOR afirmou. 4O SENHOR lhes fará, como fez a Seon e Og, reis dos amorreus, e à terra deles, que Ele destruiu. 5O SENHOR te entregará esses povos e procederás com eles segundo os mandamentos que te ordenei. 6Sê forte e valente! Não temas, nem te aterrorizes à vista deles. Pois, o SENHOR, teu Deus, vai contigo; não te deixará sucumbir nem te abandonará!»

7Depois, Moisés chamou Josué e disse-lhe na presença de todo o Israel: «Sê forte e valente! Porque tu é que vais entrar com este povo na terra que o SENHOR jurou dar a seus pais. Tu é que a repartirás entre eles. 😯 próprio SENHOR irá à tua frente; Ele estará contigo; não deixará que o teu joelho se dobre e não te abandonará. Não temas, portanto, nem desanimes.»

9Moisés escreveu esta Lei e entregou-a aos sacerdotes levíticos, que transportavam a Arca da aliança do SENHOR, e a todos os anciãos de Israel. 10Ordenou-lhes então Moisés:

«Ao fim de sete anos, na Assembleia do Ano da remissão, pela festa das Tendas, 11quando todo o Israel comparecer diante do SENHOR, teu Deus, no lugar que Ele tiver escolhido, farás a proclamação desta Lei a todo o Israel. 12Reunirás o povo, homens, mulheres e crianças, e o estrangeiro que estiver nas tuas cidades, a fim de que escutem, aprendam e reverenciem o SENHOR, vosso Deus, e cumpram todas as palavras desta Lei. 13Os filhos deles, que ainda não conhecem, ouvirão e aprenderão a reverenciar o SENHOR, vosso Deus, enquanto viverdes na terra de que ides tomar posse, depois de passardes o Jordão.»

14O SENHOR disse a Moisés: «Aproximam-se os dias da tua morte. Chama Josué e apresentai-vos na tenda da reunião para que Eu lhe dê as minhas ordens.» Moisés e Josué foram, pois, apresentar-se na tenda da reunião. 15O SENHOR apareceu na tenda, numa coluna de nuvem; a coluna de nuvem parou à entrada da tenda.

16Então o SENHOR disse a Moisés: «Eis que vais repousar com teus pais, e este povo irá prostituir-se com os deuses da terra estrangeira em que está para entrar. Ele me abandonará e quebrará a Aliança que concluí com ele. 17Nesse dia, a minha ira inflamar-se-á contra eles e os abandonarei; esconderei deles a minha face, e serão devorados; muitos males e angústias os atingirão. Nesse dia, ele dirá: ‘Não será porque Deus já não está comigo, que me atingem todos estes males?’ 18Eu, porém, nesse dia continuarei a esconder a minha face, por causa de todo aquele mal que ele fez ao voltar-se para outros deuses. 19Agora, escrevei para vós este cântico; ensina-o aos filhos de Israel e coloca-o na boca deles, a fim de que este cântico me sirva de testemunho contra os filhos de Israel.

20Quando os fizer entrar na terra que jurei a seus pais, terra onde corre leite e mel, comerão, ficarão saciados e hão-de engordar. Voltar-se-ão, depois, para outros deuses, hão-de servi-los e me desprezarão, violando a minha Aliança. 21Sucederá, porém, que quando os atingirem muitos males e angústias, este cântico testemunhará contra eles, pois os seus descendentes não o esquecerão. Conheço as intenções que hoje este povo tem, antes mesmo de o fazer entrar na terra que lhes jurei.» 22Naquele dia, Moisés escreveu este cântico e ensinou-o aos filhos de Israel.

23Então, o SENHOR ordenou a Josué, filho de Nun: «Sê forte e valente! Porque tu é que vais introduzir os filhos de Israel na terra que lhes prometi com juramento; Eu estarei contigo.»

