Oração, Esperança e Graça

Ainda no capítulo 5 da sua Epístola aos Romanos, São Paulo afirma:

a) Que estamos firmes na graça de, vencido o estado de inimizade com o Senhor, estarmos em paz com Deus e, assim, justificados pela fé em Jesus, “nos gloriamos na esperança da Glória de Deus” (v. 3).

b) “Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz… a esperança. E a esperança não decepciona, porque o amor de Deu foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (v. 5).

Aprofundemos estas ideias para nosso proveito espiritual de caminho quaresmal… Hoje, aprofundaremos o ponto a; amanhã, o b.

Já vimos que, naturalmente, a humanidade encontra-se num estado de fechamento para Deus, um verdadeiro estado de inimizade, de impossibilidade de chegar por si a uma comunhão com o Senhor: nascemos filhos da ira, ímpios (cf. Ef 2,3; Rm 5,6-8). A fé em Jesus como o Cristo enviado por Deus, nos justifica, isto é, faz-nos justos, amigos de Deus, como Abraão; de tal modo justos, de tal modo amigos, que nos gloriamos, alegramo-nos, temos verdadeira ufania na esperança certa e firme da Glória de Deus!

Em outras palavras: a fé em Cristo, que nos abre no Batismo a Vida nova no Senhor Jesus, torna-nos realmente herdeiros de Deus: faz-nos filhos no Filho Jesus, introduz-nos na vida de amizade com o Senhor.

Certamente, nenhum cristão pode dizer: “Eu estou salvo!” Isto é presunção, por um lado, e desconhecimento da liberdade humana, que pode perecer, por outro lado!

A salvação que Cristo nos mereceu e nós acolhemos pela fé abre-nos à esperança, à certeza em esperança, não em posse! Esperar é esperar em Deus, esperar Deus de Deus porque Ele é Deus, Ele é fiel: dando-nos Cristo deu-nos todo bem e toda graça! Mas, nós temos a nossa liberdade criatural, que, neste mundo, enquanto caminhamos, pode sempre mudar para melhor ou para pior. Daí a advertência firme do Apóstolo:

“Quem julga estar de pé, tome cuidado para não cair” (1Cor 10,12)

E do Senhor mesmo:

“Pela vossa perseverança salvareis as vossa almas” (Lc 21,19)

Daí a conclusão da Escritura, que alguns parecem esquecer:

“Estamos salvos em esperança” (Rm 8,24)!

Então: estamos salvos no sentido de que a salvação nos é oferecida realmente pela fé em Cristo; mas nada garante que eu serei realmente fiel e aberto ao Senhor, de modo a acolher tal salvação! Devo, no entanto, esperar firmemente na graça do Senhor e cooperar com a ação da graça não me fechando, não contristando e sufocando a ação do Espírito de Cristo em mim (cf. Ef 4,30).

Pense:
Você realmente pensa que sua vida caminha para a Glória do Céu? Você crê na Vida eterna? Tem desejo e esperança de, um Dia, estar com Cristo para sempre?

Você procura fazer de sua vida neste mundo semente de Eternidade?

Você tem consciência que a salvação é oferta gratuita de Deus através de Jesus nosso Senhor, por nós morto e por nós ressuscitado?
A salvação não é primeiramente conquista nossa, mas dom de Deus: Tudo é graça! Você é consciente disto? Experimenta a vida e a fé como graça de Deus? Sabe agradecer?

Você tem consciência que é preciso cooperar com a graça de Deus, para não torná-la vã? Pense: “Pela graça de Deus sou o que sou; e a Sua graça a mim dispensada não foi estéril!” (1Cor 15,10). Em Judas, a graça foi em vão… E em você? Como a abertura ou fechamento à graça de Deus que nos vem pela fé em Jesus está se manifestando concretamente na sua vida?

Amanhã meditaremos na afirmação b, que apresentei logo no início deste texto.

Agora reze o Salmo 137/138

Escute e medite: