Meditação para o Dia 20 de Julho

1. A vida nesta terra parece-se com uma representação teatral. Quantas vezes aquele que no palco se vê honrado e obedecido por fazer o papel de rico ou de príncipe, após o espetáculo é menosprezado por ser pobre! Termina sua glória e sua posição invejável, ao cair do pano. Pois bem, quer seja brilhante, quer seja modesto o papel que Deus te confiou para o espetáculo da vida, não tens razão de gloriar-te daquele, nem de queixar-te deste. Jesus, rico e adorado no céu, é pobre e perseguido na terra; o Pai eterno o quis, eis por que o Filho obedeceu. Apenas, porém, terminou a vida, começou, sem tardar, a glorificação que não terá fim.

2. Que dirias do ator que, para poder brilhar no palco, no papel de monarca, gastasse toda a sua fortuna, levantasse empréstimos e até roubasse? Chamá-lo-ias de louco. Oxalá que não profiras a sentença contra ti mesmo! As faculdades corporais e espirituais, as graças, o tempo e tudo o que é de Deus e que Ele te deu emprestado, empregaste-o para a glória do Altíssimo e para salvação eterna, ou, antes, para brilhares aos olhos dos homens e para gozares uma vida alegre? Cedo, talvez mais cedo que o esperes, cairá o pano, e o que será de ti? Não te salvarão então os aplausos do mundo, mas unicamente os méritos reais e boas obras.

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(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 216)