24Quando Moisés acabou de escrever todas as palavras desta Lei num livro, 25ordenou aos levitas, que transportavam a Arca da aliança do SENHOR: 26«Tomai este livro da Lei e depositai-o ao lado da Arca da aliança do SENHOR, vosso Deus. Ficará ali como um testemunho contra ti, Israel. 27Pois eu conheço a tua rebeldia e a tua dura cerviz. Se hoje, quando estou ainda vivo no meio de vós, já sois rebeldes contra o SENHOR, que será depois da minha morte? 28Mandai reunir junto de mim todos os anciãos das vossas tribos e os vossos magistrados. Quero proclamar diante deles estas palavras e tomar como testemunhas contra eles o céu e a terra. 29Sei que, depois da minha morte, vos corrompereis e desviareis do caminho que vos prescrevi. A desgraça vos atingirá nos tempos futuros por fazerdes o mal aos olhos do SENHOR, por o ofenderdes com as obras das vossas mãos.»

30Moisés, depois, proclamou integralmente diante de toda a assembleia de Israel as palavras deste cântico:

Dt 32, 1«Escutai, ó céus, que eu vou falar,
ouça a terra as palavras da minha boca.
2Derrame-se como chuva o meu ensinamento,
espalhe-se como orvalho a minha palavra,
como aguaceiros sobre a erva,
como chuvisco sobre a relva!
3Eu vou proclamar o nome do SENHOR,
enaltecei a grandeza do nosso Deus!
4Ele é o rochedo, perfeitas são as suas obras.
Todos os seus caminhos são justiça!
Deus fiel, sem iniquidade, Ele é justo e recto.
5Pecaram contra Ele
seus filhos degenerados,
geração perversa e falsa.
6É assim que agradeceis ao SENHOR,
povo louco e insensato?
Não é Ele o teu pai, o teu criador?
Foi Ele que te formou e te constituiu!
7Recorda-te dos dias antigos,
medita nos anos de outrora.
Pergunta ao teu pai e ele te contará,
aos teus anciãos e eles te dirão!
8Quando o Altíssimo distribuía os povos,
quando agrupava os filhos de Adão,
estabeleceu as fronteiras dos povos
segundo o número dos filhos de Israel.

9A porção do SENHOR é o seu povo,
Jacob é a parte da sua herança.
10Encontrou-o numa terra deserta,
numa desordem de gritos selvagens;
protegeu-o e velou por ele,
guardou-o como à menina dos seus olhos.

11Ele é como a águia a incentivar os seus filhos,
esvoaçando sobre os seus filhotes:
estendeu as suas asas, tomou-os,
levantando-os sobre as suas penas.
12Só o SENHOR o conduzia;
nenhum outro deus estava com ele.
13Fê-lo cavalgar pelas montanhas do país,
alimentou-o com frutos dos campos;
deu-lhe a beber mel do rochedo,
e azeite da pedra dura,
14manteiga das vacas e leite das ovelhas,
com a gordura dos cordeiros,
dos carneiros de Basan e dos cabritos,
com a melhor farinha do trigo.
Bebestes o sangue vermelho das uvas.

15Mas Jechurun engordou e revoltou-se,
– tornaste-te gordo, anafado, bem nutrido –
abandonou o Deus que o criou,
e desprezou a Rocha da sua salvação.
16Fizeram-lhe ciúme com deuses estrangeiros;
irritaram-no com essas abominações.
17Sacrificaram a demónios que não são Deus,
a divindades que desconheciam,
deuses novos, chegados de perto,
que os vossos pais não reverenciavam.
18Desprezaste o Rochedo que te gerou,
e esqueceste o Deus que te formou.

19O SENHOR viu isso e irritou-se,
provocado por seus filhos e filhas.
20E disse: ‘Vou esconder deles a minha face,
verei qual será o seu futuro,
porque eles são uma geração rebelde,
filhos em quem não se pode confiar.
21Fazem-me ciúmes com o que não é Deus,
irritam-me com seus ídolos vãos.
Eu é que lhes farei ciúmes com um que não é povo,
com uma nação insensata os irritarei.’
22Inflamou-se o fogo da minha ira
e arderá até às profundezas do abismo;
devorará a terra e seus produtos,
abrasará os fundamentos das montanhas.
23Acumularei sobre eles desgraças,
contra eles esgotarei as minhas setas.
24Extenuados de fome,
consumidos de febres e pestes malignas,
mandarei contra eles o dente das feras
e o veneno ardente dos répteis.

25Fora, perecerão à espada,
e de pavor dentro de casa:
tanto o adolescente como a donzela,
o menino de peito e o ancião.
26Eu disse: ‘Vou destroçá-los;
vou apagar do meio dos homens a sua memória.’
27Se os hostilizasse como povo inimigo,
não se ensoberbeceriam seus adversários?
De certo diriam: ‘Foi o nosso poder que triunfou,
não foi o SENHOR que fez tudo isto!’
28Eles são gente insensata,
desprovida de inteligência.
29Se ganhassem sabedoria, entenderiam,
compreenderiam o fim que os espera.
30Como poderia um só perseguir mil,
e dois, pôr em fuga dez mil,
se o seu Rochedo lhos não vendesse,
se o SENHOR lhos não entregasse?

31Que o nosso Rochedo não é como o deles,
nossos inimigos o poderão avaliar.
32As vinhas deles são vinhas de Sodoma
e dos campos de Gomorra;
as suas uvas são uvas venenosas
e os seus cachos são amargos.
33Seu vinho é baba de serpentes,
veneno mortal de víboras.
34Não está isto escondido comigo, selado nos meus arquivos?

35A mim pertencem a vingança e a retribuição,
quando o pé deles resvalar,
pois está próximo o dia da sua ruína;
depressa virá o seu destino.
36O SENHOR fará justiça ao seu povo
e terá compaixão dos seus servos,
ao ver que as suas mãos fraquejam,
que já não há escravo nem homem livre.’

37Dirá então: ‘Onde estão os seus deuses,
o rochedo em que confiavam?
38Os que comiam a gordura das vossas ofertas
e bebiam o vinho das vossas libações
levantem-se agora para vos socorrer,
e tereis refúgio para vós.

39Reparai bem: Eu é que sou Deus,
e não há outro deus além de mim!
Eu é que dou a vida e dou a morte,
Eu firo e curo, e não há quem livre da minha mão.
40Levanto a minha mão para o céu,
e afirmo: Eu vivo para sempre!
41Quando afiar a minha espada refulgente,
quando impuser a minha mão para a sentença,
tirarei vingança dos meus adversários,
e darei a paga aos que me odeiam!

42Embeberei em sangue as minhas setas,
e a minha espada fartar-se-á de carne,
do sangue dos mortos e dos cativos,
das cabeças dos capitães inimigos.’
43Aclamai, ó nações, o seu povo,
porque Ele vinga o sangue dos seus servos;
tira vingança dos seus inimigos
e perdoa à sua terra e ao seu povo!»

44Moisés, com Josué, filho de Nun, foi, pois, recitar todas as palavras deste cântico ao povo. 45Quando Moisés acabou de proferir estas palavras a todo o Israel, 46disse-lhes:

«Tomai em consideração todas as palavras que eu testemunho hoje contra vós e que deveis ordenar aos vossos filhos a fim de que guardem e cumpram todas as palavras desta Lei. 47Ela não deve ser para vós uma coisa indiferente, porque ela é a vossa vida e por ela prolongareis os vossos dias sobre a terra, da qual ides tomar posse, passando o Jordão.»

Moisés no monte Nebo – 48Naquele mesmo dia, o SENHOR disse a Moisés: 49«Sobe ao monte Abarim, isto é, ao monte Nebo, situado na terra de Moab, em frente de Jericó, e contempla a terra de Canaã, que Eu hei-de dar aos filhos de Israel em propriedade. 50Morrerás no monte ao qual vais subir, juntando-te aos teus pais, tal como morreu teu irmão Aarão no monte Hor e se foi juntar aos seus pais. 51Porque pecaste contra mim no meio dos filhos de Israel, junto das Águas de Meribá, em Cadés, no deserto de Cin, não me santificando no meio dos filhos de Israel. 52Poderás vê-la de longe, mas não entrarás na terra que Eu hei-de dar aos filhos de Israel.»

Dt 33, 1Esta foi a bênção com que Moisés, homem de Deus, abençoou os filhos de Israel, antes de morrer. 2Ele disse:

«O SENHOR veio do Sinai,
amanheceu para eles no horizonte de Seir!
Resplandeceu do monte Paran,
chegou de Meribá de Cadés,
com a sua direita deu-lhes uma lei ardente.
3Ele ama as suas tribos;
todos os seus santos estão na sua mão;
eles deitam-se a seus pés,
levantam-se à sua palavra.
4Moisés deu-nos a Lei,
património da assembleia de Jacob.
5E houve um rei em Jechurun,
quando se reuniram os chefes do povo
e se juntaram todas as tribos de Israel.

