Jesus e a adúltera perdoada
Caríssimos Irmãos no Senhor, estamos nos encaminhando para o final da Quaresma; estamos próximos do início da Grande Semana que desemboca no Tríduo Pascal!

Hoje, a Palavra que a Igreja nos proclama convida-nos a esquecer o velho pecado, esquecer o que ficou para trás, e prosseguir, renovados, para adiante, para frente, onde Cristo nos espera! Certamente, esse “esquecer o que fica para trás” não pode ser uma negação irresponsável do nosso passado! Esquecer o pecado que passou somente é possível quando o assumimos diante de Deus e o confessamos de coração sincero. Para isto Cristo nosso Deus nos deixou o Sacramento da Penitência!

Assumamos, pois, que somos pecadores, confessemos nossos pecados e caminhemos, passos apressados e decididos, ao encontro do Cristo que nos salva e purifica!

É a tal atitude que as leituras de hoje nos convidam, caríssimos.

O Senhor, na primeira leitura, nos exorta pela boca de Isaías Profetas:

“Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. “Eis que Eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as conheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca”.

O mesmo Deus que abriu o tremendo Mar Vermelho e arrancou Israel da morte, dando-lhe um futuro, agora nos promete algo maior, uma coisa nova. Que coisa? Que promessa? Ei-la: em Cristo Jesus nos será aberta uma estrada no meio do mar da morte, e nós com Cristo e em Cristo, ressuscitaremos, viveremos.

Mais ainda: já agora, atravessando as águas do santo Batismo, seremos lavados, regenerados, purificados e, como novo povo de Deus, como Sua Igreja, atravessaremos o deserto deste mundo rumo à Terra Prometida da glória celeste.

Também São Paulo, na segunda leitura, convida-nos a deixar o que ficou para trás e correr para adiante, para o Cristo. Suas palavras são claras e nos devem contagiar de entusiasmo:

“Não que já tenha recebido tudo isso ou que já seja perfeito. Mas corro para alcançá-Lo, visto que já fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, eu faço: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”.

Isto mesmo: não somos perfeitos, experimentamos em nós ainda as marcas da concupiscência deixada pelo pecado original, mas Cristo nos atrai, Seu amor nos impele porque Ele nos alcançou, nos conquistou, nos resgatou com Sua preciosa cruz e ressurreição!
Então, esqueçamos a vida de pecado, caríssimos! Deixemos para trás a velhice dos velhos vícios, que nos prendem, nos deformam, nos desumanizam! Lancemo-nos para adiante, para o Futuro, a Meta, o Objetivo! – O Futuro é Cristo, a Meta é Cristo, o Objetivo é ainda Cristo! Nele receberemos a salvação!

Olhai bem, caríssimos, que vale a pena tudo deixar por Cristo, tudo perder por Cristo, por Cristo tudo deixar para trás! Basta pensar no santo Apóstolo, que ainda nesta segunda leitura nos dá um testemunho comovente:

“Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa Dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a Ele”.

Que palavras, que experiência, que vida, a de Paulo Apóstolo! Perder tudo por Cristo e tudo ganhar em Cristo; deixar tudo por Cristo e tudo encontrar em Cristo! Como há dois mil anos atrás, ainda hoje somente quem se perde em Cristo pode experimentar a ternura amorosa de Cristo; somente quem se deixa por Ele pode encontrar-se Nele, encontrar-se de verdade! É isto, caríssimos, conhecer a Cristo, é isto experimentá-Lo e, então, saber, de verdade, que Ele está vivo, que Ele é o nosso Salvador, que Ele é nossa doçura e o sentido único de nossa vida!

Vamos, caríssimos meus amados! Aproveitemos esses dias quaresmais. Olhemos a misericórdia de Jesus e não duvidemos de que Ele pode nos restaurar, nos libertar dos vícios e pecados!

Se para Ele nos abrirmos, se com Ele e por Ele abraçarmos a luta interior, o combate espiritual, a penitência generosa, certamente escutaremos sua voz que nos dirá como à pecadora de hoje: “Eu não te condeno. Vai e não peques mais!”

Muitas vezes, o mundo hipócrita ou nossa consciência obscurecida querem nos jogar na miséria, querem que para nós não haja esperança em Cristo! Muitas vezes, parece que nosso destino é aquele que os escribas e fariseus do Evangelho deste Domingo queriam dar à mulher adúltera: a lama, o desespero, a pecha sem cura de ser perdido, de ser pecador… Mas, Jesus, o Inocente, o Puro, o único que poderia nos condenar e nos atirar pedras, Ele nos diz, do fundo do Seu Coração: “Eu não te condeno!” E nos convida e nos desafia em os ordena: “Vai, e não peques mais!

Então, caríssimos, olhemos para frente e confiemos no amor do Senhor! Mas, para que nossa união com Cristo não seja uma ilusão e uma mentira, que estejamos prontos a participar dos Seus sofrimentos (olhai bem que os sofrimentos Dele são aqueles que se manifestam na nossa vida!), a conhecer por experiência o mistério de Sua cruz para, assim, participarmos também da força regeneradora da Sua bendita ressurreição. Recordai a palavra de São Paulo, o seu programa de vida:

“conhecer a Cristo, experimentar a força de Sua ressurreição, ficar em comunhão com os Seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos”.

Seja este, meus irmãos no Senhor, o fruto do nosso caminho de Quaresma: ter tal união com o Salvador, que estejamos em comunhão com os Seus sofrimentos e possamos experimentar em nós o poder da Sua ressurreição, que nos dá uma Vida nova, como a da adúltera, renovada pelo perdão do Salvador. A Ele a glória hoje e para sempre. Amém.