6Viva Rúben e não morra.
Que os seus homens sejam incontáveis!»

7E a Judá disse:
«Escuta, SENHOR, a voz de Judá;
faz que volte para o seu povo;
seja forte a sua mão,
se Tu o proteges contra os inimigos.»

8A Levi disse:
«Os teus dados sagrados são para o homem que te foi fiel,
que provaste em Massá,
com quem discutiste junto às águas de Meribá;
9que diz de seu pai e de sua mãe: ‘Não os vi, nem os conheço’;
que não distingue seus irmãos
nem reconhece os seus filhos.
Eles respeitam a tua palavra
e guardam a tua Aliança.
10Ensinam os teus preceitos a Jacob e a tua Lei a Israel;
apresentam-te os odores do incenso e holocaustos no teu altar.
11Abençoa, SENHOR, a sua força,
e aceita a obra das suas mãos!
Fere os rins dos seus agressores
e que seus inimigos não possam levantar-se.»

12A Benjamim disse:
«O preferido do SENHOR habitará em segurança junto dele;
conceder-lhe-á abrigo permanente
e descansará entre os seus ombros.»

13A José disse:
«A sua terra tem as bênçãos do SENHOR,
com os dons do céu, o orvalho
e as águas que correm nas profundezas;
14os dons que o sol oferece e os frutos de cada mês;
15as primícias das antigas montanhas,
e os dons das colinas eternas;
16os dons da terra e a sua abundância,
a bondade daquele que apareceu na sarça
desça sobre a cabeça de José,
sobre a fronte do eleito entre seus irmãos!
17É belo como touro gordo!
Seus chifres são chifres de búfalo;
com eles derrubará os povos todos,
até aos confins da terra:
tais são as multidões de Efraim,
os milhares de Manassés!»

18A Zabulão disse:
«Alegra-te, Zabulão, nas tuas viagens,
e tu, Issacar, nas tuas tendas!
19Eles convidarão os povos para a montanha;
ali oferecerão sacrifícios de justiça;
porque exploram as riquezas dos mares
e os tesouros escondidos nas praias.»

20A Gad disse:
«Bendito aquele que engrandece Gad!
Ele deita-se como um leopardo,
destroça braços e cabeças.
21Escolhe para si as primícias,
a parte reservada ao chefe.
Avança à frente do povo,
pratica a justiça do SENHOR
e os seus preceitos para com Israel!»

22A Dan disse:
«Dan é um leãozinho que salta de Basan.»

23A Neftali disse:
«Ó Neftali, saciado de favores,
cumulado de bênçãos do SENHOR,
o mar e sua região serão tua posse!»

24A Aser disse:
«Aser seja o mais abençoado dos filhos,
preferido entre seus irmãos
e banhe em azeite o seu pé.
25Teus ferrolhos serão de ferro e bronze,
e a tua tranquilidade durará tanto como os teus dias.
26Ninguém é como Deus, ó Jechurun;
Ele cavalga nos céus em tua ajuda
e está sobre a altura das nuvens!
27O Deus de outrora te dá refúgio
sob os seus braços, desde sempre.
Ele expulsa o inimigo da tua frente e diz: – Destrói!
28Israel habita em segurança;
solitária corre a fonte de Jacob
para uma terra de trigo e vinho,
sob céus que destilam orvalho.
29Feliz de ti, Israel! Quem como tu,
povo protegido pelo SENHOR?
Ele é o Escudo do teu socorro,
espada do teu triunfo?
Teus inimigos te adularão,
mas tu lhes calcarás o dorso!»

Dt 34, 1Moisés subiu das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Pisga, que está em frente de Jericó. O SENHOR mostrou-lhe toda a terra, desde Guilead até Dan, 2todo o Neftali, o território de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até ao mar ocidental, 3o Négueb, o Quicar, no vale de Jericó, cidade das Palmeiras, até Soar.

4O SENHOR disse-lhe: «Esta é a terra que jurei dar a Abraão, Isaac e Jacob. Dá-la-ei à vossa descendência. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela.»

5E Moisés, o servo de Deus, morreu ali, na terra de Moab, por determinação do SENHOR. 6Foi sepultado num vale da terra de Moab, defronte de Bet-Peor, mas ninguém até hoje soube do lugar da sua sepultura.

7Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu; a sua vista nunca enfraqueceu e o seu vigor nunca se esgotou.

8Os filhos de Israel choraram Moisés, nas planícies de Moab, durante trinta dias até se completarem os dias de pranto por Moisés.

9Josué, filho de Nun, ficou cheio do espírito de sabedoria, porque Moisés lhe tinha imposto as mãos; os filhos de Israel obedeceram-lhe e procederam como o SENHOR tinha ordenado a Moisés.

10Nunca mais surgiu em Israel um profeta semelhante a Moisés, com quem o SENHOR falava face a face. 11Ninguém se lhe assemelhou em todos os sinais e prodígios que o SENHOR lhe mandou fazer na terra do Egipto contra o faraó, contra os seus servos e todo o país, 12nem em todas as acções da sua mão poderosa nem em todas as grandes maravilhas que Moisés realizou na presença de todo o Israel.

1. Moisés tinha, agora, às vésperas de sua morte, 120 anos. Ele passou 40 anos no Egito, na Casa de Faraó (cf. At 7,23); passou 40 anos com o sogro, Jetro, em Madiã, (cf. Ex 7,7; At 7,30) e passou 40 anos conduzindo Israel (cf. At 7,36). Esta datação da vida de Moisés tem um sentido profundo: ele viveu três estágios de 40 anos (que, nas Escrituras, é um número perfeito, tempo de uma geração). 3 é um número perfeito; também 40, que significa uma geração, uma vida plena. Então, Moisés foi pleno, foi completo em cada fase da vida que viveu: foi três vezes pleno, realizado! É, portanto, uma lição para todos nós: viver plenamente, diante do Senhor Deus, cada fase e cada situação da nossa existência! Ser criança no tempo de criança; ser jovem na juventude; ser adulto na fase da maturidade e portar-se como ancião respeitável quando a idade chegar! Reze o Salmo 90/89.

2. Convém, aqui, que nos detenhamos um pouco sobre Moisés. Apesar de ser um verdadeiro servo do Senhor Deus, Ele não entrou na Terra Prometida! Já falamos sobre isto em outras meditações. Mas, é bom sempre recordar a humildade desse homem, o mais manso de todos (cf. Nm 12,3), a conformidade à vontade do Senhor Deus! Ele é o primeiro e o maior dos profetas de Israel (cf. Dt 34,10-12), pois teve uma intimidade com o Santo que nenhum outro profeta teria depois! Maior que Moisés somente o próprio Senhor Messias Jesus (cf. Jo 1,17s; 5,46s). Pense um pouco: devemos aprender com Moisés a ser servos de Deus, a colocarmo-nos na Sua santa vontade com humildade, aceitando que passaremos e somente o Eterno permanece! Moisés tão grande; Moisés tão pobre: vê as promessas de longe… Promessas que somente muito depois realizar-se-ão plenamente (cf. Dt 34,1-4; Hb 11,13-16.39-40). Belo também é pensar na delicadeza do Senhor: Ele mesmo sepulta o Seu servo Moisés, de modo que ninguém saberá jamais onde fora sepultado… Seu túmulo não será local de peregrinação (cf. Dt 34,6s)… Ele, simplesmente, passou! Se permanece é no Coração de Deus – e isto é o que realmente conta na nossa vida, pois que, permanecer em Deus é viver para sempre! Você já pensou? Moisés, o Legislador, jamais pisou na Terra Santa! Isto tem uma indicação: a prática da Lei do Senhor, para um judeu, não está ligada necessariamente à Terra Santa, mas ao seu coração! Isto vale ainda mais para um cristão: ele não se prende a lugares, mas ao Cristo Senhor:

“Pai, aqueles que Me deste, quero que onde Eu estiver, também eles estejam Comigo…” (Jo 17,24)

Lembre: só o Senhor é eterno; nós passamos! Devemos fazer a nossa parte, mas com a simplicidade e a humildade de quem sabe que passará e o importante é que a vontade de Deus seja realizada, de geração em geração! Releia, contemplando, o belo capítulo 34, que encerra todo o Pentateuco, a Torá de Moisés!

3. Se Moisés passou, se as pessoas passam, se nós passamos, o Senhor permanece:

“Ele é a Rocha, e Sua obra é perfeita” (32,4)

Nunca deveríamos ter medo, nunca deveríamos colocar o alicerce da nossa vida em homem algum, que é passageiro, que é “mentiroso”, isto é, inconsistente (cf. Sl 116,6/115,2; 62/61,10; 146/145,3-5; Jr 17,5)… Nossa esperança e certeza, o fundamento da nossa vida deve ser sempre o Santo, o Eterno: é Ele quem vai à vossa frente! Releia como palavras dirigidas a você Dt 31,3-6. Mas, atenção: o mesmo Senhor que é tão potente e tão fiel, quer precisar de nós, quer contar com nossa colaboração. Assim é com Israel: o Altíssimo vai à frente, mas conta com a liderança de Josué (cf. vv.7s). O Senhor conta com você para fazer presente no mundo a Sua santa vontade… Ele pode realmente contar? Você é fiel ou é feito arco ruim, que volta atrás?

4. Israel deverá sempre ouvir e re-ouvir a Lei de Deus (cf. 31,9-13); assim, viverá sempre na vontade do Senhor e terá a Terra que o Senhor lhe concedeu e lhe concede… Também nós, cristãos, devemos sempre de novo voltar para o Senhor Jesus, olhá-Lo e re-olhá-Lo, “com os olhos fixos Naquele que é o Iniciador e Consumador da fé” (Hb 12,2), sempre considerando atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa profissão de fé (cf. Hb 3,1), cumprindo o preceito das Escrituras:

“Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos” (2Tm 2,8)

Sim, porque “a Lei foi dada por meio Moisés, mas a graça e a verdade nos vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17)!

Você medita frequentemente nos mistérios de Cristo?

Você O visita no Santíssimo Sacramento?

Jesus é, realmente, o critério, o centro da sua vida e do seu coração?

5. Várias vezes, neste bloco dos capítulos 31 – 33 o Senhor Deus afirma que Israel será infiel, romperá a Aliança e hipotecará seu coração aos ídolos! E, no entanto, o Santo continua amando Israel e convidando-o a ser fiel! É o mistério do encontro entre a providência do Deus que tudo sabe e a liberdade humana, desenvolvida na história vv.16-18.21b.29! Se, por um lado, o Senhor tudo conhece e tudo tem nas Sua mãos benditas, por outro lado, Ele respeita realmente o espaço da nossa liberdade e das nossas decisões, que ocorrem no tempo e no espaço! Nossa responsabilidade é enorme e nossas decisões têm consequência importantes na nossa vida no tempo e na eternidade! Pense nisto! Releia Dt 31,16-27.

6. Nos vv. 24-30, Moisés acusa duramente o Povo de ser teimoso, duro de coração e infiel! Leia Jo 5,45-47. Os pecados e a dureza de Israel vão levá-lo, por fim, a rejeitar o Messias que o Senhor Deus lhe enviou. Israel é um povo de cerviz dura, que sempre deseja fazer do seu modo e agir na sua medida… Assim, de pecado em pecado, de teimosia em teimosia, de infidelidade em infidelidade, termina por desconhecer Aquele que o Seu Deus havia prometido, anunciado e, por fim, enviado. Leia o triste final desta história em Jo 12,37-50. Pense bem:

Você leva a sério a vontade do Senhor?

Procura, de verdade, ser-Lhe obediente em tudo?

Não aconteça que, de infidelidade em infidelidade, termine por fechar-se totalmente para o Senhor, num coração duro e insensível…

Leia Dt 32,15-39: as consequências de fechar-se para o Senhor são tremendas! Isto valeu para Israel, vale para todos nós! Que o Senhor tenha piedade de nós e nos converta! Terminemos rezando o Salmo 119/118,169-176.

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Observação: Aqui termina nossa meditação sobre o Livro do Deuteronômio. Na próxima Segunda-feira Santa, prosseguiremos nosso caminho para a Páscoa com os olhos fixos na Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor!